quinta-feira, 7 de junho de 2007

O Dever Cristão da Luta...


Hoje mais que nunca, é imperioso atermos nossa atenção as palavras de Antônio Caponnetto, católico tradicional e nacionalista argentino, que constam em seu livro "El Deber Cristiano de la Lucha", que abaixo transcrevemos.
Hoje, quando o público jungiu-se com o privado; quando o bem público confunde-se com o bem comum, magnificamente como ensinou o aquinate; quando a moral pública prescinde de quaisquer elementos que não seja a moral emergida das leis positivas, em total rechaço ao direito natural e cristão, então nos parece que o caos se torna inevitável. Assim, o Cristão, o católico, deve assumir seus deveres para com Deus, combatendo em nome das sãs tradições de nossa pátria, nascida sob o sinal da Cruz, e que agora sangra e clama a seus filhos que ainda lhe são fiéis, clama a Reconquista.



"Mas o combate que livra o justo não é só individual. Não tem inimigos exclusivamente privados, nem males que lhes atañan subjetivamente. E ainda que sua tribulação e pesar, sua expiação e sua dor lhe sejam intransferíveis, há em seu padecer uma questão transpessoal: o drama da pátria invadida e subjugada que implora uma reconquista física e espiritual. A dor ante a nação desnaturalizada e sacudida pelo pecado e submetida a vitória temporária dos infiéis. Os justos não podem nem devem consenti-lo, e a luta assoma novamente como um dever e uma obrigação capital. Deus vai a frente e é verdadeira força, "não é a multidão dos exércitos" o fator decisivo, tampouco a destreza do guerreiro ou "o vigor do cavaleiro" (Sal. 33, 16-17). Só Deus.É impróprio, pois, manejar cálculos exclusivamente humanos e materiais: número de contricantes, estratégias e táticas ou ofensivas diversas. O Senhor dos Exércitos se empenha em demonstrar que a vitória ou a derrota está em suas mãos e guarda estreita relação com a lealdade a Ele devida.O Salmista o reconhece expressamente: "não confio em meu arco, nem minha espada me dará vitória" (Sal. 44,5). "Sua destra, seu braço, a luz de seu rosto... por ti bateremos a nossos inimigos" (Sal. 44, 4-6). E novamente Seu Nome santo - repetido e exaltado a cada instante - é como um lábaro de glória que acompanha ao soldado.Na deslealdade e na idolatria sobrevem a desonra nacional. A ignominia e o ultraje prevalecem, a pátria jaz e os patriotas pedem ao céu a graça de recuperar sua liberdade e sua honra. A graça da paz edificada na justiça (Sal. 46). Deus, que não lhes ha conservado provas nem sanções, tampouco os privará de sua condução reconquistadora (Sal. 60). Como ginete bravo vem "cavalgando pelo deserto" (Sal. 68, 5), já seu passo viril, os inimigos "se desvanecem como humo e se derretem como a cera ao fogo" (Sal. 68, 3). Volta o Senhor dos Exércitos, regressa uma vez mais a guiar os justos, a consolar aos órfãos e as viuvas, a defender aos cativos e alçar-se onipotente no santo tabernáculo (Sal. 68, 6-7). Reaparece "terrível" em sua cólera e em suas sentencias, indômito em suas ordens e em seus juízos, resoluto em seu furor reparador, resplandecente e majestoso "mais que os montes eternos" (Sal. 76, 5). A herança profanada restabelece seu decoro, os traidores são rendidos e os cúmplices desprezados, e sobre as ruínas todavia ardentes fazem valer seus direitos. Deus vincit.E um segundo:"Esta Igreja Primitiva não ignorava o quinto mandamento, nem os conselhos do Senhor sobre o amor aos inimigos, nem as recomendações pessoais para entregar também a veste ao que nos despoja do abrigo. Mas sabia que a morte é pecado se executa contra um inocente e não contra um perverso em custódia do bem. Que uma coisa são os inimigos privados, ante os quais cabe oferecer nosso abatimento e nossa humilhação e outra os inimigos públicos de Deus e da Ordem por Ele criada, a quem estamos obrigados a enfrentar até as últimas conseqüências, não por ódio a eles, senão por amor a Verdade. Que és distinto preferir o padecimento de uma injustiça antes que comete-la - tal o sentido da metáfora do despojo do abrigo - que consentir um roubo ou não impedi-lo, podendo, pois, seria faltar ao sétimo mandamento. E que Cristo mesmo, ao fim, que elegeu ser vitima antes que fazer vitimas, não colocou sua outra face frente ao servidor de Caifás, nem descartou a possibilidade de mobilizar uma legião de arcanjos armados se aquela não houvesse sido a hora da iniquidade".

Os livros disponíveis de António Caponnetto podem ser adquiridos no sítio da livraria "Nueva Hispanidad".

Nada é imutável; nada é permanente

Alfredo Lage



Mas que são os intelectuais de esquerda? Os membros de uma nova clerezia, a clerezia da nova Igreja, ou melhor, anti Igreja dos Iluminados (o clericalismo que suprime Deus mas conserva o padre, como observa Jules Monnerot), em suma, os devotos do irreal, os entusiastas do não-Ser. Ao contrário de Deus plenitude de ser para o fiel, o Absoluto tal como o concebe o pensamento de esquerda, observa Molnar, "nunca está completo pois é imanente à história que o engendra à medida que avança".
"A plenitude é esperada a qualquer momento ou dentro de um bilhão de anos", de qualquer sorte, o concreto é o inaceitável por definição. Toda materialidade é sinônimo de imperfeição. O presente é que conduz ao Real através de sua própria negação. No que existe aqui e agora, e em tudo que possui a concretude da existência, temos a matéria sempre renovada da contestação.
A única atitude construtiva consiste em recusá-lo em nome de um possível, objeto não de visão, mas de fé. "O espírito crítico da esquerda – a falar propriamente – não é pois um espírito crítico, mas um espírito de negação da realidade concreta" (La Gauche..., p.27). E o próprio Maritain escreveu na Lettre sux l´Indépendance que "o puro homem de esquerda detesta ser, preferindo sempre e por hipótese (...) ao que é o que não é" (cit. no Paysan de la Garonne, p. 39). O que não é – ou melhor; não é ainda – (vemos agora) é o Recomeço absoluto ou (como diz Hegel) o Resultado da História de antemão conhecido, o qual consiste na plenitude final por fusão no Todo.
Daqui para o horror do permanente, do que, aqui e agora, dura ou perdura, sendo dotado de natureza, que é o princípio de permanência; daqui – o repúdio das normas que são fixas porque derivam dessa natureza. Para o homem de esquerda, as normas morais (como o mesmo homem) são relativas ao tempo. A ética pertence ao domínio do provisório (onde o Ser não é ainda e tudo está "em questão" e todas as questões permanecem abertas). Tudo muda e a própria verdade deve resultar de uma negação. Nesse diálogo universal, que é a evolução sujeita à dialética, ou o processo mesmo da Humanidade divina, o atual está sempre sob acusação (pois tudo o que pretende ser, neste baixo mundo, ou nesta etapa condenada da História, é culpado de não querer durar). Na medida em que pretendem firmar-se na existência, os termos presentes de qualquer situação social ou de qualquer instituição, devem ser contestados. ( O Conceito – como diz Fichte – transforma a vida imediata num ser fixo e morto).
A Igreja com as suas instituições e códigos, cúrias e dicastérios, , seu corpo imutável de dogmas e seu sistema disciplinar, a Igreja com organizações de base presas à terra (dioceses, paróquias, lugares consagrados, o Vaticano e suas secretarias e representantes no exterior, e tratados firmados com autoridades temporais etc). essas mesmas autoridades civis, o Estado, com seu sistema jurídico, sua ação estabilizadora das relações civis e coordenadora dos vários grupos sociais (grupos de caráter local, profissional, etc); o Estado – repito – com seus instrumentos de coação e a precisa medida em que aspire à continuidade e pretenda ancorar-se aqui e agora, criando raízes neste mundo do provisório, é mau. Mau é tudo o que especifica, separa e diferencia, tudo o que, de modo constante, introduz diversidades, categorias, ordens, divisões, qualificações, fronteiras (por divisões, separações, oposições, multiplicidades são a marca do degrado ou alienado que se opõe no Uno). A família, unidade básica da sociedade civil e fator n° 1 de estabilidade social, a família, dotada de estrutura imutável e de uma hierarquia fundada na natureza é especialmente má. Pretendendo o homem à terra, merece tornar-se o alvo principal de todas as detestações. Não há atitude mais "construtiva" para a esquerda do que atacar, desmoralizar, enfraquecer e solapar por todos os meios a família. "Familles, je vous hais".
Revista Hora Presente, Ano III – Agosto/1971, n° 10, "As origens da contestação total" p. 188/189

A Democracia Cristã, na escolta do socialismo

Ao condenar o Sillon (movimento democrata-cristão da França dos fins do século XIX e início do séc. XX), afirmando que o mesmo formava na "escolta do socialismo", Pio X deixou dito entre outras coisas o seguinte:


"Se Jesus foi bom para os transviados e os pecadores, não respeitou suas convicções errôneas, por sinceras que parecessem; amou-os a todos para os instruir, converter e salvar. Se chamou junto de si, para os consolar, os aflitos e os sofredores, não foi para lhes pregar o anseio de uma igualdade quimérica. Se levantou os humildes, não foi para lhes inspirar o sentimento de uma dignidade independente e rebelde à obediência. Se seu coração transbordava de mansidão pelas almas de boa vontade, soube igualmente armar-se de uma santa indignação contra os profanadores da casa de Deus, contra os miseráveis que escandalizam os pequenos, contra as autoridades que acabrunham o povo sob a carga de pesados fardos, sem aliviá-la sequer com o dedo. Foi tão forte quanto doce; repreendeu, ameaçou, castigou, sabendo e nos ensinando que, muitas vezes, o temos é o começo da sabedoria, e que, às vezes, convém cortar um membro para salvar o corpo. Enfim, não anunciou para sociedade futura, o reinado de uma felicidade ideal de onde o sofrimento fosse banido; mas, por lições e exemplos, traçou o caminho da felicidade possível na terra e da felicidade perfeita no céu: a estrada real da Cruz. Estes são ensinamentos que seria errado aplicar somente a vida individual em vista da salvação eterna; são ensinamentos eminentemente sociais e nos mostram em Nosso Senhor Jesus Cristo outra coisa que não um humanitarismo sem consistência e sem autoridade".


(PIO X – "Notre Charge Apostolique", n° 38)

Os meninos se matam

A Carlos Drummond de Andrade

Gustavo Corção

O moço que se matou, dizendo por escrito que era um "desajustado social", na verdade matou-se porque se deixou convencer de que não existe na vida e no mundo lugar para a dor. Matou-se porque lhe disseram, com aquele vocábulo, e com a filosofia maldita que por trás dele se esconde, que o mundo não concede matrícula aos que choram. Insinuaram-lhe que tudo se reajusta, e acrescentaram que só depois dessa reajustagem pode uma alma se inserir. Ora, o moço viu que a primeira parte da história era falsa, porque nem tudo se reajusta, mas continuou a crer na segunda; e então, suicidou-se. Suicidou-se porque era um desajustado. Suicidou-se porque era uma excrescência na criação. Uma verruga no universo.
Ah! como eu quereria gritar aos ouvidos dos moços que há no mundo e na vida lugar para a dor!
É claro que existe o problema da inserção. Ninguém nega que o dinamismo iníquo da sociedade tende a deixar à margem os fracos, os tímidos, os perturbados. Ninguém nega que o homem deva aprender a se inserir na efervescente convivência e deva lutar pela defesa de seu lugar. Tudo isso existe, e já é bastante trágico para que ainda venham dilatar o campo do problema com essa idéia infernal de que só os felizes estão inseridos e que todas as mágoas, todas as feridas, todas as tristezas são sinais de excomunhão.
Moços! há na vida e no mundo um lugar, um enorme lugar para a dor. Há lugar para o pobre; para o doente; para o obscuro; para o aleijado; para o perseguido.
Eu li o comovente artigo de Carlos Drummond sobre o outro menino, apaixonado que um dia, que teve pressa de matar-se. Li, e creio ter compreendido a pungente aflição daquela enorme alma de poeta quando lhe passa pela mente que o menino poderia salvar-se se alguém, naquelas poucas horas de um prelúdio de dor, o tomasse pela mão, o levasse à praia, e risse com ele nas espumas do mar. Raramente senti tamanha afinidade, tamanha simpatia, como nesse artigo escrito ele todo com um nó na garganta; e lido, ele todo, no outro lado da cidade, em outra situação, em outros sentimentos, mas com o mesmo fundamental nó na garganta.
Mas discordo do poeta no remédio. Talvez desse bom resultado o mergulho na onda fria que lhe desatasse no peito as molas da infância. Mas cá fora, ali mesmo na praia, esta a Teoria à espera do menino. A teoria de que não há no mundo e na vida lugar para a dor. Muito mais do que a mocinha do bloco, sem culpa maior do que alguma faceirice, quem deseja imolar os moços de vinte anos é essa Teoria de implacável otimismo que exige para a vida, para o ingresso na vida, condições higiênicas e psicotécnicas mais rigorosas do que as que se exigem para os aviadores. A Teoria diz ao moço que vá tratar-se e volte depois se quer emprego no mundo. A Teoria dá um prazo para que o candidato se torne decentemente feliz. Feliz no padrão, de G para cima. Feliz no sexo. Feliz nos nervos. Feliz em tudo. Decentemente feliz.
Bem sei que há os desesperos precoces que ignoram as coisas boas de que a vida é farta. Será bom dizer-lhes que existem muitos amores, que haverá muitos outros blocos e muitas, muitíssimas outras mocinhas amáveis. Que o céu é azul, que há prados cheios de flores, e que é bom mergulhar na onda fria, com os olhos abertos, para ver um mundo novo fundido em esmeralda. Que é bom deitar na grama, que é bom meter o pé no estribo, em manhãzinha brumosa, manhã de roça, sentindo o cheiro do couro e o cheiro forte do cavalo; que é bom andar de mãos dadas em rua de bairro antigo ao cair da noite confidencial e casamenteira; que é bom pisar um tombadilho molhado e sonhar com cidades de lenda; e que é bom ficar à toa, numa varanda domingueira, seguindo os passos de um inseto de rubis e safiras, que passeia num velho muro a sua microscópica riqueza; que é bom respirar; que é bom viver.
Mas não basta, ó poeta, mostrar às almas aflitas a doçura das relvas, a frescura das ondas, e a ternura dos regaços de amor. Porque isto não é toda a verdade da vida. E é preciso ser verdadeiro. É preciso, sempre, ser verdadeiro. Em toda a extensão. Em toda a profundidade. Nos dois hemisférios de luz e sombras da verdade.
O que é preciso dizer, a esses moços que por tão pouco desesperam, é que existe uma dignidade no centro mesmo da dor; que a dor não excomunga; que a dor já foi santificada para que possa santificar. O que é preciso, ó poeta de alma grande, é abrir velas ao mar, e descobrir a verdadeira extensão do mundo e da vida.
Ah! essa história maravilhosa, que a mim me contaram, como eu gostaria de lhe contar, longamente! longamente!

(Março, 1956. Republicado em DEZ ANOS, Editora Agir)

Oração de León Bloy

Dentro de breve, estaremos postando algumas das melhores frases de Leõn Bloy, o "peregrino do absoluto", este polemista frances, que marcou época e foi responsável pela conversão de Maritain e sua esposa Rayssa dentre outros não menos ilustres.



"Senhor, não tenho confiança em Ti.
Bem sei que me amas, que me queres infinitamente,
que há criado os mundos para mim,
e que isto não é nada comparado ao que ainda quer fazer.
Bem sei que ‘estás comigo na tribulação’,
que fostes esbofeteado, depreciado, açoitado,
coroado de espinhos, crucificado por mim faz dois mil anos desde sempre.…

Não importa, eu sou um mal judeu e não tenho confiança em Ti."

León Bloy

Fernando Rodrigues Batista

Quem sou eu

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Católico tradicionalista. Amo a Deus, Uno e Trino, que cria as coisas nomeando-as, ao Deus Verdadeiro de Deus verdadeiro, como definiu Nicéia. Amo o paradígma do amor cristão, expressado na união dos esposos, na fidelidade dos amigos, no cuidado dos filhos, na lealdade aos irmãos de ideais, no esplendor dos arquétipos, e na promessa dos discípulos. Amo a Pátria, bem que não se elege, senão que se herda e se impõe.
"O PODER QUE NÃO É CRISTÃO, É O MAL, É O DEMONIO, É A TEOCRACIA AO CONTRÁRIO" Louis Veuillot