quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

O dever de ser nacionalista

Por Fernando Rodrigues Batista

"Haveis de reconquistar o Brasil, não pela força bruta das armas mas pelo poder invencível das almas. Sois os arautos do advento da Idade Nova, que breve será instaurada no Brasil sob signo sagrado do Cristo". Alcebíades Delamare


Somos católicos e dentro da universalidade dessa filiação divina, somos nacionalistas, nacionalismo temperado pelo catolicismo, tal qual sempre foi o autêntico nacionalismo pátrio.
Portugal e Castela realizaram uma obra prodigiosa de expansão imperial e entrelaçamento de povos e raças, como não há exemplo igual na vida dos outros povos.
O verdadeiro nacionalismo brasileiro, portanto, não pode deixar de ter um sentido lusíada e hispânico.
Daí a afirmação insuspeita do historiador inglês Toynbee (protestante): "Os espanhóis e portugueses, cristãos e católicos, levaram a cabo um sentido colonizador peculiar; não só comem seu pão com os indígenas que civilizaram, mas ainda se casam com eles. Deus os bendiga. Se o gênero humano chegaram dia a reunir-se numa sí família, será graças a eles e não a nós".
Logo, a ação histórica de Portugal e Castela, uma empresa inédita, marcada com o signo missionário e civilizador, só pode ser equiparada ao colonialismo mercantilista – como fazem os agentes do anti-Brasil - pelo desconhecimento da história ou pela má fé dos sectários de ideologias hostis a essa obra.
Bem sabemos, nós, brasileiros, pela experiência de nossos antepassados, o que foi a atuação colonial, no sentido superior desta palavra – de colere, cultivar, donde cultura -, isto é, a ação cultural e civilizadora dos portugueses ao construírem o Brasil. Ação empreendida sob o signo da Cruz, trazida como símbolo nas caravelas e plantada no solo brasileiro ao desembocarem pela primeira vez aqui os súditos de El Rei Dom Manuel, logo genuflexos ante o altar da Missa celebrada por Frei Henrique de Coimbra, ação profundamente civilizadora por eminentemente missionária.
Seguindo esta linha de raciocínio, a Pátria é para nós um patrimônio espiritual como a concebeu alhures Ramiro de Maeztu, barbaramente fuzilado pelos marxistas espanhóis em 1936. O que da forma a Pátria única é um nexo, uma comunidade espiritual, que se torna, ao mesmo tempo, um valor da história do Mundo. Só a Pátria assim concebida nos dará a coragem de levar assim ao último extremo a vontade de sacrifício, o esquecimento do bem próprio, a heróica febre de vencer ou cair: os homens prontos a aceitar a morte para que a Pátria viva!.
Nacionalismo, aplica-se, com efeito, mais do que à terra dos antepassados, aos próprios antepassados, ao seu sangue e às suas obras; à sua herança moral e espiritual mais do que à sua herança material, como anuiu Maurras.
No entanto, a todo custo, querem os agentes do anti-Brasil nos apresentar uma história falsificada em seus desígnios, feito de per si trágico, cujos protagonistas são homens vulgares, vagabundos de espírito, que proliferam desde os bancos escolares o cumprimento de um novo decálogo, uma religião panfletária com deuses utilitaristas, no intento de fazer encobrir nosso olhar para o alto.
Em política, a história tem dado mostras do poder destruidor da conspiração anti-cristã e maçônica, e de que o método democrático nas mãos da partidocracia e do poder do dinheiro significa a desolação da nação.
E as desordens são de toda sorte; basta ver a educação sem Deus que nossas crianças recebem, a degradação do ensino universitário, leis e mais leis que atentam contra a família natural, a imoralidade que reina nos meios de comunicação, a difusão universal de literaturas perniciosas e de um cinema corruptor que desmoralizam gerações de jovens, sem atinar para criminalidade sem precedentes vinculadas geralmente ao tráfico de drogas e ao uso de tais substâncias.
Pondera Charles Beudant que uma sociedade pode ser grande e próspera apesar dos erros, mesmo graves, na ordem das ciências físicas, ao contrário, se um erro desviar um país da ordem moral e política, será um desastre total: os povos que não aceitam a disciplina dos princípios acabam por sofrer cedo ou tarde a disciplina da força.
E assim nós, católicos, nacionalistas, encontramo-nos amordaçados, exilados, confinados em nossa própria terra, em um Brasil que não mais é Brasil, esvaziado que foi de toda sua tradição histórica, de todo seu arcabouço moral e metafísico; vivemos covardemente, sem sinais de qualquer reação sob o império da demagogia democratica de que com tanta desenvoltura falam nossos homens públicos.
Uma nação cuja seiva espiritual fora relegada ao ostracismo não passa de terra árida que esteriliza a semente, é a massa que abafa o fermento. Poderão desaparecer as tensões, mas será a calmaria do deserto. As aparências poderão ser de paz, mas será um simulacro de paz, semelhante ao pesado silêncio da morte.
Em face de tais circunstâncias, que esperar de uma geração educada por mestres cuja maior preocupação é torna-la ímpia? Pio XII nos dá um direcionamento seguro: "Não os acovardem amados filhos, as dificuldades externas, nem os desanime o obstáculo do crescente paganismo da vida pública. Não os conduzam ao engano os suscitadores de erros e de teorias degradantes, perversas correntes, não de crescimento, senão de destruição e de corrupção da vida religiosa".
Ser nacionalista na hora presente é um dever inelutável, uma exigência peremptória e a única política prudente face as atuais circunstâncias da Pátria. A nação encontra-se pavorosamente diminuída moral e materialmente; somente uma política de sacrifícios extremos, de afirmações substanciais, nos permitirá resistir a pressão dos poderosos da terra e salvar, ao menos, a identidade de nosso ser nacional, de nossa individualidade histórica.
Nosso nacionalismo, porém, não se circunscreve a hostilidade ao indecoroso comunismo como o faz certa classe de nossa elite; nosso nacionalismo só tem sentido se revestido do catolicismo, pois que seu fundamento essencial, sem o qual não passaria de um nacionalismo aos moldes jacobinos, sem qualquer sentido para nós.
Sim, ser nacionalista para nós significa um sagrado compromisso para com a pátria, para com nossa história e nossa estirpe; que os tíbios e os medíocres nos alcunhem do que bem lhe aprouverem, pois enquanto vociferam seus ressentimentos, nós estaremos combatendo por Cristo e pela Pátria.
Há que restaurar tudo em Cristo seguindo o lema de São Pio X, incluindo naturalmente a Pátria.
Se queremos libertar a Pátria em Cristo e nossa opção é o Nacionalismo cristão, devemos começar por nossa liberdade interior, renovando os afetos, bens e poderes em Cristo Crucificado.
Desprendidos do amor próprio e de tudo o que possuimos, amaremos a Pátria e ao próximo com um amor transcendente, despojado de todo carater possessivo e que não busca nada para si. Amaremos como Cristo nos amou, com uma disponibilidade sem reservas para o serviço e com um espírito de sacrificio que tudo da sem nada receber nem esperar. Tão somente assim venceremos ao mundo como o venceu Cristo. Não teremos em conta o êxito, senão o testemunho da Verdade e o exemplo dos fazedores da Verdade. O Nacionalismo que não se propõe reconstruir a Pátria em Cristo, não é conforme com a realidade nem com a verdade do homem; não é tampouco conforme com a origem, a raiz e a essência do povo brasileiro. Perder nesta Cruzada é ganhar, porque do fracasso e da derrota se irradiará o exemplo triunfal e arrebatador sobre as gerações futuras.

Grupo de Estudos Gustavo Corção renova suas metas para 2008.

Por Andersom Calil - Jornalista
O homem concreto inserido em um determinado contexto histórico-cultural ligado a uma série de corpos intermediários, ou grupos naturais, como a família, os sindicatos, a universidade e o município. É com esta visão organicista da sociedade e afirmando a soberania de Deus, que o Grupo de Estudos Gustavo Corção se reuniu no dia 23 de Fevereiro para renovar suas metas para 2008.
Ficou definido que o grupo se reunirá semanalmente para o estudo de temas relacionados com a tradição católica, filosofia, política, história e temas correlatos.
O estudante Fernando Rodrigues Batista fez um breve relato sobre a vida e obra do filósofo argentino Jordan Bruno Genta, mártir católico assassinado por marxistas em 1974, ressaltando que nas próximas semanas fará exposições sobre outros pensadores como Jackson de Figueiredo, Gustavo Corção, José Pedro Galvão de Sousa dentre outros, bem como iniciar um curso para os membros do grupo sobre filosofia política seguindo as linhas do pensamento tomista, onde sempre serão abordados temas como lei natural, lei moral, ordem natural, ordem moral, realismo, idealismo, os quais são tratados de forma vulgarizada sobretudo nas universidades.
Para o acadêmico de História Aquiles Sessi, o grupo tem como prioridade o estudo da doutrina religiosa da Igreja Católica, que concebe o homem como criação divina, dotado de uma alma espiritual e eterna.
No final da tarde, ao final do encontro os participantes rezaram o Ângelus.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Os interesses e as paixões

Gustave Thibon

Marx, cuja filosofia reina hoje sobre metade do mundo, dizia que os conflitos sociais e políticos que agitam a humanidade têm por móbil a divergência dos interesses económicos. Simone Weil, comentando este pensamento, fez a seguinte observação: "Prouvesse a Deus que assim fosse. Tais conflitos não teriam então essa violência cega e esse carácter absurdo e irredutível e a sua solução seria muito mais fácil".
E Simone Weil acrescentava que em todos os conflitos humanos - desde as querelas entre indivíduos até à luta de classes e às guerras que opõem as nações - entra sempre um elemento irracional, um vento de loucura e de descomedimento que não só vai além do interesse, mas compromete o próprio interesse. Esse elemento resulta da paixão, sob a forma de instinto de agressividade, de amor-próprio mal orientado, de cólera e de ódio, de orgulho que quer, por qualquer preço, ter a última palavra, etc.
Não nego que haja conflitos de interesses. Mas estes são limitados e relativamente fáceis de resolver, enquanto a paixão não intervier. Assim que a paixão entra em jogo, deixa de ter o interesse em conta e não hesita em sacrificá-lo, para ir até ao fim do seu próprio impulso.
Não faltam os exemplos.
Conheci dois irmãos que não conseguiram nunca chegar a um entendimento sobre a partilha da herança paterna. Esta disputa apresentava todas as aparências de um conflito de interesses. Mas nenhum deles queria fazer concessões e acabaram por gastar a herança num processo judicial ruinoso, isto é, acabaram por calcar aos pés os seus respectivos interesses. 0 pretenso interesse de cada um era apenas uma máscara da teimosia e do ódio.
Acontece o mesmo em certos conflitos sociais (estou a pensar nos acontecimentos de Maio de 1968, que abalaram a economia francesa e provocaram a desvalorização da moeda) que, atiçados e envenenados pelas paixões, vêm a ser tão prejudiciais aos interesses dos
trabalhadores como aos dos que possuem riqueza.
E que dizer desses conflitos entre as nações dos quais só resultam sacrifícios humanos e ruínas económicas e os quais, no final das contas, só deixam vencidos? Napoleão, Hitler e outros autores de guerras intermináveis eram, acaso, movidos pelo interesse dos seus povos ou, mesmo, pelos seus interesses pessoais? Não. O que fizeram foi imolar os seus povos à sua ambição desordenada e sucumbiram, por fim,eles próprios, vítimas do seu apetite monstruoso de poder e domínio.
Uma sã concepção dos nossos interesses exige que dominemos as nossas paixões e que nos ponhamos de acordo com os nossos semelhantes, porque, à escala dos indivíduos como à escala das classes sociais e das nações, os interesses de todos os homens são convergentes.
A única confrontação legitima é a que consiste numa competição leal, baseada na emulação e não na inveja, a qual, multiplicando os bens postos à disposição de todos, faz coincidir o interesse particular e o interesse geral. Assim, purificadas desse veneno passional que nos cega quanto ao nosso próprio interesse e quanto ao do nosso próximo, todas as ocasiões de conflitos poderiam tornar-se motivos de colaboração e de ajuda mútua.
Era a esta verdade que Talleyrand prestava homenagem quando, depois das guerras imperiais que tinham ensanguentado e arruinado a Europa, afirmava no Congresso de Viena: "É preciso substituir as paixões que dividem pelos interesses que aproximam".

Fernando Rodrigues Batista

Quem sou eu

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Católico tradicionalista. Amo a Deus, Uno e Trino, que cria as coisas nomeando-as, ao Deus Verdadeiro de Deus verdadeiro, como definiu Nicéia. Amo o paradígma do amor cristão, expressado na união dos esposos, na fidelidade dos amigos, no cuidado dos filhos, na lealdade aos irmãos de ideais, no esplendor dos arquétipos, e na promessa dos discípulos. Amo a Pátria, bem que não se elege, senão que se herda e se impõe.
"O PODER QUE NÃO É CRISTÃO, É O MAL, É O DEMONIO, É A TEOCRACIA AO CONTRÁRIO" Louis Veuillot