sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

As condições da reconquista cristã (II)

Jean de Siebenthal

2) Reconquista de si mesmo

Não restam dúvidas então. No entanto, a reconquista começa no interior de cada um de nós. Inútil acusar a outras pessoas, colocar a responsabilidade da reconquista sobre outros, se não tendermos com todas nossas forças para nossa santificação, através de esforços, sacrifícios, fazendo uma reorganização profunda de nossas vidas, de nossas atividades, podando as superficialidades, algumas conveniências, rechaçando as coisas vãs. Para evitar em seu país o espectro do nazismo, Winston Churchill não prometia aos ingleses "sangue, suor e lágrimas"?Certamente a Redenção custou muito mais a Nosso Senhor: as lágrimas que derramou por Jerusalém, o suor de seu sangue no jardim da Agonia e todo sangue de seu coração na Cruz. E não entraríamos nesta perspectiva, negando-nos a unir nossas lágrimas, nosso suor, nosso sangue próprio ao de Cristo, ao sangue dos cristãos perseguidos. Nós não podemos esperar que um milagre traga a reconquista sem nossa transpiração, ou esperar algum grande monarca em um grande trono… suspirar por um mundo melhor no mundanismo, sobre plagas paradisíacas.Certamente, o Decálogo já impõe exigências dolorosas no plano pessoal, mas a reconquista não tem sentido se sigo adúltero, concupiscente, mentiroso, violento, preguiçoso, se não santifico o domingo, todo o domingo, se a preocupação das noticias da terra eclipsa as noticias do Alto.A reconquista exige a nível pessoal a vida das bem aventuranças, a pratica da caridade. A santificação pessoal de São Luís não se refletiu sobre seu século, sobre seu país?
O cristão, se bem que pode prevalecer-se de direitos, só tem essencialmente deveres, e sobre tudo o grande dever de passar a ser o que é, ou seja, por sua perseverante vontade, apontar sua existência de acordo a sua essência de batizado prometido para a vida eterna. Ante este dever, todos os direitos aparecem. Cada um de nós existe como um piano mais ou menos desafinado, e que trabalho é ajustar cada corda segundo a essência de uma nota bem suave, segundo a harmonia da ordem! Que cacofonia se nossas cordas permanecessem à margem da norma de origem divina! Basta uma nota falsa para estropear toda uma peça… Compor uma sinfonia social com um conjunto de instrumentos desafinados; que desastre! É o espetáculo do mundo, desgraçadamente. Seria necessário diminuir ao mínimo as dissonâncias inevitáveis.

Um comentário:

Luciano disse...

O que é sentido lato do nacionalismo?


Fernando Rodrigues Batista

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Católico tradicionalista. Amo a Deus, Uno e Trino, que cria as coisas nomeando-as, ao Deus Verdadeiro de Deus verdadeiro, como definiu Nicéia. Amo o paradígma do amor cristão, expressado na união dos esposos, na fidelidade dos amigos, no cuidado dos filhos, na lealdade aos irmãos de ideais, no esplendor dos arquétipos, e na promessa dos discípulos. Amo a Pátria, bem que não se elege, senão que se herda e se impõe.
"O PODER QUE NÃO É CRISTÃO, É O MAL, É O DEMONIO, É A TEOCRACIA AO CONTRÁRIO" Louis Veuillot