quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Entrevista com Tomas Molnar: 40 anos depois do Vaticano II

40 anos depois do Concílio Vaticano II
Entrevista com
TOMAS MOLNAR, famoso intelectual católico, húngaro, professor na Universidade americana de Yale. Tirada do livro "Du mal moderne. Symptomes e antidotes"


Questão
E o Vaticano II? Até que ponto o Concílio transformou a Igreja?
Sobre esta questão, há várias posições. Os progressistas asseveram que o Concílio permitiu uma abertura ao mundo ainda imperfeita e tímida, e que se trata de torná-lo ainda mais radical, permitindo, por exemplo, o sacerdócio das mulheres, a contracepção, o aborto; os integristas condenam o Concílio, considerado como um largo compromisso [com o mundo] pelo qual a Igreja foi desfigurada. O Santo Padre, o Papa Bento XVI, por sua vez, desde que era Cardeal, afirma que o Concílio foi um benefício, mas que muitas vezes foi mal entendido. E o senhor, o que acha do Concílio?

Resposta de Tomas Molnar:
Quanto ao Concílio Vaticano II, coloco-me entre os integristas, na condição que aceiteis não falar em "integristas", mas meramente de simples católicos. Deve-se muito aos integristas, agüentaram os primeiros choques deste concílio dominado pelos radicais militantes. Retrospectivamente, é preciso dizer que tinham razão. As observações de Ratzinger são a prova disto. Se Monsenhor Lefebvre deixasse de combater, Ratzinger não ... [duas palavras ilegíveis], na sua avaliação do trabalho conciliar. Outras provas? As multidões de fiéis feridos que abandonaram a Igreja; a incapacidade desta de inspirar as formas da sensibilidade religiosa, ao menos a arte, a música, a arquitetura, a literatura, todas as áreas nas quais a Igreja se esterilizou, por assim dizer.
Diz-se que o Concílio é uma coisa e o pós-concílio outra. Não é nada. O Concílio e o que se seguiu é a mesma coisa. É o capítulo mais negro da história da Igreja, tanto mais que não é nada certo que possamos remediar isto nos próximos séculos. O diagnóstico não é difícil. Sem falar nas vicissitudes doutrinais que têm a sua lógica própria, a Igreja de Paulo VI capitulou frente à sociedade civil, ao indiferentismo, à heresia americanista, em sumo, frente ao protestantismo e ao modernismo. A vantagem, se me permite esta expressão, porque se trata de uma catástrofe não só para a Igreja, mas para toda a humanidade, abandonada hoje às seitas – a vantagem, portanto, é que vemos bem o castigo imediato: aborto maciço, a inundação da corrupção sexual, a devastação causada pela droga, a família destruída (50% de divórcio). Todas as motivações sociológicas têm pouco peso ou nada: é a Igreja que é responsável, esta Igreja prosternada diante da ONU, uma Igreja que persegue os crentes e que os escandaliza pelas suas mascaradas.

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Fernando Rodrigues Batista

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Católico tradicionalista. Amo a Deus, Uno e Trino, que cria as coisas nomeando-as, ao Deus Verdadeiro de Deus verdadeiro, como definiu Nicéia. Amo o paradígma do amor cristão, expressado na união dos esposos, na fidelidade dos amigos, no cuidado dos filhos, na lealdade aos irmãos de ideais, no esplendor dos arquétipos, e na promessa dos discípulos. Amo a Pátria, bem que não se elege, senão que se herda e se impõe.
"O PODER QUE NÃO É CRISTÃO, É O MAL, É O DEMONIO, É A TEOCRACIA AO CONTRÁRIO" Louis Veuillot