quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Crianças de hoje

Luce Quenette (educadora católica francesa. O presente artigo foi publicado na revista Permanência).

Em toda sociedade civilizada, há um constante apelo à honra, o que naturalmente provoca sentimento de culpa nos que violam suas leis e usos. Alguém dirá que uma tal sociedade engendra a hipocrisia. Pois bem! Quando a virtude e a decência são honradas, o homem perverso não tem outro recurso, se não quiser converter-se, que o de dissimular, fingindo virtude. E finge tão mal, que as pessoas honestas chamam-no hipócrita. Mas, "a hipocrisia é uma homenagem que o vicio presta à virtude". A decência e a virtude não lhe servem de causa, mas de ocasião. A honra a que elas têm direito e que lhes prestamos é ocasião de inveja, dissimulação, astúcia e furto. Ora, toda lei justa, a começar pelos Dez Mandamentos, é ocasião de pecado para o coração concupiscente. A lei protege o fariseu, evidentemente. Poder-se-ia dizer que a lei é má, como fala São Paulo? Longe disto. Ela é boa. Mas por si mesma, sem a graça de Jesus Cristo, não pode nada. Toda organização da sociedade cristã esta aí. É preciso que Ele reine.
A cura de toda hipocrisia e de todo cinismo é o conhecimento da lei em estado de graça.

* * *
Quem vos fala é uma mãe. Ela leva a Péraudière seu filho mais velho, de cinco anos e meio. Com coragem, seu marido e ela percebem o rosto ligeiramente angustiado do pequeno João, que nunca deixara o doce lar:
"Nós o teríamos colocado no Sacré-Coeur, com os jesuítas, bem próximo de nossa casa, mas soubemos que nas turmas da 10a. série, sim, no Sacré-Coeur (!), havia lições de iniciação sexual, e com imagens". Foi uma mãe que nos disse isso. Ela tinha acabado de levar seu filhinho para a entrada do colégio. Disse a ela: "a senhora precisa tirá-lo de lá, não pode deixar que se cometa este atentado." Ela suspirou: "Que posso fazer? Isso agora é permitido". Horrorizada, interroguei outros pais na mesma situação e cheguei a esta terrível conclusão: não somente eles o admitiam, mas SE JUSTIFICAVAM, pensando que estavam legitimamente dispensados de dar aos filhos uma iniciação que os embaraçava; eles calavam sua repugnância com o slogan criminoso: você sabe, hoje em dia, é um pouco mais cedo ou um pouco mais tarde!"

* * *

Eis um pequeno idoso (de um ano de idade) que foi, antes do mais, insuportável e que, de volta das férias, mantinha-se ereto, com um aspeto respeitoso e altivo entre o pai e a mãe. Eu sentia, no entanto, que aquilo era demais. A mãe fez com que o filho fosse dar uma volta e me disse que, durante as férias, a criança fora terrível. "Bom, disse eu, é preciso chamá-lo e dizer tudo na frente dele." É o que eu faço. Meu filho abaixa a cabeça, confuso, envergonhado, arrependido. A mãe, tímida: "Sabe, filho, não é para te machucar nem te fazer sofrer que dizemos essas coisas." — "Mas sim, Madame, é para fazer sofrer, para machucar seu coração, que ama a mamãe, para que ele se arrependa e que, nas próximas férias, vocês tenham um filho carinhoso. Ele entende muito bem e sabe que estamos certos." Dois olhares: Alan eleva os olhos, que oferecem seu acordo e humildade. Por sua vez, o olhar bom da mãe é de espanto e admiração. Quanto ao pai (pois há ainda sua opinião), este se inclina perto da mãe e diz, contente: "Viste, bem que te avisei!"
Que estes amigos encantadores perdoem-me de mostrar, por meio deles, na alma do educador e do filho deles, a passagem de uma correção derrisória, conforme a moda, à nobre beleza da justiça cristã.

* * *
É espantoso o zelo com que as crianças cristãs recebem o apelo doutrinal à conversão. Seu coração, preparado pelo batismo e pela fé de seus pais, instintivamente repugna à justificação conforme o mundo. Claro, uma criança mimada se compraz, em seu egoísmo e sensualidade, de ser "compreendida" e não "repreendida". Serve-se gulosa e insolentemente das falsas desculpas e explicações que lhes oferecem para seus pecados. Mas isso a enerva, a excita, e não a acalma. Os grandes ingênuos que "compreendem" sua gulodice, sua preguiça, sua tirania, ele os despreza e explora. Mas, se os pais são cristãos, se estão resolvidos a preservar a alma de suas crianças, custe o que custar, ainda que lhes faltem algumas luzes e, por conseguinte, o savoir-faire, nada estará perdido. Nós vemos isso claramente. O pequeno novato entra na Péraudière convencido de que é preciso fugir do mal que o assediou, que respirou e que cometeu nas más escolas; ele sabe que vai aprender a servir a Deus segundo a Tradição e que é por isso que seus pais se separaram dele. A disposição fundamental é justa.
Então, convém, o quanto antes, após alguns dias em que se terá experimentado a afeição e a solicitude, levá-lo à conversão. O que eu disse aqui é fruto da experiência dentro de uma escola, em busca de nosso fim essencial; isso, eu digo para todos os fundadores de escola e para todas as famílias.
Graças a Deus e a pais santos, as crianças já entram na escola convertidos. Mas, para tantos outros, a reeducação da alma, afetada pela terrível psicologia que justifica o mal, deve começar pela conversão. Resumirei isso tudo com a seguinte e surpreendente declaração de uma criança de dez anos, que guardo comigo há muitos anos, como a fórmula mesma da conversão do coração: "Pareceu-me, de repente, disse-me esta criança, que Deus me dizia: Olha para tua vida! Daí, enxerguei todos os meus pecados, quis que eu nunca voltasse a cometê-los e fui para o confessionário."
Eis o ponto de partida, todo resto é vão: as exortações para se dedicar, para agradar àqueles que o amam etc, etc, tudo é vão, antes.
Olha, meu filho, e vê, à luz das lições do catecismo, da lição sobre o pecado, dos novíssimos, do exame de consciência seguindo os mandamentos, à luz da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. Olha, minha criança, olha para tua vida! A criança volta-se para si mesma, se entristece na contrição e examina seus pecados cuidadosamente, com uma seriedade que nos faz repetir para nós mesmos: "Se não fores semelhantes a um desses pequeninos!" E finalmente, com confiança e humildade, se entrega ao Tribunal da Penitência.
Bendito o padre, ministro fiel de Jesus, que recebe com respeito e atenção este retorno do filho pródigo! Digo mesmo "retorno do filho pródigo" porque sei que, mesmo entre pessoas piedosas, que se dizem fiéis e tradicionalistas, ainda reina o instinto estúpido de não levar a sério as faltas de uma criança, de sorrir de sua gravidade, de não dar importância a seu arrependimento pela maneira pueril de a acolher.
Muitos educadores me acusam de dar muita importância a esta reviravolta na alma de uma criança, de levá-la mesmo às raias do escrúpulo e, porque não, de ser jansenista...
Julga-se a árvore pelos seus frutos: a criança convertida sai do Tribunal da Penitência radiante, banhada pela misericórdia, começando uma nova vida; ela corre para diante do Tabernáculo, reza sua penitência com os mesmos sentimentos de Joinville ao partir para a cruzada.
É preciso saber que tudo que se subtrai da gravidade do pecado por meio de um freudismo disfarçado, subtrai-se da misericórdia de Deus e da dignidade livre do animal racional.
Após este banho salutar de penitência, a criança convertida não está ao abrigo das tentações; contudo, a experiência permite dizer que elas são bem menos freqüentes e que "dão menos vontade". A Santa Virgem esmaga a cabeça da serpente, sobretudo se temos o hábito do recurso filial e contínuo à sua Santa Maternidade, através do terço cotidiano e da invocação repetida.
A criança convertida é mais calma, mais feliz; possui "esta moderação das pessoas felizes" da qual fala La Rochefoucauld. Ficam mais espaçadas as cóleras de criança mimada e sem vida interior, que se revoltava à privação de um prazer ou à perspectiva de um esforço.
A criança convertida é mais inteligente. O nível intelectual das crianças saídas das escolas de hoje é lamentável. Na verdade, as classes atuais não fazem mais pensar. As novas matemáticas ajudariam a preencher este vazio, se a inacreditável preguiça não o impedisse. Ora, a conversão opera o mais profundo movimento das faculdades espirituais. A graça exige da alma no que toca a inteligência, intuição, lucidez, atenção; no que toca a vontade, humildade, resolução, execução, além do sábio governo da sensibilidade.
É possível mensurar de quantos bens naturais e sobrenaturais estão privadas as crianças de hoje, por obra de uma heresia que as submete à vigílias de penitência e à sacrílegas absolvições coletivas, sem confissão de pecados?

* * *
É preciso que os pais católicos estejam convencidos da necessidade sobrenatural da penitência e da conversão; e que, nesta perspectiva (de guardar as crianças na fé de Jesus Cristo, quer dizer, em estado de graça), eles tornem-se severos.
Outro fruto da experiência: as crianças convertidas têm orgulho de ter pais severos. Isso é evidente: a criança contestadora se insurge contra toda proibição, pois despreza a lei e aqueles que a anunciam. A criança cristã honra a autoridade, que a quer em paz com o Céu.
Isso é evidente, comprovado.
Recebi, em meados de setembro, duas cartas de dois irmãos terríveis, briguentos, mas convertidos. Ei-las: "No final destas férias, tornamo-nos insuportáveis de novo. Mas nossos pais agiram bem: brigaram conosco e nos puniram como merecíamos."
Esta é uma apreciação de espíritos livres e clarividentes, sem sombra de insolência, mas profundamente satisfeitos da ordem justa das coisas.
Mais um fato, dentre os muitos do ano passado: explicávamos, no catecismo, o quarto mandamento; quatro meninos, de seis a oito anos, enxugavam a louça; criam-se a sós; mas, enquanto isso, uma senhorita corrigia seus cadernos numa sala vizinha, cuja porta estava aberta. Estes são os mais velhos, que tem o hábito de lavar a louça em paz e conscienciosamente.
A conversa a sós estava bem animada:
Roberto: tua mãe te dá muita bronca?
Carlos: Ah sim, e me castiga mais que às meninas.
Roberto: Por quê?
Carlos (sem modéstia): Porque as meninas fazem menos besteiras do que os meninos (ele tem três irmãzinhas).
João: E quando tua mãe te castiga, ela te bate?
Carlos: Antes ela me explica, sempre, e depois que eu entendo, ela bate bem forte. Aí, então, tomo juízo.
Roberto: Quem me bate é o papai. Ele pega um couro e bate bem forte. E o teu pai, ele é duro contigo?
Carlos: Menos que a mamãe, porque ele quase sempre está fora. Mas mamãe conta pra ele.
João: Meu pai começou a dar bronca há pouco; desde que estou na Péraudière, ele dá muito mais bronca.
O quarto menino não disse nada. E você, que teu pai e tua mãe fazem?
Paulo, (envergonhado e, mesmo assim, tentando se gabar): Mamãe se zanga e meu pai também.
João: Mas eles te castigam?
Paulo: Eles dizem que isso certamente vai acontecer.
João: Então, fala para eles... Explica como se faz.

* * *
Alguém dirá: "Mas você não tem o direito de ‘julgar’ a culpa de ninguém". Compreendamos: eu certamente não tenho o direito de julgar o seu grau de culpa e de responsabilidade. Não tenho este direito porque não tenho como exercê-lo. Não enxergamos o interior dos corações. Só Deus julga. Mas tenho o dever de julgar a espécie moral do ato. Dever inscrito na economia mesma da Lei: não matarás; não atentarás contra a castidade; não tomarás o bem alheio. Isto evidentemente significa que o homicídio, o adultério e o roubo são crimes e que aquele que os comete é culpado, é pecador.
A Caridade, a verdadeira, está em preveni-los disso; o que significa, em conformidade com a justa e familiar expressão, "fazer com que se sintam culpados".
O sentimento de culpa, que é uma emoção, tal qual o pudor no inocente, é advertência e prevenção. É a ressonância na sensibilidade dos ditames da consciência; a culpa é a vingança da honra, a vitória da justiça, da justiça de Deus e de uma sociedade que reconhece o valor absoluto do Bem.
Bendita e terrível culpa, colada ao dogma do pecado original: tiveram vergonha e se ocultaram. "E o Senhor Deus chamou por Adão, e disse-lhe: Onde estás?". O inimigo da Salvação enganou-os mortalmente: "sereis como deuses" A terrível e austera ironia do Todo-Poderoso faz crescer a culpa, torna-a aguda, cortante, até que os humilhe e mortifique: "Eis que Adão se tornou como um de nós!"
A alma envergonhada experimenta a feiúra e o ridículo do pecado. Então, ela escuta a promessa de um Redentor.
Açular o vício atacando o sentimento de culpa, não é caridade, mas crueldade satânica.
Face à Onipotência de Deus, à morte, ao inferno, ao amor de Nosso Senhor, à clareza dos seus mandamentos e da Cruz, confesso: sim, isto eu fiz. Em verdade, digo que fui insensato. Eu me levantarei e irei ao meu Pai.
Demonstrar, pela razão e pela fé, a loucura do pecado à criança, após o ter meditado e vivido por si mesmo, é fortalecer seu coração e defendê-lo contra Satã; é despertar, ressuscitar de algum modo a inteligência; é incendiar de amor sua vontade e enchê-la de força para todo o sempre, quaisquer que sejam as quedas possíveis.
Mas, ao contrário, "compreender" o pecado, pretender justificá-lo, é desarmar e desesperar (porque é enganar) a natureza livre resgatada por Jesus Cristo.
"Fatal", "inevitável", "renovador", "enriquecedor", — o pecado compreendido desta forma escapa à Redenção, e nos conduz ao inferno; o pecado, assim travestido, tornar-se-á inconsolável, inexpiável, irremissível.
* * *
Se compreender o ato pecaminoso é enfatizar as circunstâncias atenuantes, o melhor é recorrer à própria doutrina da Redenção. Aí, a psicologia há de encontrar tudo que é preciso.
O catecismo nos ensina que o pecado do anjo é irremissível, porque o anjo, puro espírito, vê diretamente, sem o véu da carne, a obrigação absoluta do serviço de Deus. Quando este diz: "Non serviam", sua clarividência é completa, assim como seu consentimento; daí, precipita-se no inferno.
O homem, feito de corpo e alma, vê o Bem e a obrigação do serviço de Deus, mas sob os véus dos seus sentidos, aos quais falam as coisas sensíveis. O fruto proibido não era, para o homem, apenas proibido, mas "bom para comer e formoso aos olhos". A mulher escuta a serpente e o fruto proibido é, em seguida, apresentado por Eva à Adão, que é fraco e complacente com relação à Eva.
Deus pode condená-lo e precipitá-lo no inferno; mas Ele condescende, porque o homem fora induzido pela fraqueza da carne, prometendo-lhe um Salvador após o seu arrependimento.
Mas o ato do pecado em si, em sua malicia essencial, é absurdo e incompreensível. É o mistério da iniqüidade em cada consciência. Preferir a criatura à Vontade do Criador, o prazer à eternidade da alegria, sublevar-se contra o amor de Nosso Senhor e recusar-Lhe submissão e obediência quando a razão e a fé gritam sua necessidade, isto, em si, no ato mesmo, é algo que não se pode compreender, é algo de incompreensível, e tão errado quando mau.
Daí ser preciso, para a conversão, contemplar, se assim podemos dizer, o absurdo do pecado e, depois de haver compreendido suas tristes circunstâncias (a fraqueza da carne, a cegueira da razão, a tibieza da fé), compreender também que tudo isso não explica a malicia intrínseca deste consentimento interior ao mal.
Neste ponto, o catecismo é esclarecedor. Para que haja pecado mortal, é preciso que haja:
1) matéria grave;
2) plena consciência;
3) pleno consentimento.
Isto é demonstrar o absurdo do pecado, em sua própria natureza; ora, um dos motivos mais eficazes de conversão, e que assegura a sua solidez, é a consideração do absurdo do pecado.

* * *
Muitas mães se preocupam com o catecismo. Querem encontrar catequistas, mas não pensam em ensinar o catecismo elas mesmas. Ficamos estarrecidos de ver tantas mães em tal situação. A mãe, a irmã ou o irmão mais velho e, porque não, o pai, os avós devem ser ou tornar-se capazes, o mais rápido possível, de ensinar em casa a doutrina cristã que receberam.
É preciso estudar. É um dever estrito, uma obrigação pela qual prestaremos contas no Tribunal de Deus.
Fiquei surpresa, no retorno às aulas, ao constatar que alguns destes pequeninos (6, 7 anos de idades) não sabiam o pelo-sinal, que os meninos maiores ignoravam o Pai Nosso e a Ave Maria em latim, ou responder o Angelus em latim.
Como é fácil remediar isso tudo!
Pacientemente repetimos que é preciso trabalhar o catecismo de São Pio X todo dia, o qual deve ser procurado, além do Catecismo do Padre Emmanuel (Catecismo da Família Cristã), sobre o qual Jean Madiran escreveu: "Se tiverem outros catecismos, este não será redundante. Se preferirem ter apenas um livro de catecismo, é este que recomendamos. É útil para a família inteira, em família; serve aos grandes e aos pequenos, aos pais e aos filhos."
Mãos à obra! todo dia! A Santa Virgem abençoará esta meia hora arrancada, na busca do Céu, das ocupações da terra. As graças atuais serão dadas à professor materna,junto com os frutos da luz e da paz no coração dos pequenos.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Jordan Burno Genta: Pedagogo do ¡O juremos con gloria morir!


Certa ocasião o Padre Leonardo Castellani, ao dedicar a Jordán Bruno Genta um exemplar de seu livro Martita Ofelia y otros cuentos de fantasmas, estampou, com sua letra tão inimitável como seu talento: "A Jordán B. Genta, pedagogo del ¡O juremos con gloria morir!". Se levarmos em conta que, então, Genta era um jovem professor universitário, não é difícil advertir que a dedicatória, ademais de justa, resultou profética. Pois não só, no transcorrer to tempo, Genta mesmo morreria com glória - a glória dos mártires- senão que todo seu dilatado magistério estaria dedicado, além de buscar reabilitar a inteligência argentina, foi formar homens (sobretudo soldados) capazes de morrer com glória. O exemplo mais notável foram os pilotos da Força Aérea Argentina na Guerra das Malvinas. Não o dizemos nós: disseram os próprios ingleses.
Jordán B. Genta constitui um modelo autêntico de mestre cristão. Foi um pedagogo; e um pedagogo de raça. Assim testemunha um dilatado magistério de mais de quarenta anos que começou desde tenra idade e culminou sua morte, sua última e mais lição.
Reunia em suas aulas uma multidão de pessoas de condições diversas que acudiam atraídas pela clareza de seu pensamento, a riqueza de sua doutrina e sua personalidade cativante. A palavra viva era o coração e o centro de sua pedagogia (a "pedagogia do verbo", gostava de chama-la) pois conhecia muito bem o poder arrebatador da palavra sobretudo quando ela é imagem do Verbo, do Logos Incriado.
Bebia na fonte dos clássicos e dava de beber a seus alunos a água dessa mesma fonte; por isso o texto frontal, direto, era o centro congregante de suas aulas. Mas a pedagogia de Genta não apontava para formação da inteligência (a "reabilitação da inteligências nos hábitos dos metafísicos" e o exercício da "nobre arte das definições", como costumava dizer) senão que se dirigia, ademais, a formação inteira do caráter na imitação dos grandes arquétipos. O santo, o herói, o poeta, o sábio: tudo quanto há de eminente, de egrégio, de expressão cabal de superioridade humana, colocava e propunha Genta em suas aulas, convencido da atração irresistível que o arquétipo exerce sobre as almas.
Por isso sua pedagogia foi, por sua vez, pedagogia do verbo e pedagogia dos arquétipos
Mas, posto que Genta foi acima de tudo um mestre cristão, sua pedagogia não pode ser senão cristocentrica porque Cristo é o Verbo Encarnado e o Supremo Arquétipo. Esta pedagogia teve, pois, em vista a formação de autênticas superioridades e hierarquias sociais e intelectuais, homens e mulheres lúcidos, capazes de buscar, conhecer e amar a verdade e dispostos a defende-la mediante o testemunho, ainda que a custa da própria vida. "Filosofar é aprender a morrer" costumava repetir com freqüência.
No entanto, sabe-se, também, que esta pedagogia - que em sua última ratio apontava à eternidade - teve, não obstante, uma envergadura temporal e histórica concreta pois ela não se entendia sem sua essencial referência e ordenação para a Argentina, ao seu tempo, ao seu drama e ao seu destino. Foi um pedagogia que abraçou, em síntese admirável, dois amores: Cristo e a Pátria. Genta amou a Argentina com um amor que ele mesmo não trepidou em qualificar de "amor exacerbado" frente a Pátria em perigo extremo de dissolução. Por isso, a medida que esse perigo foi incrementando-se até alcançar uma magnitude insuspeita no cenário da Guerra Revolucionaria que foi imposta ao país desde fora com a cumplicidade de atores locais, esse amor exacerbado alcançou, também, seu cimo. Os anos finais do magistério de Genta são um testemunho vivo disto que dissemos. Seus escritos, suas conferências, suas lições adquiriram um tom profético, um chamado gratificante as forças naturais de resistência as quais convocou ao combate em defesa da Cidade assediada
A mais de três décadas de sua morte como mártir, Genta resulta, hoje, mais atual que nunca, nesta Argentina assediada, já não pelos exércitos dos partisans, senão, pelas forças obscuras de uma dissolução gradual e sustentada que vai minando e corroendo as almas e as instituições.
É esta hora de velar, de vigília atenta. Estamos de guarda. Que a vida e a obra de Jordán B. Genta nos inspirem, pois, e nos ajudem a fazer realidade - se assim Deus nos pede - a estrofe do Hino: "O juremos con gloria morir".

Indispensáveis bispos ...

Pbro. Christian Bouchacourt. (Fraternidade Sacerdotal São Pio X)


«Já faz ao redor de cinqüenta anos que a quase totalidade dos países católicos renunciaram a sê-lo. Todos feridos do mesmo mal –do ateísmo e do laicismo– e perturbados pela desordem social e econômica que nenhum remédio parece conseguir curar. A isso se acrescenta uma terrível decadência moral que vai sendo imposta pelos adversários da Igreja, com mais ou menos êxito conforme o grau de resistência que encontram. Em certas ocasiões, alguns projetos como o aborto, o controle de natalidade, a legalização da homossexualidade e a educação sexual nas escolas não entram em vigor imediatamente pela coragem de certos bispos e políticos; mas, curiosamente, tais projetos nunca são deixados de lado. Os inimigos da Igreja e da Cristandade jogam com o tempo. Sabem que as suas idéias serão impostas mais cedo ou mais tarde, atrasando-as eficazmente e difundindo-as pelos meios de comunicação que eles controlam de modo quase exclusivo.Durante esses cinqüenta últimos anos fizeram-se, em alguns países, tentativas de salvar a sociedade católica; no entanto, elas não tiveram efeitos duráveis. Existe algo assim como uma maldição que parece esterilizar todos os movimentos de restauração católica, ao mesmo tempo em que os adversários navegam sempre com bons ventos. A que se deve isso?Numerosos são os leigos católicos que abandonam o combate, vencidos por repetidos fracassos. Enfim, alguns crêem que já não há nada a fazer senão esperar que venham "os acontecimentos" iminentes anunciados por aparições mais ou menos duvidosas. No entanto, nada vem… Pelo contrário, a decadência religiosa, econômica e social continua acelerando-se. Até onde chegarão os inimigos da Igreja? Como conseguem coroar com tanto sucesso seus funestos projetos?A mesma Igreja está marcada por este sintoma de autodestruição. Por quê? A crise que Ela atravessa tem um lado misterioso, como o teve a Paixão de N. Senhor Jesus Cristo. Pois bem, podem-se apontar com certeza as autoridades culpáveis da morte de Cristo: os chefes dos sacerdotes judeus. Apertaram as mãos das autoridades políticas para condenar o Salvador e eliminar a influencia extraordinária que Ele exercia sobre a multidão, da qual estavam invejosos. São estas autoridades religiosas judias as que levaram Cristo diante dos tribunais civis e conseguiram sua condenação e morte.Hoje vemos este mesmo concubinato das autoridades religiosas com os dirigentes políticos condenar à morte a sociedade católica. Os papas e os bispos nomeados por eles, impregnados de modernismo e liberalismo desde João XXIII, são os principais responsáveis de uma desintegração da sociedade católica que parece inevitável. Durante o último concílio pensaram ser possível fazer católicos os princípios da Revolução Francesa, tal como o afirmará o próprio Cardeal Ratzinger. É como querer batizar o diabo … Esta união contra natura da Igreja e da Revolução é a causa dos males que abrumam a Igreja e a sociedade civil. Estes princípios preparados nas lojas maçônicas são os que fizeram entrar "a fumaça de satanás" na Igreja e mataram a alma das sociedades católicas.Não faz muito tempo um bispo que me recebeu no seu escritório confessou que tivera problemas para aplicar algumas reformas e aceitar alguns textos do último concílio. No entanto me disse: "seguindo o Papa, estava seguro de estar na verdade. Por tanto, aceitei tudo". Com princípios semelhantes, São Paulo não deveria ter resistido a São Pedro e, nesse caso, todos os batizados ainda estaríamos submetidos à circuncisão e às praticas da religião judaica! Santo Atanásio também não deveria ter combatido a heresia ariana, nem deveria ter sido canonizado, apesar da oposição ao Papa. Ao escutar estas objeções, o bispo respirou fundo e conduziu a conversa a outros assuntos…A Igreja e a sociedade padecem da caída dos bispos que já não têm coragem de ensinar a sã doutrina nem de denunciar o erro. Para muitos, o restabelecimento do reinado social de N. Senhor é um ideal envelhecido ou inalcançável. Por isso louvam o pluralismo religioso na sociedade e o exigem, recusando todo estatuto especial para a Igreja. Queria comparar os dois textos que seguem, pois sua comparação vale mais do que uma longa explicação.

O primeiro é de São Pio X e diz assim:

"Apoiar-se no princípio fundamental de que o Estado não deve cuidar de modo algum da Religião, implica numa grande injúria a Deus (…) Em segundo lugar, a tese de que falamos constitui uma verdadeira negação da ordem sobrenatural (…) Em terceiro lugar, esta tese nega a ordem da vida humana sabiamente estabelecida por Deus, ordem que exige uma verdadeira concórdia entre as duas sociedades, a religiosa e a civil (…). Finalmente, esta tese infringe um dano gravíssimo ao próprio Estado, porque este não pode prosperar nem conseguir estabilidade prolongada se despreza a Religião, que é a regra e mestra suprema do homem para conservar religiosamente os direitos e obrigações." (1)

O segundo texto é do Cardeal Levada:

"Graças às Constituições dos Estados Unidos, viemos à vida num país que nos garante o direito natural à liberdade religiosa. Todos temos o direito de professar nossa fé de acordo com a nossa consciência. A proibição de que o governo professe uma religião particular lhe impediu de adotar uma atitude ‘desinteressada’ frente a todas as religiões (…) A Igreja, com efeito, reconhece e comparte com entusiasmo a proibição constitucional de reconhecer uma religião do Estado ou de impedir o seu livre exercício". (2)

Não lhes parece que este último texto está em total ruptura com o ensinamento tradicional da Igreja? Provém de quem hoje é Cardeal da Santa Igreja e foi elevado ao cargo de Prefeito da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé! O Papa Bento XVI, ao voltar faz algumas semanas de uma viagem pelos EUA, retomou quase literalmente estas considerações. Estes são os princípios que condenaram à morte a Cristandade e fizeram vã qualquer tentativa de restauração católica desde faz muitíssimos anos. A Igreja precisa contar com bispos integralmente católicos que ensinem o mesmo que Gregório XVI, de Pio IX, de Leão XIII, de São Pio X, ou de Pio XII, que a iluminaram com os seus ensinamentos. Estes Papas souberam professar a verdade e denunciar o erro. A Igreja e a sociedade civil precisam de doutores da fé que sejam ardentes, que estejam convencidos de que a Tradição católica não é algo caduco. Dói-nos comprovar que não há nenhum bispo em exercício que tenha lucidez sobre as origens da crise que sofremos. Nenhum aceita ter um juízo crítico sobre os textos do último concílio – ecumenismo, liberdade religiosa, colegialidade – que estão em ruptura com a Tradição. Nenhum quer regressar oficial e habitualmente à Missa tradicional e aos sacramentos que santificaram gerações e gerações de católicos.Pedimos aos bispos que nos falem do "Deus que se fez homem" e sobre a sua doutrina salvífica, e não do "homem que se fez deus" como acontece com tanta freqüência.

Pedimos com urgência que iluminem as nossas inteligências e fortaleçam a nossa vontade, ajudando-nos a amar a Deus e segui-Lo. Basta já de exaltar a consciência humana livre de toda atadura superior!E foi unicamente porque nenhum bispo se conformava a este papel sublime, que faz 20 anos Dom Marcel Lefebvre sagrou quatro bispos, desejando suprir assim a estas trágicas deficiências. Não queria deixar-nos órfãos depois de sua morte. E essa foi a que assim se chamou "Operação Sobrevivência" (3), a qual resgatou o sacerdócio e a Tradição católica. Onde estaríamos hoje em dia se este ato providencial não houvesse tido lugar? Nosso fundador, no dia 30 de julho de 1988, realizou um ato heróico de caridade consagrando quatro bispos e sacrificando assim sua reputação pelo bem das almas e da Igreja.Faz já 20 anos que vemos, certamente, alguns avanços positivos como o Motu proprio; mas nos fatos, a situação continua sem mudanças e o erro se fez mais sutil do que nunca… Em julho passado, por ocasião das ordenações sacerdotais administradas aos seminaristas da Fraternidade São Pedro, o Cardeal Castrillón Hoyos exortou no seu sermão aos sacerdotes a concelebrar com seu bispo "ao menos na Missa crismal e quantas vezes isso seja conveniente para manifestar a plena comunhão eclesial". Nessa mesma linha, faz algumas semanas a Fraternidade São Pedro recebeu uma paróquia pessoal em Roma, mas teve que aceitar em troca que um sacerdote diocesano celebrasse todos os domingos uma Missa nova. Vinte anos atrás o Cardeal Ratzinger exigia como condição a Dom Lefebvre que todos os domingos se celebrasse a Missa de Paulo VI em Saint-Nicolas-du Chardonnet em Paris. Não… a situação não mudou essencialmente depois dessas duas décadas… O Vaticano II continua intocável. Como pode pretender-se que tenhamos confiança diante de fatos que falam por si só? A Fraternidade São Pio X, juntamente com outras congregações tradicionais, é a única que grita as verdades a toda voz e denuncia os erros. Todos os que assinaram um acordo com Roma tiveram que se calar e são inoperantes em ordem à restauração da Tradição. Essa, e não outra, é a triste realidade!Queridos fiéis, o estado de necessidade continua existindo hoje ainda maior; e mais do que nunca temos a necessidade de contar com os quatro bispos auxiliares da Fraternidade São Pio X para fortalecer-nos na Fé e santificar-nos. Que Deus os fortaleça. Demos-lhes nossos sinceros agradecimentos pela sua constante entrega por nossas almas. Retribuamos-lhes com nossas orações.

Rezemos e façamos penitência pela Igreja e pelo Papa. Supliquemos a Deus que converta os bispos do mundo inteiro para que recuperem e façam valer suas vozes. Disso depende a salvação de milhões de almas e o êxito de toda a restauração católica. Que Deus os abençoe!»

(1) "Vehementer nos", 11 de fevereiro de 1906.(2) Cardeal William Levada: Reflexões sobre o papel dos católicos na vida política e recepção da sagrada comunhão, 13 de julho de 2004.(3) Dom Marcel Lefebvre, sermão das sagrações episcopais, 30 de julho de 1988.

Cristianismo e Comunismo

Marcel de Corte

[...]
Nesta ocasião, gostaria de examinar [a coalizão de alguns católicos com os comunistas] sob o aspecto mais central e, por assim dizer, do interior da oficina onde destilam os seus venenos. Já disse uma vez que inúmeros clérigos e laicos cristãos estavam sendo empurrados implacavelmente para as garras poderosas dos comunistas, por conta de equivocadas convicções hiperdemocráticas. É preciso insistir nesta idéia.
Tudo é cristão, inclusive o erro. Isso não é um paradoxo. O gênio do cristianismo é tão universal, tão penetrante, tão radical que impregna tudo quanto existe. Desde o nascimento do Cristo, nada há no homem que não seja afetado por um coeficiente religioso. Doravante, qualquer verdade possui um aspecto religioso. O desvio da verdade, o sofisma, a aberração – tudo se matiza duma tonalidade religiosa. Não existe outra possibilidade para a manifestação do erro, senão sob a forma de heresia.
Eis aí um mistério, e dos grandes. Mas sem ele, a história da humanidade, depois do Cristo, é com certeza ininteligível. Sem ele, não há história, conforme a terrível expressão de Shakespeare: "uma história louca, cheia de ruído e tempestade, contada por um idiota". Se tem sentido a história, inclusive nas desordens e nas quedas, este sentido só pode ser cristão. Cada vez que tentamos chegar ao fundo da história, encostamos a mão na presença irredutível e ubíqua do cristianismo sob a forma ortodoxa ou herética. O Cristo é o eixo único da história.
Particularmente, no plano social, desde o Advento, a desordem e o desmazelo sempre se traduziram sob a forma de heresia. Na Idade Média, não houve investida contra a ordem social que se não constituísse ao mesmo tempo em heresia cristã. É típico o caso dos albigenses, não menos que o do protestantismo no raiar dos tempos modernos. Quanto à Revolução Francesa, ninguém melhor que Michelet percebeu seu caráter herético. Exprimiu-o numa frase lapidar: "A revolução continua o cristianismo, e o contradiz. Ela é, ao mesmo tempo, sua herdeira e adversária".
A definição da heresia se origina no seio do cristianismo, para combatê-lo. Como escrevia, já faz muito tempo, Maritain, "as idéias revolucionárias são corrupções das idéias cristãs", e "o fermento divino corrompido é necessariamente um agente de subversão com poderes incalculáveis".
Os nossos pais eram mui sensíveis aos conflitos, na medida em que ainda viviam na cristandade: eles observavam os atentados contra a ordem social transformarem-se automaticamente em heresia, visto que o cristianismo embebia a sociedade e suas instituições. Não condenavam a desordem apenas como contrária à natureza das coisas, mas enquanto oposta à ortodoxia cristã e à vontade divina.
Atualmente, isso não acontece: o cristianismo sobreviveu, mas a cristandade repousa sobre destroços cada vez mais disjuntos e tênues. Inúmeros cristãos não sentem mais os erros políticos e sociais como heresias cristãs hostis à fé. Vivendo numa sociedade descristianizada, são incapazes de perceber que as violências que se exercem contra a sociedade são heresias inimigas de sua crença. Despojados dos critérios de apreciação à uma só vez sociais e cristãos, estão entregues ao julgamento próprio e à sensibilidade particular. Quando se está aí, uma pessoa pode sustentar, sem a menor preocupação de coerência interior, que é permitido ser cristão e comunista.
Os católicos de quem falei, padres e laicos, estão precisamente neste caso. São, por sua vez, ortodoxos e heréticos. A despeito de seus clamores de indignação, é dever dizê-lo e redizê-lo.
Eles tornam-se hermafroditas, à proporção que os constrangem as convicções democráticas. Como todo sistema político, submete-se a democracia à lei da degenerescência. A monarquia decadente se torna tirania. A aristocracia, em seu declínio, se transforma em oligarquia. A democracia, em que cada cidadão se pronuncia segundo sua competência real, reduz-se a um regime que não tem nome em língua alguma, reinando a ignorância mais profunda do bem comum. À medida que a democracia se espalha, os problemas sociais e políticos tornam-se mais complexos, árduos e difíceis de se resolver. Extrapolando, a democracia universal exigiria uma inteligência universal. Outrora restrita à experiência efetiva e possível das pequenas repúblicas comunais ou regionais onde estavam enraizadas, a democracia distancia-se mais e mais dos fatos concretos, suprindo o desconhecimento com o mito e a fé. Construções arbitrárias, imaginárias e abstratas substituem a apreciação segura e precisa da realidade. Tudo indica que a democracia evolui para essa direção. As almas que aderem sem reticências a tal sistema degenerado se evadem para o irreal, e tornam-se insensíveis às armadilhas que a natureza dos fatos ofendidos arma sob seus pés. São semelhantes aos cegos que se libram apenas na exaltação interior; eles vão adiante sem duvidar, sequer um pouco, que a realidade os contradiz.
Ainda que o comunismo e o marxismo lhes apareçam com as verdadeiras cores, i. é, como heresias cristãs que nenhuma cristandade, tão inexperiente quanto seja, poderia dissimular, não obstante constituem-se eles em atrativos para os cristãos, como a realização integral do generoso sonho democrático que os incha. Eis enfim o sonho encarnado! Não estão preocupados, se se trata duma mentira. São incapazes de enxergar. O irrealismo impede-os de julgar a árvore pelos frutos: somente as flores postiças, artificialmente perfumadas de democracia, lhes cativam a miopia e a ausência de faro.
Em suma, a ilusão democrática embotou-lhes o senso do cristão e do herético, do bem e do mal, do justo e do injusto, do conveniente e do inconveniente, do belo e do feio, que busca o contato assíduo com a realidade que os diferencia.
A falta de discernimento, resultado duma inteligência amputada das benesses da experiência, é grave. Por todo lado, ela nos acossa. Infelizmente, podemos amiúde contemplar o espetáculo ridículo de padres ou religiosos, sem procuração para tanto, que se ocupam do que não conhecem, nem têm experiência. Um fala sobre a vida íntima no casamento. Outro disserta acerca da administração como se fosse um grande industrial. Outro ainda exalta a arte que se vende nos arredores da igreja de São Sulpício, ou a arte moderna, do alto duma sensibilidade estética embotada ou deformada. Outros enfim tecem questionamentos políticos ou econômicos imbuídos de pathos ou retórica.
Maus cozinheiros, diria Platão, que cortam a torto e a direito a ave! Os "cristãos progressistas" levam essa depravação espiritual ao cúmulo. Quando vejo um padre caminhar por uma estrada junto com o camarada Duclós ou bradar numa manifestação comunista, afirmo que é uma estupidez e que o povo mesmo percebe vagamente o gesto como uma estupidez. A Igreja e o que sobrou da cristandade só tem a perder.
Concluindo, o dito de Chesterton acerca do mundo atual, repleto de verdades cristãs tornadas loucas, aplicar-se-iam à perfeição a certos cristãos.


Sábado, 13 de dezembro de 1952, La Libre Belgique

O Anti-Cristo

Pe. Leonardo Castellani


"... porque o Homem do Pecado tolerará e se aproveitará de um cristianismo adulterado...Imporá por todas as partes o reino da iniqüidade e da mentira, o governo puramente exterior e tirânico, a "Liberdade" desenfreada dos prazeres e diversões, a exploração do homem; e seu modo de proceder hipócrita e sem misericórdia. Haverá em seu Reino uma estrondosa alegria falsa e exterior, cobrindo o mais profundo desespero. Em seu tempo acontecerão os mais estranhos distúrbios cósmicos, como se os elementos se houvessem revoltado. A humanidade estará numa grande expectativa e reinará grande confusão e dissipação entre os homens. Rompidos os laços de família, de amizade, de lealdade e bom relacionamento, os homens não poderão confiar em ninguém, e correrá no mundo como um tremor frio, um universal e ímpio "salve-se quem puder". Será atropelado o que há de mais sagrado e nenhuma palavra terá mais fé, nem pacto algum terá vigor, senão pela força. A caridade heróica de alguns fiéis, transformada em amizade até a morte, manterá no mundo ilhotas de fé; porém mesmo ali, ela estará continuamente ameaçada pela traição e pela espionagem. Ser virtuoso será um castigo em si mesmo e como uma espécie de suicídio".

CASTELLANI, Leonardo, Los Papeles de Benjamin Benavides, Buenos Aires: 1953, Caderno 4, cap. 2.

Declaração

Pe. Calmel

Eu conservo a MISSA TRADICIONAL, aquela que foi codificada, não fabricada, por São Pio V. no século XVI, conforme um costume multissecular. Eu recuso, portanto, o ORDO MISSAE de Paulo VI.
Por quê? Porque na realidade, este Ordo Missae não existe. O que existe é uma Revolução litúrgica universal e permanente, patrocinada ou desejada pelo Papa atual, e que se reveste, momentaneamente, da máscara de Ordo Missae de 3 de abril de 1969. É direito de todo e qualquer padre recusar-se a vestir a máscara desta Revolução litúrgica. Julgo ser meu dever de padre recusar celebrar a Missa num rito equívoco.
Se aceitamos este rito, que favorece a confusão entre a Missa católica e a Ceia protestante — como o dizem de maneira equivalente dois cardeais e como o demonstram sólidas análises teológicas — então cairemos sem tardar de uma Missa ambivalente (corno de fato o reconhece um pastor protestante) numa missa totalmente herética e portanto nula. Iniciada pelo Papa, depois abandonada por ele às igrejas nacionais, a reforma revolucionária da Missa seguirá sua marcha acelerada para o precipício. Como aceitar ser cúmplice?
Perguntar-me-iam: Mantendo a Missa de sempre, em oposição a todos e contra todos, o senhor refletiu a que se expõe? Sim. Eu me exponho, se assim posso dizer, a perseverar no caminho da fidelidade a meu sacerdócio, e, portanto, prestar ao Sumo Sacerdote, nosso Supremo Juiz, o humilde testemunho de meu oficio de padre. Exponho-me a dar segurança aos fiéis desamparados, tentados de cepticismo ou de desespero. De fato, todo e qualquer padre que conserve o rito da Missa codificado por São Pio V, o grande Papa dominicano da Contra-reforma, permitirá aos fiéis participar do Santo Sacrifício sem equívoco possível; comungar, sem risco de ser enganado, o Verbo de Deus Encarnado e imolado, tornado realmente presente sob as sagradas espécies. Aliás, o padre que se submete ao novo rito, inteiramente forjado por Paulo VI, colabora, de sua parte, para instaurar progressivamente urna Missa falsa, em que a presença de Cristo já não será real, mas transformada num memorial vazio; e por isso mesmo o Sacrifício da Cruz já não será real e sacramentalmente oferecido a Deus; enfim, a comunhão não passará de uma ceia religiosa em que se comerá um pouco de pão e se beberá um pouco de vinho; nada mais do que isso; como entre os protestantes.
Não consentir em colaborar para a instauração revolucionária de uma missa equívoca, orientada para a destruição da Missa, será entregar-se a certas desventuras temporais, e certas desgraças neste mundo? O Senhor o sabe, e Sua graça basta. Na verdade, a graça do Coração de Jesus, que chega até nós pelo Santo Sacrifício e pelos Sacramentos, sempre é suficiente. É por isso que Nosso Senhor nos diz tão tranqüilamente: "Aquele que perder a sua vida neste mundo por minha causa, salva-la-á na vida eterna".
Reconheço sem nenhuma hesitação a autoridade do Santo Padre. Afirmo, no entanto, que qualquer Papa, no exercício de sua autoridade, pode cometer abusos de autoridade. Sustento que Paulo VI comete um abuso de autoridade de gravidade excepcional quando constrói um rito novo da Missa baseado numa definição de Missa que deixou de ser católica. "A Missa", escreve ele em seu Ordo Missae, "é a reunião do povo de Deus, presidida por um sacerdote, para celebrar o memorial do Senhor". Esta definição insidiosa omite propositadamente aquilo que faz católica a Missa católica, sempre irredutível à ceia protestante. Porque na Missa católica não se trata de um memorial qualquer, o memorial é de tal natureza, que contém realmente o Sacrifício da Cruz, porque o Corpo e o Sangue de Cristo se tornam realmente presentes por virtude da dupla consagração. Isto aparece, de modo a não permitir engano, no rito codificado por São Pio V; mas aparece flutuante e equívoco no rito fabricado por Paulo VI.
Da mesma maneira, na Missa católica o padre não exerce uma simples presidência; marcado com um caráter divino que o põe à parte por toda a eternidade, ele é o ministro de Cristo que, por si mesmo, realiza a Missa; é inadmissível que o padre seja assemelhado a um pastor qualquer, delegado dos fiéis para liderar sua assembléia. O que é perfeitamente evidente no rito da Missa ordenado por São Pio V torna-se dissimulado, senão escamoteado, no novo rito.
Portanto, não só a simples honestidade mas infinitamente mais: a honra sacerdotal, exigem de mim não ter a impudência de traficar a Missa católica, recebida no dia de minha ordenação. E porque se trata de ser leal, e principalmente em matéria de gravidade divina, não há autoridade no mundo, ainda que seja a autoridade pontifícia, que mo possa impedir.
Outrossim, a primeira prova de fidelidade e de amor que o padre deve dar a Deus e aos homens é guardar intacto o depósito infinitamente precioso que lhe foi confiado quando o bispo lhe impôs as mãos. É primeiramente sobre esta prova de fidelidade e de amor que serei julgado pelo Supremo Juiz.
Espero, com toda a confiança, da Virgem Maria, Mãe do Sumo Sacerdote, que me conceda permanecer fiel até à morte à Missa católica, verdadeira e sem equívoco.
Tuus sum ego, salvum me fac.


Pe. R.-TH. Calmel, O.P.


Pe. Calmel morreu em 1975, fiel à Missa de sempre, rejeitando com toda a alma a Missa nova de Paulo VI.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

O Carlismo e o Pluralismo Religioso

Juan María Bordaberry

Juan María Bordaberry, insigne Presidente do Uruguai no período mais difícil de sua historia (1972-1976), aos seus 78 anos de idade, mesmo tendo a causa Ter sido considerada prescrita, em total desrespeito aos prazos processuais e a segurança jurídica foi "processado" (lá é como cá, o velho ressentimento esquerdista, e ainda, maçônico) dia 16 de novembro de 2006 pela suposta prática de homicídios de legisladores da esquerda radical - em conivência por tanto com os terroristas que assolaram o país nas décadas de sessenta e setenta- ocorridos na Argentina (mesmo não tendo o caso sido esclarecido pela justiça deste país) em maio de 1976.
Sua única "culpa" foi ter desbaratado os planos dos terroristas "tupamaros" e seus cúmplices. E mais ainda, haver querido instaurar um regime (no qual tinha pensado submeter a vontade popular) que prescindisse dos partidos políticos e os substituiria por "correntes de opinião" em tudo de acordo com os princípios cristãos da ordem política.
Cremos no entanto, que o real motivo de sua prisão decorre de sua oposição e ataque a Franco-maçonaria. Maçonaria que em sua teses, estaria implicada nos mais importantes acontecimentos vividos pelo país desde sua fundação, incluindo os que viveu em sua condição de primeiro mandatário.
O processamento e a conseqüente prisão de Juan María Bordaberry foi precedido de um linchamento mediático, perpetrado pela imprensa esquerdista e em alguns casos também pela que se pode dizer de "direita" e de manifestações de integrantes do governo favoráveis a um pronunciamento nesse sentido.
Quando se soube da detenção, todos os ex-Presidentes da República e o então Presidente da República Tabaré Vázquez, se encontravam presentes em um evento da B' nai B' rith, loja maçônica judia. Na saída, o último dos citados, com um sorriso irônico, respondeu a repórter que lhe dava conhecimento do fato o qual se limitou a dizer "falou a justiça".
Uma bela entrevista com Juan María Bordaberry pode ser vista no site: http://www.panodigital.com/cronicas_de_nuestro_tiempo/entrevista_a_juan_maria_bordaberry_prisionero_politico_0

O Concílio Vaticano II, proclamou, direta ou indiretamente, três princípios: a liberdade religiosa (de consciência), a colegialização no governo da Igreja e o ecumenismo. Não sou o único que lê estes três princípios assim: liberdade, igualdade e fraternidade. Católicos eminentes, com autoridade que eu não posso pretender ter, também tem interpretado essa forma.
Com a liberdade de consciência a Igreja perdeu seu impulso missionário, a vocação de consagrar a vida a propagação da fé e abriu as portas para a tolerância do erro.
Hoje nos dizem que todos os excessos que vemos com tanta freqüência, na doutrina, na liturgia, na palavra e ainda na conduta de sacerdotes, são conseqüência de una interpretação errada dos textos conciliares. Não é assim: ao debilitamento da autoridade da Verdade segue inevitavelmente o crescimento da soberba do homem que começa a escolher seus próprios caminhos. E si a isto agregamos a substituição da organizacional piramidal e monárquica que N. S. Jesus Cristo deu a Sua Igreja pela desagregação funcional e até geográfica da nova organização conciliar, nada mais natural que ocorramos os excessos e que ninguém possa impedi-los nem menos impedir o dano que acarreta aos fiéis. Estes excessos vêm ocultando a condição sobrenatural da Igreja, hão temporalizado seu papel a favor de uma figura mais filantrópica que espiritual e religiosa.
"A fumaça de Satanás entrou na Igreja" disse o Papa Paulo VI ao cabo de sua vida, queira a misericórdia de Deus que arrependido da obra da qual foi o mais ativo protagonista. Com o Concilio, o liberalismo chegou ao poder temporal do último bastião que lhe era oposto por definição, e Roma começou a aceitar as formas políticas que ele consagra. Assim, quando chegam as instancias eleitorais, os sacerdotes e os bispos recomendam eleger bem os candidatos, não votando naqueles que, por exemplo, são partidários do aborto ou das uniões aberrantes entre pessoas do mesmo sexo (nota: não estamos tão certos disso, ao menos no que se refere ao Brasil). Mas não se vai mais adiante, como declara o "Syllabus", a condenar a ordem política liberal por si, por consagrar a substituição da Soberania de Deus pela soberania do homem, ao ato eleitoral mesmo por constituir a expressão dessa pretendida soberania que pretende ocupar o lugar de Deus.
Um inolvidável sacerdote da Fraternidade São Pio X que tivemos a benção de Ter entre nós, aqui em Montevidéu, pela força dos fatos somente esporadicamente, insistia em que, pela Graça, a Fé se manifesta internamente em nós sobre a forma íntima da adesão de nossa inteligência as verdades reveladas por N. S. Jesus Cristo e ensinadas pelo magistério da Igreja, e externamente por nossos atos visíveis quando eles dão testemunho de nossa Fé. Assim, quando oramos publicamente, quando constituímos de forma cristã nossa família, quando, em fim, com nossas obras damos testemunho externo da Fé que professamos em nosso interior. Negar este desdobramento, por assim dizer, interno e externo de nossa fé, nos conduz insensivelmente a heresia luterana. Parece então que não condiz com nossa conduta de católicos dar um testemunho contraditório com nossa Fé interior, participando publicamente em instituições políticas atéias que tem feito cair por terra as tradicionais sociedades cristãs, legitimando com nossos atos o que é de per si condenável.
Um pouco antes das desditas eleições espanholas de março de 2004, pude ver na página da Internet do Foro Santo Tomás Moro da Comunhão Tradicionalista Carlista, assim como em outras, divergências entre carlistas acerca da participação ou não nas mencionada eleição, sem que se rechaçasse as eleições em si mesmas, como ato contrario aos princípios cristãos. Estas divergências se evocam agora e com maior dureza com motivo do surgimento do novo partido chamado "Alternativa Espanhola" sem que ninguém advirta, para começar, que a própria expressão "partido" contradiz a vigência insubstituível do principio de autoridade fundado no direito natural, que não pode admitir a hipótese de uma derrota numérica.
O que me atrai do carlismo e me leva a defende-lo e tratar de difundi-lo dentro de nossas pequenas possibilidades é precisamente sua Santa Intransigência na proclamação e defesa dos princípios fundadores da Espanha e por conseqüência, da Hispanidade toda.
A historia da Espanha é pródiga em exemplos da necessidade de defender a Fé intransigentemente, sem fissuras nem resquícios nem concessões. Nega a Hispanidade, na qual orgulhosamente me incluo, a aceitação do moderno conceito ateu de pluralismo. Una fides, unum regnum proclamou o Concilio III de Toledo há mais de quatorze séculos, e esse preceito —que regeu sua historia durante quase todo esse tempo— deu a Espanha um caráter próprio, único e distintivo que, torna difícil de explicar e entender por quem não a conhece e, nos obriga a trabalhar para restaurar seus valores históricos por inteiro e projeta-los para fora e não deixarmo-nos invadir por aquilo que é distante e contrário a natureza hispânica.
"É indigno que um príncipe de fé ortodoxa tenha sobre seu cetro a súbditos sacrílegos", reafirmou logo o Concilio Toledano VIII. Estes preceitos foram o fundamento da obrigação dos Reis Católicos, como tais, de não aceitar moros nem judeus não conversos na Espanha. Não foi nem conveniência mesquinha nem maldade: foi a vigência da Fé Católica que fez grande a Espanha.
Tampouco foi cruel: a grande Isabel deu a todos a oportunidade de converter-se o se debandar para outra parte levando sua família e seus bens, para o que dispôs até barcos a sua disposição e inclusive aceitou comprar generosamente seus bens. Milhares de judeus convertidos ficaram na Espanha e contribuíram em escrever a história de sua grandeza. Vale a pena ler as admiráveis páginas que Dom Luis Suárez Fernández escreveu a respeito. Isabel, católica, bondosa, reta e justa, não fez senão cumprir sem concessões o principio cristão, o que lhe granjeou o ódio da heresia, que ainda perdura nas lendas negras. Participar das instituições liberais, cara a cara com os inimigos de Deus, é aceitar o pluralismo e negar implicitamente a obra de unidade católica e política de Fernando e Isabel.
Ainda que as guerras carlistas se iniciam pela questão dinástica originada pela decisão de Fernando VII que impediu o acesso ao trono do infante D. Carlos Isidoro, que houvera sido Carlos V, seria burrice pensar que todo termina nessa questão nessa questão. O carlismo advertiu desde muito cedo que negar o trono a um Rei tradicionalista e deixar a Coroa nas mãos de uma pequena representada pela Jovem Regente era abrir a porta ao liberalismo e obstar a continuidade da vigência dos princípios: Deus, Pátria, Fueros e Rei. Se o "alzamiento" houvesse respondido somente a questão dinástica o carlismo não haveria mantido sua vigência até nossos dias havendo sido, ademais, derrotado nos campos de batalha.
Espanha pois, se nega obcecadamente a transigir com os dissonantes princípios liberais, estranhos a sua substancia histórica e religiosa. Algo que não posso compreender é como se poderia conciliar a proeza do tradicionalismo carlista com a participação em instituições liberais.
Não posso deixar de recordar um memorável trabalho de Don Rafael Gambra, a quem Deus tenha em sua glória, publicado já há alguns anos em "Razón Española". Nele se perguntava, vendo sua Espanha entregue ao liberalismo maçônico contra o qual havia sangrado na guerra, como era possível que aquele terreno — recordo que dizia: conquistado colina a colina, cota a cota — se entregou tão fácil e silenciosamente ao inimigo derrotado.
Do Vaticano II havia saído o principio contrário a tradição espanhola, a liberdade de consciência. Franco teve que ceder a pressão de Paulo VI e aceitou a liberdade de cultos. Não estava proibido na Espanha professar outros cultos que o católico: estava proibido faze-lo publicamente e difundi-lo. Estava proibido, como manda a lei de Deus, difundir o error. Por essa abertura do pluralismo religioso se infiltrou o inimigo, silenciosa e astutamente.
Don Rafael, com dureza navarra, intitulou seu trabalho "A traição dos clérigos".
Juan María Bordaberry
Montevidéu — Uruguai

Fernando Rodrigues Batista

Quem sou eu

Minha foto
Católico tradicionalista. Amo a Deus, Uno e Trino, que cria as coisas nomeando-as, ao Deus Verdadeiro de Deus verdadeiro, como definiu Nicéia. Amo o paradígma do amor cristão, expressado na união dos esposos, na fidelidade dos amigos, no cuidado dos filhos, na lealdade aos irmãos de ideais, no esplendor dos arquétipos, e na promessa dos discípulos. Amo a Pátria, bem que não se elege, senão que se herda e se impõe.

"O PODER QUE NÃO É CRISTÃO, É O MAL, É O DEMONIO, É A TEOCRACIA AO CONTRÁRIO" Louis Veuillot