domingo, 25 de março de 2007

Necessidade do retorno à vida interior (parte I)

Mons. Octavio Nicolás Derise


O homem foi redimido por Cristo. Com suas dores e com sua morte, o Senhor pagou a Deus a dívida de nossos pecados, alcançou-nos o perdão e, incorporando-nos a Ele – o Filho de Deus – fez-nos participes de sua Filiação divina.
Pela fé e pelo arrependimento, e através do batismo, o homem incorpora-se a Cristo, e com a graça santificante que procede d’Ele, como Cabeça da Igreja – seu Corpo Místico – começa a viver a vida de Deus.
Essa vida de Deus, porém, é absolutamente sobrenatural, Está instaurada na vida natural de nossa alma espiritual, mas é essencialmente superior a ele. O homem não pode merece-la, nem vive-la, apenas com suas forças. Por penetrando e culta que seja, sua inteligência, por si mesma, não pode chegar a conhecer as verdades sobrenaturais da Revelação; e, por vigorosa que sejam sua vontade não pode atuar sobrenaturalmente. Daí necessitar não somente da graça santificante, que transforma e eleva seu espírito de modo permanente à vida de filho de Deus, como também das graças ou auxílios atuais, com que Deus lhe ilumina o intelecto e lhe conforta e anima a vontade. A palavra de Cristo é terminante: "Sine me nihil potestis facere" ("Sem Mim não podereis fazer nada")
Sem estas graças com que Deus nos conforta e sustenta na vida sobrenatural, não poderíamos permanecer nem atual nela, precisamente porque esta vida sobrenatural esta essencialmente por cima de toda natureza criada e criável. Pertence a uma ordem divina, que o homem só pode alcançar e viver com a ação de Deus em sua alma. Ação de Deus que normalmente opera através dos meios sobrenaturais estabelecidos pelo próprio Cristo.
Se todo ser natural – também o ser do agir do homem e de todas as criaturas – sob o aspecto de ser (sub ratione entis) procede sempre de Deus como causa primeira, o homem, precisamente porque não é ser, mas participa dele contingentemente, com muito mais razão depende imediatamente do Ser de Deus no ser e na vida sobrenaturais, que transcendem essencialmente toda a ordem humana criada.

(na parte II: os meios sobrenaturais)

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Fernando Rodrigues Batista

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Católico tradicionalista. Amo a Deus, Uno e Trino, que cria as coisas nomeando-as, ao Deus Verdadeiro de Deus verdadeiro, como definiu Nicéia. Amo o paradígma do amor cristão, expressado na união dos esposos, na fidelidade dos amigos, no cuidado dos filhos, na lealdade aos irmãos de ideais, no esplendor dos arquétipos, e na promessa dos discípulos. Amo a Pátria, bem que não se elege, senão que se herda e se impõe.
"O PODER QUE NÃO É CRISTÃO, É O MAL, É O DEMONIO, É A TEOCRACIA AO CONTRÁRIO" Louis Veuillot