<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6188930667042584149</id><updated>2011-10-08T11:37:22.229-07:00</updated><title type='text'>RECONQUISTA</title><subtitle type='html'>Somos guiados por uma só Fé: SERVIR A DEUS, 
e animados de um mesmo ideal: SERVIR A PÁTRIA E A TRADIÇÃO.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://reconquistabr.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reconquistabr.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Fernando Rodrigues Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16368448307317160453</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_6uSu6EByoPY/SjFpGEjjdoI/AAAAAAAAALU/_MCTy91mSS4/S220/fernandorodrigues.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>127</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6188930667042584149.post-6111823352103828491</id><published>2009-06-11T20:02:00.000-07:00</published><updated>2009-06-11T20:12:59.420-07:00</updated><title type='text'>Um texto de Rafael Gambra</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_6uSu6EByoPY/SjHGLYIlCmI/AAAAAAAAAME/aK-ta0_dsWE/s1600-h/gambra.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5346272131424782946" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 215px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_6uSu6EByoPY/SjHGLYIlCmI/AAAAAAAAAME/aK-ta0_dsWE/s320/gambra.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Rafael Gambra (1920-2004)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#663300;"&gt;O sentido das coisas em dois aspectos, um espacial e outro temporal. A “Terra dos homens” é mansão no espaço e rito no tempo. O homem constrói seu albergue no espaço, e esse albergue possui limites, aposentos, estruturas. E cada aposento, um sentido e também um mistério intransferível.&lt;br /&gt;Como cada flor é em si mesma, a negação das demais. É a mansão história, feita substancia da vida, o que o homem ama; não a construção teórica, em série, da qual só se serve. “Resultará-lhe impossível amar – lemos em Cidadela – uma casa que não tenha rosto próprio e onde os passos não tenham sentido. Havia (no palácio de meu pai) uma sala reservada aos principais embaixadores e que se abria somente ao sol dos grandes dias; havia aquelas outras em que se fazia justiça e aquela onde se levava os mortos; e aquela, enfim, sempre vazia, cuja utilidade nunca se conheceu, e que talvez não tivesse nenhuma salvo a de ensinar o respeito e o sentido do mistério e que conhece profundamente as coisas...” Este sentido espacial-estrutura humana das coisas é produto, antes de tudo, de uma aceitação; depois, da continuidade, o costume e a tradição.&lt;br /&gt;Aceitação antes de tudo de uma transcendência divina e da religação a ela em um destino comum. Historiadores, Geógrafos, economistas, explicam por fatores coincidentes ou dissociados o brotar histórico dos povos ou a gênese das grandes civilizações. Sem embargo, nada haveria unido os árabes nem os haveria lançado sobre o mundo sem a misteriosa acolhida de uma mensagem superior que fez irromper vitorioso o que dormia na dispersão e na passividade. Daqui que nada mais inadequado e dissolvente para toda religião que aplicar o método analítico racional a seus fundamentos religadores, fazendo-lhes abstratos, universais, intercambiáveis: este método, que pode usar-se com eficácia em realidades convencionais e finalistas, como a economia e o governo humano, resulta essencialmente aniquilador o fato religioso, que é, antes de tudo, aceitação transcendente, misteriosa, e depois, comunhão e fidelidade.&lt;br /&gt;Aceitação, em segundo término, de uma ordem existencial na qual o meio se faz mansão e o tempo adquire uma fisionomia; concreção histórica que se realiza na remota e legendária gênese de cada povo, e que se santifica com o passo das gerações e a memória sagrada dos que nos precederam.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;(GAMBRA, Rafael. &lt;strong&gt;El silencio de Dios&lt;/strong&gt;, prólogo de Gustave Thibon, Editorial Prensa Española, Madrid, 1968, pp.78-80)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6188930667042584149-6111823352103828491?l=reconquistabr.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reconquistabr.blogspot.com/feeds/6111823352103828491/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6188930667042584149&amp;postID=6111823352103828491' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/6111823352103828491'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/6111823352103828491'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reconquistabr.blogspot.com/2009/06/um-texto-de-rafael-gambra.html' title='Um texto de Rafael Gambra'/><author><name>Fernando Rodrigues Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16368448307317160453</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_6uSu6EByoPY/SjFpGEjjdoI/AAAAAAAAALU/_MCTy91mSS4/S220/fernandorodrigues.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_6uSu6EByoPY/SjHGLYIlCmI/AAAAAAAAAME/aK-ta0_dsWE/s72-c/gambra.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6188930667042584149.post-6378757957252875399</id><published>2009-06-11T14:26:00.000-07:00</published><updated>2009-06-11T14:38:37.798-07:00</updated><title type='text'>O COMUNISMO E A REVOLUÇÃO ANTI-CRISTÃ</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_6uSu6EByoPY/SjF4y4AMexI/AAAAAAAAAL8/WPRbB1_TM5k/s1600-h/padre+julio.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5346187048087485202" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 224px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_6uSu6EByoPY/SjF4y4AMexI/AAAAAAAAAL8/WPRbB1_TM5k/s320/padre+julio.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#000066;"&gt;Padre Julio Meinvielle&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#663300;"&gt;&lt;strong&gt;O COMUNISMO E A REVOLUÇÃO ANTI-CRISTÃ&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#663300;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#663300;"&gt;PRÓLOGO DA SEGUNDA EDIÇÃO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#663300;"&gt;Este ensaio teve maior acolhida do público do que seu autor imaginara.&lt;br /&gt;Nele se dizem algumas verdades, senão novas, substanciais que meu pareceu conveniente apontar nesta nova edição.&lt;br /&gt;Por isso, foi suprimido o que podia haver de circunstancial para dar ênfase, em troca, a conceitos, embora hoje olvidados, não menos necessários e urgentes da problemática religiosa.&lt;br /&gt;São estes os conceitos de Realeza de Cristo e o de Civilização Cristã. Se devemos crer, com efeito, para certos autores não se sabe hoje o que é a civilização cristã nem o sabem “todos os Papas de nosso século” (O sacerdote domenicano Avril e o jesuita de Soras, citados pela revista francesa Itinéraires, junho de 1963, página 153.).&lt;br /&gt;No entanto, é o conceito de Realeza de Cristo o qual nos pode esclarecer suficienemente o de civilização cristã e é este, ou de seu equivalente Cidade Católica, o que, como ponto de referência, pode dar-nos ampla certeza do que na realidade o comunismo se propõe destruir totalmente, para logo, desta forma reduzir a Igreja ao silencio mais absoluto.&lt;br /&gt;Ao suprimir conceitos tão substanciais, se é suprimido, por conseguinte, o reto conhecimento do comunismo e de sua propagação e se retira as bases para uma luta eficaz conra este mal, o primeiro de nosso tempo.&lt;br /&gt;A Carta Magna da Igreja sobre o comunismo ateu, a Divini Redemptoris de Pio XI, em troca, centraliza sobre o ponto da Civilização Cristã e de sua exclusão pelo comunismo toda a meduda de erro, de malicia e de perigo de que este está cheio.&lt;br /&gt;Por isso, na primeira página de dito documento, depois de destacar que a promessa e a vinda do Redentor preecheu as ânsias de tão longa expectação da humanidade e “inaugurou uma nova civilização universal cristã, imensamente superior a que até então à custa dos maiores esforços e trabalhos atingiram alguns povos mais privilegiados”, acrescenta este parágrafo sugestivo: “Este perigo tão ameaçador, já o haveis compreendido, Veneráveis Irmãos, é o comunismo bolchevique e ateu, que se propõe como fim peculiar revolucionar radicalmente a ordem social e subverter os próprios fundamentos da civilização cristã”.&lt;br /&gt;Porque entre muitos católicos se suprime ou se debilita o reto sentido do que seja a civilização católica ou a Cidade Católica, se é suprimido também ou se debilita paralelamente o combate que se há de empreender contra este mal e perigo do comunismo e se dá lugar a uma como que aceitação do mesmo, quando não a um verdadeiro reconhecimento e aprovacao.&lt;br /&gt;Tal o erro do progressismo que em formas mais ou menos francas ou ateuadas inavade hoje e envenena a mentalidade e a ação de muitos católicos. Esperamos em breve dedicar a este tema um pequeno ensaio, não obstante, não quiséramos deixar de assinalar aqui seu erro e seu perigo. (“En torno al Progresismo Cristiano”, Librería Huemul, Buenos Aires, 1964, y reeditado como “Un Progresismo vergonzante”, Cruz y Fierro Editores, Buenos Aires, 1967).&lt;br /&gt;Ao alterar o conceito de civiliação cristã e em consequência o de comunismo, muitos católicos encontram-se obrigados a alterar o significado da teología da história, desvinculando esta do dogma fundamental na matéria que é o da Realeza de Cristo. Porque a historia, a história da realidade temporal dos povos, de sua realidade publica e também política, deve significar o alto e supremo domínio que Deus colocou nas mãos de Cristo. É certo que poderão os povos rebelar-se contra a pacífica dominação de Cristo. Mas ainda assim, para sua ruína, os povos não poderão deixar ter significado à Cristo. Porque a história tem uma direta dependência de Cristo, já que toda ela deve significar como um sacramento o reino de Deus com um sacramento. E somente siginfica positivamente quando se converte em história cristã, em Cidade Católica. Por esquecer isso, a teologia da história se converteu hoje em uma teologia nominalisa que nega a substancia mesmo com que deveria estar constituída; é, a saber, desta significação positiva que há de brindar a realidade publica dos povos.&lt;br /&gt;Por isso, alteração do conceito de civilização cristã, diminuição do combate contra o comnismo, progressismo e uma má teologia da história andam hoje juntos em muitos católicos e ainda em teólogos que consideram experts em teologia da história. Tuso isto nos dá induz há acrescentar um novo capitulo a este primitivo ensaio que leva precisamente por título “Da Realeza de Cristo na história à Civilização Cristã”. Desta forma se tornará mais consistente a coerência de temas que não podem ser separados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;JULIO MEINVIELLE&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Epifanía do Senhor, 1964.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6188930667042584149-6378757957252875399?l=reconquistabr.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reconquistabr.blogspot.com/feeds/6378757957252875399/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6188930667042584149&amp;postID=6378757957252875399' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/6378757957252875399'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/6378757957252875399'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reconquistabr.blogspot.com/2009/06/o-comunismo-e-revolucao-anti-crista.html' title='O COMUNISMO E A REVOLUÇÃO ANTI-CRISTÃ'/><author><name>Fernando Rodrigues Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16368448307317160453</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_6uSu6EByoPY/SjFpGEjjdoI/AAAAAAAAALU/_MCTy91mSS4/S220/fernandorodrigues.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_6uSu6EByoPY/SjF4y4AMexI/AAAAAAAAAL8/WPRbB1_TM5k/s72-c/padre+julio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6188930667042584149.post-7560793711974730644</id><published>2008-09-18T07:29:00.007-07:00</published><updated>2009-06-11T13:34:07.670-07:00</updated><title type='text'>Segundo domingo da Paixão: Domingo de Ramos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_6uSu6EByoPY/SjFqGi9ukaI/AAAAAAAAAL0/qBfjqbZKo6w/s1600-h/leonardo+castellani.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5346170893362958754" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 242px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_6uSu6EByoPY/SjFqGi9ukaI/AAAAAAAAAL0/qBfjqbZKo6w/s320/leonardo+castellani.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Padre Leonardo Castellani&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo comentário a &lt;em&gt;Passio&lt;/em&gt; de São Mateus que havíamos prometido versar sobre a legalidade da morte Cristo.&lt;br /&gt;Faz algum tempo liamos em um diário americano uma noticia curiosa: que os israelitas de Nova York queriam fazer uma revisão jurídica do processo de Cristo; quer dizer, reunir outra vez o Sinédrio, rever testemunhas e provas, e dar uma sentencia definitiva. Não se isso se fez. O curioso seria que o houvessem feito e houvessem novamente condenado a morte o Nazareno esse, que tanto tem dado o que fazer. A verdade é que em todo rigor deviam fazer isso; porque se chegassem a absolve-lo, teria que tornar-se todos cristãos; ou melhor dito, já o seriam.&lt;br /&gt;Mas se o fizeram, o provável é que a sentença não seria nem guilty, nem non guilty; senão uma sentença de notproven ou out of legality: nulo por irregularidade de forma jurídica.&lt;br /&gt;O processo de Cristo foi altamente ilegal.&lt;br /&gt;O P. Luis de la Palma S. J. em sua clássica obra histórica sobre a paixão resenhou em uma página mestra as ilegalidades desse raivoso processo, que foi uma monstruosidade jurídica. O Sinédrio ou Tribunal Supremo se reuniu em um tempo pascal, algo que lhes estava vedada; se produziram testemunhos falsos e contraditórios; não houve testemunhas de defesa; não se deu ao réu um defensor; ao responder a uma pergunta do juiz, o acusado foi esbofeteado; se tomou uma resposta do réu como prova e o juiz se converteu em promotor; a resposta do Sinédrio não se deu por votação; se celebraram duas sessões no mesmo dia, sem a interrupção legal mandada entre a audiência e a sentença; o sentenciado foi diferido a autoridade romana, que não se reconhecia como legítima e que —como lhes advertiu o mesmo Pilatos— não tinha competência jurisdicional para delitos religiosos; a acusação promovida no Pretório ("Este se fez Deus e por isso deve morrer") não era delito nesse Tribunal; o réu foi açoitado, quer o começo da crucificação, antes da sentença ser prolatada; o delito de conspiração contra César, que promoveram depois, não era passível de crucificação, nem sequer de morte, como o era a sedição a mão armada e a traição ao exército imperial, coisas que manifestamente não fez Cristo; e finalmente deixando outras duas irregularidades menores, o néscio Plitados não proferiu a sentença oficial: Ibis ad crucem, senão que disse mal humorado: "Agarrem-nos vocês e façam o que quiserem ", coisa que um juiz não pode fazer, porque é abdicar seu oficio; depois de haver feito a fanfarrice de lavar as mãos como o que acreditava ficar de bem para com Deus, com os judeus e com sua mulher; e depois de haver proclamado publicamente a inocência do acusado: "Non invenio in eo culpam" ("Não encontro culpa nele"), o enviou ao patíbulo.&lt;br /&gt;Não seu se esqueço algum coisa porque cito de memória; mas com a metade destas irregularidades o processo absolutamente nulo; e o juiz tinha o dever estrito de absolver ao acusado; fazer administrar quarenta menos um a Caifás pelos maus tratos que havia permitido infligir-lhe; e fazer varrer a golpe a turba com Barrabás e tudo mais, que ao pé da escola de mármore — não queriam pisar no pretório para não manchar-se e poder comer a páscoa, os anjinhos— bramavam como leões e toros ("Toros bravos me cercaram, livra-me da boca do leão", disse o Profeta), e atropelavam o decoro do Procônsul com ameaças absurdas. A único coisa que há que anotar-se quanto ao idiota Pilatos é que não recebeu nenhuma barganha —no se acordou— coisa que não se pode dizer de todos os juizes cristãos.&lt;br /&gt;Mas ande se equivoca De La Palma é em atribuir aos fariseus todas estas falhas de "procedimento"; nesse caso não tem maldita. Se Cristo não era o que Ele dizia, havia que dar-lhe morte por cima de todo procedimento; e isso em virtude do sentimento religioso. Era um blasfemo; e por certo, o blasfemo mais extraordinário que existiu. Por isso, eles não tiveram reparos em des-responsabilizar Pilatos: "Que seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos". isto era um juramento tremendo, que os latinos chamavam exsecración. Nisso se sentiam seguros: "Acreditavam —perversamente— fazer um obséquio a Deus". Se o Nazareno não era Deus; nem o pastor Eróstrato que incendiou o templo de Diana de Éfeso, nem Calígula que violou uma Vestal (virgem, pitonisa), nem Henrique II que fez matar a Santo Tomás Beckett em sua catedral e durante sua missa, cometeram uma blasfêmia e um sacrilégio comparável: "Réu é de morte; nós sabemos que é réu de morte; pouco importa o que lhe digamos a este romanacho incircunciso ...". Se a acusação de conspiração contra César e a subseguinte ameaça não houvesse surtido o apetecido efeito, pouco lhes houvera importado acusar a Cristo de haver três assassinos para matar Pilatos, sua mulher e seu filho.&lt;br /&gt;Porque a questão em causa não era a sedição contra César —que eles desejavam com toda a alma, os hipócritas— nem se Cristo havia dito que ia destruir o Templo e reedifica-lo em três dias — que eles sabiam não Ter dito— nem nada desse estilo. A questão real era: Cristo é o que ele disse ou não? Esta é a questão mais tremenda que se a posto na história da humanidade: questão de vida ou morte.&lt;br /&gt;Todavia se põe e se põe continuamente; e a prova são os homens judeus de Nova York. O processo de Cristo se reproduz continuamente na alma de cada homem: Cristo é acusado, da testemunho de si, depõem contra Ele falsos testemunhos, maus sacerdotes O julgam e condenam, Judas o beija, imundos lhe fazem chacotas, e muitos pilatinhos o crucificam. É a questão de um simplíssimo sim ou não que se produz no mais profundo da alma: "Sim, é Deus. Não, não é meu Deus". Se não é meu Deus, é réu de morte... ¡Que desapareça, que seja crucificado, que seja sepultado e lacrado seu cadáver e que não se saiba mais dele nem de sua memória!...". Tremendo pensamento.&lt;br /&gt;Os cristãos cremos que a dispersão secular do povo judeu —que agora se está por terminar— é a resposta aquela exacração dos fariseus: "Caia seu sangue sobre nós e sobre nossos filhos". Porque "sobre nossos filhos"? Não é justo isso? Aqui há um mistério. Na realidade, todo judeu que por sua culpa não se torna cristão, da sua aquiescência a condenação de Cristo; porque eles tem em suas mãos as escrituras com todas as profecias (a peça mestra do processo, o testemunho que não se chamou) e ninguém tão bem como eles pode entender desta causa. Dizer isto parece duro e tremendo; e na realidade é. Mas a questão é esta: ou foi Deus ou não foi Deus, e não há evasiva nem resposta intermediária possível. Ou blasfemo, ou meu Criador e Senhor.&lt;br /&gt;Deixemos em paz os judeus se não é para rogar por eles, como roga a igreja na Sexta Feira Santa: demasiadamente hão sofrido. O mal é a Segunda crucificação de Cristo ("Rursum crucifigentes Filium Dei") que fazemos nós cristãos. Em minha própria vida tenho bastante que considerar; mas isso não para contar aqui. Mas na vida pública das nações chamadas cristãs, desde a Reforma até aqui, um largo e infausto Vía Crucis executa ao Corpo Místico de Cristo. Os Caifás, os Judas, os Pedros, os Herodes, os Pilatos se multiplicam; e todos os gestos daquela nefasta façanha se reproduzem simbolicamente: Ao Cristo se nega, se calunia, se impreca, se açoita e se crucifica. E se sepulta.&lt;br /&gt;As nações parecem no caminho de crucificar novamente a Cristo; e de gritar ao céu: "que seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#993300;"&gt;&lt;strong&gt;"EL EVANGELIO DE JESUCRISTO", Bibliotaca Dictio, Vol 7, pag. 195, Buenos Aires, 1977 &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6188930667042584149-7560793711974730644?l=reconquistabr.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reconquistabr.blogspot.com/feeds/7560793711974730644/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6188930667042584149&amp;postID=7560793711974730644' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/7560793711974730644'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/7560793711974730644'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reconquistabr.blogspot.com/2008/09/sermes-segundo-domingo-da-paixo-domingo.html' title='Segundo domingo da Paixão: Domingo de Ramos'/><author><name>Fernando Rodrigues Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16368448307317160453</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_6uSu6EByoPY/SjFpGEjjdoI/AAAAAAAAALU/_MCTy91mSS4/S220/fernandorodrigues.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_6uSu6EByoPY/SjFqGi9ukaI/AAAAAAAAAL0/qBfjqbZKo6w/s72-c/leonardo+castellani.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6188930667042584149.post-3687781286935559134</id><published>2008-09-18T07:29:00.005-07:00</published><updated>2009-06-11T13:30:18.931-07:00</updated><title type='text'>Programa de Santidade</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;strong&gt;Rda. Madre Marie Cronier – 1857-1937.&lt;/strong&gt; Fundadora e primeira Abadessa do Mosteiro de Sainte-Scholastique de DourgneFrança.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Domingo, 8 de abril –&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentido: Jesus falou-me muito das virtudes interiores. Ele deseja que não haja nem movimento, nem uma palavra sequer, por parte daquela de quem gosta tanto, que não seja regulada pela Sua Graça. Compreendi toda a extensão que ele dava às virtudes interiores, humildes, desconhecidas, escondidas.Compreendi sobre tudo que ele era a Luz e a Verdade. Inundava minha alma com seus divinos raios que lhe permitem perceber a santidade verdadeira, prática, profunda... Prometeu-me sua luz e disse-me que este era o dom maior que pudesse me dar neste mundo. Esta luz divina que ilumina, que revela a santidade, os preciosos segredos de Jesus, esta luz divina que traz o calor, o amor.Voltando às virtudes interiores, pediu-me que amasse muito essas humildes virtudes cuja existência ninguém suspeita e cuja beleza somente Ele, sozinho, pode conhecer, e acrescentou: nunca pronuncie uma palavra em teu próprio louvor, evite freqüentemente uma palavra, um gesto, um olhar; caminhe até perder de vista com essas preciosas virtudes escondidas; prefira o silêncio, ame passar despercebida, não pronuncie jamais uma palavra inútil, sempre comigo, sempre habilidosa em te esconder atrás do silêncio, da paz, do esquecimento das criaturas; caminhe, caminhe. A perfeição não tem limites – caminhe sempre mais para frente.Remova cada dia os menores grãos de poeira. Essas virtudes tão humildes, tão pequenas na aparência, são abismos que a alma pode sempre aprofundar; minha filha, essas virtudes tão humildes, tão modestas, são também tesouros que encantam meu divino Coração. Olhe para a minha divina Mãe e contemple esta obra-prima das virtudes interiores. Quero que nelas você progrida muito. Para tanto, seja amável, mas com uma suave gravidade e um tanto séria, seja paciente sem que se possa perceber tal ato de paciência de sua parte; sem que se possa descobrir se algo te contrista ou te irrita; seja tão boa que nada possa anuviar teu rosto, mas sempre com suave seriedade, seja tão caridosa que teus lábios nunca profiram a menor crítica; esteja sempre pronta a esquecer, a perdoar, a ajudar.Seja tão discreta que passe despercebida.Ao agir, faça pouco barulho; al falar, diga poucas palavras, submete tua vontade cada vez que for possível sem faltar aos deveres; aceita a opinião dos outros por condescendência, por virtude: teu Jesus dar-te-á tato, a finura necessários para agir no momento certo, sem fraqueza, sem abuso.Procura mortificar-se em cada encontro com tanta boa vontade e finura que somente Jesus seja testemunha.Procura ser esquecida, não fala de ti mesma nem bem, nem mal: tenha sempre um sorriso nos lábios e com tanta simplicidade que a própria virtude pareça natural aos olhos de todos; ficará minorada pela grandeza de sua própria perfeição.Tendo falado assim, Jesus pediu-me ainda a coragem paciente, generosa, constante, exigida por este esforço interior praticado, tão mortificante, tão escondido, tão extenso, tão perpétuo... Eu mesma notei algumas imperfeições, algumas palavras inúteis, uma precipitação exagerada numa ação, um instante de tristeza exagerada ao pensar na separação que tanto me fere.&lt;br /&gt;Mas procurarei fazer melhor amanhã.&lt;br /&gt;Jesus deu-me a entender que se tratava de um trabalho para toda a minha vida e que o importante era nunca estar satisfeita, nunca descansar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;9 de abril.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele me pede não fazer nada que seja inútil: vou me esforçar com afinco... nada de natural, tudo com acalma, tudo sem barulho, tudo com mansidão, mesmo se for interrompida vinte vezes, tudo sem vontade própria mas unicamente pela vontade d’ Ele, de tal forma que esteja pronta a tudo deixar, tudo abandonar; enfim, um desprendimento total de modo a não me deixar cativar nem por um instante, escolher as tarefas menos atraentes.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6188930667042584149-3687781286935559134?l=reconquistabr.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reconquistabr.blogspot.com/feeds/3687781286935559134/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6188930667042584149&amp;postID=3687781286935559134' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/3687781286935559134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/3687781286935559134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reconquistabr.blogspot.com/2008/09/programa-de-santidade.html' title='Programa de Santidade'/><author><name>Fernando Rodrigues Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16368448307317160453</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_6uSu6EByoPY/SjFpGEjjdoI/AAAAAAAAALU/_MCTy91mSS4/S220/fernandorodrigues.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6188930667042584149.post-6584126880825329146</id><published>2008-09-18T07:29:00.004-07:00</published><updated>2008-09-18T07:52:01.843-07:00</updated><title type='text'>Entregar-se</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Sta. Tereza Couderc&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Várias vezes, Nosso Senhor já havia me dado conhecer o quanto era útil, para o progresso de uma alma desejosa de perfeição, ENTREGAR-SE sem reserva à ação do Espírito Santo. Mas, nesta manhã, a divina Bondade dignou-se me agraciar com uma visão toda particular. Estava me preparando para começar minha meditação, quando ouvi o ressoar de vários sinos chamando os fiéis para assistir aos divinos Mistérios. Neste momento, desejei unir-me a todas as missas que estavam sendo celebradas e com este intuito, dirigi a minha intenção para que participasse de todas elas. Tive então uma visão geral de todo o universo católico e de uma profusão de altares nos quais se imolava, ao mesmo tempo, a adorável Vítima.O Sangue do Cordeiro sem mancha corria abundante sobre cada um desses altares que me pareciam envoltos numa leve fumaça que subia para o céu. Minha alma era tomada e penetrada por um sentimento de amor e de gratidão à vista dessa tão abundante satisfação a nós oferecida por Nosso Senhor. Mas também surpreendia-me muito o fato de que o mundo inteiro não se achasse santificado em conseqüência. Perguntava-me como era possível que o Sacrifício da Cruz, oferecido uma só vez, tenha sido suficiente para salvar todas as almas e que, renovado tantas vezes, não bastasse para santificá-las todas. Eis a resposta que julgo ter ouvido: - O Sacrifício é sem dúvida suficiente por si mesmo e o Sangue de Jesus Cristo mais que suficiente para a santificação de um milhão de mundos, mas às almas falta corresponder generosamente. Pois o grande meio para entrar na via da perfeição e da Santidade – é o de ENTREGAR-SE ao nosso Bom Deus.Mas que significa ENTREGAR-SE? Percebo toda a extensão desta expressão "ENTREGAR-SE", porém não posso explicitá-la. Sei apenas que é muito extensa e abrange o presente e o porvir.ENTREGAR-SE é mais que se dedicar; é mais que se doar; é até maior que se abandonar a Deus. ENTREGAR-SE, finalmente, significa morrer a tudo e a si mesmo, não se preocupar mais com o EU a não ser para mantê-lo sempre orientado para Deus.ENTREGAR-SE é ainda mais que não se procurar a si mesmo em nada, nem no espiritual, nem no corporal; quer dizer deixar de procurar a satisfação própria, mas unicamente o bel-prazer divino.É preciso acrescentar que "ENTREGAR-SE" significa, também, esse espírito de desapego que não se prende em nada, nem nas pessoas, nem nas coisas, nem no tempo, nem nos lugares. É aderir a tudo, submeter-se a tudo.Mas, talvez se acredita que isso seja muito difícil de se conseguir. Desenganem-se, não existe nada mais fácil de se fazer e nada tão suave de se praticar. Tudo consiste em fazer uma só vez um ato generoso, dizendo com toda a sinceridade de sua alma: "Meu Deus, quero ser inteiramente seu (sua), queira aceitar minha oferenda". E tudo será dito.Permanecer de agora em diante nesta disposição de alma e não recuar diante de nenhum dos pequenos sacrifícios que possam servir ao nosso progresso em virtude. Lembrar-se que SE ENTREGOU.Rogo a Nosso Senhor que forneça o entendimento desta expressão a todas as almas desejosas de Lhe agradar, inspirando-lhes um meio de santificação tão fácil. Oxalá fosse possível compreender de antemão toda a suavidade e toda a paz que se desfruta quando não se guarda reserva com nosso Bom Deus!De que forma Ele se comunica com a alma que O procura com sinceridade e que soube ENTREGAR-SE. Experimentem e vereis que lá é que se acha a felicidade procurada em vão alhures.A alma entregue encontrou o Paraíso na Terra, pois ali goza esta paz suave que constitui em parte a felicidade dos eleitos".&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6188930667042584149-6584126880825329146?l=reconquistabr.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reconquistabr.blogspot.com/feeds/6584126880825329146/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6188930667042584149&amp;postID=6584126880825329146' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/6584126880825329146'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/6584126880825329146'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reconquistabr.blogspot.com/2008/09/entregar-se.html' title='Entregar-se'/><author><name>Fernando Rodrigues Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16368448307317160453</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_6uSu6EByoPY/SjFpGEjjdoI/AAAAAAAAALU/_MCTy91mSS4/S220/fernandorodrigues.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6188930667042584149.post-8332682639187437289</id><published>2008-09-18T07:29:00.003-07:00</published><updated>2008-09-18T07:50:36.708-07:00</updated><title type='text'>A oração</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;São João Maria Vianney (Cura d'Ars)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Bela obrigação do homem: orar e amar&lt;br /&gt;Considerais, filhos meus: o tesouro do homem cristão não está na terra, senão no céu. Por isto, nosso pensamento deve estar sempre orientado para onde se encontra nosso tesouro.&lt;br /&gt;O homem tem um belo dever e obrigação: orar e amar. Se orais e amais, havereis encontrado a felicidade neste mundo.&lt;br /&gt;A oração não é outra coisa que a união com Deus. Todo aquele que tem o coração puro e unido a Deus experimenta em si mesmo como uma suavidade e doçura que o embriaga, se sente rodeado de uma luz admirável.&lt;br /&gt;Nesta íntima união, Deus e a alma são como dois pedaços de cera fundidos em um solo, que já ninguém pode separar. É algo muito belo está união de Deus com sua pobre criatura; é uma felicidade que supera nossa compreensão.&lt;br /&gt;Nós havíamos nos tornado indignos de orar, mas Deus, por sua bondade, nos permitiu falar com Ele. Nossa oração é o incenso que mais lhe agrada.&lt;br /&gt;Filhos meus, vosso coração é pequeno, mas a oração o dilata e o faz capaz de amar a Deus. A oração é uma degustação antecipada do céu, faz com que uma parte do paraíso baixe até nós. Nunca nos deixa sem doçura; é como um mel que se derrama sobre a alma a dulcifica por inteiro.&lt;br /&gt;Na oração feita devidamente, se fundem as penas como a neve ante o sol.&lt;br /&gt;Outro beneficio da oração é que faz como que o tempo transcorra tão depressa e com tanto deleite, que nem se percebe sua duração. Olhai: quando era pároco em Bresse, em certa ocasião, em que quase todos meus colegas haviam caído enfermos, tive que fazer largas caminhadas, durante as quais orava ao bom Deus, e creia-me, o temo se me tornava curto.&lt;br /&gt;Há pessoas que se submergem totalmente na oração como os pés na água, porque estão totalmente entregues ao bom Deus. Seu coração não está dividido. ¡Quanto amo a estas almas generosas! São Francisco de Assis e Santa Coleta viam a Nosso Senhor e falavam com Ele do mesmo modo que falamos entre nós.&lt;br /&gt;Nós, pelo contrário, quantas vezes vamos a Igreja sem saber o que fomos fazer ou pedir! E, sem embargo, quando vamos a casa de qualquer pessoa, sabemos muito bem porque vamos. Há alguns que inclusive parece que inclusive dizem ao bom Deus: "Só duas palavras, para desfazer-me de ti..." Muitas vezes penso que quando vamos adorar o Senhor, obteríamos tudo o que lhe pedíssemos se soubéssemos pedir com uma fé muito viva e com um coração muito puro.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6188930667042584149-8332682639187437289?l=reconquistabr.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reconquistabr.blogspot.com/feeds/8332682639187437289/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6188930667042584149&amp;postID=8332682639187437289' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/8332682639187437289'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/8332682639187437289'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reconquistabr.blogspot.com/2008/09/orao.html' title='A oração'/><author><name>Fernando Rodrigues Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16368448307317160453</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_6uSu6EByoPY/SjFpGEjjdoI/AAAAAAAAALU/_MCTy91mSS4/S220/fernandorodrigues.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6188930667042584149.post-4635558492634282069</id><published>2008-09-18T07:29:00.002-07:00</published><updated>2008-09-18T07:47:52.330-07:00</updated><title type='text'>Charles Maurras, o grande doutrinador francês</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Alexandre A. Pinto Coelho do Amaral*&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Uma análise objetiva do pensamento do grande escritor da Action Française, revela, indubitavelmente, que as suas idéias representam no terreno político-ideológico, uma superação do positivismo tal como ele era entendido no último quartel do século XIX. O apelo à experiência sensível que constitui a realidade toda e que o espírito reproduz por meio de luz científicas, é substituído em Maurras pelo apelo à inteligência hierarquizadora e ordenadora, que descobre através da história as realidades criadoras, as realidades valiosas e perenes. Quer dizer; o racionalismo passa a superar o experimentalismo.&lt;br /&gt;Em face desta posição inicial devem ser analisadas as doutrinas do Mestre. O combate à liberdade-liberal é inspirado, na essência, pela contradição que esta encerra em si: por um lado afirmando-se contra qualquer norma; por outro afirmando-se a si própria como norma. A apologia do nacionalismo, numa finíssima intuição dialética das relações entre indivíduo e Estado: «o homem chama-se sociedade» e por isso «todo o perigo social encerra um perigo para o indivíduo». A forma atual e corrente de sociedade é a Nação. Ou seja demonstrada a insubsistência da pura vontade autônoma, não parte Maurras para a supremacia de qualquer ser externo e opressivo, antes e justamente concebe como o ‘substractum’ próprio do homem a sua integração no todo social.Junto da razão, porém, descobre o autor de «Les Amants de Venise», um elemento diverso e oposto: é o sentimento. O sentimento deve subordinar-se à razão, sem dúvida, mas não é a ela redutível, nem ambos podem unir-se em qualquer síntese superior (o paganismo de Maurras, segundo ele próprio o confessa, consiste na aceitação das dualidades antinômicas). Daí a separação, por vezes exposta em termos ambíguos e paradoxais, entre a moral e política. A primeira situa-se na ordem subjetiva, a segunda na ordem objetiva e intelectual. Na construção perfeita das coisas «a moral» torna-se «uma política suprema», pela interiorização na consciência das verdades sociais; mas tal interiorização reclama — uma crença, uma religião, e daí a aceitação pragmática da Igreja católica cuja idéia de Deus ao contrário da protestante, não constitui um perigo para a sociedade.Em tudo isto se revela a grandeza e a fraqueza de Maurras: o vigor rigoroso e subtil da sua crítica, a sua ausência trágica duma metafísica que mostrasse a razão e o sentimento numa harmonia recíproca, que a ambos alicerçasse, numa sólida concepção do Mundo e que desse plenitude sistemática às suas construções políticas. Metafísica essa que só poderia ser um vasto e compreensivo Idealismo objetivo «da linha Aristóteles-S.Tomás-Hegel».Tais são os princípios que inspiraram o subtil crítico do «Romantisme Féminin». À sua luz concluiu ele pela Monarquia tradicional (ditador e rei) e pelo classicismo, contra a República e contra o Romantismo. Foram estas atitudes, defendidas com uma energia a toda a prova, que o celebrizaram, criando-lhe os mais entusiásticos admiradores e os mais rancorosos inimigos.Toda a sua vida serviu sem tibieza à França e ao Rei desde os longínquos artigos da «Gazete de France» até às polêmicas continuadas de «l’Action Française». Abandonado e reprovado por aqueles a quem mais diretamente servia a sua ação, Maurras nunca soube desanimar ou recuar. Até ao fim ele combateu os cúmplices do Kremlin, os provocadores da guerra, os falsos ‘aliados’, os que arrastaram a sua Pátria à catástrofe, até ao fim sem uma hesitação, sem um gesto de temor.Hoje, o inimigo acérrimo e injusto da Alemanha, jaz num cárcere como traidor, enquanto os quatro estados confederados — judeu, maçon, protestante e meteco — de novo tripudiam na pátria de S. Luís e Joana d’Arc; hoje as multidões esquecidas não recordam mais os mártires do 6 de Fevereiro, nem os de Oran e Mers-el-Kibir, e alanceadas pelo medo aglomeram-se, timidamente, em volta dum dos responsáveis pelo regresso da Democracia a terras de França. Sim, hoje jaz no cárcere Charles Maurras!Mas não serão as vinganças rancorosas, nem as calúnias grosseiras, nem os uivos de insaciáveis ódios que conseguirão apagar do firamento da inteligência o brilho da sua admirável obra, nem da recordação de todos nós e a lição inexcedível e o exemplo sem par da sua ação e da sua vida.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;*******&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Politique d`abord&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Quando dizemos politique d`abord, dizemos: a política primeiro, primeiro na ordem do tempo, de modo algum na ordem da dignidade. É o mesmo que dizer que a estrada deve ser tomada antes de se chegar ao ponto terminal; a flecha e o arco devem ser pegados antes de se ferir o alvo; o meio de ação precederá o centro do destino.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;***&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Em política, a nossa mestra é a experiência.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;A Monarquia&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;A necessidade da Monarquia demonstra-se como um teorema. Uma vez posta em postulado a vontade de conservar a nossa pátria francesa, tudo se encadeia, tudo se deduz num movimento inelutável.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;A fantasia, a escolha, não têm aí cobrimento: se resolvestes ser patriotas, sereis obrigatoriamente monárquicos. Mas, se sois assim conduzidos à Monarquia, não tendes a liberdade de obliquar para o liberalismo, o democratismo ou os seus sucedâneos. A razão assim o quer. É preciso segui-la e ir até onde ela conduz.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;O menor mal, a possibilidade do bem&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Não sendo charlatães da Monarquia, como há charlatães da Democracia, nós nunca ensinámos que a Monarquia afasta, apenas pela sua presença, os males com que a guerra civil ou a guerra estrangeira, as epidemias físicas ou as pestes morais podem ameaçar as nações. O que dizemos é que, em países que são constituídos como a França, a Monarquia hereditária reúne não as melhores, mas as únicas condições de defesa contra estes flagelos. A Monarquia não é incapaz de erros, mas está melhor armada que qualquer outro poder para lhes fazer face, se prevenir, e em caso de desgraça regressar à verdade procedendo às reparações necessárias. Que uma brusca evolução econômica se imponha, pode a Monarquia presidir a ela, senão sempre com felicidade, ao menos com um mínimo de desgastes. Se tomados por um ciclone, como a história os viu por vezes desencadearem-se, se tenta alguma revolução brutal, a passagem é menos rude, a subversão menos completa, quando ele se produz sob um chefe, sob um príncipe cuja sucessão, estando de antemão regulada, excluirá todo o conflito de competidores. Assim, em Monarquia, os interesses superiores, os mais vastos, os mais graves, estão situados numa atmosfera bastante elevada e bastante serena para que seja de esperar que o furacão chegue até lá. Se, apesar de tudo, ele lá chegar, então, tanto pior! O gênero humano no máximo da sua miséria sempre terá gozado do máximo de garantias possíveis. Nessa desgraça imensa, o mal seria mais freqüente, mais completo e mais doloroso se o poder supremo estivesse colocado mais baixo.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Mesmo decaída, desmoralizada, desvairada, a Monarquia implica, ela mesma, o sentimento, e deixa após ela a noção duma responsabilidade, duma memória, duma previsão, tudo coisas de que os Parlamentos democráticos são desprovidos.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;A Monarquia real confere à política as vantagens da personalidade humana: consciência, memória, razão, vontade; o regime republicano dissolve os seus desígnios e os seus atos numa coletividade sem nome, sem honra nem humanidade. Por isso, como a Monarquia representa naturalmente a capacidade do maior bem e do menor mal, a República representa a personalidade permanente do pior mal, do menor bem. Quanto aos elementos do mal e do bem, isso são dados que dependem das circunstâncias e dos homens: nenhum regime cria homens nem as suas circunstâncias intelectuais e morais.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;***&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Sim, a República é o mal, sim o mal inevitável em República. E o que nós dizemos da Monarquia é que ela é a passibilidade do bem. O bem público, impossível em República; mesmo numa Monarquia que se afaste do seu fim, o mal público permanece muito menos nocivo que em república, pois está sempre sujeito a acabar, com o mau ministro ou o mau rei, e o mal republicano, sendo inerente à República, só com ela poderá terminar.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;***&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Para a maior parte dos homens do séc. XIX, e hoje ainda absolutismo é sinónimo de despotismo, de poder caprichoso e ilimitado.É absolutamente inexacto: poder absoluto significa exactamente poder independente; a monarquia francesa era absoluta uma vez que não dependia de nenhuma outra autoridade, nem imperial, nem parlamentar, nem popular: mas nem por isso ela deixava de ser limitada, temperada por uma multidão de instituições sociais e políticas hereditárias ou corporativas, cujos poderes próprios a impediam de sair do seu domínio e da sua função. O seu direito confinava com uma multidão de direitos que a sustinham e equilibravam. A antiga França estava eriçada de liberdades.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;***&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;É preciso regressar a um regime que restabeleça a distinção entre Governo, encarregado de governar, e a Representação encarregada de representar.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;***&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;A República tem a necessidade de se impor às consciências, uma vez que repousa sobre as vantagens. Ela tem necessidade do entusiasmo dos seus súbditos, que são os eleitores a que, nominalmente, constitucionalmente, têm nas suas mãos o seu destino.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Ao contrário, a Monarquia existe pela sua própria força suâ mole stat. Não tem necessidade de consultar a cada instante um pretenso soberano eleitor. Basta-lhe, em suma, ser tolerada, suportada, e no entanto ela tem sempre mais e melhor, precisamente porque o seu princípio não a obriga a importunar as pessoas, a ei-las a intimar constantemente a acharem-na bela.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;A República é uma religião. A Monarquia é uma família. Esta de nada mais necessita do que a achem aceitável. Aquela exige que sigamos os seus ritos, os seus dogmas, os seus sacerdotes, os seus partidos.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;O Rei&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Corruptível enquanto homem, o Rei tem como Rei uma vantagem imediata e sensível em não ser corrompido: a sua regra de sensibilidade é de se mostrar insensível a tudo o que não afete senão o particular, o seu gênero de interesse é o de ser naturalmente desprendido dos interesses que, abaixo dele, solicitam todos os outros: este interesse é o de se tornar independente.O Rei pode-o desfazer, pode-o esquecer. Ponhamos as coisas no pior. Um espírito medíocre, um caráter fraco expõe-no ao erro e ao desprezo. Nada disso importa! O seu valor, o valor de um homem é incomparavelmente superior ao da resultante mecânica das forças, à expressão de uma diferença entre dois totais.Pouco que valha o seu carácter ou o seu espírito, ainda assim ele é um carácter, um espírito, é uma carne de homem, e a sua decisão representará humanidade, enquanto que o voto de 5 contra 2 ou de 4 contra 3 representa o conflito de 5 ou de 4 forças contra 2 ou 3 outras forças. As forças podem ser, nelas mesmas, pensantes, mas o voto que as exprime não pensa: quanto a ele, não é uma decisão, um juízo, um acto corrente e motivado, tal como o desenvolve e encarna o Poder pessoal de uma autoridade consciente, nominativa, responsável.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;***&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Este poder julga em qualidade. Aprecia os testemunhos em lugar de contar as testemunhas.Bem ou mal, é assim que ele procede, e este processo é, em si, superior ao processo de adição e subtracção.Tendo interesse em saber a verdade afim de fazer justiça, ele encoraja uns, tranquiliza outros e por vezes não ouve senão um, se um só lhe parece digno de ser ouvido. Se for caso disso, ele defende-o contra as ciladas e as tentações dos poderosos. Este discernimento humano dos valores intelectuais e morais difere, como o dia da noite, do processo cego e grosseiro das democracias. A idéia de tudo reduzir a uma espécie de combate singular ou a uma batalha geral dos interesses em causa é uma regressão, reflete sob uma força nova e muito menos bela, aqueles duelos judiciários de que os predecessores de S. Luís já se mostravam indignados.Só a barbárie pode ter confiança nas soluções das maiorias e do número. A civilização faz intervir, sempre que possível, o discernimento da verdade, o culto do direito. Mas isso supõe que o Um, tomado por juiz e por chefe, se distingue das forças chamadas a ser arbitradas por ele. O soberano não é súbdito, o súbdito não é o soberano. Misturando-os, a democracia baralha tudo, complica tudo, retarda tudo, e a sua degressão devolve tudo aos mais baixos estádios do antigo passado.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;*Tradução e seleção de Alexandre A. Pinto Coelho do Amaral (In Mensagem, n.º 8, págs. 7/8, 15.12.1947)&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6188930667042584149-4635558492634282069?l=reconquistabr.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reconquistabr.blogspot.com/feeds/4635558492634282069/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6188930667042584149&amp;postID=4635558492634282069' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/4635558492634282069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/4635558492634282069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reconquistabr.blogspot.com/2008/09/charles-maurras-o-grande-doutrinador.html' title='Charles Maurras, o grande doutrinador francês'/><author><name>Fernando Rodrigues Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16368448307317160453</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_6uSu6EByoPY/SjFpGEjjdoI/AAAAAAAAALU/_MCTy91mSS4/S220/fernandorodrigues.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6188930667042584149.post-5731195956213487520</id><published>2008-09-18T07:29:00.001-07:00</published><updated>2008-09-18T07:36:03.882-07:00</updated><title type='text'>Uma vela na escuridão</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Gustave Thibon&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;"O sorriso não é algo devido, senão um favor, uma graça, a forma de converter um encontro em luz".&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É a hora do descontentamento em todas suas formas, desde a lamentação resignada até a sublevação manifesta. Velhos e jovens se conciliam para denegrir o presente: uns sentem nostalgia do passado e outros colocam toda sua esperança nas mudanças que aportará o porvir. Em todos os graus da escala social, as pessoas lamentam de sua sorte e se esgotam em criticas. Em suma, ninguém está contente com nada, salvo de si mesmo, pois, quem aceita sua parte de responsabilidade nos males que deplora?&lt;br /&gt;Ao sair de uma reunião impregnada por completo deste ambiente taciturno, o azar de uma leitura me fez reparar neste pensamento de Confúcio: "Mais vale acender uma luz, por pequena que seja, que maldizer a escuridão ".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;A falta de vela&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Um amigo a quem comentei esta sentença me respondeu: "De acordo, mas Confúcio viveu em uma sociedade descentralizada, de tipo agrícola e artesanal, onde o indivíduo podia fazer algo para remediar as desgraças da época. Quando anoitecia, se acendia uma vela; se fazia frio, podia-se recorrer a lenha nos bosque mais próximo e havia uma chaminé em cada casa para acender o fogo. Mas, o que se pode fazer hoje em dia em uma grande cidade quando um apagão de energia nos priva simultaneamente de luz e de calor?".&lt;br /&gt;Igualmente, que recursos tem a iniciativa individual contra males como a inflação, o desemprego, uma greve dos correios ou de ferroviários? O mal adquiriu um caráter coletivo que exige igualmente remédios coletivos, quer dizer, medidas de conjunto que correspondem em grande parte aos poderes públicos. Daí a politização geral dos problemas sociais. "Que espera o governo para...?", diz espontaneamente o homem que passa pela rua. Em uma palavra, estamos em uma situação em que as pessoas, por falta de vela, não tem outro recurso senão maldizer a noite até que hasta que se solucione o problema da iluminação pública.&lt;br /&gt;Reconheço — e este é o reverso angustioso de nossa técnica, as vezes libertadora pela potência dos meios que põe a nossa disposição, e alienante pelo excesso de centralização — que o homem moderno tem cada vez mais domínio sobre os elementos externos de seu destino. O que favorece por uma parte a passividade, pois se espera que as soluções venham de fora, e de outra o afã reivindicativo, o desejo de receber sempre mais. O indivíduo pode, sem embargo, acender uma vela nesta noite, ao menos estabelecendo o contato humano, tão reduzido hoje pela concentração e o anonimato tecnocrático. Nos lamentamos que a tecnocracia imponha aos homens relações quase unicamente funcionais. Mas depende de cada um de nós remontar este obstáculo. Ofereço como prova dois exemplos opostos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Intercâmbio luminoso&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Me encontrava faz alguns meses em uma oficina de correios. Uma anciã que desejava enviar uma carta disse timidamente a funcionária: "Esqueci meus óculos, teria a bondade de preencher meus dados?". A empregada, com um olhar em que se unem a frieza pessoal e a indiferença administrativa, responde irritada: "Crê que tenho tempo para fazer seu trabalho? Olhe o impresso e verá que diz: preencher pelo usuário". Ainda estou vendo a pobre anciã retirar-se (depois pude ajudá-la), andando mais devagar e com o ânimo gelado por esta acolhida glacial.&lt;br /&gt;Outra oficina de correios da mesma cidade. Detrás de um dos guinches mais freqüentados, uma jovem tranqüila, amável, recebe a cada um com um sorriso espontâneo e acolhedor, desconhecido inclusive entre os comerciantes mais zelosos, porque tal sorriso se dirige não ao cliente, senão ao ser humano. Após fazer os envios postais aos quais tinha direito pagando as tarifas usuais, levei comigo esse sorriso inesperado que não era algo devido, senão um favor, uma graça. E, ademais, me senti disposto a sorrir aos interlocutores que devia encontrar durante a jornada, pois o bom humor, a atenção, a afabilidade, provocam reações em cadeia do mesmo modo que a indiferença ou a animosidade.&lt;br /&gt;Este elemento de graça e gratidão (as duas palavras tem a mesma etimologia) confere as relações mais superficiais uma qualidade única e insubstituível. Graças a ele, o encontro anônimo de dois peões no tabuleiro social pode converter-se em um intercâmbio luminoso e vivo entre duas presenças. Este clarão de simpatia, que está ao alcance de todos em qualquer momento, ao dissipar a escuridão, nos evita maldizer.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6188930667042584149-5731195956213487520?l=reconquistabr.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reconquistabr.blogspot.com/feeds/5731195956213487520/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6188930667042584149&amp;postID=5731195956213487520' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/5731195956213487520'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/5731195956213487520'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reconquistabr.blogspot.com/2008/09/uma-vela-na-escurido.html' title='Uma vela na escuridão'/><author><name>Fernando Rodrigues Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16368448307317160453</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_6uSu6EByoPY/SjFpGEjjdoI/AAAAAAAAALU/_MCTy91mSS4/S220/fernandorodrigues.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6188930667042584149.post-7802937467183452012</id><published>2008-09-18T07:29:00.000-07:00</published><updated>2008-09-18T07:32:02.243-07:00</updated><title type='text'>Brasillach Al Paredón: Um irredimível pecado da França</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Rodrigo Emílio (Poeta católico e nacionalista de Portugal)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Se datas há que não podem deixar de ser lembradas por nós anualmente sob pena de incorrermos num imperdoável pecado de omissão para com elas e para com aquilo, sobretudo, que representam, o 6 de Fevereiro de 1945 é, incontestavelmente, uma dessas datas.&lt;br /&gt;Faz anos que a França se desembaraçou, pela lei da bala, de um dos seus filhos mais incómodos, mais exemplares - e mais dotados - . Faz anos que caiu, de pé, no fosso de Montrouge, varado pela salva de um pelotão de fuzilamento, um dos maiores artistas literários europeus de todos os tempos. Concretamente. Faz anos que De Gaulle caprichou em mandar abater a tiro de rajada Robert Brasillach. (Parece que é sina dos grandes poetas morrerem às mãos dos maus prosadores de patente militar...)&lt;br /&gt;Estava-se numa França de hecatombe e mais «ocupada» (a matar...) do que nunca.&lt;br /&gt;Com o pesadelo da chamada «Libertação» - há-de notar lapidarmente Maurice Bardèche - a nação gaulesa tinha contraído o mau (o péssimo) hábito de mandar passar pelas armas os seus escritores ou de pregar com eles na «choça», congratulando-se com essa forma expedita e pouco dispendiosa de resolver as suas crises de consciência colectiva.&lt;br /&gt;Na eventualidade, está escrito que Brasillach venha a ser um dos intelectuais expiatoriamente sacrificados desde logo - e um dos cem mil e tal franceses, sumariamente chacinados de caminho - .&lt;br /&gt;Condenado à morte mal e porcamente - depois de um julgamento político clamoroso que figura na história dos processos de acusação como modelo acabado de farsa judiciária - o poeta de Fresnes cada vez avulta mais como legenda de batalhas que tiveram talvez de se perder para poderem vir a ser ganhas.&lt;br /&gt;Os seus crimes?Tanto quanto se sabe, respondeu por um único: o crime de ter amado a França e sonhado a Europa sem conta, peso e medida!Por outras palavras e abreviando razões: Brasillach cometeu tão-somente a injúria, e apenas reivindicou para si o direito, de pensar as circunstâncias ao invés do que mandavam as boas normas da intelligentzia demo-marxista de antanho. E bastou isso para o liquidarem.&lt;br /&gt;De onde se segue que meia-dúzia de opções cardiais, assumidas com toda a galhardia e firmadas com inteira verticalidade no campo de batalha das ideias por homens de uma só convicção - como ele era - já então se pagavam caro. A pretexto delas, conferia-se foros de justiça aos morticínios, força de lei à iniquidade, e tudo era pesadinho na balança de uma justiça que funcionava avec un seul plateau.&lt;br /&gt;Promoviam-se torneios de tiro ao homem a torto e a direito por todo o território e, por sistema, confiava-se o destino de seres tortuosamente incriminados ao cuidado e à pontaria (sempre certeira, sempre infalível) de pelotões de execução.&lt;br /&gt;«O nível da magistratura - comentará sardonicamente Marcel Aymé - chegou a revelar-se, de uma maneira geral, francamente inferior ao dos próprios presos de delito comum» visando esses baixos tempos, e muito justa e justiceiramente invectivando o despudor da jurisprudência depuradora levada a cabo na sua pátria após a chegada dos respectivos «libertadores».&lt;br /&gt;Na barra dos tribunais contavam-se entretanto pelos dedos da mão de um maneta as vozes verdadeiramente insubornáveis e realmente susceptíveis de se atreverem a erguer num levantamento de razões, mais ou menos cerrado, contra tanto desatino e desaforo juntos.&lt;br /&gt;Brasillach veio a ter uma dessas vozes pelo lado dele, já que pôde encomendar, à eloquência de fogo de Maître Isorni, o encargo de o defender.Mas nenhum resultado (prático) deram, nem qualquer efeito surtiram, as imparáveis alegações e o verbo incontestado do grande causídico; como, também, de coisíssima nenhuma valeu ao poeta a petição de indulto que foi subscrita, a favor dele, por um sem-número de artistas e homens de letras seus compatriotas (e todos, por sinal, de altíssima craveira).É que a sorte de Brasillach já estava traçada e ditadinha de antemão, e o poeta previamente condenado a acabar como acabou: amarrado ao poste da pena capital, na força dos seus trinta e cinco anos, o corpo crivado de balas.&lt;br /&gt;Uma consolação entretanto nos resta, mormente se admitirmos - como Céline - que «o mais terrível dos juizes é o condenado à morte»: a de sabermos que Robert Brasillach, ao cabo de tantas e tão longas horas de calvário e paixão celular, e de mortificação judiciária, observará, até ao fim, uma conduta exemplar, toda ela pautada por um estoicismo supremo, por uma coerência indefectível, por uma coragem inabalável; a consolação de tão-pouco ignorarmos que, chegado à hora da verdade, saberá ele, como poucos mais, encarar e receber a morte - de frente! - sem pestanejar.Daí que o seu luminoso exemplo nos contemple, e que a sua lição de sangue ainda agora nos norteie.Daí que a sua morte seja em nós uma chaga em carne viva, uma ferida sempre aberta - e que não fecha, nem mesmo à vista da estuante vitalidade que de todos e de cada um dos seus livros se desprende, se liberta e evade, sem cessar - .&lt;br /&gt;E a atestar, de forma concludente, aquilo que afirmo, nós aí temos, em curso de impressão regular e sistemática, a edição integral das suas obras, que vai de vento em popa, num empreendimento da Plon.&lt;br /&gt;O descerramento das mesmas tem-nos reservado, inclusivamente, de tempos a tempos, a grata surpresa de entrar em contacto com títulos e textos novinhos em folha, devidos ao punho (ainda agora fecundo!) do fabuloso polígrafo.&lt;br /&gt;Foi esse o caso, relativamente recente ainda, do aparecimento de outro romance seu, intitulado Les Captifs: um original inebriante (apesar de inacabado), até agora rigorosamente inédito, e que a Plon em boa hora declarou a público.&lt;br /&gt;Acima de tudo, porém, dá gosto ver como os livros daquele que foi, indubitavelmente, o maior mago da ficção da Europa literária de 40, já agora vão deixando de ser raridades inobtíveis, para andarem numa roda viva de reedições que a cada passo se esgotam (ao nível, designadamente, das consagratórias colecções de poche).&lt;br /&gt;O significado de que se reveste semelhante fenómeno assinala assim o regresso mesmo do poeta fuzilado para junto daqueles, como nós, que sempre se recusaram a acatar ou a aceitar como terminante o veredicto da sua morte e muito menos, ainda, o do seu esquecimento.&lt;br /&gt;De uma vez por todas, ei-lo que volta, realmente, ao convívio fraterno de quantos, não tendo deixado nunca de o frequentar, saúdam e entrevêem neste retorno como que a prova provada e o testemunho indesmentível da eterna jovialidade de Robert Brasillach.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6188930667042584149-7802937467183452012?l=reconquistabr.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reconquistabr.blogspot.com/feeds/7802937467183452012/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6188930667042584149&amp;postID=7802937467183452012' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/7802937467183452012'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/7802937467183452012'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reconquistabr.blogspot.com/2008/09/brasillach-al-paredn-um-irredimvel.html' title='Brasillach Al Paredón: Um irredimível pecado da França'/><author><name>Fernando Rodrigues Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16368448307317160453</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_6uSu6EByoPY/SjFpGEjjdoI/AAAAAAAAALU/_MCTy91mSS4/S220/fernandorodrigues.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6188930667042584149.post-754686506120872039</id><published>2008-09-16T04:07:00.000-07:00</published><updated>2008-09-16T04:15:13.636-07:00</updated><title type='text'>O Acontecimento Capital do Século XX</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Paulo Pasqualucci&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;em&gt;Esta breve porém densa reflexão histórico-teológica do professor Paulo Pasqualucci, antigo professor de Filosofia do Direito na Universidade de Perusia, na Itália, foi traduzida da publicação Si Si No No em sua versão francesa "Courrier de Rome" de dezembro de 2001.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;A perda da fé pela Hierarquia católica&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Até bem pouco tempo as pessoas mais ou menos cultivadas, em geral, estimavam que o acontecimento capital do século XX fora a Revolução Russa, com a conseqüência da expansão mundial do comunismo. Mas depois da queda do Muro de Berlim (1989) e a dissolução auto-imposta da União Soviética, de um dia para outro o esquecimento desceu sobre o marxismo e sobre sua realização pratica. Então, que outro acontecimento? Poderia haver um mais importante do que as revoluções, as duas Guerras Mundiais, os genocídios, a chegada do homem à lua e outros acontecimentos e fenômenos terríveis e extraordinários do século que terminou? Para nós há um acontecimento de extrema gravidade, capaz de suscitar a justa cólera de Deus em relação ao mundo: a perda da Fé por grande parte da hierarquia católica, que emergiu a partir do Concilio Ecumênico Vaticano II (1962–1965). Naturalmente nos referimos à fé tal como resulta dos documentos oficiais do Magistério atual. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O indício dessa perda da Fé é o louvor do mundo, inimigo do Cristo.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como o mundo, por definição "reino do príncipe desse mundo", se entusiasmou tanto por um Concilio Ecumênico que deveria ex officio condenar seus erros e repetir a doutrina e a moral professada pela Igreja durante dezenove séculos? Os cantos de vitória pelo "espírito de abertura" dirigidos aos valores professados pelo homem contemporâneo não cessam, espírito de abertura manifestado pelo Vaticano II, que substituiu as condenações pela misericórdia, os anátemas pela compreensão, as conversões das almas ao Cristo pela procura do "dialogo": pôs assim o dialogo com o erro no lugar do dialogo tradicional com o errante para a salvação de sua alma. Esse mundo não se cansa de repetir, aliás em uníssono com a atual Hierarquia, que o Concilio representou (finalmente) o "aggiornamento" da Santa Igreja aos valores seculares que ela tinha rejeitado sempre, no passado: da ciência ao progresso, da liberdade de consciência à dignidade do homem, à fraternidade universal, à procura coletiva da felicidade terrestre. Mas se os filhos do Século louvam o Concilio daqueles que Nosso Senhor chamou para os converter pela pregação e o exemplo e se os filhos do Século o louvam precisamente porque aqueles decidiram ir ao encontro da "religião do homem" (Paulo VI), em suma, se eles o louvam pela inversão antropocêntrica que se produziu de modo aparentemente improvisado no catolicismo oficial, isso significa que esse Concilio não foi uma coisa boa e que nele penetraram as trevas do Século. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Prova: A mudança doutrinal&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A atualização da doutrina da Igreja à realidade de nosso tempo, - dizem – não foi capaz de atacar o "deposito da fé", quer dizer os dogmas ensinados desde sempre. Esta é a tese oficial: "aggiornamento", sim; "mudança doutrinal", não. Trata-se, em todo caso, de uma tese necessária. A Santa Igreja – é de fé – sempre gozou da assistência do Espírito Santo no que diz respeito ao dogma da fé e a regra dos costumes. Mudar, mesmo parcialmente, a doutrina até aqui ensinada (sobre a fé e sobre os costumes) permitiria a evidente e inaceitável conclusão segundo a qual o Espírito Santo, no passado, teria se enganado (e com o Espírito Santo os Mártires, os Santos, os Papas) ou não teria assistido a Santa Igreja! É por isso que não pode haver novidade nesse ponto e se, por infelicidade, houvesse alguma, seria um erro para se retificar o mais rápido possível para a Gloria de Deus e a salvação das almas.&lt;br /&gt;Existe toda uma literatura sobre as mudanças doutrinais introduzidas ou promovidas pelo Vaticano II, pouco conhecida do grande publico, mas que não é menos válida; uma antecipação, se assim podemos dizer, das tomadas de posição de muitos entre os Padres do Concilio, da minoria fiel ao dogma. Basta pensar no intelectual católico Romano Amerio, morto há alguns anos, ilustre especialista de Campanella e do pensamento ético de Manzoni, autor de uma magistral análise – traduzida em francês, inglês e espanhol – sobre os múltiplos desvios do pós-concilio, provocados na raiz (é a tese muito documentada de Amerio) pelas "novidades" ambíguas introduzidas pelo Concilio, algumas das quais com odor de heresia (1). Amerio e outros pesquisadores acentuaram as ambigüidades e duplo sentidos presentes nos documentos conciliares, que misturam as proposições fiéis ao dogma com outras que o alteram e algumas vezes o contradizem. E essa ambigüidade, já presente no ensinamento de João XXIII, ficou agarrada como uma película venenosa ao magistério pós-conciliar até hoje. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pequeno florilégio dos erros e ambigüidades conciliares &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;1) Na constituição Lumen Gentium,que trata da noção própria de Igreja, aparece claramente uma definição errada da Igreja, porque afirma, no artigo 8, que a "Igreja do Cristo" subsiste na Igreja católica e que à "Igreja do Cristo" pertencem também " elementos de santificação" e "verdades exteriores à Igreja Católica". Durante dezenove séculos foi ensinado que a Igreja Católica é a única e verdadeira Igreja do Cristo, porque foi fundada por Ele e constitui Seu Corpo Místico, único depositário da Verdade Revelada, na continuidade do ensinamento dele recebido e transmitido por são Pedro e pelos apóstolos a seus sucessores e aos Padres da Igreja, mantido "de mão em mão" (Concilio de Trento ) até hoje. Quem disso se separou foi considerado – a justo titulo – como cismático (seitas e não Igrejas) e, mais, herético, se professou doutrinas contrárias ao depósito da fé (como os luteranos, anglicanos, etc...). As comunidades cristãs que se afastaram da Igreja não podem, enquanto tais, conceder a salvação a seus membros: tendo se separado da única e verdadeira Igreja, estão privadas da ajuda do Espírito Santo, sem a qual a salvação da alma não é possível. E todas as outras religiões o podem ainda menos. Não tendo sido fundadas pelo Filho de Deus (que além disso não querem reconhecer) não podem ensinar a Verdade que nos foi revelada sobre os divinos Mistérios e sobre os costumes.&lt;br /&gt;Foi assim que a Santa Igreja sempre ensinou. Diz ela, por acaso, que aquele que não é católico está a priori condenado à pena eterna? Não, porque sempre ensinou que podemos nos salvar com o batismo de desejo: explícito, quando aquele que pede o batismo, ainda estando fora da Igreja, já vive se esforçando para fazer a vontade de Deus, mas morre antes de receber o batismo; implícito, quando, estando, sem falta própria, fora da verdadeira fé, o não católico vive no entanto procurando fazer em tudo a vontade de Deus, afim de não morrer em estado de pecado mortal: ele se salva em sua religião mas não por intermédio de sua religião (2). O Vaticano II contradiz essa doutrina quando insere na Igreja do Cristo, ao lado da Igreja católica, "elementos de santificação e de verdade" ou ainda de salvação, representados pelas outras denominações cristãs enquanto tais, com suas falsas doutrinas, já formalmente condenadas pelo Magistério. As seitas são assim impropriamente elevadas ao nível de "Igrejas": isso está expressamente no artigo 3 do decreto conciliar Unitatis Redintegratio sobre o ecumenismo. Trata-se de erro teológico manifesto ao qual se acrescenta também um erro de lógica no artigo 4 seguinte, onde se diz que só a Igreja Católica mantém "toda a plenitude dos meios de salvação" (não mais portanto a unicidade) enquanto que as "Igrejas" dos protestantes e dos cismáticos , enquanto tais constituindo "meios de salvação" utilizados pelo Espírito Santo (!), mostram "carências". Já que a salvação é evidentemente sempre a mesma (o céu), não se compreende segundo qual lógica os "meios de salvação" dos protestantes e dos cismáticos, afligidos por "carências" e pois deficientes, podem por si mesmos conceder a mesma salvação que aquela que é oferecida pelos meios de salvação da Igreja Católica, meios que não sofrem essas "carências".&lt;br /&gt;Os heréticos e os cismáticos fariam então parte da "Igreja do Cristo": é por isso que não se lhes pede para retornarem à única e verdadeira Igreja , depois de terem abjurado seus erros. De fato, o decreto Unitatis Redintegratio não fala de "volta" mas de "conversão" com um sentido completamente anormal: "a unidade não deve se fazer pela volta dos separados à Igreja Católica, porém antes pela conversão de todas as Igrejas no Cristo total, o qual não subsiste em nenhuma delas mas é reintegrado mediante a convergência de todas em Um" (3). Uma falsa noção de "Igreja do Cristo" é pois a base do "dialogo ecumênico" com os ditos "irmãos separados". A unidade à qual esse "dialogo" aspira é pois falsa, necessariamente aberrante, inclusive no plano lógico, já que devem fazer viver juntos a verdade e o erro: a imutável Verdade revelada confiada à Igreja com os delírios do livre exame individual, do "simul iustus et peccator" e outras coisas semelhantes; a necessidade das obras meritórias para a salvação com sua negação; o casamento "divinitus" indissolúvel com aquele muito solúvel dos protestantes e ortodoxos e etc...&lt;br /&gt;2) A Lumen Gentium foi em seguida marcada por uma concepção errônea da colegialidade episcopal. Com efeito, a suprema potestas iuridictionis sobre a Igreja, que é outorgada pelo direito divino ao papa, foi atribuída (pelo artigo 22) também ao colégio dos bispos em união com o Papa, coisa nunca antes admitida. Temos, pois, dois titulares do poder supremo (um autentico absurdo jurídico) com a única diferença de que os bispos não a exercem sem a autorização do Papa. Em substância, essa fórmula de compromisso deixa as conferências episcopais praticamente livres para exercer as amplas autonomias e competências que lhes são reconhecidas ex novo pelo Concilio (decreto Christus Dominus, artigo 37), sobretudo em matéria litúrgica, para experimentar e adaptar os ritos às culturas locais (constituição Sacrosanctum Concilium, artigos 22,39, 40). O controle da Santa Sé sobre o comportamento dos bispos se reduziu, em substância, a constatar as iniciativas das Conferencias Episcopais, agora que a "potestas" da qual estão investidos colegialmente os bispos é "suprema" como a do Papa. As Conferências Episcopais assim pulverizaram a autoridade de cada bispo (a titulo individual). A autoridade do Papa e a autoridade do bispo sofreram uma diminuição impressionante dando vantagem à autoridade do coletivo dos bispos, que goza mesmo de poderes legislativos. A constituição hierárquica da Igreja foi subvertida pela instauração de uma oligarquia episcopal.&lt;br /&gt;Alem disso, a Lumen Gentium trouxe uma outra modificação (artigo 9 e seg.) à noção de Igreja, concebida não como "corpo místico do Cristo" (São Paulo) mas como "povo de Deus". Agora é a comunidade dos fiéis, presidida pelos padres, que vem a ser a Igreja, como se esta última devesse se constituir essencialmente a partir de baixo, nas assembléias que constituem a Igreja local, a soma das quais constitui a Igreja Universal. Assim a parte é tomada pelo todo – o "povo de Deus" pela totalidade da Igreja – com o fim de introduzir aí uma visão democrática, próxima ao modo de sentir dos protestantes heréticos, totalmente estranhos à Tradição, a qual, evidentemente, sempre se manteve firme sobre a origem e a natureza sobrenatural da Santa Igreja, manifestada e garantida por sua organização hierárquica.&lt;br /&gt;3) Em contra partida, a constituição Gaudium et Spes que trata da relação da Igreja (a "Igreja do Cristo" ex. artigo 8 da Lumen Gentium) e o mundo contemporâneo, sofre manifestamente de um antropocentrismo difuso, totalmente incompatível com a sã doutrina. No artigo 3 está dito que o "objetivo da Igreja...é salvar o homem, edificar a humanidade... por conseqüência... o Concílio, proclamando a grandeza eminente da vocação do homem... oferece à humanidade a cooperação sincera da Igreja, em vista de instaurar essa fraternidade universal que corresponde a essa vocação". Note-se bem: não se pensa em "salvar o homem" pecador por meio da conversão ao Cristo, único que lhe torna possível a vida eterna (Mc. 16, 15-16; Mt.28, 18-20). Não. , Essa Hierarquia pensa conseguir a "salvação" pelo engajamento na instauração da terrestre e mundana "fraternidade universal", que não tem nada a ver com o fim sobrenatural próprio da Igreja. É a fraternidade das ideologias leigas apodrecidas pelo tempo, das quais a Gaudium et Spes não hesita em extrair outras sementes: "as vitórias da humanidade [e quais seriam elas?] são um sinal da grandeza de Deus e o fruto de seu inefável desígnio" (artigo 34); "o progresso terrestre... é de grande importância para o Reino de Deus" (artigo 39), etc. Essa exaltação do homem encontra acentos impressionantes no artigo 22: "O Cristo...desvela também plenamente o homem a si mesmo e lhe manifesta sua altíssima vocação". Parece que Nosso Senhor não veio para salvar os pecadores que cressem Nele e se convertessem ("não vim chamar os justos, mas os pecadores" Mc. 2, 17) mas para fazer os homens tomarem consciência dessa grande coisa que ele, homem, é, para exaltar o homem! A altíssima vocação do homem resultaria de afirmações como as seguintes: "que o homem é a única criatura que Deus quis por ele mesmo" (art. 24 cit.) enquanto que "com a Encarnação o Filho de Deus se uniu de certa maneira a todo homem" (art.22 cit.) Por isso os homens "todos, resgatados por Cristo, gozam da mesma vocação e do destino divino" (art. 29). Difunde-se aqui os germes de uma doutrina que nunca fora antes ensinada pela Igreja (porque Deus fez todas as coisa para "Ele mesmo", para sua glória e nada "para ela mesma", nem mesmo o homem) (4), e que essa doutrina terá, como é conhecido, seu desenvolvimento no pós-Concílio: que Nosso Senhor, com a Encarnação seria, em certo sentido, unido a todo homem, de modo a poder considerar – por esse único fato – que todos os homens já estariam resgatados, sem necessidade de sua conversão ou de seu retorno ao Catolicismo. E é com essa falsíssima premissa (uma verdadeira armadilha para seus partidários) que se instaurou o "dialogo" com as outras religiões, para poder constituir com elas também uma unidade planetária, sincretismo não menos monstruoso do que o que é procurado com os heréticos e os cismáticos.&lt;br /&gt;4) O Concilio deveria, em seguida, ter repetido a doutrina de sempre sobre as duas fontes da Revelação (a Sagrada Escritura e a Tradição), sobre a inerrância absoluta da Escritura, sobre a plena e total historicidade dos Evangelhos. Mas na constituição Dei Verbum sobre a revelação divina, esses princípios fundamentais são antes expostos de modo ambíguo (nos artigos muito contestados 9, 11, 19), com expressões que, em um caso, (no artigo 11) se prestam a interpretações inteiramente opostas, da qual uma reduz a inerrância apenas à "verdade consignada na Escritura para nossa salvação". O que equivale na pratica a uma heresia porque isso põe em dúvida o caráter absoluto da inerrância das Escrituras Santas.&lt;br /&gt;5) O Concílio, em seguida, pôs em obra a reforma litúrgica, cujos tristes efeitos estão, há anos, sob as vistas de todos. A antiqüíssima e venerável liturgia católica da Santa Missa, coração do Catolicismo, desapareceu, substituída por um novo rito, em língua vulgar, que os Protestantes puderam declarar teologicamente aceitável! De fato, seu Institutio (1969 e 1970) não nomeia nem o dogma da Transubstanciação nem o caráter propiciatório do Sacrifício (graças ao qual nossos pecados nos são perdoados) que também constitui um dogma de fé (Denz. Schönm 938/1739-1741;950/1753). Ao contrario o acento é posto, à maneira protestante, não no Sacrifício do Senhor mas no banquete que é o seu memorial ou antes o memorial da Ressurreição (mistério pascal) mais do que da Cruz, oferecido para a assembléia dos fiéis sob a presidência do padre, assembléia que agora concelebra no mesmo plano que este último. Nessa missa, o Sobrenatural da verdadeira Missa católica, a repetição incruenta do Sacrifício da Santa Cruz por meio da transubstanciação do pão e do vinho em corpo e sangue do Senhor, desapareceu, sabendo-se que o Institutio se limita a mencionar uma "presença real" indiferenciada, não qualificada e não qualificadora, porque considera da mesma maneira a assembléia dos fiéis, a pessoa do ministro, a palavra do Cristo e as espécies eucarísticas. (5).&lt;br /&gt;Os últimos estudos puseram em relevo de modo categórico porque o novo rito não pode de maneira nenhuma se definir como católico. Com efeito, "foi afastado do Rito da Missa tudo o que poderia ter uma relação com a pena devida pelo pecado, como também a finalidade propiciatória da Missa". Além disso, segundo a heterodoxa teologia "dita do mistério pascal", considerando o rito memorial capaz, por si só, de tornar presente, fora do tempo humano, os mistérios da morte e da ressurreição do Cristo, a reforma litúrgica modificou profundamente a estrutura ritual da Missa até o ponto de eliminar sua dimensão precisamente sacrifical (6). Isso tornou-se possível também pela utilização de uma noção de símbolo muito particular, de aparência esotérica - a nosso ver – que lembra as tenebrosas tanto quanto falaciosas doutrinas de um René Guénon e Cia.&lt;br /&gt;Já que a teologia do mistério pascal considera a Eucaristia não mais como um sacrifício visível mas como um símbolo que torna misteriosamente presentes a morte e a ressurreição do Senhor e que permite, através destes fatos, o contacto com o Cristo glorioso, a presença do Cristo Sacerdote e Vítima cedeu o passo, na ação litúrgica, àquela do Kyrios que se comunica à assembléia (7). E uma tal, imprópria, quase mágica noção de símbolo, contribuiu para a elaboração de uma nova noção de Sacramento, naturalmente diferente daquela que pertence ao deposito da fé (8). Pois bem, essa incrível missa do Novus Ordo já estava antecipada nos artigos 7, 10, 47, 48, 106 da constituição conciliar Sacrosanctum Concilium sobre a reforma litúrgica, a qual, além disso, nos artigos 21, 24,37, 38, 40, 90, 119, considera também a simplificação do rito, para o tornar mais fácil, mais adaptado (!) à cultura profana, nacional e local; atualização a ser conseguida através da criatividade e experiências litúrgicas.Todas essas novidades vão expressamente contra todos os ensinamentos da Igreja. Isso provocou os diversos e múltiplos ritos hoje dominantes, do afro-católico (que se exibe com danças e tambores dentro da própria Basílica de São Pedro em Roma), ao índio-católico, às variantes nacionais e locais e aos ritos pessoais dos diferentes oficiantes de serviço. À ortodoxia e à majestade do Rito Romano Antigo cujo cânon remonta aos Apóstolos, sucedeu a Babilônia do novo rito submisso à aculturação, fruto de uma doutrina perversa.&lt;br /&gt;6) O Vaticano II mostrou que aceitava o conceito leigo da liberdade como "libertas a coactione – liberdade de não ser coagido", ontologicamente fundada na dignidade do homem enquanto homem, para justificar o caráter lícito de não importa qual culto religioso (declaração conciliar Dignitatis humanæ, artigos 2, 3, 4,). O Concilio justifica assim a liberdade entendida como autodeterminação absoluta do indivíduo, de um individuo que se considera realizado e auto-suficiente, enquanto que a Igreja sempre ensinou que a liberdade não pode se separar da Verdade (revelada) e que a dignidade da pessoa fica obscurecida se nela falta a retidão da vontade que procura o Bem, porque essa dignidade está fundada sobre valores sobrenaturais e não sobre o homem enquanto homem (9). E o Concílio, por conseqüência, introduziu a idéia da livre procura da verdade por parte da consciência individual, com suas próprias forças naturais, apenas e em união com os homens de boa vontade de todas as crenças e de toda fé (Gaudium et Spes, 16), o que é menos católico do que se possa imaginar. Essa colocação conduziu, por fim, à afirmação de uma substancial independência da "comunidade política" em relação à Igreja: uma e outra teriam em comum somente o fato de estar "a serviço" de uma geral "vocação pessoal e social entre os homens", de modo a poder realizar uma "sã colaboração segundo as modalidades adaptadas às circunstancias de lugar e de tempo" (Gaudium et Spes, 76) ou ainda segundo os critérios de simples oportunidade. Mas isso se opõe ao ensinamento constante da Igreja, segundo o qual a Igreja tem um primado sobre a "comunidade política" e essa última, mesmo em sua independência relativa, deve contribuir para a salvação das almas por meio da realização e a defesa de um bem comum inspirado nos valores católicos. Deveríamos continuar e pararmos por exemplo nas análises irreais do mundo contemporâneo contidas em Gaudium et Spes, maquiadas com os piores lugares comuns, tirados das ideologias leigas correntes de então e de hoje ou na imagem adocicada e não verídica das religiões não cristãs, apresentadas no artigo 16 de Lumen Gentium e pela declaração conciliar Nostra Ætate. Mas o que dissemos até aqui nos parece suficiente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A despeito do castigo, a esperança.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A partir dessas rápidas visões, rigorosamente fundadas sobre textos, compreende-se que aconteceu alguma coisa semelhante ao que espantava Giuseppe Prezzolini, para justificar (apesar de ser um leigo) a condenação infligida por santo Pio X em 1908 à heresia modernista [que queria, justamente, adaptar a fé ao mundo moderno, quer dizer à ciência, à filosofia, à democracia, ao progresso, à fraternidade universal, ao sentimento e à liberdade individual, às culturas nacionais, etc, retirando dela, de fato, todo elemento sobrenatural] : "Os desejos dos modernistas teriam logicamente levado à destruição do catolicismo e a sua transformação em uma religiosidade vaga e geral e, no fundo, em uma cópia ruim do socialismo".&lt;br /&gt;Não obstante a condenação, a heresia modernista se manteve escondida na espera de "tempos melhores", que já começaram a aparecer nos anos vinte e trinta do século passado, com a Nova Teologia, sobretudo na Alemanha e na França. Essa Nova Teologia retomou e desenvolveu os erros do modernismo, conseguindo em seguida penetrar amplamente nos textos do Concílio, não obstante as censuras e as condenações (aliás moderadas) de Pio XII, evidentemente partilhadas por alguns setores, tanto do alto quanto do baixo clero (porém mais do alto clero). Isso pôde acontecer porque o Vaticano II quis se declarar como um simples concilio pastoral, que não pretendia pois definir nem dogmas, nem erros. (Nota lida "in aula" dia 16 de novembro de 1964), renunciando assim de modo inusitado ao carisma da infalibilidade, intrínseca ao magistério extraordinário de um autêntico concílio ecumênico. (A natureza jurídica do Vaticano II ficou então indeterminada). Essa singular "capitis deminutio – redução da autoridade" de sua parte tem por conseqüência que a crítica das novidades introduzidas por esse Concilio não contradiz o dogma da infalibilidade que o Concilio não requereu nem proclamou.&lt;br /&gt;O castigo não se fez esperar. As igrejas, os conventos, os seminários se esvaziaram. Os padres e as freiras parecem uma espécie em via de extinção e aqueles que ainda há parecem, em grande número, possuídos por uma mentalidade de protesto, inclinados à rebelião e às reivindicações sociais, mais à política do que ao cuidado das almas. A unidade católica foi – de fato - dissolvida em "igrejas" nacionais e continentais, governadas por suas Conferências episcopais respectivas. O mundo católico vegeta em um clima de anarquia substancial, contra o qual a Santa Sé se mostra sempre impotente. (E não poderá começar a remediá-lo, segundo nós, enquanto não forem retirados os obstáculos que a própria Santa Sé colocou ilegitimamente contra a livre celebração da verdadeira Missa de Rito Romano antigo, da verdadeira Missa católica, declarada perpetuamente válida por são Pio V e nunca ab-rogada por quem quer que seja, e que portanto não cessou jamais de ser legitimamente celebrada, mesmo que seja por uma pequena minoria, a partir de 1969, ano da introdução do Novus Ordo).&lt;br /&gt;O Catolicismo não atrai mais ninguém, seu prestígio nunca esteve tão baixo enquanto que os católicos apostasiam em número cada vez maior. As nações católicas estão tomadas pelo indiferentismo religioso o mais avançado e por uma espantosa dissolução moral e civil, cujos germes preexistiam em virtude do materialismo e do ateísmo difundidos de maneiras diferentes, mas complementares, pelos dois modelos dominantes, o americanismo e o comunismo. Em seguida, nas duas últimas décadas, uma migração assassina de povos, principalmente muçulmanos, começou a se abater sobre as nações católicas, assim como sobre todo o resto do "Ocidente".&lt;br /&gt;A terra parece toda corrompida (Gen. 6,11). Nosso Senhor, Filho de Deus, consubstancial ao Pai, instituiu sua Igreja para a salvação do mundo: "Ide ...fazei de todos os povos meus discípulos..."(Mat. 28,19).Se a fé da maior parte dos pastores, infelizmente, se corrompe, quem converterá o mundo, quem o salvará? Devemos nós então desesperar com o futuro? Não, porque Nosso Senhor disse que "as portas do inferno não prevalecerão" sobre a Santa Igreja (Mat. 16,18). Esperamos, pois, se Deus quiser, que desde o princípio do século XXI, a hierarquia comece a rasgar o véu das falsas doutrinas que desde muito tempo lhe cobre o rosto, que escute finalmente o grito das almas imersas nas trevas, que volte a pregar o dogma da fé e se apresente outra vez a seu rebanho com toda a audácia da fé.&lt;br /&gt;Desejamos que todos os povos comecem a sacudir, pela graça de Deus, o hedonismo, o materialismo, o vazio mental e a nulidade espiritual que os destroem atualmente, para que reencontrem a convicção de sua missão. Não é a política mas a religião que é tudo! É preciso se levar em conta que o reino da política acabou e que os povos, assim como os indivíduos, devem fazer a vontade de Deus, do verdadeiro Deus Uno e Trino. O resto não conta. Ousemos esperar que as nações católicas voltem reconhecer como suas a obrigação de "tudo instaurar em Cristo": a restauração do catolicismo como doutrina e forma de vida, para a nossa salvação e para a salvação do mundo, de modo a poder um dia reconhecer-se inteiramente num Papa que ouse, finalmente, elevar bem alto o estandarte da Fé. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6188930667042584149-754686506120872039?l=reconquistabr.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reconquistabr.blogspot.com/feeds/754686506120872039/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6188930667042584149&amp;postID=754686506120872039' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/754686506120872039'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/754686506120872039'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reconquistabr.blogspot.com/2008/09/o-acontecimento-capital-do-sculo-xx.html' title='O Acontecimento Capital do Século XX'/><author><name>Fernando Rodrigues Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16368448307317160453</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_6uSu6EByoPY/SjFpGEjjdoI/AAAAAAAAALU/_MCTy91mSS4/S220/fernandorodrigues.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6188930667042584149.post-2305002825416758433</id><published>2008-09-16T03:47:00.000-07:00</published><updated>2008-09-16T03:55:08.614-07:00</updated><title type='text'>Integristas?</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;R.P. Félix Sarda y Salvany&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;INTEGRISTAS! Sim, senhores, e com muita honra! E tanto é assim que, desejando hoje dirigir-vos a palavra nesta nossa querida Academia, depois de tanto tempo sem nela falar-vos, certamente não por falta de vontade, pareceu-me bem escolher para tema de minha familiar Conferência o mote ou apelido com que querem, segundo se vê já faz algum tempo, infamar-nos os nossos inimigos. Com ele quisera eu que vos mostrásseis santamente altivos e cristamente orgulhosos, como vos asseguro que estou eu, pela graça de Deus; assim estou de minha fé, de meu batismo, de minha educação católica e de meu católico sacerdócio e de tudo que constitui, graças aos céus, meu modo de ser na ordem sobrenatural e cristã. Sim, meus amigos; integrista sou e integristas desejo que sejais todos os desta Sociedade, e integrista considero todo homem de quem tenho conceito favorável em seus costumes e crenças, e integrista quisera que fosse todo o mundo - única maneira pela qual seria todo filho reconhecido e súdito submisso de Deus Nosso Senhor. Apropriemo-nos, pois, e em muito alta voz declaremos esta nossa qualificação, que quer ser depreciativa e que não é senão gloriosíssima. Repitamo-la, sim, e alcemo-la ao alto, bem ao alto, como imortal bandeira que simboliza todas as nossas aspirações, recorda todos os nossos deveres, eleva e dignifica maravilhosamente nossa condição na vida social moderna, e nos separa com distintivo característico de tudo que pertence, em maior ou menor grau, ao reinante Liberalismo. Falemos, pois, de integrismo, e com rosto varonil e peito firme aceitemo-lo com todas as suas conseqüências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É mania constante dos inimigos do catolicismo buscar sempre disfarces e alcunhas com que atacar seus filhos, a fim de que pareça que não os ataca por serem católicos, senão por causa de algo muito separado e alheio a este seu caráter essencial. Quase todas as heresias inventaram um mote com que apostrofar os católicos, dando a entender que os combatiam não pelo ser católico, mas por outro conceito que, com aquele mote ou apelido, pretendiam expressar. No entanto, ocorreu a casualidade de o mote escolhido ser sempre uma como revelação inconsciente e involuntária de algo glorioso para os motejados. Geralmente, basta a história consigná-lo para que se decida com toda retidão o processo entre motejados e motejadores. Assim, dando-se uma vista d’olhos somente sobre os últimos séculos, creram os anglicanos afligir Flandres, apelidando de papistas os que recusaram o escandaloso cisma de Henrique VIII. E vede, senhores, se era caso de se envergonharem desta injuria aqueles esforçados ingleses que tão generosamente sabiam dar a vida por guardar inviolável fidelidade à Santa Sé. Posteriormente, jansenistas, galicanos e regalistas, que se podem incluir no denominador comum de vanguardas mais ou menos liberais do atual Liberalismo, inventaram na França o apelido de ultramontanos, para designar os fiéis d’além Pirineus e Apeninos, i. é, os espanhóis e italianos, mais adversos que qualquer outra nação às tendências inovadoras da astuta seita. E mesmo hoje não se perseguem os católicos da França por serem católicos - já se guardou bem o diabo, que é mau, mas não tonto, de cair em tal erro! – não se perseguem por serem católicos, mas clericais, como na notória frase ou grito de guerra: “O clericalismo é o inimigo”. É o que acontece, na hora presente, na Espanha – louvado seja Deus. Atacar por católica a hoste que mais deseja distinguir-se no zelo e no ardor da defesa do catolicismo, impugnar por católicas seus projetos e publicações, que apenas no ardente catolicismo desejam inspirar-se; por católicos combater sanhosa e rancorosamente homens que com outro mote não querem distinguir-se, nem outra divisa admitem em sua bandeira, senão a do puro e limpo Catolicismo, oh!, seria candidez infantil ou desusada franqueza, faltas em que nunca cairão nossos hábeis impugnadores. Não senhor, nada disso: não impugnam ou denigrem nosso catolicismo; se fosse por isso, ao menos nos respeitariam por consideração, como dizem eles, aos chamados invioláveis foros da consciência humana. Ferozmente nos denigrem e sem trégua combatem nosso integrismo. Convieram todos – não poucos anti-católicos – que o catolicismo é algo muito sério e respeitável, ou ao menos muito tolerável. Porém, no que convêm igualmente a todos, anti-católicos e católicos “moderados”, são os integristas maus e perversos. Dir-se-ia que agora é a hora de levantar na Espanha, como bandeira de defesa social, lema análogo ao que levantou em seus dias a França de Gambetta: “O Integrismo, sim, o Integrismo é o inimigo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está bem, senhores; podemos considerar-nos muito honrados de que, desta feita, se nos marquem com desprezo e execração em face do público. Entretanto, isto mesmo nos dá o direito a que, recolhendo o glorioso insulto e analisando-o a sangue frio,  concluamos, não convencendo a nós mesmos, pois que pela misericórdia de Deus já estamos convencidos, senão para convencer a nossos contrários que, realmente, para nós é este o primeiro brasão e título de glória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejamos. Parecerá a um de nossos desditados adversários uma blasfêmia que lhes digamos que o primeiro integrista é Deus Nosso Senhor. Contudo, assim o chamamos, e isso nos ensina a filosofia e a teologia cristãs. Em Deus se encontra a inteira plenitude do ser e a suma perfeição. A integridade essencial de seus soberanos atributos não é prejudicada por deficiência alguma, nem a restringe classe alguma de limitação. Como dizemos que é Deus o ser puro e absoluto, sem nenhuma mescla de não-ser, assim podemos afirmar que é a Divina Essência o integrismo puro na mais alta, filosófica e transcendental significação. Em Deus, não há mais que infinito e eterno amor ao bem e, por outro lado, infinito e eterno ódio ao mal; ódio e amor que se identificam em só um atributo seu, a soberana e eterna justiça. E de tal sorte ama Deus o bem e odeia o mal, que não pode de maneira alguma deixar de ter este ódio e aquele amor, ou tê-los pouco firmes ou atenuados. Não, senão que sua própria Essência Divina ou força, por assim dizer, está infinitamente amando o amável e odiando o odiável, a tal ponto que deixaria de ser Deus se deixassem de existir Nele esse integrismo de amor ao bem e de ódio ao mal. Neste sentido, soa a palavra integrismo como expressão do absolutamente perfeito. Bem podemos assegurar que, quando com divino chamamento nos convida o divino Redentor a imitar, no compatível com nossa fraca natureza, a própria perfeição do Pai celestial, naquele Estote perfectus sicut et Pater vester coelestis perfectus est, convida-nos nada mais para a bondade e perfeição integristas. Se precisasse eu apoiar esta interpretação com o comentário autorizado de algum distinto Doutor da Igreja, tomaria como de suma autoridade o do insigne irmão de nosso glorioso Apóstolo da Espanha, que nos encarrega em sua Canônica ut sitis perfecti et integri um nullo deficientes, que sejamos “íntegros e perfeitos sem faltar em coisa alguma”. E poderíamos trazer à colação aquele outro texto de São Paulo a Tito, em que lhe diz: “que mostre a todos como exemplo de boas obras em doutrina, integridade e em sobriedade”. Te ipsum præbe exemplim bonorum perum in doctrina, in integritate, in gravitate. As idéias de integridade e de santidade são, não análogas, mas perfeitamente idênticas. O Dicionário da Academia define a santidade: integridade de vida. Sim, como dissemos, o integrista por essência é Nosso Senhor; são depois Dele os Santos os grandes integristas do gênero humano, e à frente deles a Rainha gloriosíssima de todos, Maria Mãe de Deus. É esta imaculada integridade a que mais de perto e com mais vivos resplendores reflete a da Trindade Beatíssima e a da Humanidade de seu Santíssimo Filho, integridade admirável, integridade incomparável, integridade sobre a qual de algum modo poderíamos dizer com o poeta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Muestra de lo que el hombre ser podía,&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;Muestra de lo que fue sin el pecado.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acaso a nossa primitiva natureza, ainda não manchada pela culpa original, não a chamam os teólogos natureza íntegra? Vejam, pois, os adversários do integrismo a que idéias ou conceitos se poderia crer que se opõem, quando aparentam fazer tanto asco - e talvez até horror – a esta palavra, com a qual os infelizes acreditam que nos rebaixam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas assentemos, senhores, este assunto no mero terreno do bom senso natural, que é onde mais facilmente se confunde certa classe de inimigos. Esse abominável integrismo que sempre nos é lançado em rosto como crime ou idéia sectária, contra a qual são muito merecidos todos os anátemas, aplicado a ordem de idéias distinta das que constituem o direito público cristão (eis tão-somente o que aterroriza nossos inimigos), parece-lhes coisa bastante digna e honrosa, e até indispensável. Vejamos disso exemplos que temos vivos e palpitantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;És comerciante, meu amigo, e crês que deve proceder em todos os negócios com a mais primorosa retidão e boa-fé. Não te permites nisso transação alguma com a consciência, nem a toleras com teus gerentes e subordinados. Levas a rigidez até o escrúpulo, e em teus livros, como em tua correspondência e trato verbal, indigna-te ante a idéia de que possas encontrar mancha que obscureça tua limpa fama de distinto cavalheiro. Dize-me agora, sabes o que és com essas estreitas idéias de escrupulosa consciência mercantil? Pois sabe-o, ainda que te assombre. És um integrista. O que professas e praticas é simplesmente o integrismo comercial. Administras cargos públicos, és por exemplo prefeito de tua cidade ou vila; desempenhas o elevado ministério de desembargador ou, simplesmente, o mais modesto de juiz de paz. E tão alta idéia tens destes ofícios (realmente muito altos na república cristã), que te esmeras e andas solícito dia e noite pelo mais exato cumprimento deles, e “no torcéis derecho ni lleváis cohecho” [não torces a lei nem recebes suborno], como diz a antiga frase castelhana, mas vês como sagrados os interesses de teus administrados – cada um deles e seus bens – e honra um depósito de que se te pedirá conta gravíssima diante de Deus. Portanto, nem te ocorre que possa ser lícita a defraudação deste por tua culpa, nem que deixe de ser-te imputável mesmo a menor negligência ou tibieza em atender a sua defesa. Assim realizas em ti o exemplo belíssimo do bom funcionário público, pai de teus subordinados, e viva imagem sobre a terra da justiça e da Providência de Deus. Chamar-te-ão, pois, de boca cheia, um bom prefeito, um probo magistrado, um reto juiz. Sabes, porém, o que serás na realidade? Serás não mais que um habilidoso integrista. Professas e praticas muito nobremente o integrismo administrativo e judicial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há poucas carreiras tão nobres e distintas como a militar. O cidadão que por defender sua pátria ou suas leis se faz, por profissão da disciplina, escravo dos mais austeros deveres, jura perder, antes que faltar a eles, não apenas a própria liberdade, que a ela já renunciou desde o princípio para fazer-se servo da autoridade, mas o sossego de toda sua existência, os afagos e afetos mais santos da família, a própria saúde, e até a vida. Dessa maneira vê-se impávido encarar os maiores perigos, endurecer nas mais rudes fadigas, impor-se, como ordinária e usual, a prática dos maiores sacrifícios. Vive por sua bandeira e por ela morre. Este homem, a quem todo o mundo chamará um bom soldado, outros saudá-lo-ão como um herói da história; ao fim, o que terá sido ele? Ah! Simplesmente um integrista, um fanático sectário do que poderíamos chamar o integrismo da consciência e da honra militar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sagradas são as leis da sociedade conjugal e doméstica. Deus e a Igreja exigem nela moral muito estreita, muita mais estreita da que costuma autorizar o mundo, que por desgraça é nisso, como em tudo, um bem suspeito moralista. Está vós conformes a tais idéias, guarda e exige que se guardem a honra e o decoro de teu lar com o inviolável respeito de um santuário. Não só zela pelo que poderíamos chamar a ordem material de tua casa e família, mas também pelo próprio prestígio moral te impõe e aos teus toda classe de recatos e privações. O bom nome de tua esposa, a limpa auréola de inocência de tuas filhas, a irrepreensível reputação de teus filhos, te são como prendas que por nada deste mundo permitirás ver comprometidas. A todos te exporás, a todos te resignarás, a fim de evitar que se manche a honra de teu sobrenome; evitar não só uma grosseira acusação, mas até a murmuração ou a mais velada reticência. Agora bem, sabes o que és com isso? Pois não passas de ser perfeito integrista, zelador intransigente do integrismo de teu lar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saiamos, senhores, da esfera das idéias gerais em que até agora temos posto a questão, e detenhamo-nos em termos concretos, de acordo com o ponto de vista especialíssimo em que a põem nossos impugnadores. Não são adversários, nem podem sê-lo, do integrismo essencial e absoluto, que é o ser de Deus. Nem são do integrismo participado e relativo, que constituem as virtudes e a perfeição de seus Santos. Nem tem asco do integrismo comercial, nem desprezam o integrismo da magistratura, nem chamam de absurdo o integrismo da disciplina militar, nem mesmo difamam e escarnecem o simples e usual integrismo dos honrados esposos e pais de família. Antes bem, se se encontra qualquer deles em alguma dessas últimas categorias, com grande louvor tem de ser qualificado como perfeito e nobre integrista. Nossos adversários acham tudo isso muito bom e ajustado à razão e conforme à lógica. Todos esses integrismos lhes parecem feitos de pérolas. Oh assombro! Somente reservam as iras e santa indignação e horrendos anátemas contra outro integrismo, que é precisamente o fundamental e sem o qual vivem desprotegidos, ou melhor, caem miseravelmente derrubados por falta de base todos os demais integrismos do qual tratamos até agora. Sim, senhores, o integrismo que eles aborrecem e continuamente insultam é o integrismo dos direitos sociais de Cristo-Deus, o integrismo de sua soberania divina sobre os Estados como sobre os indivíduos. Pregar esse integrismo, defendê-lo em toda crise e propagá-lo por todos os meios é o nosso pecado, disso se faz denúncia contra nós o tempo todo, e andam pedindo rigorosa sentença. Dir-se-ia que Cristo-Deus e seu Evangelho têm menos direito ao respeito na integridade de seus foros divinos que as leis do mercado ou da Bolsa, ou as do Código ou da Ordenança, ou simplesmente as da mais caseira e familiar honradez natural!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa exceção que fazem, contra os direitos integristas da verdade religioso-social, aqueles que, por outra parte, tão conformes se mostram em respeitar os direitos dos demais integrismos acima mencionados, acaba sendo mais injustificada e com certeza mais absurda, se se considera a idéia que há pouco só apontamos e que agora nos permitiremos desenvolver com maior amplitude. Dissemos que o integrismo dos direitos sociais de Deus e sua santa Igreja é o que poderíamos chamar integrismo fundamental. Este é base, alma e vida de todos os outros integrismos subordinados, e que sem ele não têm razão de ser. É, portanto, ridículo e ilógico sustentar qualquer integridade pública ou privada nas relações dos cidadãos entre si, se antes não se deixa bem assentada como princípio absoluto a integridade dos direitos da lei de Deus e de sua Igreja, apelidada hoje em dia pela escola liberal e transacionista com o nome de Integrismo. Sim, diga-se o que se queira e discorra-se por onde mais agrada, o eterno, o incontestável, o fundamental na sã filosofia, será sempre a verdade de que todos os direitos humanos, por respeitáveis que sejam, derivam do reconhecimento de um supremo direito divino. Se não há Deus, ou se não tenho eu o dever de reconhecer e acatar em toda a extensão a autoridade de Deus, tampouco há homem algum que possa exercer sobre mim alguma classe de autoridade ou em quem deva eu reconhecê-la. E se esta autoridade de Deus pode ser barganhada pela criatura humana, ou mutilada em obséquio a interesses humanos e passageiras conveniências, ou desatendida no que não se acomode ao critério ou inclinação particular de cada qual, não vejo certamente razão alguma para que meu livre-arbítrio não aplique igual barganha às demais autoridades de ordem inferior. Não, não vejo razão alguma pela qual tenham de ser mais intransigentes e intolerantes comigo os direitos do integrismo comercial, chamado Código Comercial, ou do integrismo judicial, chamado lei processual, ou do integrismo militar, chamado lei Militar, ou do integrismo doméstico, chamado fidelidade conjugal. Assim, pois, os anti-integristas na ordem dos direitos sociais de Deus não podem em boa lógica serem integristas no terreno dos direitos sociais do homem. Ou se renuncia os integrismos humanos e subordinados, ou se deve reconhecer como bom aqueloutro integrismo fundamental e divino. Para sair-se deste dilema não há escapatória, senão a inconseqüência. Não creio que aceitem nossos adversários como boa esta retirada, porque a inconseqüência, aceita e reconhecida como tal, não é mais que a perda do último resto de pudor na controvérsia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, mais do que nunca, são de grande interesse estas considerações, porque hoje, mais do que nunca, tende a Revolução ao radicalismo, e portanto ao radicalismo deve tender também a reação anti-revolucionária. O egoísmo, a covardia, o amor às conveniências pessoais procuram, quanto é possível, favorecer e prolongar o reinado dos termos médios, que é o que, como em todo período de transição, prevaleceu durante os últimos cem anos. Este tipo de interinidade acabará, senhores, e bendigamos a Deus e peçamos-lhe que acabe o quanto antes. Chegamos já ao princípio do fim, e logo será preciso aceitar do Liberalismo até as mais duras conseqüências. A última palavra do Liberalismo europeu é muitíssimo chocante e de crueza sem par. Chama-se Nihilismo. Olhai bem. Não se trata mais de cercear os direitos de Deus em favor da falsa emancipação do homem; nem se trata somente de que fiquem mais ou menos compensados estes direitos absolutos da soberania divina pela soberania dos erroneamente chamados direitos do homem. Nada disso; aborda-se o problema de frente, e se diz: Nada de Deus como esperança para a outra vida e freio da presente. Nada! Esta palavra é breve, mas compendiosa, e vale por cem textos. É a tábua rasa do Liberalismo, e é a negação, epílogo e conseqüência definitiva, espantosa sim, porém lógica e racional, das suas precedentes negações. Isto é, senhores, o Nihilismo. Agora bem, a esta negação absoluta, o que se pode opor melhor que uma afirmação absoluta? Ao nada audaz da Revolução, que outra resposta decisiva pode dar-se que não seja o todo da restauração cristã. Por que não se permite dizer assim: em tudo, os direitos de Deus. Em tudo, todos os direitos de Deus. Em tudo, todos os direitos de Deus, com todas as suas aplicações e todas as suas conseqüências? Mais claramente. Se a Revolução hoje se proclama e é já o Nihilismo, qual deve ser a verdadeira contra-revolução, senão o Integrismo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Admiro-me, em verdade, de que todo o mundo não veja desta maneira, e de que sejam tantos os insignes talentos e corações que devemos supor bem intencionados, mas cegados e seduzidos, como por desgraça vemos tão constantemente, pelos falsos atrativos do já velho, gastado e desacreditado moderantismo. Forçoso será que, sem embargo, despertem um dia de seu sono tais bem-aventurados mortais, cegos de conveniência e surdos de vontade, pois fingem não ver nem ouvir o que tão claro aparece no horizonte social, e o que marca tão fixos e seguros rumos à propaganda católica de nossos dias. Ah! Senhores, abramos de uma vez os olhos ao resplendor da incendiária teia que o inferno prepara para iluminar-nos; prestemos atenção ao não já distante, mas muito iminente rugir do furacão que ameaça envolver-nos, e que ao menos esse bem nos revele enfim a perversidade revolucionária, i. é, deixe-nos de sobreaviso, receosos e advertidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, mais funestos que a Revolução, e mais criminosos que os próprios revolucionários, quando tratam de agir, são os católicos que, ante a gravidade da crise social, jamais vista nos séculos passados, rechaçam como exagerados os movimentos de alarma e os procedimentos de defesa do radicalismo católico, i. é, do integrismo, o qual os infelizes qualificam como tão perturbador quanto o radicalismo da demagogia. Ah! Nossos inimigos desta vez acertaram a palavra, temos de fazer justiça ao seu feliz invento e à exata propriedade de seu dicionário. Sim, é verdade; somos perturbadores, e perturbador, inquieto e demasiadamente irritante é o nosso integrismo. Perturbador da falsa paz que desejam como suprema ventura os filhos do século, dos malfadados ócios da carne e sangue que repelem, como sempre repeliram, as asperezas do combate cristão; de consciências dormidas, de corações letárgicos, de energias amolecidas, como são perturbadores do descuidado transeunte ou do apático enfermo o grito saudável do amigo, que lhe adverte a proximidade do abismo, ou o cautério ou purgante que lhe abrasa a pele para despertar-lhe a sensibilidade e devolver-lhe a vida. Bem faz em chamar-nos desta maneira o católico moderado, porém, talvez não percebe o serviço que presta à fera revolucionária, da qual se converte no melhor aliado e auxiliar. Porque, na realidade, parece aliado do ladrão o que, vendo-o forçar a porta, não se põe a gritar: “Fogo! Fogo!”, para não perturbar com seus clamores a paz da vizinhança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, senhores, arde a casa nos quatro cantos, e não se quer que gritemos, nem sequer toquemos o aviso de alarme? A tudo invade e assola a feroz irrupção da novas hordas bérberes, e se pretende que é melhor fingir-se de cego, a fim de que com a alarma não se turbe a bem-aventurada paz dos sonâmbulos? Chame-se a isso de prudência, moderação, desejo de evitar um mal maior: na linguagem do bom senso dos povos, outro nome não se deu que não fosse traição ou covardia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem traidores da santa bandeira dos íntegros direitos sociais de Deus, nem covardes em sua defesa, quereis ser vós, amigos meus e fervorosos sócios desta religiosa Academia. Em nossa nação, mais que em qualquer outra parte, lançou profundas raízes o Integrismo; na Espanha, menos que em qualquer outra nação, conhecem-se a deslealdade e a covardia. Atualmente, há apóstolos com este ideal bendito em todas as nações do globo, onde com a mesma ou parecida alcunha são motejados pela Revolução e por outros complacentes com ela. Há-os em França, Suíça, Bélgica, Alemanha, Áustria, Itália e Inglaterra; há em nossas irmãs, as repúblicas do continente americano, à frente das quais fez balançar esta bandeira o Equador, tinta em sangue de García Moreno, que morreu por ela. Mas crede: se em nenhuma destas nações ficasse sequer um soldado para a soberania íntegra de Cristo Nosso Senhor, ficariam muitos ainda nesta sua fiel Espanha, onde, com esplendor maior do que em qualquer nação, reinou nos séculos passados, e onde com a maior das venerações, sem símiles no globo, prometeu voltar a reinar. E se um dia, por nossos pecados, nesta privilegiada terra, a malfadada corrente liberal ou traidora avassalasse completamente o espírito católico integral, não duvideis, a morte do integrismo católico em Espanha seria a de nossa vigorosa nacionalidade, e o último espanhol digno deste nome seria... o último integrista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;(Conferência na Academia Católica de Sabadell, publicada na Revista “Propaganda Católica”, Tomo XI, ano 1910, ed. Librería y Tipografía Católica, Barcelona)&lt;br /&gt;Retirado do site &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;a style="COLOR: blue; TEXT-DECORATION: underline; text-underline: single" href="http://www.statveritas.com.ar/INDICE.htm"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Stat Veritas&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Tradução: Permanência&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6188930667042584149-2305002825416758433?l=reconquistabr.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reconquistabr.blogspot.com/feeds/2305002825416758433/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6188930667042584149&amp;postID=2305002825416758433' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/2305002825416758433'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/2305002825416758433'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reconquistabr.blogspot.com/2008/09/integristas.html' title='Integristas?'/><author><name>Fernando Rodrigues Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16368448307317160453</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_6uSu6EByoPY/SjFpGEjjdoI/AAAAAAAAALU/_MCTy91mSS4/S220/fernandorodrigues.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6188930667042584149.post-6526525306806754700</id><published>2008-09-16T03:44:00.000-07:00</published><updated>2008-09-16T03:47:20.016-07:00</updated><title type='text'>Intolerância Doutrinal</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;strong&gt;Cardeal Pie&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sermão pregado na Catedral de Chartres (excertos); 1841.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Meus irmãos (...),&lt;br /&gt;Nosso século clama: "tolerância, tolerância". Tem-se como certo que um padre deve ser tolerante, que a religião deve ser tolerante. Meus irmãos, não há nada que valha mais que a franqueza, e eu aqui estou para vos dizer, sem disfarce, que no mundo inteiro só existe uma sociedade que possui a verdade e que esta sociedade deve ser necessariamente intolerante. Mas antes de entrar no mérito, distinguindo as coisas, convenhamos sobre o sentido das palavras para bem nos entendermos. Assim não nos confundiremos.&lt;br /&gt;A tolerância pode ser civil ou teológica. A primeira não nos diz respeito, e não darei senão uma pequena palavra sobre ela: se a lei tolerante quer dizer que a sociedade permite todas as religiões porque, a seus olhos, elas são todas igualmente boas ou porque as autoridades se consideram incompetentes para tomar partido neste assunto, tal lei é ímpia e atéia. Ela exprime não a tolerância civil como a seguir indicaremos, mas a tolerância dogmática que, por uma neutralidade criminosa, justifica nos indivíduos a mais absoluta indiferença religiosa. Ao contrário, se, reconhecendo que uma só religião é boa, a lei suporta e permite que as demais possam exercer-se por amor à tranqüilidade pública, esta lei poderá ser sábia e necessária se assim o pedirem as circunstâncias, como outros observaram antes de mim (...).&lt;br /&gt;Deixo porém este campo cheio de dificuldades, e volto-me para a questão propriamente religiosa e teológica, em que exponho estes dois princípios: primeiro, a religião que vem do céu é verdade, e é intolerante com relação às doutrinas errôneas; segundo, a religião que vem do céu é caridade, e é cheia de tolerância quanto às pessoas.&lt;br /&gt;Roguemos a Nossa Senhora vir em nossa ajuda e invocar para nós o Espírito de verdade e de caridade: Spiritum veritatis et pacis. Ave Maria.&lt;br /&gt;Faz parte da essência de toda a verdade não tolerar o princípio que a contradiz. A afirmação de uma coisa exclui a negação dessa mesma coisa, assim como a luz exclui as trevas. Onde nada é certo, onde nada é definido, podem-se partilhar os sentimentos, podem variar as opiniões. Compreendo e peço a liberdade de opinião nas coisas duvidosas: in dubiis, libertas. Mas, logo que a verdade se apresenta com as características certas que a distinguem, por isso mesmo que é verdade, ela é positiva, ela é necessária, e por conseguinte ela é una e intolerante: in necessariis, unitas. Condenar a verdade à tolerância é condená-la ao suicídio. A afirmação se aniquila se duvida de si mesma, e ela duvida de si mesma se admite com indiferença que se ponha a seu lado a sua própria negação. Para a verdade, a intolerância é o instinto de conservação, é o exercício legítimo do direito de propriedade. Quando se possui alguma coisa, é preciso defendê-la, sob pena de logo se ver despojado dela.&lt;br /&gt;Assim, meus irmãos, pela própria necessidade das coisas, a intolerância está em toda a parte, porque em toda parte existe o bem e o mal, o verdadeiro e o falso, a ordem e a desordem. Que há de mais intolerante do que esta proposição: 2 mais 2 fazem 4? Se vierdes dizer-me que 2 mais 2 fazem 3 ou fazem 5, eu vos respondo que 2 mais 2 fazem 4...&lt;br /&gt;Nada é tão exclusivo quanto a unidade. Ora, ouvi a palavra de São Paulo: "Unus Dominus, una fides, unum baptisma". Há, no céu, um só Senhor: unus Dominus. Esse Deus, cuja unidade é seu grande atributo, deu à terra um só símbolo, uma só doutrina, uma só fé: una fides. E esta fé, esta doutrina, Ele confiou-as a uma só sociedade visível, uma só Igreja cujos filhos são, todos, marcados com o mesmo selo e regenerados pela mesma graça: unum baptisma. Assim, a unidade divina que esplende por todos os séculos na glória de Deus produziu-se sobre a terra pela unidade do dogma evangélico cujo depósito foi confiado por Nosso Senhor Jesus Cristo à unidade hierárquica do sacerdócio: um Deus, uma fé, uma Igreja: unus Dominus, una fides, unum baptisma.&lt;br /&gt;Um pastor inglês teve a coragem de escrever um livro sobre a tolerância de Jesus Cristo, e certo filósofo de Genebra disse, falando do Salvador dos homens: "Não vejo que meu divino Mestre tenha formulado sutilezas sobre o dogma". Bem verdadeiro, meus irmãos. Jesus Cristo não formulou sutilezas sobre o dogma, mas trouxe aos homens a verdade e disse: se alguém não for batizado na água e no Espírito Santo, se alguém se recusa a comer a minha carne e a beber o meu sangue, não terá parte em meu reino. Confesso que nisso não há sutilezas; há intolerância, há exclusão, a mais positiva, a mais franca. E mais: Jesus Cristo enviou seus Apóstolos para pregar a todas as nações, isto é, derrubar todas as religiões existentes para estabelecer em toda a terra a única religião cristã e substituir todas as crenças dos diferentes povos pela unidade do dogma católico. E, prevendo os movimentos e as divisões que esta doutrina iria incitar sobre a terra, Ele não se deteve e declarou que tinha vindo para trazer não a paz, mas a espada, e para acender a guerra não somente entre os povos, mas no seio de uma mesma família e separar, pelo menos quanto às convicções, a esposa fiel do esposo incrédulo, o genro cristão do sogro idólatra. A afirmação é verdadeira e o filósofo tem razão: Jesus Cristo não formulou sutilezas sobre o dogma (...).&lt;br /&gt;Falam da tolerância dos primeiros séculos, da tolerância dos Apóstolos. Mas isso não é assim, meus irmãos. Ao contrário, o estabelecimento da religião cristã foi, por excelência, uma obra de intolerância religiosa. No momento da pregação dos apóstolos, quase todo o universo praticava essa tolerância dogmática tão louvada. Como todas as religiões eram igualmente falsas e igualmente desarrazoadas, elas não se guerreavam; como todos os deuses valiam a mesma coisa uns para os outros, eram todos demônios, não eram exclusivos, eles se toleravam uns aos outros: Satã não está dividido contra si mesmo. O Império Romano, multiplicando suas conquistas, multiplicava seus deuses, e o estudo de sua mitologia se complica na mesma proporção que o da sua geografia. O triunfador que subia ao Capitólio fazia marchar diante dele os deuses conquistados com mais orgulho ainda do que arrastava atrás de si os reis vencidos. O mais das vezes, em virtude de um Senatus-Consulto, os ídolos dos bárbaros se confundiam desde então com o domínio da pátria, e o Olimpo nacional crescia como o Império.&lt;br /&gt;Quando aparece o Cristianismo (prestem atenção a isso, meus irmãos, são dados históricos de valor com relação ao assunto presente), quando o Cristianismo surge pela primeira vez, não foi repelido imediatamente. O paganismo perguntou-se se, em vez de combater a nova religião, não devia dar-lhe acesso ao seu solo. A Judéia tinha-se tornado uma província romana. Roma, acostumada a receber e conciliar todas as religiões, recebeu a princípio, sem maiores dificuldades, o culto saído da Judéia. Um imperador colocou Jesus Cristo, como a Abraão, entre as divindades de seu oratório, assim como se viu mais tarde outro César propor prestar-lhe homenagens solenes. Mas a palavra do profeta não tardou a se verificar: as multidões de ídolos que viam, de ordinário sem ciúmes, deuses novos e estrangeiros ser colocados ao lado deles, com a chegada do deus dos cristãos, lançam um grito de terror, e, sacudindo sua tranqüila poeira, abalam-se sobre seus altares ameaçados: ecce Dominus ascendit, et commovebuntur simulacra a facie ejus. Roma estava atenta a esse espetáculo. E logo, quando se percebeu que esse Deus novo era irreconciliável inimigo dos outros deuses; quando se viu que os cristãos, cujo culto se havia admitido, não queriam admitir o culto da nação; em uma palavra, quando se constatou o espírito intolerante da fé cristã, foi então que começou a perseguição.&lt;br /&gt;Ouvi como os historiadores do tempo justificam as torturas dos cristãos. Eles não falam mal de sua religião, de seu Deus, de seu Cristo, de suas práticas; só mais tarde é que inventaram calúnias. Eles os censuram somente por não poderem suportar outra religião senão a deles. "Eu não tinha dúvidas", diz Plínio, o Jovem, "apesar de seu dogma, de que não era preciso punir sua teimosia e sua obstinação inflexível": pervicaciam et inflexibilem obstinationem. "Não são criminosos", diz Tácito, "mas são intolerantes, misantropos, inimigos do gênero humano. Há neles uma fé teimosa em seus princípios, e uma fé exclusiva que condena as crenças de todos os povos": apud ipsos fides obstinata, sed adversus omnes alios hostile odium. Os pagãos diziam geralmente dos cristãos o que Celso disse dos judeus, com os quais foram muito tempo confundidos, porque a doutrina cristã tinha nascido na Judéia. "Que esses homens adiram inviolavelmente às suas leis", dizia este sofista, "nisto não os censuro; só censuro aqueles que abandonam a religião de seus pais para abraçar uma diferente! Mas, se os judeus ou os cristãos querem só dar ares de uma sabedoria mais sublime que aquela do resto do mundo, eu diria que não se deve crer que eles sejam mais agradáveis a Deus que os outros".&lt;br /&gt;Assim, meus irmãos, o principal agravo contra os cristãos era a rigidez absoluta do seu símbolo, e, como se dizia, o humor insociável de sua teologia. Se só se tratasse de um Deus mais, não teria havido reclamações; mas era um Deus incompatível, que expulsava todos os outros: aí está o porquê da perseguição. Assim, o estabelecimento da Igreja foi obra de intolerância dogmática. Toda a história da Igreja não é senão a história dessa intolerância. Que são os mártires? Intolerantes em matéria de fé, que preferem os suplícios a professar o erro. Que são os símbolos? São fórmulas de intolerância, que determinam o que é preciso crer e que impõem à razão os mistérios necessários. Que é o Papado? Uma instituição de intolerância doutrinal, que pela unidade hierárquica mantém a unidade de fé. Por que os concílios? Para frear os desvios de pensamentos, condenar as falsas interpretações do dogma, anatematizar as proposições contrárias à fé.&lt;br /&gt;Nós somos então intolerantes, exclusivos em matéria de doutrina; disto fazemos profissão; orgulhamo-nos da nossa intolerância. Se não o fôssemos, não estaríamos com a verdade, pois que a verdade é uma, e conseqüentemente intolerante. Filha do céu, a religião cristã, descendo à terra, apresentou os títulos de sua origem; ofereceu ao exame da razão fatos incontestáveis, e que provam irrefutavelmente sua divindade. Ora, se ela vem de Deus, se Jesus Cristo, seu autor, pode dizer: Eu sou a verdade: Ego sum veritas, é necessário, por uma conseqüência inevitável, que a Igreja Cristã conserve incorruptivelmente esta verdade tal qual a recebeu do céu; é necessário que repila, que exclua tudo o que é contrário a esta verdade, tudo o que possa destruí-la. Recriminar à Igreja Católica sua intolerância dogmática, sua afirmação absoluta em matéria de doutrina, é dirigir-lhe uma recriminação muito honrosa. É recriminar à sentinela ser muito fiel e muito vigilante, é recriminar à esposa ser muito delicada e exclusiva.&lt;br /&gt;Nós ficamos muitas vezes confusos com o que ouvimos dizer sobre todas estas questões até por pessoas sensatas. Falta-lhes a lógica, desde que se trate de religião. É a paixão, é o preconceito que os cega? É um e outro. No fundo, as paixões sabem bem o que querem quando procuram abalar os fundamentos da fé, pondo a religião entre as coisas sem consistência. Elas não ignoram que, demolindo o dogma, preparam para si uma moral fácil. Diz-se com justeza perfeita: é antes o decálogo que o símbolo o que as faz incrédulas. Se todas as religiões podem ser postas num mesmo nível, é que se equivalem todas; se todas são verdadeiras, é porque todas são falsas; se todos os deuses se toleram, é porque não há Deus. E, se se pode aí chegar, já não sobra nenhuma moral incômoda. Quantas consciências estariam tranqüilas no dia em que a Igreja Católica desse o beijo fraternal a todas as seitas suas rivais!&lt;br /&gt;Jean-Jacques [Rousseau] foi entre nós o apologista e o propagador desse sistema de tolerância religiosa. A invenção não lhe pertence, se bem que ele tenha ido mais longe que o paganismo, que nunca chegou a levar a indiferença a tal ponto. Eis, com um curto comentário, o ponto principal desse catecismo, tornado infelizmente popular: todas as religiões são boas. Isto é, de outra forma, todas as religiões são ruins (...).&lt;br /&gt;A filosofia do século XIX se espalha por mil canais por toda a superfície da França. Esta filosofia é chamada eclética, sincrética, e, com uma pequena modificação, é também chamada progressiva. Esse belo sistema consiste em dizer que não existe nada falso; que todas as opiniões e todas as religiões podem conciliar-se; que o erro não é possível ao homem, a menos que ele se despoje da humanidade; que todo o erro dos homens consiste em julgar-se possuidores exclusivos de toda a verdade, quando cada um deles só tem dela um elo e quando, da reunião de todos esses elos, se deve formar a corrente inteira da verdade. Assim, segundo essa inacreditável teoria, não há religiões falsas, mas são todas incompletas umas sem as outras. A verdadeira seria a religião do ecletismo sincrético e progressivo, a qual ajuntaria todas as outras, passadas, presentes e futuras: todas as outras, isto é, a religião natural que reconhece um Deus; o ateísmo, que não conhece nenhum; o panteísmo, que o reconhece em tudo e por tudo; o espiritualismo, que crê na alma, e o materialismo, que só crê na carne, no sangue e nos humores; as sociedades evangélicas, que admitem uma revelação, e o deísmo racionalista, que a rejeita; o Cristianismo, que crê no Messias que veio, e o judaísmo, que o espera ainda; o Catolicismo, que obedece ao Papa, o protestantismo, que olha o Papa como o Anticristo. Tudo isto é conciliável. São diferentes aspectos da verdade. Da união desses cultos resultará um culto mais largo, mais vasto, o grande culto verdadeiramente católico, isto é, universal, pois que abrigará todas as outras no seu seio.&lt;br /&gt;Esta doutrina que qualificais de absurda não é de minha invenção; ela enche milhares de volumes e de publicações recentes; e, sem que seu fundo jamais varie, toma todos os dias novas formas sob a caneta e sobre os lábios dos homens em cujas mãos repousam os destinos da França. — A que ponto de loucura chegamos então? — Chegamos ao ponto a que deve logicamente chegar todo aquele que não admite o princípio incontestável que estabelecemos, a saber: que a verdade é uma, e por conseqüência intolerante, apartada de toda a doutrina que não é a sua. E, para resumir em poucas palavras toda a substância deste meu discurso, eu vos direi: Procurais a verdade sobre a terra? Procurai a Igreja intolerante. Todos os erros podem fazer-se concessões mútuas; eles são parentes próximos, pois que têm um pai comum: vos ex patre diabolo estis. A verdade, filha do céu, é a única que não capitula.&lt;br /&gt;Vós, pois, que quereis julgar esta grande causa, tomai para isto a sabedoria de Salomão. Entre essas diferentes sociedades para as quais a verdade é objeto de litígio, como era aquela criança entre as duas mães, quereis saber a quem adjudicá-la. Pedi que vos dêem uma espada, fingi cortar, e examinai as caras que farão os pretendentes. Haverá vários que se resignarão, que se contentarão da parte que vão ter. Dizei logo: Essas não são as mães! Há uma cara, ao contrário, que se recusará a toda composição, que dirá: a verdade me pertence, e devo conservá-la inteira, jamais tolerarei que seja diminuída, partida. Dizei: Esta aqui é a verdadeira mãe!&lt;br /&gt;Sim, Santa Igreja Católica, Vós tendes a verdade, porque tendes a unidade, e porque sois intolerante; não deixais decompor esta unidade.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6188930667042584149-6526525306806754700?l=reconquistabr.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reconquistabr.blogspot.com/feeds/6526525306806754700/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6188930667042584149&amp;postID=6526525306806754700' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/6526525306806754700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/6526525306806754700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reconquistabr.blogspot.com/2008/09/intolerncia-doutrinal.html' title='Intolerância Doutrinal'/><author><name>Fernando Rodrigues Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16368448307317160453</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_6uSu6EByoPY/SjFpGEjjdoI/AAAAAAAAALU/_MCTy91mSS4/S220/fernandorodrigues.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6188930667042584149.post-7767974132417812803</id><published>2008-09-10T06:25:00.000-07:00</published><updated>2008-09-10T06:26:29.258-07:00</updated><title type='text'>Quando se pensa... dignidade do sacerdote</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Hugo Wast&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quando se pensa que nem a Santíssima Virgem pode fazer o que faz um Sacerdote.&lt;br /&gt;Quando se pensa que nem os anjos nem os arcanjos, nem Miguel nem Gabriel nem Rafael, nem príncipe algum daqueles que venceram a Lucifer podem fazer o que faz um sacerdote.&lt;br /&gt;Quando se pensa que Nosso Senhor Jesus Cristo realizou na última ceia um milagre maior que o da criação do Universo com todos seu esplendores que foi o converter o pão e o vinho em seu Corpo e seu Sangue para alimentar o mundo, e que este prodígio, ante o qual se ajoelham os anjos e os homens, pode repeti-lo a cada dia um sacerdote.&lt;br /&gt;Quando se pensa no outro milagre que somente um sacerdote pode realizar: perdoar os pecados e que o que ele ata no fundo de seu humilde confessionário, Deus obrigado por sua própria palavra, o ata no céu, e que ele desata, no mesmo instante o desata Deus.&lt;br /&gt;Quando se pensa que a humanidade se redimiu e o que mundo subsiste porque há homens e mulheres que se alimentam cada dia desse Corpo e desse Sangue redentor que só um sacerdote pode realizar.&lt;br /&gt;Quando se pensa que o mundo morreria da pior fome se chegasse a faltar-lhe esse nadinha de pão e esse nadinha de vinho.&lt;br /&gt;Quando se pensa que isso pode ocorrer, porque estão faltando vocações sacerdotais; e que quando isso ocorrer se comoverão os céus e explodirá a Terra, como se a mão de Deus houvesse deixado de sustenta-la; e as pessoas gritarão de fome e de angustia, e pedirão esse pão, e não haverá quem lhes de; e pedirão a absolvição de suas culpas, e não haverá quem os absolva, e morrerão com os olhos abertos pelo maior dos espantos.&lt;br /&gt;Quando se pensa que um sacerdote faz mais falta que um rei, mais que um militar, mais que um banqueiro, mais que um médico, mais que um mestre, porque ele pode substituir a todos e nenhum pode substituir a ele. Quando se pensa que um sacerdote quando celebra no altar tem uma dignidade infinitamente maior que um rei; e que não é nenhum símbolo, nem sequer um embaixador de Cristo, senão que é Cristo mesmo que está ali repetindo o maior milagre de Deus.&lt;br /&gt;Quando se pensa tudo isto, se compreende a imensa necessidade de fomentar as vocaciones sacerdotais.&lt;br /&gt;Se compreende o afã com que em tempos antigos, cada família ansiava que de seu seio brotasse, como uma vara de nardo, uma vocação sacerdotal.&lt;br /&gt;Se compreende o imenso respeito que os povos tinham pelos sacerdotes, o que se reflete nas leis.&lt;br /&gt;Se compreende que o pior crime que alguém pode cometer é impedir o desalentar de um vocação.&lt;br /&gt;Se compreende que provocar uma apostasia é ser como Judas e vender a Cristo novamente.&lt;br /&gt;Se compreende que se um pai ou uma mãe de família obstruírem a vocação sacerdotal de um filho, é como se renunciassem a um título de nobreza incomparável.&lt;br /&gt;Se compreende que mais que uma Igreja, e mais que uma escola, e mais que um hospital, é um seminário ou um noviciado.&lt;br /&gt;Se compreende que contribuir para construção ou manutenção de um seminário ou um noviciado é multiplicar os nascimentos do Redentor.&lt;br /&gt;Se compreende que dar para costear os estudos de um jovem seminarista ou de um noviço, é aplainar o caminho por onde há de chegar ao altar um homem que durante meia hora, cada dia, será mais que todas as dignidades da terra e que todos os santos do céu, pois será Cristo mesmo, sacrificando seu Corpo e seu Sangue, para alimentar o mundo. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6188930667042584149-7767974132417812803?l=reconquistabr.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reconquistabr.blogspot.com/feeds/7767974132417812803/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6188930667042584149&amp;postID=7767974132417812803' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/7767974132417812803'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/7767974132417812803'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reconquistabr.blogspot.com/2008/09/quando-se-pensa-dignidade-do-sacerdote.html' title='Quando se pensa... dignidade do sacerdote'/><author><name>Fernando Rodrigues Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16368448307317160453</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_6uSu6EByoPY/SjFpGEjjdoI/AAAAAAAAALU/_MCTy91mSS4/S220/fernandorodrigues.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6188930667042584149.post-1670000070568226498</id><published>2008-09-10T06:21:00.000-07:00</published><updated>2008-09-10T06:25:07.845-07:00</updated><title type='text'>Oração pelas crianças que estão sendo abortadas</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;ATO DE REPARAÇÃO&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Deus meu, como ato de reparação a Deus Todo Poderoso pelos crimes contra a santidade de toda vida humana; como ato de fé na Providência Divina que continua governando o mundo com amor; como ato de esperança em que a juventude do mundo possa chegar a conhecer os verdadeiros valores e viver de acordo com eles; como ato de amor por suas criaturas indefesas, te ofereço minha pessoa e todos meus sofrimentos; me proponho pedir a outros que também se ofereçam para defender a santidade de toda vida humana inocente.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;ORAÇÃO PELAS CRIANÇAS QUE ESTÃO SENDO ABORTADAS&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Senhora Rainha do Céu vo-lo peço e suplico por todas as crianças que estão sendo abortadas neste momento, tende misericórdia, ilumine todas as mães que se encontram em dificuldades e pensam abortar. Dai-lhes força para cuidar do tesouro que lhes envias desde o céu; dai-lhes fé e confiança, Mãe Santíssima protege essas criaturas do aborto, vo-lo peço em nome de vosso amadíssimo Filho Nosso Senhor Jesus Cristo, Amém. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Lhe dou graças a Deus pelo obséquio de minha vida.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Sei que sou responsável pelos não-nascidos que não podem defender-se.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Sei que a tragédia mais séria de nossos dias é a tragédia do aborto.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Hoje, me comprometo:A nunca guardar silêncio;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A nunca ser passivo,A nunca ser esquecedor dos não-nascidos;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A nunca vacilar na luta em defesa da vidaAté que todos sejam protegidos;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;E nosso país não permita JAMAIS o aborto Senhor Jesus, por mediação de María, vossa Mãe, que vos deu a luz com amor e pela intercessão de São José, homem justo, que cuidou de Ti após seu nascimentoVos rogo pela criança ainda não nascida que adotei espiritualmente porque está em perigo de ser abortada.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Vos suplico que de a seus pais amor e valentia para que lutem pela vida do filho que Tú mesmo lhes tem dado e para que lhe permitam viver a vida que Tú mesmo tem preparado desde toda a eternidade. Amém &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Está é bela oração elaborada pelos Padres tradicionalistas da Argentina e consta no site &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://ar.geocities.com/Misa_tridentina03/aborto/bebes.htm"&gt;http://ar.geocities.com/Misa_tridentina03/aborto/bebes.htm&lt;/a&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6188930667042584149-1670000070568226498?l=reconquistabr.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reconquistabr.blogspot.com/feeds/1670000070568226498/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6188930667042584149&amp;postID=1670000070568226498' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/1670000070568226498'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/1670000070568226498'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reconquistabr.blogspot.com/2008/09/orao-pelas-crianas-que-esto-sendo.html' title='Oração pelas crianças que estão sendo abortadas'/><author><name>Fernando Rodrigues Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16368448307317160453</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_6uSu6EByoPY/SjFpGEjjdoI/AAAAAAAAALU/_MCTy91mSS4/S220/fernandorodrigues.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6188930667042584149.post-4660712496140996961</id><published>2008-09-10T06:17:00.000-07:00</published><updated>2008-09-10T06:21:01.173-07:00</updated><title type='text'>Considerações sobre a Santa Missa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Bem! É triste dizer, há cristãos fieis à comunhão que não sabem assistir a missa. Nossos pais [...] tinham da missa uma idéia que os cristãos de hoje já não têm mais. Há poucas coisas grandes na terra; mas há, como diz Bossuet, um fato que é o acontecimento dos séculos: a encarnação de uma pessoa divina, a imolação do calvário, figurada durante quatro mil anos pelos holocaustos e os sacrifícios da era patriarcal e da era mosaica. Esse grande acontecimento que se realizou no Golgota e que se reproduz todos os dias, de instante em instante, na terra, é a grande maravilha do mundo. Se o bom Deus ainda suporta a terra, apesar do que vós e eu vemos, é porque esta maravilha realiza, aqui, sem fim, a palavra do profeta: do nascer ao por do sol (Malaquias, I, 11). E como, em relação à extensão total do globo terrestre, o sol não se levanta nem se deita, mais leva sucessivamente sua luz às diversas partes do mundo, o sacrifício do Homem Deus é um sacrifício perpetuo, um sacrifício sempre em ato: um sacrifício perpétuo (Daniel, XII, 11).&lt;br /&gt;A parte mais secreta do cânon da missa é indicada por estas palavras: Intra actionem: "Durante a ação". Com efeito, todas as outras coisas que se passam e se realizam aqui em baixo são verdadeiramente mínimas em comparação com esta, que é a ação por excelência. Ai está o principio, ai está o fato essencialmente conservador. O salmista disse: nem adormecerá aquele que ti guarda (Sal. CXX, 3). A Igreja, a sociedade cristã precisa ser guardada; é uma necessidade de todas as sociedades na terra. Nós que somos seus pastores e seus guardiões por oficio, infelizmente, acontece dormirmos, cochilarmos; mas aquele que guarda Israel não dormirá. A todo instante ele desce do alto do céu, este Deus feito homem, a fim de pagar a divida total da humanidade. [...] Associar-se [à missa], é trabalhar com ele. Dizer: tenho uma vida por demais ativa para poder ir a missa, é um contra senso, já que, para o dia do cristão a missa dá o primeiro impulso, o mérito e a eficácia da ação. &lt;strong&gt;Cardeal Pie Oeuvre t. IX p.637&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na cruz, Jesus Cristo apazigua por seu sangue a cólera de Deus, satisfaz sua justiça, expia o pecado e merece a salvação do mundo. Mas o sacrifício que ele realiza ainda não dá atualmente aos homens as graças das quais ele é a fonte, ele os prepara e os dispõe para recebê-las pela expiação previa do pecado. É por seu sangue e sua morte que ele o faz e é pelos sacramentos e sobre tudo pela Santa Eucaristia, que a graça de Jesus Cristo é comunicada. O sacrifício da cruz é assim o sacrifício da redenção e do mérito, porque merece tudo, mas não dá e não aplica nada; e o sacrifício da missa é o sacrifício da aplicação e da santificação porque dá e aplica tudo, mas não merece nada.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Padre De Condren, Idée du sacerdoce e du sacrifice de Jesus-Christ, cap. VII.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em suma, o Calvário é a fonte, o altar é o canal; o calvário recolheu o sangue de Jesus, o altar leva aos borbotões este sangue derramado por nós, e com ele rega os campos de almas, fecundando-o, e germinando sementes de santidade. Em vão as águas brotarão da montanha, se o rio não as levar para a planície. Assim a imolação do Golgota restaria ineficaz sem a Missa que toma as graças e que as distribui. Sem duvida, todos os sacramentos tiram sua virtude do sacrifício da Cruz e todos comunicam os méritos; mas porque a só Eucaristia renova e reproduz o sacrifício, também somente ela é o centro dos outros sacramentos e seu fim.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Buatier, Le sacrifice dans le dogme catholique p. 114.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A heresia de nosso tempo é a negação deste reino [reino social de Jesus Cristo]. De todos os lados ressoa o grito da parábola evangélica: "Nolumus hunc regnare super nos! Não queremos que ele reine sobre nós!" Nem as leis se fazem mais em seu nome, nem segundo o Evangelho, são feitas contra ele. É o inimigo e a guerra lhe foi declarada de todos os lados ao mesmo tempo, no terreno das doutrinas e no da ação.&lt;br /&gt;[...]&lt;br /&gt;O Apocalipse fala de uma arvore cujas folhas curam as nações (Apoc. XXII, 2): esta só pode ser a arvore da Cruz. A sociedade só se decompõe e periclita porque tem horror a Cruz, porque voltas as costa ao Crucificado, porque a idéia do sacrifício a horroriza, porque, entregue exclusivamente a procura dos prazeres materiais e esquecendo as esperanças do alto, não tem mais coragem para os deveres austeros. Para trazer de volta a saúde a esse corpo doente, é preciso que o sangue do Calvário circule outra vez nele e infunda pelos sacramentos a vida eterna; é preciso retornar ao nobre repouso do domingo e a união fraterna da oração pública, voltar também às santas reabilitações da penitencia, com as forças e as alegrias eucarísticas. Voltaire dizia: "Os povos que se confessam são fáceis de governar". Para sair de tal boca, a palavra não podia ser mais exata. Um povo que se confessa e que comunga é um povo onde as coalizões do egoísmo dão lugar às harmonias do devotamento. Já notava Tertuliano: "Os cristãos mais completos são também os melhores cidadãos".&lt;br /&gt;[...]&lt;br /&gt;Ora, a religião que tem sobre a terra sua expressão mais completa em uma sociedade e esta sociedade realiza o ideal social tanto quanto pode ser realizado pelos homens: é a Igreja.&lt;br /&gt;Sociedade perfeita e universal, diretamente estabelecida por Jesus Cristo, tendo por fim o reino de Deus e por missão a salvação das almas, tem por meio as virtudes que produz pelos sacramentos. Nascida no Calvário guarda e distribui o sangue divino, prolongando assim no mundo a redenção de Jesus. O altar é seu centro, a cruz seu símbolo, o sacrifício sua vida. Poderíamos defini-la: uma sociedade fundada na Cruz pelo Crucificado, para conduzir os homens ao céu pelo sacrifício. &lt;strong&gt;Idem, p. 345 e seg.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se o sacrifício da missa se extinguisse, não tardaríamos a recair no estado depravado onde se encontravam os povos manchados pelo paganismo e esta será a obra do Anticristo. Ele usará de todos os meios para impedir a celebração da santa missa, afim de que este grande contrapeso seja abatido e que Deus ponha fim a todas as coisas, não tendo mais razão para fazê-las subsistir. Podemos facilmente compreender porque, depois do protestantismo, vemos as forças diminuírem no seio das sociedades. A guerras civis eclodiram, trazendo com elas a desolação e isso unicamente porque a intensidade do sacrifício da missa diminuiu. É o começo do que acontecerá quando o diabo e seus sequazes forem desencadeados por toda a terra levando a inquietação e a desolação como Daniel nos advertiu.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dom Guéranger (Explication de la sainte messe, p.107)&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6188930667042584149-4660712496140996961?l=reconquistabr.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reconquistabr.blogspot.com/feeds/4660712496140996961/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6188930667042584149&amp;postID=4660712496140996961' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/4660712496140996961'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/4660712496140996961'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reconquistabr.blogspot.com/2008/09/consideraes-sobre-santa-missa.html' title='Considerações sobre a Santa Missa'/><author><name>Fernando Rodrigues Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16368448307317160453</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_6uSu6EByoPY/SjFpGEjjdoI/AAAAAAAAALU/_MCTy91mSS4/S220/fernandorodrigues.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6188930667042584149.post-5972043128617215982</id><published>2008-09-10T06:09:00.000-07:00</published><updated>2008-09-10T06:16:56.561-07:00</updated><title type='text'>Da obrigação de tender à perfeição</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Adolph Tanquerey&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Exposta a natureza da vida cristã e a sua perfeição, resta-nos examinar se há para nós verdadeira obrigação de progredir nesta vida, ou se não basta guardá-la preciosamente como se guarda um tesouro. Para responder com mais precisão, examinaremos esta questão relativamente a três categorias de pessoas: 1° os simples fiéis ou cristãos; 2° os religiosos; 3° os sacerdotes, insistindo neste último ponto, por causa do fim especial que nos propomos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ART. I Da obrigação que têm os cristãos de tender à perfeição&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Exporemos: 1° a obrigação em si mesma; 2° os motivos que tornam este dever mais fácil.&lt;br /&gt;§ I. Da obrigação propriamente dita&lt;br /&gt;Em matéria tão delicada importa usar da maior exatidão possível. É certo que é necessário e suficiente morrer em estado de graça, para ser salvo; parece, pois, que não haverá para os fiéis outra obrigação estrita mais que a de conservar o estado de graça. Mas, precisamente, a questão é saber se pode alguém conservar por tempo notável o estado de graça, sem se esforçar para fazer progressos. Ora, a autoridade e a razão iluminada pela fé mostram-nos que, no estado de natureza decaída, ninguém pode permanecer muito tempo no estado de graça, sem fazer esforços para progredir na vida espiritual, e praticar de vez em quando alguns dos conselhos evangélicos.&lt;br /&gt;I. O argumento de autoridade&lt;br /&gt;1° A Sagrada Escritura não trata diretamente esta questão: depois de assentado o princípio geral da distinção entre os preceitos e os conselhos, não diz geralmente o que nas exortações de Nosso Senhor Jesus Cristo, é obrigatório ou não. Mas insiste tanto na santidade que convém aos cristãos, põe-nos diante dos olhos um ideal tão algo de perfeição, prega tão abertamente a todos a necessidade da abnegação e da caridade, elementos essenciais da perfeição, que, para qualquer espírito imparcial, se infere a convicção de que, para salvar a alma, é necessário, em certos momentos fazer mais do que o estritamente mandado, e, por conseqüência, esforçar-se por progredir.&lt;br /&gt;A) Assim, Nosso Senhor apresenta-nos como ideal de santidade a mesma perfeição do nosso Pai celestial: "Sede perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito: Estote ergo vos perfecti, sicut et Pater vester coelestis perfectus est" &lt;a href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6188930667042584149#_edn2"&gt;[2]&lt;/a&gt;; assim pois, todos os que têm a Deus por Pai, devem-se aproximar da perfeição divina; o que não se pode evidentemente fazer sem algum progresso. E, em última análise, todo o sermão do monte não é mais que o comentário, o desenvolvimento deste ideal. — o caminho para isso é o da abnegação, da imitação de Nosso Senhor Jesus Cristo e do amor de Deus: "Se alguém vem a mim, e não odeia (isto é, não sacrifica) o seu pai, a sua mãe, a sua mulher, os seus filhos, os seus irmãos e até mesmo a sua própria vida, não pode ser meu discípulo: Si quis venit ad me, et non odit patrem suum et matrem et uxorem et filios et fratres, adhuc autem et animam suam, non potest meus esse discipulus" &lt;a href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6188930667042584149#_edn3"&gt;[3]&lt;/a&gt;. É necessário, pois, em certos casos, preferir Deus e a sua vontade ao amor de seus pais, de sua mulher, de seus filhos, de sua própria vida e sacrificar tudo, para seguir a Jesus: o que supõe coragem heróica, que não se possuirá no momento crítico, se a alma se não foi preparando para isso por meio de sacrifícios de superrogação. Não há dúvida que este caminho é estreito e dificultoso, e muitos poucos o seguem; mas Jesus quer que se façam sérios esforços para entrar pela porta estreita "Contendite intrare per angustam portam" &lt;a href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6188930667042584149#_edn4"&gt;[4]&lt;/a&gt;. Não será isto reclamar que tendamos à perfeição?&lt;br /&gt;B) Os Apóstolos não usam de linguagem diversa; S. Paulo lembra muitas vezes aos fiéis que foram escolhidos para serem santos: "ut essemus sancti et immaculati in conspectu eius in caritate" &lt;a href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6188930667042584149#_edn5"&gt;[5]&lt;/a&gt;: o que certamente não podem fazer, sem se despojarem do homem velho e revestirem do novo, isto é, sem mortificarem as tendências da natureza perversa e sem se esmerarem em reproduzir as virtudes de Jesus Cristo. Ora isso é lhes impossível, ajunta São Paulo, sem se esforçarem por chegar "à medida do completo crescimento da plenitude de Cristo, donec ocurramus omnes... in virum perfectum, in mensuram aetatis plenitudinis Christi" &lt;a href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6188930667042584149#_edn6"&gt;[6]&lt;/a&gt;; o que quer dizer que estando incorporados em Cristo, somos seu complemento, e a nós nos cumpre pelo progresso na imitação das suas virtudes, fazê-lo crescer, completá-lo. São Pedro quer também que todos os seus discípulos sejam santos como aquele que os chamou à salvação: "secundum eum qui vocavit vos Sanctum et ipsi in omni conversatione sancti sitis" &lt;a href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6188930667042584149#_edn7"&gt;[7]&lt;/a&gt;. Podem-no acaso ser, se não progridem na prática das virtudes cristãs? São João, no último capítulo do Apocalipse, convida os justos a não cessarem de praticar a justiça e os santos a santificarem-se ainda mais: "Qui iustus est, iustificetur adhuc, et sanctus sanctificetur adhuc" &lt;a href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6188930667042584149#_edn8"&gt;[8]&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;C) É isto mesmo o que se infere ainda da natureza da vida cristã que, no dizer de Nosso Senhor Jesus Cristo e de seus discípulos, é um combate, em que a vigilância e a oração, a mortificação e o exercício positivo das virtudes são necessários para alcançar a vitória: "Vigiai e orai, para não entrardes em tentação: vigilate et orate ut non intretis in tentationem" &lt;a href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6188930667042584149#_edn9"&gt;[9]&lt;/a&gt;... Tendo de lutar não somente contra a carne e o sangue, isto é, contra a tríplice concupiscência, senão ainda contra os demônios que a atiçam em nós, necessitamos de nos armar espiritualmente e combater com valor. Ora, numa luta prolongada, a derrota é quase fatal para quem se conserva unicamente na defensiva; é mister, pois, recorrer aos contra-ataques, isto é, a prática das virtudes, à vigilância, à mortificação, ao espírito da fé e confiança.&lt;br /&gt;É esta exatamente a conclusão que tira São Paulo, quando, depois de haver descrito a luta que temos de sustentar, declara que devemos estar armados dos pés à cabeça, como o soldado romano, os rins cingidos da verdade, revestidos da couraça da justiça, e as sandálias nos pés, prontos a anunciar o Evangelho da paz, com o escudo da fé, o capacete da salvação e a espada do Espírito: State ergo succinti lumbos vestros in veritate, et induti loricam iustitae, et calceati pedes in praeparatione evangelii pacis; in omnibus sumentes scutum fidei... et galeam saluis assumite et salutis assumite et gladium Spiritu" &lt;a href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6188930667042584149#_edn10"&gt;[10]&lt;/a&gt;... E com isto nos mostra que, para triunfar dos nossos adversários, é necessário fazer mais do que o estritamente prescrito.&lt;br /&gt;2° A Tradição confirma esta doutrina. Quando os Santos Padres querem insistir sobre a necessidade da perfeição de todos, dizem-nos que no caminho que conduz a Deus e à salvação, não se pode ficar estacionário: é forçoso avançar ou recuar: "in via Dei non progredi, regredi est".&lt;br /&gt;Assim, Santo Agostinho, fazendo notar que a caridade é ativa, adverte-nos que não devemos parar no caminho, precisamente porque, parar é recuar: retro redit qui ad ea revolvitur unde iam necesserat" &lt;a href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6188930667042584149#_edn11"&gt;[11]&lt;/a&gt;, e o seu adversário, Pelágio, admitia o mesmo princípio; tal é a sua evidência! E o último dos Padres, São Bernardo, expõe esta doutrina de forma empolgante. "Não queres progredir? — Não — Queres então recuar? — De modo nenhum. — Que queres então? — Quero viver de tal maneira que fique no ponto aonde cheguei... — Queres o impossível, pois que neste mundo nada permanece no mesmo estado..." &lt;a href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6188930667042584149#_edn12"&gt;[12]&lt;/a&gt;. E noutra parte acrescenta: "É absolutamente necessário subir ou descer; se se tenta parar, cai-se infalivelmente" &lt;a href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6188930667042584149#_edn13"&gt;[13]&lt;/a&gt;. E assim o Papa Pio XI, na sua Encíclica de 26 de janeiro de 1932, sobre São Francisco de Sales, declara peremptoriamente que todos os cristãos, sem exceção, têm obrigação de tender à santidade" &lt;a href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6188930667042584149#_edn14"&gt;[14]&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;II. O argumento da razão&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A razão fundamental, pela qual nos é necessária tender à perfeição, é sem dúvida a que nos dão os Santos Padres.&lt;br /&gt;1° Toda a vida, sendo como é um movimento, é essencialmente progressiva, neste sentido que, quando cessa de crescer, começa a enfraquecer. E a razão disto é que há, em todo o ser vivo, forças de desagregação que, se não são neutralizadas, acabam por produzir a doença e a morte. O mesmo se passa em nossa vida espiritual: ao lado das tendências que nos levam para o bem, há outras, muito ativas, que nos arrastam para o mal; para as combater, o único meio eficaz é aumentar em nós as forças vivas, isto é, o amor de Deus e as virtudes cristãs; então as tendências más vão enfraquecendo.&lt;br /&gt;Mas, se deixamos de fazer esforços por avançar, os nossos vícios acordam, retomam forças, atacam-nos com mais viveza e freqüência; e, se não despertamos do nosso torpor chega o momento em que, de capitulação em capitulação, caímos no pecado mortal. &lt;a href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6188930667042584149#_edn15"&gt;[15]&lt;/a&gt; É esta, infelizmente, a história de muitas almas, como bem o sabem os diretores experimentados.&lt;br /&gt;Uma comparação no-lo fará compreender. Para alcançarmos a salvação, temos que vencer uma corrente mais ou menos violenta, a das nossas paixões desordenadas, que nos levam para o mal. Enquanto fizermos esforço para impelir a nossa barca para a frente, conseguiremos subir a corrente ou ao menos contrabalançá-la; no dia em que cessarmos de remar, seremos arrastados pela corrente, e recuaremos para o Oceano, onde nos esperam as tempestades, isto é, as tentações graves e talvez quedas lamentáveis.&lt;br /&gt;2° Há preceitos graves que não se podem observar em certos momentos senão por meio de atos heróicos. Ora, em conformidade com as leis psicológicas, ninguém é geralmente capaz de praticar atos heróicos, se não se foi antecipadamente preparando para isso com alguns sacrifícios, ou, por outros termos, com atos de mortificação. Para tornarmos esta verdade mais tangível, demos alguns exemplos. Tomemos o preceito da castidade, e vejamos o que ele exige de esforços generosos, por vezes heróicos, para ser guardado toda a vida. Até o casamento (e muitos jovens não se casam antes dos 28 ou 30 anos), é a continência absoluta que é necessário praticar sob pena de pecado mortal. Ora, as tentações graves começam para quase todos com os anos da puberdade, às vezes antes; para lhes resistir vitoriosamente, é preciso orar, abster-se de leituras, representações, ou relações perigosas, penitenciar-se das menores capitulações e aproveitar-se dos seus desfalecimentos, para se levantar imediata e generosamente, e tudo isto durante um longo período da vida. Não supõe acaso tudo isto esforços mais que ordinários, algumas obras de super rogação? Contraído que for o matrimonio, ninguém fica ao abrigo das tentações graves. Há períodos em que é força praticar a continência conjugal; ora, para o fazer, é preciso coragem heróica, que não se adquire senão com o longo hábito da mortificação do prazer sensual, e pelo exercício constante da oração.&lt;br /&gt;Tomem-se agora as leis da justiça nas transações financeiras, comerciais e industriais, e reflita-se no sem-número de ocasiões, que se apresentam, de a violar, na dificuldade de praticar a honradez perfeita num meio em que a concorrência e a cobiça fazem subir os preços além dos limites permitidos, e ver-se-á que, para um homem permanecer simplesmente honrado, precisa duma soma de esforços e de abnegação mais que ordinária. Será porventura capaz desses esforços quem se acostumou a não respeitar mais que as prescrições graves, quem se permitiu com a sua consciência pactuações, a princípio leves, depois mais sérias e por fim perturbadoras? Para evitar esse perigo, não será necessário fazer um pouco mais do que é estritamente mandado, a fim de que a vontade, fortificada por estes atos generosos, tenha vigor suficiente para não se deixar arrastar a atos de injustiça?&lt;br /&gt;Verifica-se, pois, de todos os lados esta lei moral que para não cair em pecado, é necessário evitar o perigo por meio de atos generosos, que não são diretamente objeto de preceito. Por outros termos, para acertar no alvo, é mister fazer a pontaria mais alto; e, para não perder a graça, é necessário fortificar a vontade contra as tentações perigosas por meio de obras de super-rogaçao, numa palavra, aspirar a uma certa perfeição.&lt;br /&gt;§ II. Dos motivos que tornam este dever mais fácil&lt;br /&gt;Os numerosos motivos, que podem levar os simples fiéis a tender à perfeição, reduzem-se a três principais: 1° o bem da própria alma; 2° a glória de Deus; 3° a edificação do próximo.&lt;br /&gt;1° O bem da própria alma é, antes de tudo, a segurança da salvação, a multiplicação dos méritos, e por fim as alegrias da consciência.&lt;br /&gt;A) A grande obra que temos de levar a cabo na terra, a obra necessária, e, a bem dizer, a única necessária, é a salvação da nossa alma. Se a salvarmos, ainda quando percamos todos os bens da terra, parentes, amigos, reputação, riqueza, tudo fica salvo; no céu encontraremos, centuplicado, tudo quanto perdemos, e para toda a eternidade. Ora, o meio mais eficaz para assegurar a salvação da alma, é tender à perfeição, cada um segundo o seu estado; quanto mais o fazemos, com discrição e constância, tanto mais nos afastamos, por isso mesmo, do pecado mortal, única força que nos pode condenar. E na verdade, é evidente que, quando alguém se esforça sinceramente por se ir aperfeiçoando, desvia por isso mesmo as ocasiões de pecado, fortifica a vontade contra as surpresas que o espiam, e, chegado o momento da tentação, a vontade, já aguerrida pelo esforço para conseguir a perfeição, acostumada a orar para assegurar a graça de Deus, repele com horror o pensamento do pecado grave: potius mori quam foedari. Quem, pelo contrário, se permite a si mesmo tudo o que não é falta grave expõe-se a cair, quando se apresentar uma violenta e longa tentação: habituado a ceder ao prazer em coisas menos graves, é de recear que, arrastado pela paixão, termine por sucumbir, como o homem que vai costeando continuamente o abismo acaba por se despenhar.&lt;br /&gt;Para não corrermos perigo de ofender a Deus gravemente, o melhor meio é afastar-nos das bordas do precipício, fazendo mais do que é preceituado, esforçando-nos por avançar para a perfeição; quanto mais a ela tendermos com prudência e humildade, tanto mais segura teremos a salvação eterna.&lt;br /&gt;B) Por esse meio aumentam-se também cada dia os graus de graça habitual que se possuem e os de glória a que se tem direito. Vimos, efetivamente, que todo o esforço sobrenatural, que por Deus faz uma alma em estado de graça lhe granjeia um aumento de méritos. Quem não se importa da perfeição e cumpre o seu dever com mais ou menos desleixo, poucos merecimentos adquire, como dissemos, n° 24. Quem tende, porém, à perfeição e se esforça por avançar, alcança larga cópia de merecimentos. Assim, cada dia aumenta o capital de graça e de glória; os seus dias de méritos: cada esforço tem como recompensa um aumento de graça na terra e mais tarde um peso imenso de glória, "aeternum gloriae pondus operatur in nobis" &lt;a href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6188930667042584149#_edn16"&gt;[16]&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;C) Se se quer prelibar um pouco de felicidade na terra, nada melhor que a piedade que, como diz São Paulo, "é útil para tudo e tem promessas para a vida presente e futura: pietas autem ad omnia utilis est, promissionem habens vitae quae nunc est et futurae" &lt;a href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6188930667042584149#_edn17"&gt;[17]&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;A paz da alma, a alegria da boa consciência, a felicidade de estar unido a Deus, de progredir em seu amor de chegar a maior intimidade com Nosso Senhor Jesus Cristo, tais são algumas das recompensas com que Deus favorece desde agora os seus fiéis servos, no meio das suas provações, com a esperança tão confortada da eterna felicidade.&lt;br /&gt;2° A glória de Deus. Nada mais nobre que procurá-la, nada mais justo, se nos lembrarmos do que Deus fez e não cessa de fazer por nós. Ora, uma alma perfeita dá mais glória a Deus que mil almas vulgares porque multiplica de dia para dia os seus atos de amor, reconhecimento e reparação, orienta nesse sentido a sua vida inteira pelo oferecimento muitas vezes renovado das suas ações ordinárias, e assim glorifica a Deus, de manhã até a noite.&lt;br /&gt;3° A edificação do próximo. Para fazer bem à roda de nós, converter alguns pecadores ou incrédulos e confirmar no bem as almas vacilantes, não há nada mais eficaz que os esforços que se emprega para melhor viver o Cristianismo: quanto a mediocridade da vida atrai sobre a religião as crítica dos incrédulos, tanto a verdadeira santidade excita a sua admiração para com uma religião que é capaz de produzir tais efeitos: É pelo fruto que se conhece a árvore: "ex fructibus eorum cognoscetis eos" &lt;a href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6188930667042584149#_edn18"&gt;[18]&lt;/a&gt;. A melhor apologética é a do exemplo, quando se lhe sabe juntar a prática de todos os deveres sociais. E é também um excelente estímulo para os medíocres, que adormeciam na indolência, se os progressos das almas fervorosas os não viessem arrancar do seu torpor.&lt;br /&gt;Muitas almas hoje em dia são acessíveis a este motivo: neste século de proselitismo, os leigos compreendem melhor que outrora a necessidade de defender e propagar a fé pela palavra e pelo exemplo. Compete aos sacerdotes favorecer este movimento, formando à sua roda um escol de cristãos esforçados que, não contentes duma vida medíocre e vulgar, se esmerem por avançar cada dia no cumprimento de todos os seus deveres, deveres religiosos em primeiro lugar, mas também deveres cívicos e sociais. Serão excelentes colaboradores que, penetrando em meios pouco acessíveis a religiosos e sacerdotes, os auxiliarão eficazmente no exercício do apostolado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Adolph Tanquerey, A Vida Espiritual Explicada e Comentada, cap. IV, art. I (&lt;a href="http://www.permanencia.org.br/"&gt;www.permanencia.org.br&lt;/a&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Notas:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6188930667042584149#_ednref1"&gt;[1]&lt;/a&gt; Álvarez de Paz, op. cit. L. IV-V; Le Gaudier, P. III, sect. I, c. VII-X; Scaramelli, Guide ascétique, Traité I, art. II; Ribet, Ascétique, ch. VII-IX; Ighina, op. cit., Introd., XX-XXX.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6188930667042584149#_ednref2"&gt;[2]&lt;/a&gt; Mt. 5, 48.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6188930667042584149#_ednref3"&gt;[3]&lt;/a&gt; Lc. 14, 26-27; cf. Mt. 10,37-38.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6188930667042584149#_ednref4"&gt;[4]&lt;/a&gt; Lc. 13, 24; Mt. 7, 13-14.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6188930667042584149#_ednref5"&gt;[5]&lt;/a&gt; Ef. 1, 4.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6188930667042584149#_ednref6"&gt;[6]&lt;/a&gt; Ef. 4, 10-16 Ler todo esse passo.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6188930667042584149#_ednref7"&gt;[7]&lt;/a&gt; I Pd1, 15.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6188930667042584149#_ednref8"&gt;[8]&lt;/a&gt; Ap. 22, 11.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6188930667042584149#_ednref9"&gt;[9]&lt;/a&gt; Mt. 26, 41.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6188930667042584149#_ednref10"&gt;[10]&lt;/a&gt; Ef. 6, 14-17.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6188930667042584149#_ednref11"&gt;[11]&lt;/a&gt; Sermo CLXIX n. 18.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6188930667042584149#_ednref12"&gt;[12]&lt;/a&gt; Epist. CCLIV ad abbatem Suarinum, n. 4.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6188930667042584149#_ednref13"&gt;[13]&lt;/a&gt; Epist. XCI ad abates Suessione congregatos, n. 3.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6188930667042584149#_ednref14"&gt;[14]&lt;/a&gt; "Nec vero quisquam putet ad paucos quosdam lectissimos id pertinere, ceterisque in inferiore quodam virtutis gradu licere consistere. Tenentur enim hac lege omnes, nullo excepto". (A. A. S. XV, 50).&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6188930667042584149#_ednref15"&gt;[15]&lt;/a&gt; É esta a doutrina comum dos teólogos, que assim resume Suarez, De Religione, t. IV, L. I, c. 4, n. 12: "Vix potest moraliter contingere ut homo etiam saecularis habbeat firmum propositum nunquam peccandi mortaliter, quin consequenter nonnula opera supererogationis faciat, et habeat formale vel virtuale propositum illa faciendi".&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6188930667042584149#_ednref16"&gt;[16]&lt;/a&gt; II Cor. 4, 17.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6188930667042584149#_ednref17"&gt;[17]&lt;/a&gt; I Tim. 4, 8.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6188930667042584149#_ednref18"&gt;[18]&lt;/a&gt; Mt. 7, 20.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6188930667042584149-5972043128617215982?l=reconquistabr.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reconquistabr.blogspot.com/feeds/5972043128617215982/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6188930667042584149&amp;postID=5972043128617215982' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/5972043128617215982'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/5972043128617215982'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reconquistabr.blogspot.com/2008/09/da-obrigao-de-tender-perfeio.html' title='Da obrigação de tender à perfeição'/><author><name>Fernando Rodrigues Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16368448307317160453</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_6uSu6EByoPY/SjFpGEjjdoI/AAAAAAAAALU/_MCTy91mSS4/S220/fernandorodrigues.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6188930667042584149.post-4765533380841875684</id><published>2008-09-10T06:03:00.000-07:00</published><updated>2008-09-10T06:09:29.628-07:00</updated><title type='text'>Conhecendo a Idade Média</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;G. K. Chesterton&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;É bastante natural que os homens prósperos de nosso tempo desconheçam mesmo história. Se a conhecessem, conheceriam a muito pouco edificante história de como se tornaram prósperos. É bastante natural, digo, que eles não saibam história: Mas por que eles pensam que sabem? Eis aqui uma opinião tirada a esmo de um livro escrito por um dos mais cultos dentre nossos jovens críticos, uma opinião muito bem escrita e de todo confiável em seu próprio tema, que é um tema moderno. Diz o escritor: "Existiu pouco avanço social ou político na Idade Média" até a Reforma e a Renascença. Ora, eu poderia tão propriamente quanto dizer que houve pouco avanço nas ciências e invenções no século dezenove até a vinda de William Morris: e então me desculpar dizendo que não estou pessoalmente interessado em máquinas de fiar ou águas-vivas — o que certamente é o caso. Pois isto é tudo o que o escritor realmente quis dizer: ele quis dizer que não está pessoalmente interessado em Arautos ou Abades com mitras. Tudo isto está bem; Mas por que, ao escrever sobre algo que não teria existido na Idade Média, deveria ele dogmatizar sobre uma história que ele evidentemente não conhece? No entanto, esta pode tornar-se uma história muito interessante.&lt;br /&gt;Pouco antes da Conquista Normanda, países como o nosso eram o pó de um ainda débil feudalismo, continuamente jogado nas voragens por bárbaros — bárbaros que jamais montaram um cavalo. Dificilmente existia uma casa de tijolos ou pedras na Inglaterra. Raramente se encontrava estradas, exceto sendas batidas; praticamente não existia nenhuma lei exceto os costumes locais. Esta era a Idade das Trevas da qual surgiu a Idade Média. Tome a Idade Média duzentos anos depois da Conquista Normanda e quase outro tanto antes do início da Reforma. As grandes cidades surgiram; os burgueses são privilegiados e importantes; o trabalho foi organizado em livres e responsáveis uniões de trabalho; os Parlamentos são poderosos e disputam com os príncipes; a escravidão quase inteiramente desapareceu; as grandes Universidades estão abertas e ensinam com o programa de educação que Huxley tanto admirou; Repúblicas tão orgulhosas e cívicas como as dos pagãos erguem-se como estátuas de mármore ao longo do Mediterrâneo; e por todo o Norte homens construíram Igrejas tais, que os homens talvez nunca mais igualem. E isso, cuja porção essencial foi feita em apenas um século, é o que o crítico chama "pouco avanço social ou político". Dificilmente há alguma importante instituição sob a qual ele vive, da Universidade que o treinou ao Parlamento que o governa, que não fez seus principais avanços naquele tempo.&lt;br /&gt;Se alguém pensa que escrevo isso de pedantice, espero mostrar-lhe em um momento que tenho um objetivo mais humilde e prático. Eu quero considerar a natureza da ignorância, e começo dizendo que, em todo sentido erudito e acadêmico, eu próprio sou muito ignorante. Assim como dizemos de um homem como Lord Brougham que seu conhecimento geral é grande, eu diria que minha ignorância geral é grande. Mas este é exatamente o ponto. É um conhecimento geral e uma ignorância geral. Eu sei pouca história: mas eu conheço um pouco de quase toda história. Eu não sei muito sobre Martinho Lutero e sua Reforma, por exemplo; mas sei que ela fez uma tremenda diferença. Ora, não saber que o rápido progresso dos séculos doze e treze fez uma grande diferença é tão extraordinário como nunca ter ouvido falar de Martinho Lutero. Eu não sou muito bem informado sobre Budistas; mas sei que Budistas se interessam por filosofia. Acredite, não saber que os Budistas se interessam por filosofia não é mais impressionante que não saber que os medievais se interessavam por progresso político ou experimentos. Não sei muito sobre Frederico, o Grande. Assustava-me em minha infância a coleção de volumes de Carlyle sobre o assunto: parecia existir lá um monte de coisas para conhecer. Mas, apesar dos meus receios, eu seria capaz de adivinhar com alguma probabilidade o tipo de substância que tais volumes conteriam. Eu arriscaria (e não incorretamente, acredito) que os volumes conteriam a palavra "Prússia" em um ou mais lugares; que se falaria sobre guerra de tempos em tempos; que alguma menção poderia ser feita a tratados e fronteiras; que a palavra "Silesia" poderia ser encontrada numa procura diligente, assim como os nomes de Maria Teresa e Voltaire; que em algum lugar em todos aqueles volumes, seu grande autor iria dizer se Frederico o Grande tinha um pai, se chegou a casar-se, se possuía grandes amigos, se tinha algum hobby ou qualquer tipo de gosto literário, se morreu no campo de batalha ou em sua cama, e assim por diante. Se eu tivesse reunido coragem para abrir um destes volumes, provavelmente teria encontrado algo ao menos nestas linhas gerais.&lt;br /&gt;Agora troque a imagem; e conceba um jovem comum, jornalista bem educado ou homem de letras de uma escola pública ou faculdade quando pára em frente de uma coleção ainda maior de livros ainda maiores das bibliotecas da Idade Média — digamos, todos os volumes de Sto. Tomás de Aquino. Eu digo que, de nove chances em dez, aquele jovem bem-educado não sabe o que irá encontrar naqueles volumes em capa de couro. Ele pensa que iria encontrar discussões sobre a capacidade dos anjos de se equilibrarem em agulhas; e assim ele iria. Mas eu digo que ele não sabe que iria encontrar um Escolástico discutindo quase todas as coisas que Herbert Spencer discutiu: política, sociologia, formas de governo, monarquia, liberdade, anarquia, propriedade, comunismo, e todas as noções várias que estão em nosso tempo brigando pelo tempo do "Socialismo". Ou, por outra, eu não sei muito sobre Maomé ou Maometismo. Eu não levo o Alcorão para a cama comigo toda noite. Mas, se eu o fizesse em alguma noite em especial, em pelo menos um sentido posso alegar saber o que não deve se encontrar lá. Eu entendo que não devo encontrar uma obra repleta de fortes encorajamentos ao culto de ídolos; que os louvores do politeísmo não serão sonoramente cantados; que o caráter de Maomé não será submetido a nada similar a ódio e derrisão; e que a grande doutrina moderna da irrelevância da religião não será desnecessariamente enfatizada. Mas troque novamente a imagem; e imagine o homem modero (o infeliz homem moderno) que levou um volume de teologia medieval para a cama. Ele esperaria encontrar um pessimismo que não está ali, um fatalismo que não está ali, um amor ao barbaresco que não está ali, um desprezo da razão que não está ali. Deixemo-lo tentar. Faria a ele uma de duas boas coisas: ou o faria dormir — ou o faria acordar. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;(Illustrated London News, 15 de Novembro de 1913)&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6188930667042584149-4765533380841875684?l=reconquistabr.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reconquistabr.blogspot.com/feeds/4765533380841875684/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6188930667042584149&amp;postID=4765533380841875684' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/4765533380841875684'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/4765533380841875684'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reconquistabr.blogspot.com/2008/09/conhecendo-idade-mdia.html' title='Conhecendo a Idade Média'/><author><name>Fernando Rodrigues Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16368448307317160453</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_6uSu6EByoPY/SjFpGEjjdoI/AAAAAAAAALU/_MCTy91mSS4/S220/fernandorodrigues.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6188930667042584149.post-7890386521409098957</id><published>2008-08-19T05:11:00.000-07:00</published><updated>2008-08-19T05:21:18.496-07:00</updated><title type='text'>Satan dans la Cité</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;em&gt;O presente texto é um comentário feito pelo saudoso filósofo&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;Heraldo Barbuy&lt;/strong&gt;&lt;em&gt; sobre a magnífica obra de Marcel de La Bigne Villeneuve "Satan dans la Cité", que não obstante ter sido escrita em 1951, as teses levantadas pelo autor francês constitui perfeito prognostico tanto da vida política quanto da situação atual da Igreja.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As teses defendidas por Marcel de la Bigne Villeneuve em seu livro sobre a Estatologia e em seu Tratado Geral do Estado são aqui retomadas sob um aspecto inteiramente novo, qual seja o das relações entre a situação do mundo contemporâneo e o diabolismo político social. Livro mais popular do que os anteriores do mesmo autor e onde sua filosofia política vem exposta de maneira mais atraente sob forma de diálogo entre um teólogo e um sociólogo. A obra destruidora de Satanás no mundo é o tema central do livro. E Satanás não é uma alegoria, nem uma figura literária, mas um ser concreto cuja atuação neste mundo, de que é o Príncipe, se evidência em todos os tempos sob a forma da possessão, que se distingue rigorosamente da doença nervosa. A rarefação dos casos de possessão, longe de indicar que o progresso das ciências expulsou Satanás do mundo, mostra ao contrário um aperfeiçoamento dos métodos satânicos: a inabitação física é cada vez menos útil ao inimigo do gênero humano, que infecta antes as instituições políticas e governamentais, num movimento simulado, mais irresistível, em que centenas de milhares e de milhões são levados à perdição. Satanás utiliza para seus fins o gregarismo moderno usando um método à altura do famoso progresso das ciências, pelo qual se pretendia decretar a sua desaparição. O reino das massas é o reino de Satanás, no que representa de miséria, de injustiça, de descrença, de fanatismo, de guerra, de desordem. Satã, em hebreu SHATAN, que significa o adversário, o que é contra, diabo, de d’aballô o que se põe de través, implantou no mundo, depois da Revolução Francesa, que é obra sua, o signo da destruição e da morte, da perdição e do erro. As tremendas maquinações atribuídas a misteriosas entidades terrenas, devem ser referidas ao Príncipe das Trevas e aquelas entidades, quando reais, são os seus instrumentos. A "Soberania do povo" no estilo da Revolução Francesa em que o povo é governado, o povo governa, do povo vem a autoridade, mas a autoridade recai sobre o povo; o reino do laicismo, a contra-igreja, que expulsa do mundo Deus, cujas leis são postergadas em nome de um direito formal, que é uma suma de mentiras e utopias, tal o reino de Satanás. A negação do Pecado Original, pela revolução que iniciou a infectação da sociedade moderna. A luta contra as instituições religiosas, a ditadura satânica do número, o liberalismo, o aniquilamento de toda moral transcendente. Tal o reino de Satanás; tal a sociedade atual. Satanás, o Príncipe da Mentira, afeiçoou à sua semelhança um mundo feito só de mentira. Nada mais impressionante do que a descrição do reino da mentira, feita pelo teólogo:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;"A duplicidade é universal; ela nos cega, nos sufoca, nos desgarra, nos apodrece e dissolve todos os nossos pontos de apoio. Nossa época e nosso espírito, estão de tal modo grangrenados de mentira que contaminam até as instituições e os homens que desejariam ficar indenes e os leva a recorrer, na falta de melhor, à mentira para lutar contra a mentira. Mentira na filosofia política que pretende subrepticiamente substituir o espírito pela matéria, a qualidade pela quantidade, o Criador pela criatura, a razão por uma cega aritmética. Mentira da linguagem política e especialmente do calão parlamentar, tornado anfibológico e quase hermético e do qual nenhuma só palavra, notava Péguy, conservou sua significação natural. Mentira nas instituições políticas construídas en porte à faux sobre fundamentos instáveis e ruinosos. Mentira em particular na Soberania do Povo, que desfigura a autoridade, de que faz uma escrava e o comando de que faz um despojo. Mentira na justiça que se torna a serva dócil da iniquidade triunfante, sem se preocupar nem mesmo com a evidência, prostituindo-se aos poderosos do dia e pretendendo impassivelmente converter a culpabilidade em inocência, a inocência em culpabilidade. Mentira na polícia que perverte a moralidade pública, que tem a missão de defender. Mentira na repressão e na vingança que se escondem sob a máscara da legalidade e na sombra dos cárceres. Mentira na interpretação do Bem Comum e do Interesse Geral, que já não são invocados senão para servir interesses de partidos, ou que se reduz a uma concepção sórdida, baixamente utilitária, que se confunde voluntariamente com o bem estar, as comodidades materiais e as satisfações dadas aos instintos gozadores das multidões. Mentira da lei, que já não é a ordem racional, imposta pelo bem de todos, mas a simples expressão, disfarçada em direito formal, da vontade do mais forte e entregue assim a uma perpétua instabilidade, a uma permanente injustiça. Mentira na liberdade, onde já não se quer ver o que ela é, isto é, uma lenta e penosa conquista e a faculdade sublime de ser causa, mas um dom gratuito e congenital e que se transforma em tributária do mal, em dissolvente da autoridade, em negação da responsabilidade. Mentira na Igualdade, em nome da qual se tende estupidamente dar a todos os homens, direitos, estatutos e satisfações uniformes. Mentira na Fraternidade, que se orgulha de tornar inútil a Caridade e nada mais faz do que renovar incessantemente o drama de Caim e Abel. Mentira na Moral, privada de sua base e de seu fim e tornada puramente fictícia. Mentira no hino universal entoado à apoteose da Pessoa Humana, cuja dignidade nunca foi tão desconhecida. Mentira na educação, que não passa d’um entulho, sem nenhuma ação formadora e deixa portanto de merecer o nome que se lhe atribui. Mentira no crédito que o Estado confunde abertamente com a espoliação e o roubo. Mentira na moeda, cujo valor real está num desequilíbrio cada vez mais completo com o valor aparente e tende irresistivelmente para o zero. Mentira, direi eu, até nas orações que certos políticos, que se pretendem religiosos, dirigem publicamente aos Céus pela salvação de um Estado que é a negação e a violação dos direitos divinos, pois, segundo a grande palavra de Bossuet, Deus se ri das suplicas que se elevam até Ele para desviar as desgraças publicas, quando não nos opomos ao que se faz para pára atraí-las.&lt;br /&gt;Mentira, para coroar o todo, no comportamento dos melhores que julgam, sob o pretexto de evitar um mal maior, dever pactuar com o falso, arvorar opiniões que não são as duas e dizer-se o que não são. Mentira, sim! Até na verdade, à qual se incorpora sistematicamente uma parte de erro, mentira no erro o qual se incorpora sistematicamente um parte de verdade, alienando assim o espírito dos homens, de tal modo que aos olhos de grande número elas se tornam praticamente indiscerníveis, intercambiáveis. Perversão e confusão, tornadas tais que, mais cínico do que Pôncio Pilatos, um parlamentar francês, sem suscitar reprovação alguma, pode proclamar: ‘Mais vale unir-se ao erro do que dividir-se na verdade’."&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tal reino satânico, onde o Príncipe do Mal substitui o dogma da Imaculada Conceição pelo mito da 'imaculada conceição' do homem, com o seu progresso indefinido, com a sua inocência original, com a sua soberania coletiva, com as instituições em suma da contra-Igreja. A contra-Igreja, tem também, com a Igreja, o seu Credo, mas um credo de mitos, de erros e de mentiras. A Igreja de Cristo abre o caminho do reino celeste; a contra-Igreja pretende abrí-lo para um suposto paraíso terrestre. Como a Igreja de Cristo é a Igreja de Deus, a contra-Igreja é a Igreja do Diabo, que tem o seu grande fetiche nas abstrações do 'Povo' deificado, hipostasiado pelas teorias revolucionárias, convertido num ídolo, no objeto duma demolatria... O credo da contra-Igreja é a famosa declaração dos 'direitos', onde os direitos verdadeiros e vivos são eliminados, pelos utópicos e abstratos. A contra-Igreja tem também a sua teologia, com 'doutores' e 'pontífices', com seus 'missionários', com sua magia que pretende operar a 'transubstanciação das ignorâncias', numa 'vontade geral', 'reta, inalterável e pura'. A contra-Igreja tem até os seus sacristãos e seus bedeis, seus objetos sagrados, figurados pelas urnas eleitorais e pelo fetiche do 'grande número'. O grande número é o número da besta do Apocalypse, o número 666: segundo Alberto o Grande e o Venerável Beda este é número da criação puramente material, o número da quantidade pura. A ditadura da quantidade, com suas sete cabeças e seus dez cornos que trazem o nome da blasfêmia.&lt;br /&gt;Satan dans la Cité constitui uma das mais terríveis críticas endereçadas à sociedade contemporânea e em particular à francesa. Fazendo constantes referências a obras demonológicas, tais como a de Simone Weil Connaissance surnturelle e o volume de Études carmélitaines sobre a ação satânica; apoiando-se em Encíclicas e na sua habitual erudição, Marcel de la Bigne Villeneuve consegue demonstrar que existe uma inteligência diabólica, nas maquinações, pacientemente urdidas, que têm conduzido o mundo ocidental à descristianização, o erro, à fraude, à heresia e que podem conduzi-lo a morte. As nações não são imortais como os indivíduos que podem purgar nesta ou na outra vida seus erros e seus crimes. As nações resgatam neste mundo mesmo os seus atentados; e a força do demônio sobre os homens e nações é tanto maior, quanto maior é a extensão dos seus pecados. Villeneuve mostra a obra do mal progredindo pela alão de dois tipos de filhos de Satanás: os "filhos legítimos" de Satanás que reivindicam abertamente sua origem e adotam sem reticências o programa da Contra Igreja. E os "filhos bastardos" de Satanás que pretendendo permanecer no seio da Igreja procuram conciliar Deus e o Diabo, a revolta e a Verdade e que parecem ficar na Igreja para melhor facilitar a entrada de Satanás. Os filhos bastardos de Satanás são os católicos transigentes, que desejariam unir os contrários, estabelecendo um sistema de vergonhosas concessões, em que, cada uma das partes cedem um pouco, em benefício duma suposta harmonia entre a virtude e o crime.&lt;br /&gt;Uma observação importante poderia ser feita sobre este livro: Villeneuve nos mostra aqui todo o satanismo da política liberal, que erige em face da Igreja uma Contra-Igreja.&lt;br /&gt;Mas o liberalismo político-econômico já não vigora e sim a sua consequência direta, que uma invasão cada vez mais insuportável do Estado em todas as esferas de atividade individual. O liberalismo, como obra de Satanás foi simples meio para chegar a um fim bem mais infernal, que é a centralização de todas as instituições, e de todos os poderes em Estado hipertrofiados e finalmente num Super-Estado Internacional, cuja infectação por Satã é a perdição de milhões de almas pela obra de um único poder maléfico. A ignorância mais infernal da nossa época é a ignorância dos princípios do direito natural e a sua substituição por esse direito positivo, em cujo corpo de leis cada vez mais numerosas transgridem a ordem divina do mundo. Já não é mais tempo de clamar contra a excessiva liberdade do indivíduo em face do Estado. Agora é tempo de clamar contra a excessiva liberdade do Estado em face do indivíduo; de tal sorte que a maior luta de nossa época é a luta pela preservação dos direitos da pessoa humana. Mas este não é um reparo e sim uma explicação feita à poderosa obra de Marcel de la Bigne Villeneuve, cuja leitura é extremamente recomendáveis a todos os políticos e com tanto mais razão a todos os católicos. Todas as formas de socialismo são formas de satanismo. E a doutrina da Igreja, tão bem defendida no Tratado Geral do Estado de Villeneuve, não é um meio termo entre capitalismo e comunismo e suma uma doutrina própria, original e autêntica, inteiramente distanciada do capitalismo e do comunismo. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6188930667042584149-7890386521409098957?l=reconquistabr.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reconquistabr.blogspot.com/feeds/7890386521409098957/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6188930667042584149&amp;postID=7890386521409098957' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/7890386521409098957'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/7890386521409098957'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reconquistabr.blogspot.com/2008/08/satan-dans-la-cit.html' title='Satan dans la Cité'/><author><name>Fernando Rodrigues Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16368448307317160453</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_6uSu6EByoPY/SjFpGEjjdoI/AAAAAAAAALU/_MCTy91mSS4/S220/fernandorodrigues.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6188930667042584149.post-5591449465994902162</id><published>2008-08-19T05:04:00.000-07:00</published><updated>2008-08-19T05:11:26.230-07:00</updated><title type='text'>Maritanismo Resistente</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Carlos Nougué&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Antes de prosseguir com o tema do pecado original (essencial para o entendimento correto do estado atual do homem e de sua ordenação segundo a economia da salvação), é preciso tratar, ainda que muito brevemente, do maritainismo, essa espécie de enfermidade que atingiu o tomismo e cujas seqüelas resistem a desaparecer. Expoente do movimento neotomista, o francês Jacques Maritain introduziu profunda e daninhamente no pensamento católico concepções de pessoa humana e de natureza totalmente equivocadas. Até um pensador como Gustavo Corção só no fim da vida, mais precisamente após o belo Dois Amores, Duas Cidades, atinou para os malefícios causados pelo maritainismo, e mesmo assim, como muitos tomistas, ainda acreditava num Maritain duplo: um tomista perfeitamente ortodoxo, e um tomista desvirtuado, como numa espécie de esquizofrenia intelectual. Isto é verdadeiro, mas só em parte, porque como demonstrou cabalmente o Pe. Julio Meinvielle (em De Lamennais a Maritain e Crítica a la concepción de Maritain sobre la persona humana) as referidas concepções já estavam presentes desde o início na obra de Maritain, ao menos em germe. Já estão plenamente desenvolvidas em Três Reformadores, embora ainda não causem todos os seus efeitos, como farão, mais tarde, em obras como Humanismo Integral. É bem verdade que de tais concepções partilhou o grande Pe. Garrigou-Lagrange, o qual, porém, logo renunciou a elas, enquanto Maritain as elevaria à máxima potência.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Resumamo-las aqui (já que logo as retomaremos bem mais extensamente): enquanto indivíduo, ou seja, enquanto membro de uma espécie, o homem está sujeito ao Estado e à Igreja, mas, enquanto pessoa, tem relação direta com Deus e sua intimidade (o que decorre, como veremos em outro artigo, de conferir ao homem atributos semi-angélicos). Ora, o corolário disso é preciso: reduzir a um mínimo a importância e o papel do Estado e da Igreja, e elevar a um máximo a liberdade de consciência individual, cuja santidade já não requererá, necessariamente, os meios que, todavia, como sempre disse o Magistério, só a Igreja (por instituição divina) pode ministrar em ordem à salvação de cada homem e ao fim último da multidão (“o fim da multidão não pode ser senão o mesmo fim de cada indivíduo que a compõe”, dizia Santo Tomás). Na verdade, tal visão não se distingue, fundamentalmente, das teses de um Marc Sangnier senão pelo fato de se reivindicar do tomismo, ainda que ao preço das maiores piruetas lógicas (Maritain era de fato um grande lógico, mas, como nem tudo o que é lógico é verdadeiro...). Com efeito, ela tem muito não só de liberal, como de comunista... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas importa dizer aqui que de tal visão decorre um entendimento completamente equivocado das artes e ciências. Sim, porque, se como natureza pessoal (quase angélica, como disse) o homem está em relação direta com Aquele que é propriamente a Supernatura e autor de todas as naturezas, então todas as nossas artes e ciências já estariam preordenadas a Deus pelo mero fato de ser humanamente naturais. Logo, uma obra de arte pode ser considerada boa e ordenada a Deus pelo simples fato de o artista tê-la feita segundo regras perfeitamente naturais. Como o tentará demonstrar erudita e “tomisticamente” Maritain em Art et Scolastique, mesmo poemas como Les fleurs du mal, de Baudelaire, seriam obras de arte boas, tendentes naturalmente a Deus e de seu agrado, pelo simples fato de serem “artisticamente” bem-feitas, e independentemente de se ordenarem, em verdade, a Satã... Absolutamente falso. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nada pode deixar de ordenar-se a Deus não enquanto é humanamente natural, mas enquanto tem de tender a Ele ou intencional e formalmente, ou pelo menos de modo não-contraditório – sempre como meio, como fim intermediário ordenado, mais ou menos diretamente, à Causa Final. Tudo isso, estou certo, se provará exaustivamente ao longo das séries escritas para este blog e nos demais trabalhos que tantas vezes já anunciei. Mas, por ora, fiquemos com uma voz da &lt;a href="http://contraimpugnantes.blogspot.com/2008/08/autoridade-e-autoridades.html"&gt;verdadeira autoridade&lt;/a&gt;: Pio XII. Lembremo-nos do artigo &lt;a href="http://contraimpugnantes.blogspot.com/2008/08/querem-um-esporte-reto-e-honrado.html"&gt;“Querem um esporte reto e honrado? Cumpram os mandamentos&lt;/a&gt;”: nele se viu o Papa exigir do próprio esporte, tão inferior à mesma arte, que se transformasse numa “quase ascese de virtudes humanas e cristãs” e se ordenasse, indubitavelmente, ao fim último do homem, a Deus: o esporte, assim como [atenção!] “toda e qualquer forma de atividade humana”, deve “aproximar o homem de Deus”. “Deve-se rejeitar, pelo contrário”, dizia ainda o Papa, “tudo quanto não conduz a tais fins [ou seja, o último e os intermediários], ou se afasta deles, ou sai do lugar que lhes é [devidamente] atribuído [na justa hierarquia dos fins]” (Esporte e Ginástica), exatamente, aliás, como no caso da música e da arte em geral.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em tempo 1: Vejam o que, tão contrariamente a Maritain, diz o Pe. Meinvielle: “a produção econômica ordena-se ao consumo; o consumo ordena-se à vida material do homem; a sua vida material, à sua vida espiritual; e esta, a Deus. Todas as coisas devem ser à medida do homem, e o homem [inteiro, acrescento] à medida de Deus” (em Concepción católica de la economia, 1936). É esta a base para tudo quanto venhamos a escrever aqui e alhures.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em tempo 2: Há algo que temos repetido insistentemente: a obra de arte que, embora conservando aspectos belos, não se ordene de algum modo ao fim último do homem é não só má em termos finalísticos, mas tem obrigatoriamente mescla de mais ou menos fealdade. Já veremos por quê.Em tempo 3: E terminemos, por hoje, com estas santas palavras: “Os prazeres do ouvido me haviam enredado e subjugado com particular tenacidade, mas Vós me desembaraçastes e livrastes” (Santo Agostinho, Confissões, X 33, 49).&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6188930667042584149-5591449465994902162?l=reconquistabr.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reconquistabr.blogspot.com/feeds/5591449465994902162/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6188930667042584149&amp;postID=5591449465994902162' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/5591449465994902162'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/5591449465994902162'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reconquistabr.blogspot.com/2008/08/maritanismo-resistente.html' title='Maritanismo Resistente'/><author><name>Fernando Rodrigues Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16368448307317160453</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_6uSu6EByoPY/SjFpGEjjdoI/AAAAAAAAALU/_MCTy91mSS4/S220/fernandorodrigues.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6188930667042584149.post-7038837658562994231</id><published>2008-08-19T04:45:00.000-07:00</published><updated>2008-08-19T04:46:45.741-07:00</updated><title type='text'>Sobre a Necessidade de uma Fé mais Profunda</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;strong&gt;Reg. Garrigou-Lagrange, O.P.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;Deve-se, desde o início, falar da necessidade de uma fé mais profunda, por causa dos perigos provindos de erros gravíssimos, atualmente espalhados pelo mundo, e por causa da insuficiência dos remédios a que freqüentemente recorremos contra eles.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Os perniciosos erros que se espalham pelo mundo, tendem à descristianização completa dos povos. Ora, isto começa com a renovação do paganismo no século XVI, ou seja, com a renovação da soberba e da sensualidade pagã entre cristãos. Este declínio avançou com o protestantismo, por sua negação do Sacrifício da Missa, do valor da absolvição sacramental e, por conseqüência, da confissão; por sua negação da infalibilidade da Igreja, da Tradição ou Magistério, e da necessidade de se observar os preceitos para a salvação. Em seguida, a Revolução francesa lutou manifestamente para a descristianização da sociedade, conforme os princípios do Deísmo e do naturalismo — isto é: se Deus existe, não cuida das pessoas individuais, mas somente das leis universais. O pecado, por estes princípios, não é uma ofensa à Deus, mas apenas um ato contra a razão, que sempre evolui; assim, considerava-se o furto como pecado enquanto se admitia o direito à propriedade individual; porém, se a propriedade individual é, como dizem os comunistas, contrário ao que se deve à comunidade, nesse caso, é a própria propriedade individual que é furto.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Em seguida, o espírito da revolução conduziu ao liberalismo que, por sua vez, queria permanecer numa meia altitude entre a doutrina da Igreja e os erros modernos. Ora, o liberalismo nada concluía; não afirmava, nem negava, sempre distinguia, e sempre prolongava as discussões, pois não podia resolver as questões que surgiam do abandono dos princípios do cristianismo. Assim, o liberalismo não era suficiente para agir, e após ele veio o radicalismo mais oposto aos princípios da Igreja, sob a capa de “anticlericalismo”, para não dizer anticristianismo. Assim, os maçons. O radicalismo, então, conduziu ao socialismo e o socialismo, ao comunismo materialista e ateu, como agora na Rússia, e quis invadir a Espanha e outras nações negando a religião, a propriedade privada, a família, a pátria, e reduzindo toda a vida humana à vida econômica como se só o corpo existisse, como se a religião, as ciências, as artes, o direito fossem invenções daqueles que querem oprimir os outros e possuir toda propriedade privada.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Contra todas essas negações do comunismo materialista, só a Igreja, somente o verdadeiro Cristianismo ou Catolicismo pode resistir eficazmente, pois só ele contém a Verdade sem erro.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Portanto, o nacionalismo não pode resistir eficazmente ao comunismo. Nem, no campo religioso, o protestantismo, como na Alemanha e na Inglaterra, pois contém graves erros, e o erro mata as sociedades que nele se fundam, assim como a doença grave destrói o organismo; o protestantismo é como a tuberculose ou como o câncer, é uma necrose por sua negação da Missa, da confissão, da infalibilidade da Igreja, da necessidade de observar os preceitos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O que, pois, se segue dos erros citados no que diz respeito à legislação dos povos? Esta legislação torna-se paulatinamente atéia. Não somente desconsidera a existência de Deus e a lei divina revelada, tanto positiva como natural, mas formula várias leis contrárias à lei divina revelada, por exemplo, a lei do divórcio e a lei da escola laica, que termina por tornar-se atéia, nos três graus: escolas primárias, liceus ou ginásios e universidades, nas quais freqüentemente reduz-se a religião à história mais ou menos racionalista das religiões, na qual o cristianismo somente aparece como no modernismo, como uma forma agora mais alta da evolução de um senso religioso que sempre muda, de modo que nenhum dogma seria imutável nem imutáveis os preceitos; por fim, vem a liberdade total de cultos ou religiões, e da própria impiedade ou irreligião. Ora, as repercussões destas leis em toda sociedade são enormes; tome, por exemplo, a repercussão da lei do divórcio: qualquer que seja o ano, qualquer que seja a nação, milhares de famílias são destruídas pelo divórcio e deixam sem educação, sem direção, crianças que terminam por se tornar ou incapazes, ou exaltadas, ou más, por vezes, péssimas. Do mesmo modo, saem da escola atéia, todos os anos, muitos homens ou cidadãos sem nenhum princípio religioso. E portanto, em lugar da fé, da esperança e da caridade cristã, têm eles a razão desordenada, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos, o desejo de riqueza e a soberba de vida. Todas essas coisas são erigidas em um sistema especial materialista, sob o nome de ética laica ou independente, sem obrigação e sanção, na qual às vezes remanesce algum vestígio do decálogo, mas um vestígio sempre mutável. Se, porém, os efeitos  dolorosíssimos destes erros perniciosos ainda não aparecem claramente na primeira geração, na terceira, quarta e quinta se manifestam segundo a lei da aceleração na queda. — É como na aceleração da queda dos corpos: se numa 1a. etapa da descida, a velocidade é como que 20, numa 5ª será como que 100. E isto se contrapõe ao progresso da caridade, que, segundo a parábola do semeador, é por vezes 30, 50, 100 para um.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;É a verdadeira descristianização ou apostasia das nações. E isto foi exposto justamente na longa epístola do grande católico espanhol Donoso Cortes escrita ao Cardeal Fornari para que a apresentasse à Pio IX; o título dela é: Sobre o princípio generativo dos graves erros hodiernos (trinta páginas) e Discurso sobre o estado atual da Europa (1830). Cf. Opera do mesmo autor 5 vol. Madrid 1856: trad. Fr, 1862, t. II, p 221, ss; t. I, p 399; trad. It. 1861. Em seguida, a mesma série de erros foi exposta no Silabo de Pio IX, 1861 (Dz. 1701).&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O princípio destes erros é: Se Deus existe, não cuida das pessoas individuais, mas somente, das leis universais. Daí o pecado não ser uma ofensa contra Deus, mas somente contra a razão, que sempre evolui. Disto segue que não existiu o pecado original, nem a Encarnação Redentora, nem a graça regenerativa, nem os sacramentos que causam a graça, nem o sacrifício e, por isso, não é útil o sacerdócio, nem é útil a oração.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;No fundo, o Deísmo não parece verdadeiro, pois se os homens individualmente não precisam de Deus, porque se admitiria que Deus existe no céu? É preferível admitir que Deus se faz na humanidade, que é a tendência mesma ao progresso, à felicidade de todos, sobre a qual falam o socialismo e o comunismo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Portanto, qual é, segundo este princípio, o modo de discernir o falso do verdadeiro? O único modo é a livre discussão, no parlamento ou em algum outro lugar, e esta liberdade é, portanto, absoluta, nada pode ser subtraído à sua jurisdição, nem a questão do divórcio, nem a necessidade da propriedade individual, nem a da família ou da religião para os povos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Assim, a discussão fica libérrima, como se não existisse a Revelação divina; se se objeta, por exemplo, que o divórcio é proibido no Evangelho, isto pouco importa.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Destas coisas nascem, como é patente, grandes perturbações, inúmeros abortos, crimes, e não se encontra remédio, senão o de aumentar cada vez mais a polícia ou o exército.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mas, a polícia obedece àqueles que estão no poder e não raro, depois destes, vêm seus adversários e ordenam o contrário. De outra parte, tendo-se suprimido a propriedade privada, suprime-se, de modo geral, o patriotismo, que é como a alma do exército.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Donde estes remédios não serem suficientes para conservar a ordem e evitar as graves e intermináveis perturbações, pois não mais se admite a lei divina, e nem a lei natural escrita por Deus em nossos corações (E tudo isso é uma demonstração per absurdum da existência de Deus.)&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Neste caso, é para se concluir com Donoso Cortes que estas sociedades, fundadas sobre princípios falsos ou sobre uma legislação atéia, tendem para a morte. Nelas, com o auxílio da graça, as pessoas individuais podem ainda se salvar, mas estas sociedades, como tais, tendem para a morte, pois o erro, sobre o qual se fundam, mata, como a tuberculose ou o câncer que, progressiva e infalivelmente, destrói nosso organismo. — Só a fé cristã e católica pode resistir a estes erros, e tornar a cristianizar a sociedade, mas, para isso, requer-se uma condição, uma fé mais profunda, conforme a Escritura: « Esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé. » (1 Jo 5, 4).&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(De Sanctificatione Sacerdotum, intro., tradução: PERMANÊNCIA)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6188930667042584149-7038837658562994231?l=reconquistabr.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reconquistabr.blogspot.com/feeds/7038837658562994231/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6188930667042584149&amp;postID=7038837658562994231' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/7038837658562994231'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/7038837658562994231'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reconquistabr.blogspot.com/2008/08/sobre-necessidade-de-uma-f-mais.html' title='Sobre a Necessidade de uma Fé mais Profunda'/><author><name>Fernando Rodrigues Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16368448307317160453</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_6uSu6EByoPY/SjFpGEjjdoI/AAAAAAAAALU/_MCTy91mSS4/S220/fernandorodrigues.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6188930667042584149.post-2152577482159546301</id><published>2008-08-13T11:12:00.000-07:00</published><updated>2008-08-13T11:19:10.510-07:00</updated><title type='text'>A Plutocracia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;ALFREDO PIMENTA [Guimarães, 1882 - Lisboa, 1950]&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Polígrafo da primeira metade do século XX (o seu primeiro livro data de 1904 e os seus últimos escritos são do ano da sua morte), versou variados gêneros, desde a poesia à política, da filosofia à história, do ensaio à critica literária, filosófica, histórica, deixando vastíssima bibliografia numa escrita primorosa de clareza e rigor.&lt;br /&gt;Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra (1908), continuou ao longo da vida a sua formação intelectual, iniciada já antes do freqüentar a Universidade. A sua vasta biblioteca, doada em 1970 pelos filhos à Fundação Calouste Gulbenkian, constitui a prova material desta intensa atividade intelectual.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; «... A Democracia é o regime próprio do século XIX — o século das mistificações.» «... Para não alongar mais a lista — o século XIX foi o século da Democracia, o século do Voto omnipotente e omnisciente, o século da Urna Sagrada e Virtuosa, o século do Sufrágio Universal Soberano — em boa linguagem portuguesa, o século do «carneiro com batatas».Que era a Democracia? A Democracia era o Governo do povo pelo povo, era a felicidade do povo, era o Pô-ô-vo! Era, na cabeça dos imbecis que lhe proclamavam a excelência. Mas na realidade pura, na realidade inegável, indiscutível, a Democracia foi tão somente o Governo dos Ricos, o domínio do Dinheiro. No antigo regime, valia a Nobreza, valia a Inteligência, valia a Coragem, valia o Serviço, valia o Sacrifício. O Dinheiro só por si não valia.O Dinheiro só por si não forçava os Paços dos Reis, nem as Secretarias do Estado. Foi a Revolução Francesa — amálgama de todos os vícios, de todas as ambições corruptas, de todos os pecados, de todas as misérias: — foi a Revolução Francesa que desvalorizou a Nobreza, a Inteligência, a Coragem, o Serviço e o Sacrifício, para valorizar exclusivamente o Dinheiro. No antigo regime, havia um regulador de valores — o Rei.»«... A Revolução Francesa fez do Dinheiro a escada segura para todas as ambições. Diante do Dinheiro, não há barreiras, não há impossíveis. Vale-se não o que se vale, mas o que se tem. Quem governa hoje o mundo? A Banca. E quem deu à Banca o governo do mundo?A Revolução Francesa. A Democracia é, pois, o governo do Dinheiro. Quem tem dinheiro compra. Há milhares de maneiras de comprar. E como a Democracia é o regime das opiniões, há que comprar as opiniões. Quem mais dinheiro tem, melhor e mais opiniões compra.»«... Os actos essenciais da Democracia chamam-se eleições. As eleições custam muito dinheiro. Há chefe eleitoral que gasta muitos contos de réis para ganhar as suas eleições. O resultado do acto eleitoral é uma função do Dinheiro. É o Dinheiro que põe no mesmo nível o Génio e o Imbecil, o Criminoso e o Virtuoso — pois que no seio farto da Urna, tanto vale o voto do sr. Gomes Teixeira, como o do Menino do Castelo, e tanto significa o voto de S. Francisco de Assis como o do chefe da Legião Vermelha. Ao homem de talento que vive, pobremente, na mansarda pobre, todas as atenções são regateadas, mas o idiota que vive no seu Palácio de luxo, vê abrirem-se-lhe todas as portas, e vê-se cheio de todas as honras. Ao homem de talento a quem as dificuldades da vida sujeitam às mais duras provas — não se lhe celebram as virtudes, mas aqueles que ignoram o que sejam dificuldades da vida, a esses seguem-nos hinos e apoteoses. Dizia-me uma vez uma das mais altas inteligências portuguesas que opiniões era um luxo que só os ricos se podiam permitir.A Democracia desaparecerá — porque a Inteligência, o Espírito, a Honra, a Coragem, o Serviço, o Sacrifício, e o que resta da Nobreza estão em revolta — indignando-se o predomínio ultrajante do Dinheiro. A Democracia faliu, porque se averiguou que o governo do Dinheiro faliu. Ele não deu a felicidade aos Povos: arrastou-nos para um baixo e hediondo materialismo. Há que regressar a um regime de hierarquias de valores organizados — sob a acção de um regulador desinteressado: o Rei. Há que fechar o ciclo da Revolução Francesa, o ciclo da Democracia. O Dinheiro é um elemento de troca: não pode ser de modo nenhum um critério de governo.»«... Há muita gente que vive apoquentada com a influência da alta Finança, e que atribui todos os nossos males à Finança. Há um grande fundo de verdade nisto.Estamos, efectivamente, em regime plutocrata, — agora acentuadíssimo, depois que a República se proclamou. Disse, no meu último artigo, que a Revolução Francesa, instaurada a Democracia, instaurou o regime do Dinheiro. Hoje, é o Dinheiro que governa — mas não só no Estado: principalmente, talvez, na vida social. E é desta que ele atinge aquele. A Democracia substituiu a moral antiga, cristã, espiritual, pela moral material do Dinheiro. Estes, os factos. E toda a gente que me lê me dá razão.»«... O mal do dinheiro está sob o ponto de vista agora considerado em ele ser agente de corrupção política. E é-o sempre que intervém como Dinheiro, fazendo pesar o seu valor, na direcção dos negócios do Estado.Quando um homem é ministro pelo seu dinheiro, que não pela sua inteligência e pela sua competência; quando um homem é deputado, pelo seu dinheiro, que não pelas suas aptidões e pelo seu alto saber; quando um homem é um alto funcionário público, director de uma gazeta política, chefe de um Partido ou seu elemento preponderante, pelo dinheiro que tem, e não pelas suas qualidades intelectuais; quando um homem é escutado e lisonjeado pelos poderes do Estado, só pelo dinheiro que possui; quando um Estado e uma Sociedade se deixam cegar pelo poder do dinheiro, fazendo dele a sua aspiração fundamental e subordinando-lhe todos os valores intelectuais e espirituais — então, sim, então estamos em Plutocracia, a qual só é possível verdadeiramente na Democracia.Vejamos. Em Democracia, quem faz o Presidente da República, e os Ministros? É o Parlamento. E quem faz o Parlamento?São os influentes eleitorais. Ora há duas espécies de influentes eleitorais: os que têm a influência que lhes dá o Poder central, de quem são serventuários, e os que têm influência própria. Os primeiros são muito poucos, e a sua influência é muito instável. Os que caracterizam o fenómeno são os segundos. Ora, por via de regra, os influentes da segunda categoria devem a sua influência ao dinheiro que dispõem. As eleições são operações muito caras. Para as ganhar, é preciso gastar muito dinheiro. Resulta daqui que as ganham os mais ricos, e contra os ricos não há eleição que vingue. Nas épocas eleitorais — é um ror de subscrições que se abrem. Pede-se dinheiro em altos berros, porque sem dinheiro, assim se proclama, não há eleição possível. Logo, quem faz o Parlamento? É o Dinheiro. E quem faz os Ministros e o Presidente da República? É o Dinheiro. «... Em regime de opinião, quem quer opiniões, compra-as. A Democracia é o regime de opinião. É o regime das opinião compradas.É por isso que nós nos batemos por um regime anti-democrático, que será, portanto, anti-plutocrático, que será o contrário dos regimes de opinião. Nós queremos um regime em que o critério da Administração seja o do Interesse nacional, um regime em que o Dinheiro exerça as suas funções legítimas — a pessoal e a social - e não tenha ambiente para exercer função política. Nós queremos um regime em que o Poder fixo do Estado esteja superior às opiniões e seja efectivamente soberano, e reine e governe — ponto de concentração e harmonia de todos os interesses. Nós queremos um regime que não seja, como o democrático, o regime da Nota de Banco. Não há exemplo na História de um Rei jungido ao poder do Dinheiro; como não há na História exemplo de Democracia que não tenha o culto do Dinheiro. Democracia e Plutocracia equivalem-se.»«...O regime de opinião é a anarquia ou a mentira. Numa campanha eleitoral, todos são corruptores ou mentirosos — para todos prometem o mais que podem, fartos de saber que não darão nada. No dia em que o povo se convencer de que anda permanentemente enganado, e de que o único regime político que lhe convém é aquele em que trabalhe e unicamente trabalhe — nesse dia, o povo pondo termo ao ludíbrio de que anda sendo vítima, reencontra o caminho da sua prosperidade.»&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;Por Alfredo Pimenta: in: Fontes Medievais da História de Portugal. Volume I: Anais e Crónicas, 1948 ; 1982&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6188930667042584149-2152577482159546301?l=reconquistabr.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reconquistabr.blogspot.com/feeds/2152577482159546301/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6188930667042584149&amp;postID=2152577482159546301' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/2152577482159546301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/2152577482159546301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reconquistabr.blogspot.com/2008/08/plutocracia.html' title='A Plutocracia'/><author><name>Fernando Rodrigues Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16368448307317160453</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_6uSu6EByoPY/SjFpGEjjdoI/AAAAAAAAALU/_MCTy91mSS4/S220/fernandorodrigues.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6188930667042584149.post-8940695706373124185</id><published>2008-08-13T11:07:00.000-07:00</published><updated>2008-08-13T11:12:31.937-07:00</updated><title type='text'>O sentido cristão da história. Dom Prósper Guéranger</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;Apresentação&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Pe. João Batista de Almeida Prado Ferraz Costa&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Com prazer apresentamos aos leitores de língua portuguesa a nossa tradução (ao que nos consta inédita no Brasil) do importante e sempre atual texto de Dom Prosper Guéranger O sentido cristão da história. Dom Guéranger (1805-1875) foi um célebre religioso beneditino francês, restaurador da Ordem de São Bento na França após a Revolução Francesa e abade da famosa Abadia de Solesmes. Sua formação intelectual desenvolveu-se sob a influência dos escritores católicos tradicionalistas e românticos do século XIX, merecendo especial menção Felicite de La Mennais (o primeiro La Mennais) e Chateaubriand.&lt;br /&gt;Deve-se recordar que tal ambiente cultural sofria a deficiência de uma sólida metafísica que permitisse uma visão mais clara e rigorosa da realidade e dos problemas do mundo nascido da Revolução Francesa. Essa fundamentação filosófica só viria mais tarde com a renovação dos estudos tomistas propiciada pela encíclica Aeterni Patris de Leão XIII. Não obstante, o trabalho produzido pelos chamados apologistas católicos contra-revolucionários não deve ser menosprezado. Esses autores tiveram o mérito de apontar erros graves da ideologia revolucionária e o perigo de os católicos se deixarem contaminar.&lt;br /&gt;No caso da obra de Dom Guéranger, cujo primeiro capítulo ora traduzimos, chama-nos a atenção o discernimento do autor quanto às diversas concepções da história, mostrando a necessidade de evitar uma visão naturalista ou humanitarista da história, que poderiam seduzir mais facilmente um espírito católico menos prevenido que uma concepção da história abertamente fatalista ou materialista. Dom Guéranger sublinha desde o início que sem o elemento sobrenatural é impossível compreender o drama da história e cita diversos autores pagãos da Antigüidade que corroboram de alguma forma sua tese. Para ele, Cristo é o Senhor absoluto da história, todos os acontecimentos, todas as vicissitudes no transcorrer dos séculos se encadeiam e ordenam para o fim último do plano divino da Criação, a saber a salvação do eleitos pelo sacrifício do Filho de Deus feito Homem.&lt;br /&gt;Como se vê, afirmando o elemento sobrenatural, Dom Guéranger estabelece a lei fundamental da história. Humanamente não se explicam certos acontecimentos históricos que superam as forças físicas e os fatores econômicos. Há uma Providência que conduz a história; há também a liberdade humana capaz de colaborar com a graça ou de a ela opor-se. Na história se dá o mesmo que na vida de cada homem. Assim como o homem pode julgar suas próprias ações como ordenadas ou não a seu fim último sobrenatural, assim também pode julgar os grandes fastos como frutos da sua colaboração com a graça para a realização do plano salvífico ou produtos da sua soberba de querer realizar na terra um reino independente de Deus.&lt;br /&gt;Dessa forma, Dom Guéranger tira conseqüências práticas da vida espiritual para a tarefa do católico filósofo da história. Lendo esse belo texto de Dom Guéranger, o católico vê como é tacanha e ridícula a concepção marxista da história e se enche de entusiasmo pelo ideal de trabalhar para o reino de Cristo na história, pois se convence de que o tempo é dado à família humana para buscar a salvação eterna e, por maior que seja a malícia do homem que se deixa enredar pelo príncipe deste mundo e por frustrantes que sejam as derrotas dos homens de bem humilhados muitas vezes por aqueles que "fazem a história", é no tempo que o homem se santifica ou se perde, mas o plano de Deus se cumpre e o resultado final será feliz. A história é, à luz da fé, um prolongamento da obra da Criação. Se não fosse boa, se não tivesse razão de ser, se não estivesse ordenada a um fim, se o Filho de Deus não fosse o seu herói, Deus não a manteria na sucessão dos séculos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;O SENTIDO CRISTÃO DA HISTÓRIA&lt;br /&gt;Dom Guéranger&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capítulo I&lt;br /&gt;O sobrenatural na história&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Assim como, para o cristão, a filosofia separada da fé não existe, assim também, para ele, não existe história puramente humana. O homem foi divinamente chamado para o estado sobrenatural; este estado é o fim do homem; os anais da humanidade devem oferecer um traço dessa realidade. Deus podia deixar o homem no estado natural; aprouve a sua bondade chamá-lo a uma ordem superior, comunicando-se a ele, e chamando-o, por fim, à visão e a possessão da sua divina essência; a fisiologia e a psicologia naturais são ineptas para explicar o homem em seu destino. Para o fazer completamente e exatamente, é mister recorrer à revelação, e toda a filosofia que, abstraindo a fé, pretende determinar apenas pela razão o fim do homem, é, portanto, acoimada de heterodoxia. Somente Deus podia ensinar ao homem pela revelação tudo que está realmente no plano divino; só na revelação se acha a chave do verdadeiro sistema do homem. Sem dúvida a razão pode, em suas especulações, analisar os fenômenos do espírito, da alma e do corpo, mas justamente porque ela não pode captar o fenômeno da graça que transforma o espírito, a alma e o corpo, para uni-los a Deus de uma maneira inefável, ela não está em condições de explicar plenamente o homem tal como é, seja quando a graça santificante habitando-o faz dele um ser divino, seja quando esse elemento sobrenatural repelido pelo pecado, ou não tendo ainda penetrado, o homem se acha abaixo de si mesmo.&lt;br /&gt;De maneira que não há, nem pode haver verdadeiro conhecimento do homem, fazendo-se abstração do dado da revelação. A revelação sobrenatural não era necessária em si mesma: o homem não tinha nenhum direito a ela; mas desde que Deus a deu e promulgou, a natureza só não basta para explicar o homem. A graça, a presença ou ausência da graça, entram em primeira linha no estudo antropológico. Não há em nós uma faculdade que não seja chamada a ter um complemento divino; a graça aspira a percorrer o homem inteiro, a fixar-se nele em todos os graus; e é a fim de que nada falte a essa harmonia do natural e do sobrenatural nessa criatura privilegiada, que o Homem-Deus instituiu seus sacramentos que a arrebatam, elevam, deificam, desde o momento do nascimento até os umbrais da eternidade, do bem supremo que ela já possuía, mas que ela não podia perceber senão pela fé.&lt;br /&gt;Mas se o homem não pode ser conhecido inteiramente sem o auxílio da luz revelada, presume-se que a sociedade humana, em suas diversas fases que se chama história, possa ser explicável se não se recorre a essa mesma luz que nos ilumina sobre nossa natureza e nosso destino individuais? A humanidade teria porventura outro destino diferente do homem? A humanidade seria então algo diverso do homem multiplicado? Não. Chamando o homem à união divina, o Criador convida igualmente a humanidade. Vê-lo-emos bem no último dia quando de todos esses milhares de indivíduos se formar á direita do soberano juiz, esse povo imenso, "que é impossível contar, diz-nos São João (Apoc. VII, 9). Entrementes, a humanidade, quero dizer, a história é o grande teatro sobre o qual a importância do elemento sobrenatural se manifesta à luz do dia, seja que pela docilidade dos povos à fé ele domina as tendências baixas e perversas que se fazem sentir nas nações como nos indivíduos, seja que ele arrefeça e pareça extinguir-se pelo mau uso da liberdade humana, que seria o suicídio dos impérios, se Deus não os tivesse criado "restauráveis" (Sab. I, 14).&lt;br /&gt;Por conseguinte, a história deve ser cristã, se ela quer ser verdadeira; pois o cristianismo é a verdade completa; e todo sistema histórico que faz abstração da ordem sobrenatural na exposição e apreciação dos fatos é um sistema falso que não explica nada e deixa os anais da humanidade em um caos e contradição permanente com todas as idéias que a razão concebe acerca dos destinos da nossa espécie na terra. É justamente porque o sentiram, que os historiadores dos nossos dias que não têm a fé cristã se deixaram arrastar a estranhas idéias, quando quiseram fazer o que chamam filosofia da história. Essa necessidade de generalização , não existia no tempo do paganismo. Os historiadores dos gentios não tiveram uma visão de conjunto sobre os anais da humanidade. A idéia de pátria é tudo para eles, e não se percebe jamais uma preocupação do narrador, por menor que seja, com relação ao gênero humano considerado em si mesmo. De resto, é somente a partir do cristianismo que a história começou a ser tratada de maneira sintética; o cristianismo, conduzindo sempre o pensamento aos destinos sobrenaturais do gênero humano, acostumou nosso espírito a ver além do círculo estreito do egoísmo nacionalista. É em Jesus Cristo que se revelou a fraternidade humana e, desde então, a história geral tornou-se um objeto de estudo. O paganismo não teria podido jamais escrever senão uma fria estatística dos fatos, se ele estivesse em condições de escrever de uma maneira completa a história universal do mundo. Ainda não se fez notar suficientemente: a religião cristã criou a verdadeira ciência histórica, dando-lhe por base a Bíblia, e ninguém pode negar que hoje, a despeito das lacunas, estamos mais avançados no conhecimento dos povos da Antigüidade do que o foram os historiadores que essa mesma antigüidade nos legou.&lt;br /&gt;Os narradores não cristãos do XVIII e do XIX séculos emprestaram, pois, ao método cristão o modo de generalização; mas dirigiram-no contra o sistema ortodoxo. Eles sentiram com argúcia que, dominando a história e colocando-a a serviço de suas idéias, aplicavam o duro golpe ao princípio sobrenatural; tanto é verdade que a história testemunha a favor do cristianismo. O sucesso desses historiadores foi enorme sob esse aspecto; nem todos têm a capacidade de perceber um sofisma; mas todos compreendem um fato, um encadeamento de fatos, sobretudo quando o historiador conhece esse acento particular que cada geração exige daqueles aos quais ela concede o privilégio de encantá-la. Três escolas exploraram sucessivamente e às vezes simultaneamente o campo da história. A escola fatalista, a que chamaríamos atéia, a qual não vê senão a necessidade nos acontecimentos, e mostra a espécie humana prisioneira do invencível encadeamento de causas brutais seguidas de inevitáveis efeitos. A escola humanista que se prostra diante do ídolo do gênero humano, cujo desenvolvimento progressivo, apoiado nas revoluções, filosofias, religiões ela proclama. Essa escola consente facilmente em admitir a ação de Deus, ao início, como tendo dado princípio à humanidade; mas a humanidade uma vez emancipada, Deus a deixou fazer seu caminho, e ela avança pela via de uma perfeição indefinida, despojando-se em seu percurso de tudo que poderia fazer obstáculo à sua marcha livre e independente. Enfim, temos a escola naturalista, a mais perigosa das três, porquanto apresenta uma aparência de cristianismo, proclamando em cada página a ação da Providência divina. Essa escola tem por princípio fazer constantemente abstração do elemento sobrenatural; para ela, a revelação não existe, o cristianismo é um incidente feliz e benfazejo no qual aparece a ação de causas providenciais: mas quem sabe se amanhã, se em um século ou dois, os recursos inesgotáveis que Deus possui para o governo do mundo, não conduzirão a outra forma mais perfeita ainda, com a ajuda da qual se verá o gênero humano correr, sob o olhar de Deus, em demanda de novos destinos, e iluminar-se a história de um esplendor mais vivo?&lt;br /&gt;Afora essas três escolas só resta a escola cristã. Esta não procura nada, não inventa nada e não hesita. Seu procedimento é simples: consiste em julgar a humanidade, como ela julga o homem individual. Sua filosofia da história está baseada na fé. Ela sabe que o Filho de Deus feito homem é o rei desse mundo, que "todo poder lhe foi dado no céu e na terra" (MT. XXVIII, 18). O advento do Verbo Encarnado é para ela o ponto culminante dos anais humanos; é por isso que ela divide a duração da história em duas grandes partes: antes de Cristo, depois de Cristo. Antes de Jesus Cristo, numerosos séculos de espera: após Cristo, uma duração cujo segredo nenhum homem conhece, por que nenhum homem conhece a hora do nascimento do último eleito; por que o mundo não se conserve senão para os eleitos que são a causa da vinda do Filho de Deus encarnado. À luz desse dado certo de uma certeza divina, a história não tem mais mistérios para o cristão. Se ele volta seus olhos para o período que escoou antes da Encarnação do Verbo, tudo se explica a seus olhos. O movimento das diversas raças, a sucessão dos impérios é o caminho aberto pela passagem do Homem-Deus e dos seus profetas; a depravação, as trevas, as calamidades inauditas são sinais da necessidade premente da humanidade de ver Aquele que é ao mesmo tempo Salvador e Luz do mundo; não que Deus haja condenado à ignorância e ao castigo esse primeiro período da humanidade; longe disso, os recursos lhe foram assegurados; a esse período pertenceu Abraão, o pai de todos os crentes do futuro; mas é justo que a maior efusão da graça se tenha dado pelas mãos divinas Daquele sem o qual ninguém pode ser justo, seja antes, seja depois da sua vinda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Messias chega, e a humanidade, cujo progresso estava estagnado, lança-se na via da luz e da vida; o historiador cristão segue melhor ainda os destinos da sociedade humana nesse segundo período onde todas as promessas são cumpridas. Os ensinamentos do Homem-Deus revelam-lhe com uma soberana clareza o modo de apreciação que ele deve empregar para julgar os acontecimentos, sua moralidade e alcance. Só há uma medida, quer se trate de um homem ou de um povo. Tudo que exprime, mantém ou propaga o elemento sobrenatural é socialmente útil e vantajoso; tudo que o contradiz, debilita ou nega é socialmente funesto. Por esse procedimento infalível, ele tem inteligência do papel dos homens de ação, dos acontecimentos, das crises, das transformações, das decadências; ele sabe de antemão que Deus age em sua bondade, ou permite em sua justiça, mas sempre sem revogar seu plano eterno, que é o de glorificar seu Filho na humanidade.&lt;br /&gt;Mas o que torna sempre mais firme e mais serena a reflexão do historiador cristão é a certeza que lhe dá a Igreja que marcha diante dele como uma coluna luminosa e alumia divinamente todo os seus juízos. Ele sabe que vínculo estreito une a Igreja ao Homem-Deus, como ela é assegurada por sua promessa contra todo erro no ensinamento e na direção geral da sociedade cristã, como o Espírito Santo a anima e conduz; é, pois, nela que ele buscará o critério dos seus juízos. As fraquezas dos homens da Igreja, os abusos temporais não o escandalizam, por que ele sabe o Pai de família houve por bem tolerar o joio em seu campo até a ceifa. Se ele deve narrar, ele não omitirá os tristes episódios que testemunham as paixões da humanidade e atestam ao mesmo tempo a força do braço de Deus que sustenta sua obra; mas ele sabe onde se manifesta a direção, o espírito da Igreja, seu instinto divino. Recebe-os, aceita-os, confessa-os corajosamente; aplica-os em seu trabalho de historiador. Igualmente, nunca trai, nunca sacrifica; diz que é bom o que a Igreja julga bom, mau o que a Igreja julga mau. Que lhe importam os sarcasmos, as chacotas dos covardes medíocres? Ele sabe que está com a verdade por que está com a Igreja e que a Igreja está com Cristo. Outros não quererão ver senão o lado político dos acontecimentos, voltarão ao critério pagão; ele ficará firme, por que está seguro de não se enganar.&lt;br /&gt;Se hoje as aparências parecem ser contra seu julgamento, ele sabe que amanhã , os fatos cujo alcance ainda não se revelou, darão razão à Igreja e a ele. Essa posição é modesta, concedo; mas gostaria de sabe que garantias comparáveis têm a apresentar o historiador fatalista, o historiador humanitarista, o historiador naturalista. Eles emitem previamente seu juízo pessoal: cada um tem, então, o direito de dar-lhes as costas. Para chegar ao historiador cristão, é necessário antes demolir a Igreja sobre a qual ele se apóia. É verdade que há dezenove séculos que os tiranos e filósofos trabalham para isso; mas suas muralhas são tão solidamente construídas que até hoje não puderam arrancar-lhe uma pedra sequer.&lt;br /&gt;Mas se nosso historiador se aplica a buscar e a assinalar, na seqüência dos acontecimentos desse mundo, o vínculo que liga de perto ou de longe cada um deles ao princípio sobrenatural, com mais forte razão evitará ele calar, dissimular, atenuar os fatos que Deus produz fora da conduta ordinária, e têm por fim certificar e tornar mais palpável ainda o caráter maravilhoso das relações que ele fundou entre si mesmo e a humanidade. Inicialmente, há três grandes manifestações do poder divino e dão pelo milagre um sinete divino aos destinos do homem sobre a terra. O primeiro desses fatos é a existência e o papel do povo judeu no mundo. O historiador não pode abster-se de frisar a aliança que Deus primeiramente estabeleceu com esse pequeno povo, os prodígios inauditos que o distinguiram; a esperança da humanidade depositada no sangue de Abraão e Davi, a missão conferida a essa raça frágil e desprezada de conservar o conhecimento do verdadeiro Deus e os princípios da moral, em meio à defecção sucessiva de quase todos os povos; as migrações de Israel para o Egito primeiro, mais tarde para o centro do império assírio, sempre à medida que o teatro dos negócios humanos se altera e se estende; de sorte que à véspera do dia em que Roma, herdeira momentânea dos outros impérios, vai ser rainha e senhora da maior parte do mundo civilizado, o judeu a terá precedido por toda parte; ele estará lá com seus oráculos traduzidos doravante na língua grega; ele será conhecido de todos os povos, isolado, infusível, sinal de contradição, mas dando diariamente testemunho da chegada cada vez mais próxima daquele que deve unir todas as nações e "reunir em um só corpo os filhos de Deus até então dispersos" (São João XI, 52).&lt;br /&gt;Essa influência milagrosa do povo judeu que foge a todas a leis ordinárias da história, o narrador a fará ver com prazer através das profecias confiadas a esse povo, as quais não são apenas para nós uma luz do passado, mas inquietaram tão vivamente os gentios, durante os séculos que precederam e seguiram a vinda do Filho de Deus. Cícero havia ouvido dela um eco quando falou, com uma espécie de terror misterioso, do novo império que se preparava; Virgílio, no mais harmonioso dos seus cânticos, repete os acentos de Isaias; Tácito e Suetônio atestam que o universo inteiro se volta, com expectativa, para a Judéia, e que o pressentimento geral é de ver chegar desse país homens que vão fazer a conquista do mundo. Rerum potirentur. Negar-se-á ainda que a história, para ser verídica, deva tomar o tom e as cores do sobrenatural?&lt;br /&gt;O segundo fato que se encadeia ao primeiro é a conversão dos gentios para além do império romano. O historiador cristão deverá mostrar que esse imenso resultado procede diretamente da mão de Deus, que, para operá-lo, franqueou leis simplesmente providenciais. Aí assinalará, com Santo Agostinho, o milagre dos milagres; com Bossuet, fará ver algo tão estupendo que não tem semelhança senão com o momento em que a criação saiu do nada para a glória do seu Criador. Ele contará a grandeza colossal do fim e a exigüidade dos meios; as preparações significativas com uma tão grande mudança que pressagiam que esse mundo deve pertencer a Jesus Cristo, ao mesmo tempo que elas são por si mesmas um obstáculo a mais a todo sucesso humano de empreendimento; os apóstolos , armados somente da palavra e do dom dos milagres que a confirma e a faz penetrar; as profecias judias estudadas, comparadas, aprofundadas em todo o império, e tornando-se, como no-lo atestam os escritos dos três primeiros séculos, um dos mais poderosos instrumentos das conversões; a constância sobre-humana dos mártires, cuja imolação quase incessante, longe de extirpar a nova sociedade, a propaga e a fortifica; enfim, a cruz, o cadafalso do filho de Maria, coroando após três séculos o diadema dos Césares; as idéias, a linguagem, as leis, os costumes, em uma palavra todas as coisas transformadas segundo o plano que haviam trazido da Judéia os conquistadores da nova espécie que o império esperava, e que souberam triunfar dele, derramando seu sangue sob sua espada.&lt;br /&gt;Em meio a todos esses prodígios o historiador cristão está à vontade e nada o espanta, porque ele sabe e proclama que tudo na terra é para os eleitos e que os eleitos são para Cristo. Cristo está com ele na história; portanto, é claro que não possa explicá-la sem Ele, e que com Ele ela apareça em toda sua clareza e em toda sua grandeza. A seqüência dos anais da humanidade responde ao começo; mas desde a publicação do Evangelho, os destinos do mundo tomaram um novo curso; depois de ter esperado seu rei, a terra agora o possui. A preparação sobrenatural que se tinha manifestado no papel do povo judeu, essa outra preparação ao mesmo tempo natural e sobrenatural que tinha aparecido na marcha sempre progressiva do poderio romano chegaram a seu cume. Tudo está consumado, Jerusalém cede seus direitos e suas honras a Roma; Tito é o executor das altas obras do Pai celeste que vinga o sangue de seu Filho Eterno. O milagre do povo judeu não cessa entretanto aí; transforma-se, e as nações terão sob seus olhos, até a vigília do último dia, não mais o espetáculo de um povo privilegiado, mas de um povo amaldiçoado por Deus. Quanto ao império pagão, ele edificou, sem o saber, a capital do Reino de Jesus Cristo; ser-lhe-á dado sediá-lo por três séculos; é de lá que partirão os editos sanguinários que não terão outro efeito que o de mostrar aos séculos futuros o vigor sobrenatural do cristianismo; pois quando chegar o tempo, ele cederá lugar, ele irá refugiar-se em Bósforo, e a indefectível dinastia dos Vigários de Cristo que não abandonou o posto desde o martírio de Pedro, seu primeiro elo cingirá a coroa na cidade de sete colinas. O império cairá pedra por pedra sob os golpes dos bárbaros; mas antes de lhe infligir a humilhação e o castigo que crimes seculares acumularam sobre ele, a justiça divina esperará que o cristianismo, vitorioso das perseguições, haja estendido bem alto e bem longe seus ramos para dominar em todas as paragens os vagalhões desse novo dilúvio; ver-se-á então o império cultivar novamente, e com pleno sucesso, a terra renovada e rejuvenescida por essas águas mais purificadoras ainda que devastadoras.&lt;br /&gt;Havendo exposto todas essas maravilhas, o historiador cristão mudará o tom do sua narrativa? Incorrerá ele em uma explicação simplesmente providencial dos fastos da terra? O maravilhoso é porventura o ponto central dos anais da humanidade, de sorte que doravante a ação divina deva permanecer velada sob as causas segundas até o fim dos tempos? Deus não queira que assim seja! Um terceiro fato sobrenatural, fato que deve durar até a consumação dos séculos chama-lhe a atenção e reclama-lhe toda eloqüência. Esse fato é a conservação da Igreja através dos tempos, sem corrupção da sua doutrina, sem alteração da sua hierarquia, sem interrupção da sua duração, sem sucumbência em sua marcha. Milhões de coisas humanas foram inventadas, desenvolveram-se e decaíram: a conduta ordinária da Providência velou por elas durante sua duração; hoje elas têm apenas um traço na história. A Igreja continua de pé; Deus a sustenta diretamente, e todos os homens de boa fé, capazes de aplicar as leis da analogia, podem ler nos fatos que lhe concernem essa promessa imortal de durar sempre, que ela traz inscrita pela mão de Deus em seu fundamento. As heresias, os escândalos, as defecções, as conquistas, as revoluções, nada a fere de morte; repudiada em um país, ela dirige-se a outro; sempre visível, sempre católica, sempre vitoriosa e sempre provada. Esse terceiro fato, que é uma conseqüência dos dois primeiros, acaba de dar ao historiador cristão a razão de ser da humanidade. Ele conclui com evidência que a vocação da nossa espécie é uma vocação sobrenatural; que as nações sobre a terra não pertencem somente a Deus que criou a primeira família humana, mas que elas são também, como disse o Profeta, o domínio particular do Homem-Deus. De maneira que, quanto mais mistérios na sucessão dos séculos, quanto mais vicissitudes inexplicáveis, tudo enfim se resume nesse dado divino.&lt;br /&gt;Sei que é necessário hoje muita coragem, sobretudo quando não se faz parte do clero, para tratar a história sob essa ótica; crê-se sinceramente; não se quer por nada desse mundo admitir as teorias das escolas fatalista e humanitária; mas a escola naturalista é tão influente pelo número e talento; ela é tão benévola com o cristianismo, que se torna difícil criticá-la em tudo e não passar a seus olhos por um escritor místico, por um poeta, quando se aspira, ao contrário, ser tido na conta de homem de ciência ou filósofo. Tudo que posso dizer é que a história foi tratada, do ponto de vista que me permiti expor, por dois grandes gênios cristãos, cuja reputação está acima de qualquer dúvida. A Cidade de Deus de Santo Agostinho, os Discursos sobre a História Universal de Bossuet são duas aplicações da teoria que explanei acima. O caminho, portanto, foi traçado por mão de mestre, e pode-se incorrer, a despeito de tais homens, nos fúteis juízos do naturalismo contemporâneo. É muito bom, sem dúvida, regular a própria vida interior pelo princípio sobrenatural; mas seria uma inconseqüência, uma falta de responsabilidade, que esse mesmo princípio não guiasse sempre a pluma. Vejamos a humanidade em suas relações com Jesus Cristo seu chefe; não a separemos dele jamais em nossos juízos nem em nossos trabalhos historiográficos, e quando nossos olhos se detêm sobre o orbe terrestre, recordemo-nos antes de tudo de que temos sob os olhos o império do Homem-Deus e de sua Igreja.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6188930667042584149-8940695706373124185?l=reconquistabr.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reconquistabr.blogspot.com/feeds/8940695706373124185/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6188930667042584149&amp;postID=8940695706373124185' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/8940695706373124185'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/8940695706373124185'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reconquistabr.blogspot.com/2008/08/o-sentido-cristo-da-histria-dom-prsper.html' title='O sentido cristão da história. Dom Prósper Guéranger'/><author><name>Fernando Rodrigues Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16368448307317160453</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_6uSu6EByoPY/SjFpGEjjdoI/AAAAAAAAALU/_MCTy91mSS4/S220/fernandorodrigues.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6188930667042584149.post-5545426576599213992</id><published>2008-08-13T11:03:00.000-07:00</published><updated>2008-08-13T11:07:41.335-07:00</updated><title type='text'>Entrevista com Tomas Molnar: 40 anos depois do Vaticano II</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;em&gt;40 anos depois do Concílio Vaticano II&lt;br /&gt;Entrevista com&lt;/em&gt; TOMAS MOLNAR&lt;em&gt;, famoso intelectual católico, húngaro, professor na Universidade americana de Yale. Tirada do livro "Du mal moderne. Symptomes e antidotes"&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Questão&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;E o Vaticano II? Até que ponto o Concílio transformou a Igreja? &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;Sobre esta questão, há várias posições. Os progressistas asseveram que o Concílio permitiu uma abertura ao mundo ainda imperfeita e tímida, e que se trata de torná-lo ainda mais radical, permitindo, por exemplo, o sacerdócio das mulheres, a contracepção, o aborto; os integristas condenam o Concílio, considerado como um largo compromisso [com o mundo] pelo qual a Igreja foi desfigurada. O Santo Padre, o Papa Bento XVI, por sua vez, desde que era Cardeal, afirma que o Concílio foi um benefício, mas que muitas vezes foi mal entendido. E o senhor, o que acha do Concílio?&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Resposta de Tomas Molnar:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quanto ao Concílio Vaticano II, coloco-me entre os integristas, na condição que aceiteis não falar em "integristas", mas meramente de simples católicos. Deve-se muito aos integristas, agüentaram os primeiros choques deste concílio dominado pelos radicais militantes. Retrospectivamente, é preciso dizer que tinham razão. As observações de Ratzinger são a prova disto. Se Monsenhor Lefebvre deixasse de combater, Ratzinger não ... [duas palavras ilegíveis], na sua avaliação do trabalho conciliar. Outras provas? As multidões de fiéis feridos que abandonaram a Igreja; a incapacidade desta de inspirar as formas da sensibilidade religiosa, ao menos a arte, a música, a arquitetura, a literatura, todas as áreas nas quais a Igreja se esterilizou, por assim dizer.&lt;br /&gt;Diz-se que o Concílio é uma coisa e o pós-concílio outra. Não é nada. O Concílio e o que se seguiu é a mesma coisa. É o capítulo mais negro da história da Igreja, tanto mais que não é nada certo que possamos remediar isto nos próximos séculos. O diagnóstico não é difícil. Sem falar nas vicissitudes doutrinais que têm a sua lógica própria, a Igreja de Paulo VI capitulou frente à sociedade civil, ao indiferentismo, à heresia americanista, em sumo, frente ao protestantismo e ao modernismo. A vantagem, se me permite esta expressão, porque se trata de uma catástrofe não só para a Igreja, mas para toda a humanidade, abandonada hoje às seitas – a vantagem, portanto, é que vemos bem o castigo imediato: aborto maciço, a inundação da corrupção sexual, a devastação causada pela droga, a família destruída (50% de divórcio). Todas as motivações sociológicas têm pouco peso ou nada: é a Igreja que é responsável, esta Igreja prosternada diante da ONU, uma Igreja que persegue os crentes e que os escandaliza pelas suas mascaradas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6188930667042584149-5545426576599213992?l=reconquistabr.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reconquistabr.blogspot.com/feeds/5545426576599213992/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6188930667042584149&amp;postID=5545426576599213992' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/5545426576599213992'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/5545426576599213992'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reconquistabr.blogspot.com/2008/08/entrevista-com-tomas-molnar-40-anos.html' title='Entrevista com Tomas Molnar: 40 anos depois do Vaticano II'/><author><name>Fernando Rodrigues Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16368448307317160453</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_6uSu6EByoPY/SjFpGEjjdoI/AAAAAAAAALU/_MCTy91mSS4/S220/fernandorodrigues.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6188930667042584149.post-3389909149833967851</id><published>2008-08-13T10:44:00.000-07:00</published><updated>2008-08-13T11:03:22.702-07:00</updated><title type='text'>A Essência do Progressismo</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;H. Le Caron&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span &gt;É inútil nos iludirmos. O que aconteceu depois do último Concílio prova que "o progressismo cristão", condenado pelos papas precedentes com diferentes qualificativos (L'Avenir por Gregório XVI; os "católicos liberais" por Pio IX; o "americanismo" por Leão XIII; o "modernismo" e o Sillon de Marc Sangnier por Pio X), terminou por intoxicar grande parte da Igreja, até os mais altos escalões.&lt;br /&gt;O espírito pós-conciliar, na realidade, é o espírito progressista. O verdadeiro espírito pós-conciliar, fundado no respeito à doutrina e à tradição, se é que chegou a existir, foi abafado há já muito tempo.&lt;br /&gt;A atual mutação da Igreja foi desejada e preparada desde Lamennais, isto é, desde há 150 anos.&lt;br /&gt;Depois de ter caminhado de maneira subterrânea, a heresia progressista chegou à tona no momento do Concílio; o que até então eram raízes perniciosas, desabrochou e deu os frutos envenenados que surpreenderam e envolveram bom número de padres conciliares (os que não pertenciam à minoria ativa, que, ela sim, sabia perfeitamente o que fazia).&lt;br /&gt;Não é fácil discernir o vírus progressista — freqüentemente não se descobre sua presença a não ser constatando seus efeitos (como numa doença). Seus efeitos são múltiplos, o que engana muitas vezes os católicos fiéis.&lt;br /&gt;São Pio X, que o desmascarou de maneira extraordinária, constatava: "Combinando em si o racionalismo e o catolicismo, eles (os modernistas) o fazem com tal refinamento de habilidade, que transviam os espíritos desprevenidos... Ah! se se tratasse somente deles, poderíamos, talvez, contemporizar; mas é a religião católica e sua segurança que estão em jogo." &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span &gt;&lt;strong&gt;I — O Espírito Progressista, Chave do Problema&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span &gt;O espírito progressista difere enormemente do espírito de um católico romano. A fé que professa não é a nossa.&lt;br /&gt;Para o modernista, precisa São Pio X, "a fé, princípio e fundamento de toda religião, reside em certo sentimento íntimo decorrente da necessidade do divino... A Revelação não pode ser outra coisa senão a consciência adquirida pelo homem das relações existentes entre Deus e ele."&lt;br /&gt;Assim, já não nos encontramos diante de verdades objetivas que se impõem, como, por exemplo, Jesus, segunda pessoa da Santíssima Trindade, Redentor do gênero humano, verdades às quais devemos aderir sem discutir (e às quais o homem de fé adere sob inspiração da Graça).&lt;br /&gt;Encontramo-nos, ao contrário, em presença de um sentimento íntimo, subjetivo, às vezes vago, que a inteligência analisará e interpretará e que, uma vez aprovado pela Igreja, acabará por constituir um dogma. Disso resulta que o dogma nascerá do próprio crente e evoluirá conforme evoluir o sentimento de onde se origina. É por isso que uma das máximas favoritas do modernismo é que a evolução religiosa deve "coordenar-se (ou subordinar-se) à evolução intelectual e moral".&lt;br /&gt;A fé católica permite-nos aderir a verdades objetivas, exteriores ao homem (Revelação e ensinamentos da Igreja). A fé progressista é uma projeção de um sentimento de religiosidade&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6188930667042584149#_ftn1"&gt;&lt;span &gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span &gt;.&lt;br /&gt;Ela pode variar continuamente como o sentimento que a anima. Para o progressista, "a verdade não é mais imutável que o próprio homem, porque evolui com ele, nele e por ele". As fórmulas dogmáticas são submetidas às mesmas vicissitudes, às mesmas mutações que os estados de alma dos crentes, como observou São Pio X na Pascendi: "Fica assim aberto o caminho à variação substancial dos dogmas."&lt;br /&gt;Por conseguinte, podemos afirmar que a fé progressista é diametralmente oposta à fé católica. Ela constitui uma verdadeira inversão, apresentando, sem dúvida, caráter satânico; como a maior parte das inversões.&lt;br /&gt;Essa inversão espiritual se situa no lado oposto ao do espírito de fé verdadeira que é a dos santos. A fé progressista, se podemos chamar de fé o estado de espírito deles, é toda sentimental, imaginativa, feita de sonhos que permitem ao homem procurar-se a si mesmo em vez de procurar e encontrar a Deus. Os santos, ao contrário, na sua humildade, numa ascese permanente, procuram sem cessar conformar as suas vontades à vontade de Deus, ao qual se sentem unidos por um laço de amor.&lt;br /&gt;O que importa, com efeito, não é projetar nosso sentimento, ainda que seja de ordem religiosa, por meio de reformas permanentes e estéreis promulgadas pelo magistério. A Criação é perfeita, e nós não lhe acrescentaremos nada com nossos esforços. O único objetivo a perseguir é, com paciência, nas trevas da fé, purificarmo-nos, separando-nos do velho homem, implorando a graça e deixando-nos conduzir por ela, e assim aproximarmo-nos do Imutável, d’Aquele que se definiu a si próprio como aquele que é.&lt;br /&gt;A verdadeira evolução permite à criatura, machucada pelo pecado original, de que guarda a cicatriz, mas resgatada pelo sacrifício redentor, avançar em direção ao Absoluto que é seu criador. Ela é interior e pessoal. Torna-nos capazes de passar do plano natural ao plano sobrenatural pela fé em Jesus Cristo&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6188930667042584149#_ftn2"&gt;&lt;span &gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span &gt;.&lt;br /&gt;O progressismo, ao contrário, ao procurar-se a si próprio, não sai do plano natural. Pensa enriquecer o cosmo, pensa progredir, mas dá voltas como gato que corre atrás do próprio rabo.&lt;br /&gt;Santo Agostinho diz que "dois amores construíram duas cidades: o amor de si próprio até o desprezo de Deus, e o amor de Deus até o desprezo de si próprio. Um se glorifica em si próprio, o outro no Senhor..."&lt;br /&gt;São dois amores diferentes que criaram dois tipos de fé, de que resultaram duas cidades diferentes.&lt;br /&gt;Os progressistas têm consciência mais nítida que os católicos fiéis de que se trata antes de tudo de um novo espírito. L. Saleron, em artigo recente (Itinéraries, n. 219), constata que, "depois de dez anos, nos fazem compreender em todas as ocasiões que os textos de Concílio só têm valor quando usados por quem tem espírito conciliar, isto é, espírito de evolução ou de revolução, espírito de inovação, de adaptação, de criatividade e de abertura para o mundo".&lt;br /&gt;Esse espírito novo, que podemos chamar de espírito pós-conciliar, é o mal que corrói atualmente a Igreja Católica.&lt;br /&gt;Teilhard de Chardin, que foi um dos artesãos dessa desordem, profetizou ao dizer: "Uma forma ainda desconhecida de religião está para germinar no coração do homem moderno, num sulco aberto pela idéia de Evolução..."&lt;br /&gt;São Pio X foi o primeiro a perceber que o progressismo é, antes de tudo, um espírito destruidor de tudo o que constitui o fundamento do cristianismo.&lt;br /&gt;Quando era diretor do grande seminário de Trévise, já punha seus seminaristas em guarda: "Não vos deixeis envolver por doutrinas fantasiosas e estrangeiras", dizia ele. "A verdade é absoluta e imutável... O que o primeiro homem e todo o Antigo Testamento acreditaram em germe é acreditado hoje pelos católicos. A fé antiga e a nossa se encontram e se ligam ao centro único e indissolúvel da verdade que é Jesus Cristo. Estudai a história de qualquer ciência e, ao contrário, nas mudanças sucessivas de suas teorias encontrareis a marca de sua falibilidade" (Pio X, de René Bazin).&lt;br /&gt;Um pouco mais tarde, na Pascendi, o santo Papa revelará que as causas profundas da heresia modernista podem reduzir-se a duas: a curiosidade e o orgulho. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span &gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span &gt;II — As Conseqüências deste Estado de Espírito&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span &gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span &gt;&lt;em&gt;a) Observações Gerais:&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span &gt;Podemos constatá-las passo a passo.&lt;br /&gt;O Courrier de Rome publicou um artigo, "Concílio e pós-concílio", onde o autor expõe essas conseqüências perfeitamente. Cita entre outras estas palavras do Papa reinante: "A Igreja convida todos os cristãos a uma tarefa dupla de animação e inovação a fim de fazer evoluir as estruturas para adaptá-las às necessidades atuais" (Carta de Paulo VI ao Cardeal Le Roy), e estas: "A Igreja entrou no movimento da História que evolui e que muda" (28-07-1971).&lt;br /&gt;O autor cita também esta frase do Bispo de Metz no seu boletim diocesano de 1o. de outubro de 1967: "A mudança de civilização que vivemos acarreta mudanças não apenas em nosso comportamento exterior, mas na concepção que formamos tanto da criação quanto da salvação trazida por Jesus Cristo."&lt;br /&gt;Os católicos de hoje, precisa ainda o autor do artigo, são impelidos a se pôr em "estado de pesquisa" para fazer evoluir, de modo muito aberto, a religião, a fim de melhor adaptá-la à evolução do pensamento e dos costumes.&lt;br /&gt;O espírito progressista transpira atualmente no menor boletim paroquial ou em qualquer revista religiosa.&lt;br /&gt;É o vírus destruidor da liturgia, da catequese, dos dogmas da Igreja.&lt;br /&gt;O progressismo é muito mais perigoso que o protestantismo, porque destrói a Igreja por dentro e porque são os próprios padres e bispos os artífices desta destruição. Quando o progressismo já não é combatido pela hierarquia, sendo, ao contrário, favorecido, seus sucessos tornam-se fulminantes.&lt;br /&gt;Estava escrevendo estas linhas, quando recebi o boletim (inverno de 76) da associação missionária de Assunção (apesar de não ser assinante).&lt;br /&gt;Em um artigo intitulado: "Encontro com um Cristão Perturbado", o Padre André Sève descreve, sem querer, sem se dar conta, os estragos do progressismo nas almas, e por suas respostas mostra quais são as engrenagens intelectuais de um espírito progressista. (A leitura deste artigo é recomendável — traz todos os subsídios necessários aos adversários do progressismo.)&lt;br /&gt;"O cristão perturbado", um Juan de tal, casado, quatro filhos, declara "ter nascido uma segunda vez com o Concílio Vaticano II e ser um filho do Vaticano II". Até converteu a esposa "a esta nova respiração cristã a plenos pulmões". O Concílio, diz ele "tinha feito deles cristãos mais abertos, mais livres, mais ao corrente de tudo." Nascera uma raça de cristãos adultos, cristãos que "refletem mais por si mesmos, que têm coragem de tomar uma decisão mais pessoal" — mas "vieram golpes duros que abateram e quebraram Juan e sua mulher". "A filha mais velha, solteira, ligou-se a um homem casado, e o filho único entrou para uma escola judia, para tornar-se rabino... Imagine-se uma coisa assim!" E Juan exprime suas desilusões: "O que aconteceu com nossos filhos? Éramos cristãos clássicos, ainda que não muito entusiasmados, é verdade, bafejados pela vida, rotineiros e a serviço dos padres."&lt;br /&gt;"O Concílio fez de nós cristãos mais vivos, mais inteligentes, entusiasmados pela idéia de nos tornarmos mais responsáveis pela Igreja. E agora estamos diante de rapazes e moças que tudo põem em dúvida."&lt;br /&gt;Nesta hora, o padre, que devia, como um bom pastor, deplorar as infelicidades de Juan e de sua mulher com palavras consoladoras, pergunta simplesmente: "A contestação não é tipicamente conciliar?"&lt;br /&gt;E Juan, que se tinha escaldado, responde: "Sim, é, com a condição de manejá-la com prudência. É preciso ver de onde viemos e para onde vamos — nossos filhos ‘se lixam’ para o passado. Como algumas palavras mágicas, como colonianismo, libertação sexual ou análise marxista, liquidam qualquer debate sobre o dia de ontem... o que lhes interessa é envolver-se numa experiência, experimentar qualquer coisa: é preciso ver, não se pode falar daquilo que não se sabe. Saber, para eles, é fazer. No começo, lutamos, proibimos isto, exigimos aquilo, e falamos muito. Dizíamos", continua João: "não é possível, temos nossa fé para transmitir, nossa moral, nossa concepção de vida, mas, de tanto discutir, sentimos um mal-estar: onde estava nossa fé? Pedimos conselho, procuramos livros — o mal-estar aumentou, tínhamos perdido nossos marcos."&lt;br /&gt;E então seu interlocutor, padre de Jesus Cristo, faz esta pergunta horrível: "Que marcos?" E como João lhe diz que as dúvidas perpétuas são muito interessantes, "mas que ele começa a se sentir à deriva", o Padre Seve, pensando "elevar-lhe a moral", pergunta: Vocês preferiam o "é preciso crer exatamente nisto, é preciso fazer exatamente aquilo?"&lt;br /&gt;E o pobre João, que não ficou nada apaziguado por tal resposta, declara: "Não queria isto; não se pode voltar a ser um cristão de antes do Concílio, mas queria alguma coisa entre a precisão infantil e o grande vago — e eu tenho uma multidão sadicamente ‘em pesquisa’."&lt;br /&gt;Então o padre, subitamente interessado em João, lhe pergunta: "Você também pesquisa?"&lt;br /&gt;"Forçam-me a pesquisar", responde João, "e o que é que agora sei? Quais são minhas posições em relação aos problemas sexuais, ao aborto, à eutanásia, ao marxismo? Será que vejo alguma coisa bastante clara dentro de mim para responder às perguntas de meus filhos? Será que conheço Jesus Cristo como deve ser conhecido atualmente? Já não se pode fazer uma leitura ingênua do Evangelho (sic), mas qual é a leitura inteligente? A leitura que me porá em contato com Jesus Cristo vivo e atuante em 1976?"&lt;br /&gt;Um pouco mais adiante, Juan, a quem o "caso de Monsenhor Lefebvre" fez refletir sobre sua própria evolução, mostra ainda sua confusão: "Isto parece simples, mas que se deve aceitar exatamente? O que disse o Concílio? E que disse ele? Para um cristão de base como eu, isto acaba por tornar-se mito, ser conciliar ou anticonciliar. Tenho todos os textos do Concílio, mas de que adianta?"&lt;br /&gt;E o padre faz esta confissão, que corresponde ao que acabamos de expor: "Acho que se trata mais do espírito do que dos textos, sobretudo levando-se em conta as evoluções rápidas", e um pouco mais adiante: "É preciso perceber o grande movimento conciliar... O conservadorismo é a coisa mais grave, porque mata a vida..."&lt;br /&gt;Citamos trechos extraídos desta notável entrevista porque ela mostra de modo claro os estragos que o progressismo provoca nas almas. (Padre Sève escreveu numerosas "Entrevistas–encontros" em La Croix, órgão oficial da Arquidiocese de Paris.)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span &gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span &gt;&lt;em&gt;b) As Conseqüências do Espírito Progressista na Liturgia:&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span &gt;Se se aprender a chave do problema, quer dizer, se se analisar convenientemente o que constitui "o espírito progressista", compreender-se-á quais são as conseqüências deste estado de espírito, tanto na liturgia como na catequese e na Igreja.&lt;br /&gt;A propósito da liturgia, M. Louis Saleron em seu notável trabalho sobre a nova missa (Nouvelles Editions Latines) precisa (pp. 39 ss):&lt;br /&gt;"A constituição conciliar acerca da liturgia fixou regras e orientações. Os inovadores puseram-se a interpretá-las invocando o que chamam ‘o espírito do Concílio’ e que o Papa chama, para bem o marcar, "o espírito pós-conciliar".&lt;br /&gt;Este dito espírito pós-conciliar alimenta e mantém um clima revolucionário, em que, entre muitos outros, cinco temas principais de subversão recebem incentivo especial: "a volta às fontes", "a dessacralização", "a inteligibilidade", o "comunitarismo" e o "culto do homem".&lt;br /&gt;A volta às fontes permite romper com a tradição e introduzir concepções próprias, que são batizadas de "concepções primitivas". Sustenta-se então que "o espírito constantino perverteu tudo".&lt;br /&gt;Uma verdadeira volta às fontes deveria ser acompanhada de uma revalorização do sagrado! Mas entre os progressistas é ao contrário o que se passa — dá-se a dessacralização. Padre Antoine, na revista jesuíta Études (março de 1967), propõe que as catedrais sejam convertidas em museus. Precisa: "Recusamos toda valorização intrínseca ou ontológica de qualquer lugar de per si sagrado; o que tornaria a localizar o divino." E nós nos espantamos de ver as catedrais e igrejas servir de lugar de reunião a toda a sorte de manifestações que já nada têm de religiosas (por exemplo, o escândalo da Catedral de Reims); espantamo-nos com a comunhão na mão, com a indecência dos trajes na casa do Senhor...&lt;br /&gt;A inteligibilidade, escreve Louis Saleron, é um tema querido aos inovadores. "É em nome da inteligibilidade que empreendem a demolição dos ritos litúrgicos" (banimento do latim, introdução de formas heréticas como "da mesma natureza do pai", que é mais compreensível, dizem eles, do que "consubstancial ao pai").&lt;br /&gt;O comunitarismo, que grassa cada vez mais na Igreja, e em todos os níveis, manifesta-se pela importância crescente dada aos grupos — colegiados, assembléias, equipes, associações e reuniões de todo o gênero, comunidades de base, que são organizadas para "pesquisas", pesquisas essas que acabam na maior parte das vezes nas piores extravagâncias, como: "uma missa só é válida se a comunidade está presente para participar da missa", apesar de a doutrina católica estabelecer nitidamente que um padre pode celebrar a missa sem a presença física dos fiéis. É preciso compreender bem o que se chama "comunitarismo" — trata-se de um eufemismo que permite introduzir a democracia na Igreja e solapar a autoridade que vem ao alto.&lt;br /&gt;O culto do homem — M. Saleron escreveu sobre isso que "o denominador comum dos desregramentos que observamos hoje, tanto no domínio da fé quanto no da liturgia, não passa da substituição progressiva do Culto de Deus pelo culto do homem. Revirou-se a crença cristã. Deixou-se a fé cristã de que Deus criou o homem e o Verbo se fez carne, para conceber um Deus que é o próprio homem em vias de se tornar Deus". Este é o espírito progressista. A inversão espiritual (inversão da atitude do espírito) tem por conseqüência direta uma inversão da religião.&lt;br /&gt;Assim, em resumo, pode-se afirmar que, todas as vezes que se constata na liturgia uma glorificação do homem, uma dessacralização, uma diminuição dos dogmas e dos mistérios pela supressão ou interpretação subjetiva dos textos, se trata de inspiração progressista. E ainda não vimos tudo, pois nos anunciam que a Igreja ainda está no início das "mutações".&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span &gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span &gt;c) As Conseqüências do Espírito Progressista na Catequese:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span &gt;Em seu jornal hebdomadário n. 451, de 20/12/76, M. Pierre Debray examina o que aconteceu com "a instrução religiosa", usando uma brochura editada pelo Centro Regional de Ensino Religioso do Oeste" e intitulada Proprietários da Verdade? (tomamos nossos exemplos no que há de mais atual).&lt;br /&gt;Para o autor da brochura, a "transmissão" da fé já não aparece como um saber que a catequese comunica. Os Apóstolos tinham encerrado o essencial da fé nas fórmulas ditas "querigmáticas". Para eles, a fé da Igreja possuía uma realidade objetiva. Não podia ser entregue ao arbitrário. São Paulo escrevia aos Tessalonicenses: "Nós vos ordenamos [...] que vos aparteis de todo o irmão que viver desordenadamente, e não segundo a doutrina que receberam de nós" (II Tes 3,6).&lt;br /&gt;"A nova catequese vira as costas ao ensinamento dos Apóstolos." O educador "caminha com a criança ou com o moço, cada um se pondo em dúvida, cada um apresentando ao outro a sua própria verdade".&lt;br /&gt;Deste modo, a fé perdeu todo o conteúdo objetivo — é o puro subjetivismo (um filósofo diria que se trata de uma espécie de "idealismo", sistema que nega qualquer forma de realidade objetiva exterior ao "eu").&lt;br /&gt;Com tal ensino, pergunta-se: Qual será o futuro espiritual destas pobres crianças? Segundo uma pesquisa recente, não mais que 7% de franceses são capazes de explicar convenientemente o que significa "Natal".&lt;br /&gt;Seria instrutivo igualmente saber qual a percentagem de padres e de bispos capazes de recitar ainda o Credo (Símbolo de Nicéia), sem nenhuma hesitação.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span &gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span &gt;d) As Conseqüências do Espírito Progressista na Igreja:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span &gt;O que foi feito da Igreja, una, santa, católica e apostólica, mestra de verdade e guarda da verdade?&lt;br /&gt;Já ninguém ousa perguntar. Que desmoronamento em tão poucos anos! Até os protestantes se espantam e se inquietam. Essa é a obra do espírito progressista, que solapou o edifício como faria um exército de cupins.&lt;br /&gt;Quando os inovadores dizem que a Igreja nunca esteve tão resplandecente, que isso é um novo nascimento, que o Concílio Vaticano II "foi tão importante, mais importante até que o Concílio de Nicéia", tem-se o mesmo sobressalto que quando se ouve o secretário-geral do Partido Comunista Chileno afirmar "que já não existem prisioneiros políticos na URSS".&lt;br /&gt;São Pio X profetizara que, se deixassem campo livre, o espírito progressista destruiria tudo, incluídas as bases da fé, como está destruindo nestes dias.&lt;br /&gt;Quem é cego e quem se deixa cegar? Os inovadores e os tolos pretendem que dois mil e quinhentos bispos não podem enganar-se nem enganar-nos; mas o argumento não é convincente. O número nunca fez a verdade. E existem precedentes. No tempo de Ário, a quase totalidade dos bispos se deixou levar pela heresia. Santo Atanásio e Santo Hilário foram canonizados, mais tarde, porque foram os que se levantaram contra a heresia geral.&lt;br /&gt;Por outro lado, ignoramos o que pensa a maior parte dos bispos. Talvez façam a si mesmos muito mais perguntas do que imaginamos.&lt;br /&gt;Sabemos muito bem que a tarefa dos bispos não é fácil. A força de caráter desaparece nas nossas sociedades cheias de delinqüência, e a Igreja não foi poupada. A autoridade diminui — os clérigos obedecem cada vez menos — e, ainda que quisessem, poderiam agora nossos bispos reagir? Sabe-se que, hoje em dia, a imprensa católica e os principais meios de expressão estão nas mãos dos progressistas, que exercem forte pressão sobre a hierarquia. Mas por que esses bispos, mais ou menos reduzidos à impotência ou ultrapassados, declaram guerra a um bispo corajoso como M. Lefebvre e contra seu seminário, que forma padres fiéis à tradição? É isto o que nos espanta e inquieta.&lt;br /&gt;Não devemos, no entanto, mostrar-nos tão pessimistas. A Igreja recebeu de seu fundador as promessas de eternidade. Se Jesus Cristo ressuscitou no terceiro dia, para estupor de seus inimigos, depois de ter sido colocado no sepulcro, por que a Igreja, corpo místico do Cristo, não conheceria as mesmas provas e o mesmo triunfo?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span &gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span &gt;III — O Espírito Progressista na Teologia Moderna&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span &gt;A teologia moderna faz compreender quanto os padres conciliares ficaram intoxicados. Ela explica a evolução da Igreja atual.&lt;br /&gt;Não tenho a pretensão de tratar de assunto tão vasto em poucos parágrafos.&lt;br /&gt;Aconselho o leitor a se valer dos estudos admiráveis do prof. Marcel de Corte, de Louis Saleron, do padre Philippe de la Trinité e de outros filósofos e teólogos de grande valor e de grande saber.&lt;br /&gt;Pessoalmente, acho que os maiores responsáveis pela evolução catastrófica da Igreja foram Maritain (o Maritain de Humanismo Integral), Teilhard de Chardin, e Karl Rahner, da Companhia de Jesus, que teve influência determinante no último Concílio (Lamennais pertenceu ao século passado). Os três tinham espírito progressista. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span &gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;A — Maritain&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; foi um dos mestres do pensamento do Papa reinante, depois de ter sido eminente tomista. Deixou-se levar pelo espírito progressista. Não se deve esquecer que foi grande amigo de Mounier e que cooperou na criação da revista Esprit. Há um ano expus no Courrier (n.148 — "A grande ilusão") o que é o "humanismo integral" de Maritain.&lt;br /&gt;Este, considerando como fato definitivo o desaparecimento da "concepção cristã sagrada do temporal" (realeza social de Nosso Senhor, com seu corolário, a doutrina dita "dos dois gládios"), propunha substituí-la por uma "concepção profana cristã", não exigindo sequer um mínimo doutrinário comum. Esta fraternidade universal e democrática, compreendendo cristãos e não-cristãos, devia, segundo Maritain, realizar sua unidade numa "obra prática comum".&lt;br /&gt;Nesta nova civilização, "a obra comum já não apareceria como obra divina a ser realizada na terra pelo homem, mas como obra humana a ser realizada pela introdução de qualquer coisa de divino, que é o amor, nos meios humanos e nos trabalhos humanos"&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6188930667042584149#_ftn3"&gt;&lt;span &gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span &gt;.&lt;br /&gt;Assim a "obra da cidade dos homens seria realizar, aqui em baixo, um regime temporal realmente conforme à dignidade humana, a essa vocação e a esse amor".&lt;br /&gt;A Igreja, no meio dessa sociedade universal (que conheceria forçosamente a paz, porque o povo seria soberano), tornar-se-ia uma modesta e discreta inspiradora, somente.&lt;br /&gt;A força animadora dessa nova civilização seria cristã, mas de maneira indireta, sem que se fizesse referência a Jesus Cristo, pela simples prática da vida comum, em que se introduziria essa "qualquer coisa de divino". Todos os sincretismos religiosos se tornariam possíveis, e poderíamos até reconciliar a França da Revolução com a França de Joana d’Arc.&lt;br /&gt;Vê-se que há uma aproximação perigosa da doutrina de Maritain com o MASDU (Movimento de Animação Espiritual da Democracia Universal), denunciada de maneira notável, há já muito tempo, pelo Abbé de Nantes.&lt;br /&gt;Mas essa doutrina é absolutamente contrária à da Realeza Social de Nosso Senhor, professada pelos maiores Papas.&lt;br /&gt;Para nos convencermos, basta-nos reler a Imortale Dei de Leão XIII ou a Intaurare omnia in Christo (4 de outubro de 1903), de São Pio X.&lt;br /&gt;É portanto necessário, declarava este grande santo, "pela palavra e pelas obras, reivindicar para Deus a plenitude de seu domínio sobre os homens e sobre toda a obra criada, de modo que seus direitos e seu poder de comandar sejam reconhecidos".&lt;br /&gt;A doutrina de Maritain "enterra" definitivamente a doutrina chamada dos "dois gládios", sem a qual, estou convencido, não haverá nenhuma renovação possível nem na sociedade nem na Igreja. Também quanto a isto São Pio X foi clarividente, quando, no momento da separação entre a Igreja e o Estado na França, escreveu na encíclica Vehementer (11/02/1906): "Que se deva separar a Igreja do Estado é uma tese completamente falsa, um erro pernicioso. [...] Essa tese é a negação clara da ordem sobrenatural. Ela limita a ação do Estado à finalidade única da prosperidade pública, durante esta vida... Subverte a ordem estabelecida por Deus no mundo, ordem que exige harmoniosa concordância entre as duas sociedades [...]. Que princípio se invoca para separar o Estado da Igreja? O seguinte: que o Estado não deve reconhecer nenhum culto, grave injúria a Deus, criador do homem e fundador das sociedades humanas, a quem é devido não somente um culto privado mas um culto público e social."&lt;br /&gt;Nossos leitores notarão que a política atual do Vaticano tende a fazer desaparecer todas as concordatas. Essa política, que pareceria insensata a São Pio X, é o corolário da nova doutrina sobre a liberdade religiosa em foro externo, de cujo esquema o mínimo que se pode dizer é que é o mais equívoco de todos os que o Concílio promulgou.&lt;br /&gt;A igualdade das religiões, trate-se da verdadeira ou das falsas, e a neutralidade do Estado devem permitir a realização de um sincretismo religioso que foi sempre o objetivo das Grandes Lojas da maçonaria. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span &gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;B — Teilhard de Chardin,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; que influenciou grande número de padres conciliares, foi o homem que os progressistas desejavam e esperavam.&lt;br /&gt;Este jesuíta procurou adaptar os dogmas à ciência. Ele acreditava na mutação do homem pelo progresso, o que permitiria achar uma solução para as oposições entre a fé no mundo e a fé em Deus.&lt;br /&gt;"Servindo ao mundo, servimos ao Cristo Universal", dizia ele, "assim como, servindo ao Cristo, servimos ao mundo" (fusão do profano e do religioso no seio de uma evolução homogênea, ao mesmo tempo cósmica e crística, em direção ao ponto Cristo-Ômega).&lt;br /&gt;Teilhard estava persuadido de que, no dia em que o cristianismo aceitasse converter-se às esperanças terrestres para divinizá-las, ficaríamos "estupefatos vendo as torrentes de povos refluir para Jesuralém".&lt;br /&gt;Essa conversão às esperanças terrestres se produziu na Igreja atual, mas a "estupefação" dos católicos não é a que profetizou Teilhard... Os povos não refluem para Jerusalém... mas muitos católicos saem da Igreja.&lt;br /&gt;A ilusão teilhardiana foi condenada, antes que aparecesse, por São Pio X na Pascendi: "Para o modernista", afirmava o Santo Papa, "o dogma deve estar em harmonia com o que os mantenedores do erro chamam ‘a ciência e a história’ e que não é, na realidade, nada mais que a opinião atual de alguns cientistas e historiadores agradáveis ao modernismo."&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span &gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;C — Karl Rahner,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; diz Marcel de Corte, compreendeu que a empresa de modernização da fé católica não chegaria a termo sem a conversão intelectual dos teólogos católicos às exigências do pensamento filosófico moderno, em particular à antropologia transcendental, isto é, a ciência que se adquire pela tomada de consciência do homem acerca de si mesmo fora da experiência de qualquer realidade. Assim, Rahner, discípulo de Heidegger, acredita que o homem tem o poder de sobrepujar-se a si próprio fazendo-se seu próprio criador, e ao mundo exterior dando-lhe um sentido, ao qual aquele deve submeter-se. A verdade científica ou teológica já não se define pela conformidade da inteligência à realidade, mas, ao contrário, pela adaptação da realidade ao dinamismo do espírito, ávido de lhe dar sentido... A palavra de Deus, longe de nutrir o discurso teológico, não é senão a ocasião de refletir, antes e essencialmente, acerca das condições da possibilidade de sua acolhida. Assim, o catecismo holandês perguntará como um espírito moderno pode aceitar o dogma do pecado original ou a conceição virginal de Maria.&lt;br /&gt;Na perspectiva de Rahner e de seus amigos, a antropologia transcendental obriga a remodelar completamente o Evangelho, a tradição e a Igreja, para os adaptar às exigências de suas subjetividades — é a inversão modernista que denunciamos no começo deste artigo.&lt;br /&gt;O exame dessas perspectivas demonstra que o caso de M. Lefebvre não se reduz a uma questão de batina ou de latim. Estamos diante de uma nova religião e de uma fé oposta à antiga. Como profetizou Teilhard, a Igreja chega a um período de "muda" ou de "reforma necessária", como sucede, segundo ele, à própria humanidade. "A reforma já não é um simples caso de instituição e de costumes, é um caso de fé."&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;IV — São Pio X&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; Previu Todas as Conseqüências Que Decorreriam do Espírito Modernista&lt;br /&gt;Ele o conseguiu porque, com seu olhar de águia e com a ajuda do Espírito Santo (o Espírito Santo esclarece a inteligência), analisou admiravelmente o que é o espírito modernista. Definiu-o como "a encruzilhada de todas as heresias, que não deixam subsistir nada das verdades da fé."&lt;br /&gt;"O Cristo filho de Deus", disse ele, "é negado; a doutrina da morte expiatória de Cristo é declarada não-evangélica, mas simplesmente ‘paulina’. O Credo de Nicéia, muito favorável à divindade de Jesus, ‘não é a doutrina que Jesus ensinou’. Os sacramentos já não são os sacramentos; não tem outro fim senão lembrar ao espírito do homem a bondade do criador." Mais adiante (na Pascendi) Pio X resume as ditas reformas que a heresia aconselha à Igreja. Muitas dessas reformas foram já realizadas.&lt;br /&gt;— A escolástica já não será ensinada nos seminários. Em lugar da doutrina tomista, será ensinada a filosofia moderna. O dogma será posto em harmonia com a "ciência e a história".&lt;br /&gt;— O governo da Igreja será reformado em todos os seus ramos, e será posto em harmonia com a democracia (veja-se a atual colegialidade e a ditadura das repartições e conferências eclesiásticas).&lt;br /&gt;— As congregações, e particularmente as do Santo Ofício e do Índex, que atrapalham a heresia, serão postas em situação de já não prejudicar (o que já foi feito).&lt;br /&gt;— O celibato eclesiástico será abolido (projeta-se essa abolição).&lt;br /&gt;Esta enumeração é assustadora. Mas tudo a que assistimos era previsível, se se analisasse corretamente o espírito progressista.&lt;br /&gt;Ao meditarmos os textos de São Pio X, perguntamo-nos necessariamente como se conciliam eles com certas reflexões ou com certas declarações de Paulo VI. Se um deles tem razão, o outro forçosamente está errado.&lt;br /&gt;Como escreveu Marcel de Corte (Itinéraires, 2a. nota sobre a heresia conciliar), "podemos fazer um catálogo impressionante das declarações dos dois últimos papas que contradizem frontalmente as afirmações mais nítidas e mais reiteradas dos papas anteriores. Paulo VI não recua nem sequer diante dos desmentidos que ele se inflige a si mesmo".&lt;br /&gt;O Papa reinante é um mistério.&lt;br /&gt;O "Credo" de Paulo VI e a encíclica Humanae Vitae pareceriam provar que ele tem a fé católica; mas o seu "humanismo’, sua imensa admiração pelo homem e pela democracia deixam supor que ele tenha tendências e simpatias progressista&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6188930667042584149#_ftn4"&gt;&lt;span &gt;[4]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span &gt;.&lt;br /&gt;A fé em Deus vivo, a fé no Cristo Rei é compatível com a fé no homem colocado num pedestal?&lt;br /&gt;Esta questão não parece preocupar o Papa reinante. Tenho a impressão (posso estar enganado) de que ele se instalou nessa dualidade e se acomodou como um homem igualmente ligado à sua mulher e à "outra", sendo sincero nas suas afeições pluralistas.&lt;br /&gt;A dificuldade que ele resolve mais ou menos bem é a de manter certo equilíbrio (mas por quanto tempo?) entre as duas tendências. Santo Agostinho escreveu: "Dois amores construíram duas cidades..." Um amor misto cria uma cidade confusa e equívoca... É a imagem que nos dá a Igreja pós-conciliar.&lt;br /&gt;Os católicos que estão preocupados com esse estado de coisas têm freqüentemente uma idéia falsa da infalibilidade do Papa. Um erro professado por um Bispo não se torna verdade se ele sobe ao trono de São Pedro.&lt;br /&gt;A infalibilidade não existe se a nova doutrina está em contradição com as proposições definidas anteriormente ou com o ensino tradicional da Igreja. O prof. Marcel de Corte (art. cit. em Itinéraires) afirma: "Encontramo-nos aqui fora do tempo, no nível do Eterno, e nesse nível o papel do Magistério não pode jamais ser o de criar coisas novas que diferem da verdade imutável e que irrompem no tempo, nem o de provocar uma mudança, uma mutação da Igreja e na Igreja, como se diz na algaravia de hoje, mas sim o de manifestar mais plenamente para nós a única verdade inalterável."&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6188930667042584149#_ftn5"&gt;&lt;span &gt;[5]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span &gt;&lt;br /&gt;Teríamos muito que escrever sobre esse assunto. Sei de fonte segura que D. Guéranger, voltando do Concílio Vaticano I, disse, chorando, a um amigo que o felicitava por ter sido o artesão do dogma da infalibilidade papal, "que a definição não fora suficientemente clara e que os italianos eram tão espertos, que a utilizariam um dia para fins contrários ao seu espírito".&lt;br /&gt;Apesar de tudo, e ainda que a frase careça de precisão, a definição do Vaticano I sobre a infalibilidade do Papa terá constituído uma muralha contra todas as inovações atuais do modernismo.&lt;br /&gt;Para um cristão fiel, os dogmas já definidos não podem mais voltar a ser postos em discussão.&lt;br /&gt;É por isto que, na crise atual da Igreja, nós devemos permanecer agarrados ao dogma e ao ensinamento tradicional do Magistério. Eles constituem uma rocha que os progressistas procurarão, em vão, derrubar. Chegará o momento em que eles desfalecerão contra ela.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span &gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span &gt;&lt;strong&gt;V — Conclusão&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span &gt;O progressista está sempre à procura porque não acredita em nada.&lt;br /&gt;Mas essa pesquisa permanente destrói a verdadeira fé, sobretudo se emana de padres e bispos.&lt;br /&gt;Aí está a armadilha. Existirá uma atitude mais desconcertante para um fiel do que ver posto em dúvida aquilo que constituía a própria base da fé? Se a Igreja se enganou durante quase dois mil anos, onde estará a verdade desde o último Concílio?&lt;br /&gt;Dessa maneira, insinua-se a dúvida nas almas e acaba-se por destruir a fé. O progressista é um assassino no sentido mais completo do termo.&lt;br /&gt;Os progressistas não são homens de fé porque não são homens de verdade. Estas palavras de São Paulo lhes dizem respeito diretamente: "Porque eles não abriram seus corações à verdade que os salva é que Deus lhes envia ilusões profundas que os fazem acreditar na mentira."&lt;br /&gt;O verdadeiro Amor (Deus é a Verdade) condiciona a verdadeira fé e dá a vida (porque Deus se disse também a Vida).&lt;br /&gt;O progressismo é uma doutrina de morte. Os progressistas são liberais porque não acreditam na verdade, e não acreditam porque não a amam.&lt;br /&gt;O Amor, a Fé, a Vida, tudo se encadeia e se mantém. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;span &gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;span &gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6188930667042584149#_ftnref1"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Se você tem sentimentos revolucionários, projete esses sentimentos no objeto que é Cristo, e ele se tornará um precursor de Fidel Castro ou de Che Guevara. Se você tiver teorias científicas, como Teilhard de Chardin, projete um Cristo cósmico etc.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6188930667042584149#_ftnref2"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; A Salvação também é individual. Ela não é nem nunca será coletiva.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6188930667042584149#_ftnref3"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Na nova liturgia: "O vinho, fruto do trabalho do homem".&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6188930667042584149#_ftnref4"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[4]&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Costumam apresentá-lo como um homem dilacerado, mas pode-se permanecer dilacerado durante tanto tempo?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6188930667042584149#_ftnref5"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[5]&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Lembremo-nos de que Paulo VI (12/1/1966) fez a seguinte declaração: "Dado o caráter pastoral do Concílio, evitou-se proclamar, de maneira extraordinária, dogmas dotados da nota de infalibilidade." &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;(do Courrier de Rome nº169, tradução de Maria Tereza Ferreira da Costa e Anna Luiza Fleichman, e publicado na Revista Permanência, ano XII, nº 124/125, 1979.)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6188930667042584149-3389909149833967851?l=reconquistabr.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reconquistabr.blogspot.com/feeds/3389909149833967851/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6188930667042584149&amp;postID=3389909149833967851' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/3389909149833967851'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/3389909149833967851'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reconquistabr.blogspot.com/2008/08/essncia-do-progressismo.html' title='A Essência do Progressismo'/><author><name>Fernando Rodrigues Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16368448307317160453</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_6uSu6EByoPY/SjFpGEjjdoI/AAAAAAAAALU/_MCTy91mSS4/S220/fernandorodrigues.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6188930667042584149.post-3310706967804976216</id><published>2008-08-13T10:41:00.000-07:00</published><updated>2008-08-13T10:44:17.887-07:00</updated><title type='text'>A Anti-Igreja</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Dom Antônio de Castro Mayer&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Quando foram distribuídos, entre os Padres Conciliares, os primeiros esquemas do II Concilio do Vaticano, interpelaram-me: - V. acha que, para isso, seria preciso reunir um Concílio? A razão da pergunta é que os esquemas não apresentavam nenhuma novidade. De fato, a realidade do II Concilio do Vaticano não era o que aparecia. E sim, seus subterrâneos.&lt;br /&gt;Sob uma aparência tradicional, assegurada pela presença dos Srs. Cardeais Ottaviani, Bacci, Ruffini, Braum e outros, operava o Cardeal Bea, porta-voz das Bnai-Brlth judias e demais maçônicos, convencidos de que era o momento de ultimar a obra de destruição da Igreja Católica, implodindo-a sobre si mesma. Estruturou-se, assim, um Concílio "sui-generis", sem discussão: os oradores sucediam-se ininterruptamente, uns aos outros, vasando na assembléia o de que nutriam seus espíritos. Não havia nexo entre as várias intervenções. Quem as quisesse contestar, deveria inscrever-se na lista dos postulantes da palavra, e aguardar a sua vez, que poderia ocorrer vários dias depois.&lt;br /&gt;De maneira que, no II Concílio do Vaticano, quem fazia tudo eram as comissões. E com tal sobranceria que, logo de início, a mesa de presidência jogou fora os esquemas propostos pela comissão preparatória, autorizada pela Santa Sé, ou seja, pelo Papa, a quem, aliás, como chefe supremo da Igreja e Vigário de Jesus Cristo, assiste o direito de propor a matéria a ser tratada nos concílios e a maneira como fazê-lo.Eis que o II Concilio do Vaticano constitui-se numa anti-Igreja.&lt;br /&gt;Dogma fundamental da Igreja Católica é sua necessidade para a salvação. Não têm os homens liberdade de escolher sua religião, sua Igreja, conforme seu agrado, ou persuasão. Sob pena de condenação eterna, devem ingressar na Igreja Católica Romana. - Ora, o Vaticano II, neste ponto, fixa, como doutrina inconteste, precisamente o contrário: todo homem tem liberdade visceral de aderir à religião de sua preferência.&lt;br /&gt;Posta esta antítese, neste ponto básico, necessariamente, sobre ele vão se construir edifícios antitéticos. - Por isso, dizemos que o Vaticano II firmou-se como a anti-Igreja. Conseqüência: quem adere ao Vaticano II, sem restrição, só por esse fato, desliga-se da verdadeira Igreja de Cristo. Ninguém pode, ao mesmo tempo ser católico e subscrever tudo quanto estabeleceu o Concílio Vaticano II. Diríamos que a melhor maneira de abandonar a Igreja de Cristo, Católica Apostólica Romana, é aceitar, sem reservas o que ensinou e propôs o Concílio Vaticano II. Ele é a anti-igreja.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Artigo transcrito de "Heri et Hodie" - Jornal dos Padres de Campos - nº 33&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6188930667042584149-3310706967804976216?l=reconquistabr.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reconquistabr.blogspot.com/feeds/3310706967804976216/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6188930667042584149&amp;postID=3310706967804976216' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/3310706967804976216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/3310706967804976216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reconquistabr.blogspot.com/2008/08/anti-igreja.html' title='A Anti-Igreja'/><author><name>Fernando Rodrigues Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16368448307317160453</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_6uSu6EByoPY/SjFpGEjjdoI/AAAAAAAAALU/_MCTy91mSS4/S220/fernandorodrigues.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6188930667042584149.post-1190995296956916426</id><published>2008-08-07T01:07:00.000-07:00</published><updated>2008-08-07T01:11:16.184-07:00</updated><title type='text'>A Educação Familiar Natural</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Michel Creuzet&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Michel Creuzet, um dos dirigentes do antigo "Ofício Internacional das Obras de Formação Cívica e de Ação Cultural segundo o Direito Natural e Cristão" ao lado de Jean Ousset, Gustave Thibon dentre outros, é autor de ensaios da maior atualidade, como, entre outros, os que escreveu sobre os Corpos Intermediários. O artigo que ora apresentamos aos nossos leitores é de interesse universal. Em todos ao países o problema da família e por conseguinte da educação familiar é dos mais inquietantes mormente após a Revolução moral da Sorborne, em 1968, com seu pernicioso lema "é proibido proibir" que parece ter atingido seu cume na hora presente com legislações que prescindem de qualquer valor moral e religioso com o fito sobrepujar a Lei Natural atribuindo legalidade ao divórcio e uniões de pessoas do mesmo sexo bem como a possibilidade de adoção de filhos por estas mesmas uniões. Assim, o articulista nos mostra que cumpre crer, afirmar e reagir desassombradamente contra os erros de uma sociedade envelhecida pelos falsos princípios que a estão levando ao fim.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Desde sua concepção, a criança é parte integrante da comunidade familiar. O título ao qual tem direito em primeiro término é o "filho". Com seu sobrenome os pais outorgam à criança o sinal mesmo de sua individualidade: seu nome. O desenvolvimento físico de um pequeno animal é mais rápido que o da criança. Muito cedo corre e procura seu alimento e logo abandona seus pais que se desinteressam por ele em seguida.&lt;br /&gt;Como todos sabemos, não ocorre o mesmo com o gênero humano; a mãe ensina seus filhos a caminhar, falar, alimentar-se, vestir-se. O despertar de um espírito tem por centro a família. Normalmente é nela onde se elaboram os primeiros conhecimentos. Ali se adquire o sentido das realidades, da qual o jovem terá tanta necessidade no momento de sua formação intelectual. Ali se adquire, normalmente o amor a verdade. Assim, os pais dignos deste nome fazem guerra a mentira. Não toleram uma visão puramente subjetiva das coisas, donde os sonhos transformam a realidade. Assim, há razões para surpreender-se, quando os pais proclamam: "meu filho maior é católico, a menor é budista e o terceiro acaba de entrar no partido comunista". Cada um encontrou sua via naquilo que acredita ser a verdade. Este indiferentismo revela uma ruptura entre o que os pais hão ensinado ao filho e o que aceitam logo dele.. Imaginemos uma família na qual cada criança siga "o que acredita ser justo", donde alguns tiveram o sentido do bem e do mal, enquanto que outros julgam a moral "depassée" (superada, passada de moda). É esta inconsistência de principio o que tais pais e mães julgam saudável. Por veleidade a família capitula frente a suas responsabilidades. Se vêem logo as tristes conseqüências.&lt;br /&gt;Se o uso pleno da razão fosse dado a criança de 10 anos, talvez poderia alguns contentar-se em mostrar-lhes a hierarquia dos bens e deixar a sua livre escolha o cuidado de decidir entre eles. Isto, que é já presunçoso nos adultos, como não o seria então nessa criança que carece de maturidade?&lt;br /&gt;Não se joga ao vento a planta delicada, débil, sem raízes. Os pais tem que conduzir seus filhos na mão.&lt;br /&gt;No entanto, a educação familiar exige uma preocupação cotidiana. O menor escândalo pode ter repercussões futuras profundas. Quantas vidas são perturbadas por causa do mal exemplo de pais desunidos, divorciados ou que, por covardia, deixam ao alcance da criança não importa qual seja a leitura ou ver não importa qual espetáculo, freqüentar não importa que círculo de amizades. .&lt;br /&gt;Reduzir a educação familiar a vigiar as manifestações criadoras do jovem prodígio sem desapontá-lo sob pena de "complexos" e "regressões" é um engano e um crime. Um engano, pois padecerá sempre influências: não se cultiva uma planta sem água nem calor. É um crime, pois a realidade se inscreve contra o mito da criança naturalmente boa. Não forçar o espírito, a vontade da criança no sentido do bem, é abandona-lo a seus instintos e inclinações menos boas, que prontamente o dominarão.&lt;br /&gt;É deixar lugar as influências más sobre as boas. Não se deixa a um filho beber veneno, nem brincar com armas carregadas. E deixa-lo então desarmado, sem juízo retor, nem vontade firme, presa das múltiplas tentações?&lt;br /&gt;A educação familiar não se limita apenas em produzir "tipos bons" dentro da sociedade para os distúrbios nas ruas. "A natureza não contempla só a geração da criança, senão também seu desenvolvimento e seu progresso para leva-lo ao estado perfeito de homem, é dizer, no estado de virtude.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#000066;"&gt;&lt;strong&gt;Atitudes, direitos e deveres naturais dos pais na educação de seus filhos.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#000066;"&gt;&lt;strong&gt;1. Atitudes naturais:&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;Orientadores, psicólogos, docentes, médicos, escolas especiais aportarão aos pais um concurso precioso. No entanto, eles não substituirão a educação familiar.&lt;br /&gt;"Que educador, escreve Chesterton, haverá seguido, como os pais, a criança desde o berço, terá tempo de fazer um justo discernimento das inclinações do espírito e das aptidões particulares de cada aluno? Terá por acaso a perspicácia e o amor de uma mãe?&lt;br /&gt;"Os pais são insubstituíveis. Buscai o educador oficial que tenha o gosto, o tempo livre, a atitude que exige esta lenta iniciação do espírito, do coração, da consciência, que se opera no lar, ainda assim quando esta oficina da vida não proporciona mais que um mínimo de recursos (...). Esses truísmos são verdades e terminará por voltar sobre eles pois substituindo os pais por espécies de funcionários, não se terá encontrado mais que encontrará no se ha encontrado más que uma tampa que não chega tampar o buraco".&lt;br /&gt;"É simplesmente prescindir de uma força natural e pagar por uma artificial, como se um homem regasse uma planta sustentando com uma mão uma mangueira e com a outra um guarda-chuva para resguarda-la da chuva. Mas isso não dará nenhum resultado, nem sequer em teoria. Não se pode fazer sempre a limpeza dos outros; é na família onde se lava a roupa suja, sobretudo quando se trata de fraudas. Só os pais poderão dar a seus filhos suficiente solicitude e cuidados. A expressão "abnegação maternal" aplicada a uma mulher que vê passar sem trégua os filhos por suas mãos, não é mais que uma amável metáfora".&lt;br /&gt;No entanto se dirá: Se os pais são torpes, ignorantes da ciência pedagógica, enceguecidos por um afeto mal entendido?. Ainda nesse caso terão sobre os pedagogos mais sábios e melhor preparados uma vantagem, a do amor aos próprios filhos e o amor por si só.&lt;br /&gt;Quantos excelentes mestres romanos se cansaram do aluno Agostinho, quantos "orientadores" profissionais não souberam onde dirigi-lo, ao passo que a paciência, as orações, as lágrimas... e o amor maternal de Santa Mônica o levaram a mudar de vida, fazendo dele um grande Filósofo e um Padre da Igreja!&lt;br /&gt;Falamos de excelentes mestres, de honestos orientadores; não há necessidade de falar de excelentes mães. Que mãe normal não houvera intentado o que Mônica alcançou?&lt;br /&gt;Inversamente, os pais indignos escandalizam a opinião. Mas se fala pouco de antros de educação indignos. Em todo caso, isso surpreende menos, porque o laço com a criança é menos estreito, normalmente, que na família. A educação no lar apresenta vantagens. É continua, os pais menos dotados fazem pedagogia, mesmo que sem saber, porque o amor de seus filhos os leva naturalmente a compreende-los, a resolver seus problemas, a ajuda-los em tudo que podem.&lt;br /&gt;A educação familiar é pessoal. Se conhece a cada um dos filhos com suas qualidades, com seus defeitos e suas reações habituais. Como professores desbordados poderiam educar a seus alunos, um por um, como em uma família, ainda que com sua capacitação e com sua abnegação?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Tomado e traduzido do livro "LA ENSEÑANZA" de Michel Creuzet&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6188930667042584149-1190995296956916426?l=reconquistabr.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reconquistabr.blogspot.com/feeds/1190995296956916426/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6188930667042584149&amp;postID=1190995296956916426' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/1190995296956916426'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/1190995296956916426'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reconquistabr.blogspot.com/2008/08/educao-familiar-natural.html' title='A Educação Familiar Natural'/><author><name>Fernando Rodrigues Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16368448307317160453</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_6uSu6EByoPY/SjFpGEjjdoI/AAAAAAAAALU/_MCTy91mSS4/S220/fernandorodrigues.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6188930667042584149.post-4559417971493272788</id><published>2008-08-07T00:59:00.000-07:00</published><updated>2008-08-07T01:18:35.363-07:00</updated><title type='text'>Vida Conjugal e Sacríficio</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#000066;"&gt;&lt;strong&gt;Gustave Thibon&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span &gt;Novamente trazemos aos leitores os preciosos ensinamentos do eminente pensador frances, o autodidata genial de Saint-Marcel-d'Ardèche Gustave Thibon. Como já se foi dito outrora deste humilde lavrador, poucos como ele compreenderam tão profundamente o homem e a mulher, o amor humano e o casamento. O presente trecho de seu conhecido livro "O que Deus uniu", dão mostras do que dissemos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Se há tarefa tragicamente urgente para o moralista moderno é a de lembrar aos homens a noção do sacrifício. Todos os desastres, todas as misérias do casamento, procedem do esquecimento desta necessidade. Não concebo um casamento feliz sem sacrifício mútuo. Não há nisto nenhum paradoxo. A primeira condição da felicidade é não a procurar. Nesta ordem de idéias é lícito dizer, pondo ao contrário as palavras evangélicas: Não procurei e encontrareis.&lt;br /&gt;Um homem nobre esforçar-se-á por viver como um homem; um homem vil procurará viver feliz. O último procurará na terra as coisas e os seres que o poderão satisfazer; o primeiro procurará os seres e as coisas a quem se possa imolar. Não «arranjamos» uma esposa, damo-nos a ela. Casar é talvez o modo mais direto e mais exclusivo de deixar de pertencer-se. Chesterton, lendo um jornal americano onde dizia: «Todo o homem que se casa se deve convencer de que renuncia a cinqüenta por cento da sua independência», fazia notar: «Só no Novo Mundo é possível um otimismo deste gênero!».&lt;br /&gt;O segredo da felicidade conjugal está em amar esta dependência. O ser que vive ao nosso lado, devemos amá-lo menos na medida do que nos dá que na medida do que nos custa.&lt;br /&gt;A vocação do casamento consagra-nos ao nosso cônjuge. Estas palavras têm um grande alcance. Dão sentido a todos os nossos deveres e a todas as dores da vida comum. Fazem sobretudo da felicidade conjugal, não há uma espécie de sacrifício estéril, mas um ato religioso do mais alto valor humano.&lt;br /&gt;Já não sabemos ser fiéis porque não sabemos sacrificar-nos. Tantos homens há que só amam pelo prazer imediato... Condenam-se, deste modo, a conhecer apenas a superfície do objeto amado, e, quando esta superfície os desilude, a trocá-lo por uma outra superfície, e assim por diante.&lt;br /&gt;Andar à volta de tudo e não chegar ao centro de nada, não será o que alguns denominam plenitude e liberdade? É de tal maneira mais fácil correr do que aprofundar! Mas aquele que quer saborear a profundidade de uma criatura deve saber sacrificar-se por essa criatura; o seu amor deve superar as decepções, superar o hábito; mais ainda, deve alimentar-se dessas decepções e desse hábito. O amor humano tem a sua aridez e as suas noites; também ele não encontra o seu centro definitivo senão para além da prova sofrida e vencida. Mas, uma vez chegado a esse ponto, ele saboreará a riqueza, a pureza eterna da criatura pela qual se imolou. Porque, se a criatura é tremendamente limitada em superfície, é infinita em profundidade. É profunda até Deus. Sempre cantaram os poetas esta captação amorosa do eterno através do ser efêmero:&lt;br /&gt;Tu que passas, tu que desvaneces,&lt;br /&gt;busquei-te para além dos dias e das sombras,&lt;br /&gt;sobre as praias invariáveis da vontade eterna...&lt;br /&gt;Desci às tuas entranhas,&lt;br /&gt;mais além dos latidos do teu coração,&lt;br /&gt;mais adentro que a fonte das tuas promessas&lt;br /&gt;até ao centro solene onde a tua vida se une à Vida,&lt;br /&gt;até ao fremir irrevogável,&lt;br /&gt;até à palpitação criadora de Deus!&lt;br /&gt;― Eu amo a tua alma!&lt;br /&gt;Chegou a falar-se do que a vida conjugal tem de banal, de monótono, de terra à terra. Bem sabemos quanto o homem é capaz de banalizar e de prostituir as coisas mais profundas. Mas, se a vida conjugal é muitas vezes vulgar, que se poderia dizer da vida sexual extra-conjugal? Creio que uma das mais sutis malícias do demônio é tentar persuadir os homens de que a ordem é a morte e a desordem a vida. Na realidade, nada mais vulgar do que o vício. O demônio não é profundo ― não é mais do que um revoltado. É um desertor que tenta fazer-se passar por evadido...&lt;br /&gt;As humildes realidades da vida quotidiana, o cortejo de pequenos deveres e de pequenos sofrimentos, em nada deverão alterar a pureza do amor nupcial. O verdadeiro ideal tira nova seiva destas pequenas coisas. O realismo da vida conjugal não tem por função profanar ou estiolar o ideal primitivo dos esposos, mas purgar este ideal das ilusões que com ele se misturam, e não reter dele mais do que a sua suprema essência. Na alma dos esposos que são dignos desse nome, a união do mais elevado amor e das necessidades mais terrenas, mais materiais, cria uma espécie de síntese do ideal e do real, uma espécie de realismo do ideal, se assim me posso exprimir, que em parte alguma poderá existir em tal grau.&lt;br /&gt;Josefina Soulary disse que Deus «se só estivesse lá em cima, não estaria em parte alguma».&lt;br /&gt;O casamento é, por excelência, a vocação que permite pôr Deus no que a vida tem aparentemente de mais comum e de mais banal.&lt;br /&gt;Ia-me esquecer de uma observação importante. O casamento deve ser um sacrifício, é certo. Mas um sacrifício recíproco. Haverá algo de mais vão, de mais prejudicial mesmo, do que uma imolação em sentido único? Dois egoísmos juntos travam-se mutuamente e, de certo modo, neutralizam-se. Que caldo de cultura não seria para as tendências egoístas de uma criatura o sentir em torno de se uma atmosfera de dedicação infatigável! Todos conhecemos lares em que o espírito de sacrifício de um dos esposos faz do outro um monstro de exigência e de egoísmo. Cada esposo deve tirar do espetáculo de generosidade do seu cônjuge, não um pretexto para fazer as suas vontades, mas um motivo para se imolar mais a si mesmo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;em&gt;(THIBON, Gustave, O Que Deus Uniu, Editorial Aster Ltda., Lisboa 1956)&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6188930667042584149-4559417971493272788?l=reconquistabr.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reconquistabr.blogspot.com/feeds/4559417971493272788/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6188930667042584149&amp;postID=4559417971493272788' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/4559417971493272788'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/4559417971493272788'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reconquistabr.blogspot.com/2008/08/vida-conjugal-e-sacrficio.html' title='Vida Conjugal e Sacríficio'/><author><name>Fernando Rodrigues Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16368448307317160453</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_6uSu6EByoPY/SjFpGEjjdoI/AAAAAAAAALU/_MCTy91mSS4/S220/fernandorodrigues.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6188930667042584149.post-3056599104959964935</id><published>2008-08-07T00:56:00.000-07:00</published><updated>2008-08-07T00:59:37.675-07:00</updated><title type='text'>A Sacralidade do Matrimônio</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;span &gt;&lt;strong&gt;JOSÉ PEDRO GALVÃO DE SOUSA (1912-1992),&lt;/strong&gt;&lt;em&gt; saudoso catedrático de Teoria Geral do Estado, tendo lecionado também História do Direito Nacional, não foi apenas o estudioso da filosofia política e da história, que nos deu entre outros livros, "Política e Teoria do Estado", "Iniciação à Teoria do Estado", "Introdução à História do Direito Político Brasileiro", "Raízes históricas da Crise Política Brasileira", e "A Historicidade do Direito e a Elaboração Legislativa", pois se debruçou em outros campos nos trazendo nestas linhas que retiramos de um precioso artigo originalmente intitulado "O Divórcio e a Família do Futuro" publicado na excelente revista tradicionalista Hora Presente (N. 9, Maio de 1971), lições mais do que nunca atuais.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Sacrifício: de &lt;em&gt;sacrum facere.&lt;/em&gt; Os sofrimentos em comum, na vida matrimonial, têm o sentido de uma oblação. O matrimônio realiza-se na sua plenitude e torna-se fonte de verdadeira felicidade quando os sacrifícios que exige são oferecidos a deus, na comum convicção dos cônjuges de que ao homem não cabe separar o que Deus uniu.&lt;br /&gt;Esse sentido mais profundo do casamento encontra-se nos povos primitivos e foi expresso na limpidez dos conceitos do direito romano: &lt;em&gt;nuptiae sunt coniunctio maris et feminae et consortium omnis vitae, divini et humani iuris communicatio&lt;/em&gt; (Modestino, D. 23. 2. 1)&lt;br /&gt;Foi preciso chegar ao neopaganismo contemporâneo – muito mais perverso do que o paganismo dos antigos gentios, porque este era o de uma sociedade que viveu sem conhecer o Cristianismo nem a Revelação mosáica, mas assim mesmo tinha consciência do sagrado e respeitava a lei natural, ao passo que o neopaganismo de hoje procede uma rejeição da mensagem cristã – para que o ao casamento e à família negassem os seus fundamentos religiosos.&lt;br /&gt;Como nos lembra Jean Daujat, &lt;em&gt;"o mundo moderno é o mundo que rejeitou as tradições religiosas sobre cujo fundamento a humanidade vivera até ai, e que se constituiu em revolta contra o Cristianismo e contra a civilização cristã que o precedera".&lt;/em&gt; (DAUJAT, Jean. O Cristianismo e o homem contemporâneo, Porto: Livraria Tavares Martins, p. 22).&lt;br /&gt;O divórcio, em nossos dias, é expressão do individualismo, ou seja, do "humanismo absoluto" do homem moderno, que se manifesta em duas etapas: o individualismo propriamente dito e o coletivismo, este, resultado e continuação daquele, sendo no fundo o individualismo levado ao extremo.&lt;br /&gt;Frisa-lo o mesmo autor na obra citada (p. 21-22): &lt;em&gt;"O humanismo absoluto do mundo moderno pode, aliás, tomas duas formas. Na primeira, que prevaleceu aos séculos XVIII e XIX, é o individualismo que reivindica uma independência e uma soberania absolutas: a sociedade, neste caso, unicamente pode ser um contrato livremente consentido só por ele, e onde ele faz a lei. É desta maneira que se terá uma sociedade arrastada pelas tendências e interesses contrários dos indivíduos e onde desaparece a noção de bem comum".&lt;/em&gt; Daí a lei do divórcio, sobrepondo o bem particular dos cônjuges ao bem comum. Tal individualismo caracteriza a sociedade liberal fundada nos princípios da Revolução de 1789.&lt;br /&gt;Daí para o coletivismo é um passo: &lt;em&gt;"bem depressa o indivíduo sentirá a incapacidade de exercer a soberania, e deixa-se absorver na potência da coletividade. Bem depressa igualmente os mais apetrechados explorarão e dominarão os outros. E deste modo se passará do individualismo ao coletivismo: o humanismo absoluto toma então uma forma nova que originará os regimes totalitários e que prevalece hoje cada vez mais. A reivindicação de independência absoluta transita do homem individual ao homem coletivo: é a coletividade que se atribui uma independência e soberania absolutas e se considera livre de qualquer verdade e de qualquer lei superior que se lhe imponham. O indivíduo torna-se então um simples instrumento do poder coletivo".&lt;/em&gt; É o que ocorre nas sociedades comunistas.&lt;br /&gt;O humanismo absoluto do homem contemporâneo é uma conseqüência da secularização ou dessacralização das mentalidades e das instituições, que teve início no outono da Idade Média e no dealbar da Renascença pagã e do protestantismo. A dessacralização penetra hoje na própria Igreja, não sendo, pois, de admirar que até mesmo certos católicos - quando não sacerdotes! – venham a público defender o divórcio, postergando assim o caráter sagrado do matrimônio&lt;/span&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6188930667042584149-3056599104959964935?l=reconquistabr.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reconquistabr.blogspot.com/feeds/3056599104959964935/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6188930667042584149&amp;postID=3056599104959964935' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/3056599104959964935'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/3056599104959964935'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reconquistabr.blogspot.com/2008/08/sacralidade-do-matrimnio.html' title='A Sacralidade do Matrimônio'/><author><name>Fernando Rodrigues Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16368448307317160453</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_6uSu6EByoPY/SjFpGEjjdoI/AAAAAAAAALU/_MCTy91mSS4/S220/fernandorodrigues.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6188930667042584149.post-169886053480581293</id><published>2008-08-07T00:52:00.000-07:00</published><updated>2008-08-07T00:55:39.204-07:00</updated><title type='text'>Carta aos Pais</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;André Charlier&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Esta carta de André Charlier merece ser lida duas vezes. Uma, por seu conteúdo e oportunidade; Outra, tendo-se em vista a data em que foi escrita, 22 de outubro de 1954, quando Charlier era diretor da escola preparatória de Clères, na Normandia. Embora escrita para pais franceses, estas breves reflexões certamente interessarão ao leitor brasileiro.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;em&gt;(Publicado na revista Permanência &lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.permanencia.org.br/"&gt;&lt;em&gt;www.permanencia.org.br&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;)&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Prezados amigos, escrevi há muitos anos "cartas aos pais", e parei de escrevê-las, uma vez que, no final, não via utilidade. Elas não persuadiam senão aqueles que já se encontravam persuadidos. Muitos me escreviam: «Como o sr. tem razão!», mas não passavam desta aprovação platônica. Ora, tenho muito pouco tempo para escrever coisas inúteis. Se escrevo aos senhores hoje mais uma vez, é porque uma imperiosa necessidade me incita a isto. É preciso, de todo modo, que o homem ao qual os senhores confiaram a educação de seus filhos lhes diga o que pensa da juventude da França que cresce. Sua responsabilidade moral, como a minha, está empenhada e é preciso que aos senhores seja apresentada a realidade. O quadro que apresento é uma visão geral cujos elementos não foram tomados apenas do que pude constatar na Escola. Do que tenho a lhes dizer, cada um aproveitará o que quiser ou puder.&lt;br /&gt;O que me espanta mais, é o quanto esta juventude é pouco viril. E por que é assim? Porque, simplesmente, os senhores jamais exigiram nada dela. Os senhores apenas se preocuparam de que fossem felizes e realizaram todos os seus desejos; desde a primeira infância, os satisfizeram de todos os modos possíveis; como poderão querer que tenham a idéia de que, por um lado, a vida é difícil, que as coisas difíceis são as únicas que interessam e que, por outro lado, todas as alegrias se compram e mesmo que custam tanto mais caro quanto mais elevadas são? Tudo sempre lhes foi dado e eles julgam normal que tudo lhes seja dado, estimam mesmo que é seu direito; e como a cultura e a ciência não se comunicam por si mesmas, vêem nisso uma espécie de injustiça. Eles não estão longe de se considerarem vítimas, posto que o Latim e as matemáticas não entregam tão facilmente os seus segredos.&lt;br /&gt;Isto é assim porque, na educação que os senhores lhes deram, eles sempre receberam tudo de graça. Os senhores foram vítimas da demagogia universal e do moderno liberalismo, que considera a autoridade um vestígio de tempos bárbaros. Os senhores repudiaram a autoridade; quiseram agradar seus filhos para serem amados: mas não serão mais amados do que nossos pais o foram e serão, talvez, menos estimados por seus próprios filhos quando estes tiverem idade para julgar. Pois não lhes ensinaram que tudo tem um preço e que as coisas de valor custam caro. Jamais tiveram necessidade de merecer os prazeres que lhes foram dados; jamais aprenderam a fazer coisas contrárias às suas vontades. Ora, não é coisa agradável, em si mesma, por exemplo, estudar as declinações do latim ou do alemão.&lt;br /&gt;Quando eu era pequeno, aprendi a fazer sem discutir o que me era ordenado; prestaram-me, assim, um imenso serviço. Mas, seus filhos, como discutem tudo! Não param nunca de discutir! Nada parece agradável para eles. Julgam tudo à medida de seu prazer imediato. Não se surpreendam que não tenham nem obediência, nem disciplina, nem respeito, nem senso de dever. E mais: os senhores os cumularam a tal ponto, que não querem mais nada, e eu jamais vi coisa mais desoladora do que jovens sem vontade. A ausência de vontade é um estanho bem-estar.&lt;br /&gt;Julgam que sou pessimista? Mas os professores que conheço me dizem precisamente o mesmo. Aliás, nas conversas que tive com os senhores, todos mostraram estar de acordo com o que disse, apenas esqueceram de aplicá-lo nas próprias casas. Os senhores não se dão conta de que se preocupam imensamente com tudo que diga respeito à saúde, alimentação, conforto, férias ― e também com os estudos, pois, no final, há o sacro-santo vestibular ― mas, e quanto à alma dos seus filhos, ela os preocupa? Enquanto aguardo que o respondam perante Deus, pergunto: Que homens os senhores darão à França?&lt;br /&gt;Os senhores sabem, contudo, que a vida não é fácil. Seus encargos profissionais são cada vez mais pesados. Os senhores estão insensíveis para o quanto a França diminuiu-se politicamente no mundo, o quanto ela decepciona seus amigos estrangeiros por não trabalhar o bastante, por não saber governar sua casa, por ter perdido suas forças em discussões estéreis. Acreditam que uma geração sem alma livrará a França de seu mal? Pois estamos prestes a fabricar a geração mais medíocre que a França jamais conheceu, pois nossos filhos não sabem mais impor a si mesmos tarefas desagradáveis. Aliás, eles encontraram um maneira fácil de escapar delas, que é a dos fracos: eles mentem. Mentem aos senhores, e os senhores não se dão conta. Quanto a mim, gasto um tempo precioso para descobrir suas mentiras. Jamais tive tanta dificuldade para estabelecer, em meu internato, uma atmosfera de lealdade. Não seria assim se os senhores tivesse comunicado o sentimento de que a regra nos ultrapassa e que a devemos respeitar. Mas, como os srs. são franceses — os franceses são anárquicos ― os srs. dão a eles, involuntariamente, o sentimento de que podemos burlar a regra. Para as saídas de domingo, fixei que se deveria voltar às 17 horas — pois a esta hora há, seja um estudo, seja um ofício na capela: mas cada domingo há alunos atrasados. Estabeleci como regra absoluta que os alunos não devem levar dinheiro com eles, mas os srs. lhes dão por trás de minhas costas, o que os instala na mentira e produz conseqüências por vezes muito graves.&lt;br /&gt;Após nos ter confiado seus filhos, os srs. pararam de se preocupar com sua educação. Mas os senhores nos repassam a responsabilidade de fazer o que os srs. mesmos não têm a coragem de fazer. Os srs. abdicaram. Sei bem que, dada a atmosfera moral do mundo moderno, a tarefa dos pais, se a quiserem cumprir escrupulosamente, é uma tarefa quase heróica. Pois bem, é preciso tomá-la como tal, e não fugir dela. Ninguém os substituirá e, apesar de tudo, os senhores responderão por ela. Os srs. sabem o que se passa nas casas de educação, mesmo religiosas? Os educadores estão completamente impotentes: ocupam-se dos melhores e deixam a grande massa dos medíocres com sua mediocridade.&lt;br /&gt;Somos aqui uns poucos que se põem a fazer uma tarefa que, hoje, ninguém mais quer fazer e que ninguém quer ajudar, sob nenhum ponto de vista. Portanto, não nos dê o desgosto de achar que, aquilo que arduamente fazemos de um lado, é freqüentemente desfeito por outro. Jamais foi tão difícil retomar o trabalho como este ano, após as férias, pois estas foram demasiado doces, prazerosas, confortáveis. E sobretudo, quando os srs. vierem aqui, abandonem a idéia de que estes pobres meninos devem ser, a todo preço, confortados do mal de serem internos com quilos de bombons, gordos desjejuns ou sei lá o que. Tento tratá-los como homens, e peço que acreditem: não é fácil. Ser homem não consiste em discutir e colocar tudo perpetuamente em discussão. Consiste em assumir responsabilidades corajosas e generosas em uma ordem que nos ultrapassa. Façam, pois, como eu. Acham que é heróico? Sejam, pois, heróis. Não há outra coisa a fazer.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6188930667042584149-169886053480581293?l=reconquistabr.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reconquistabr.blogspot.com/feeds/169886053480581293/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6188930667042584149&amp;postID=169886053480581293' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/169886053480581293'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/169886053480581293'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reconquistabr.blogspot.com/2008/08/carta-aos-pais.html' title='Carta aos Pais'/><author><name>Fernando Rodrigues Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16368448307317160453</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_6uSu6EByoPY/SjFpGEjjdoI/AAAAAAAAALU/_MCTy91mSS4/S220/fernandorodrigues.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6188930667042584149.post-7246661284846556322</id><published>2008-08-07T00:43:00.000-07:00</published><updated>2008-08-07T00:52:20.635-07:00</updated><title type='text'>Crianças de hoje</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Luce Quenette&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;(educadora católica francesa. O presente artigo foi publicado na revista Permanência).&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Em toda sociedade civilizada, há um constante apelo à honra, o que naturalmente provoca sentimento de culpa nos que violam suas leis e usos. Alguém dirá que uma tal sociedade engendra a hipocrisia. Pois bem! Quando a virtude e a decência são honradas, o homem perverso não tem outro recurso, se não quiser converter-se, que o de dissimular, fingindo virtude. E finge tão mal, que as pessoas honestas chamam-no hipócrita. Mas, &lt;em&gt;"a hipocrisia é uma homenagem que o vicio presta à virtude".&lt;/em&gt; A decência e a virtude não lhe servem de causa, mas de ocasião. A honra a que elas têm direito e que lhes prestamos é ocasião de inveja, dissimulação, astúcia e furto. Ora, toda lei justa, a começar pelos Dez Mandamentos, é ocasião de pecado para o coração concupiscente. A lei protege o fariseu, evidentemente. Poder-se-ia dizer que a lei é má, como fala São Paulo? Longe disto. Ela é boa. Mas por si mesma, sem a graça de Jesus Cristo, não pode nada. Toda organização da sociedade cristã esta aí. É preciso que Ele reine.&lt;br /&gt;A cura de toda hipocrisia e de todo cinismo é o conhecimento da lei em estado de graça.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quem vos fala é uma mãe. Ela leva a Péraudière seu filho mais velho, de cinco anos e meio. Com coragem, seu marido e ela percebem o rosto ligeiramente angustiado do pequeno João, que nunca deixara o doce lar:&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;"Nós o teríamos colocado no Sacré-Coeur, com os jesuítas, bem próximo de nossa casa, mas soubemos que nas turmas da 10a. série, sim, no Sacré-Coeur (!), havia lições de iniciação sexual, e com imagens". &lt;span style="color:#000000;"&gt;Foi uma mãe que nos disse isso. Ela tinha acabado de levar seu filhinho para a entrada do colégio. Disse a ela: "a senhora precisa tirá-lo de lá, não pode deixar que se cometa este atentado."&lt;/span&gt; Ela suspirou: "Que posso fazer? Isso agora é permitido".&lt;/span&gt; Horrorizada, interroguei outros pais na mesma situação e cheguei a esta terrível conclusão: não somente eles o admitiam, mas SE JUSTIFICAVAM, pensando que estavam legitimamente dispensados de dar aos filhos uma iniciação que os embaraçava; eles calavam sua repugnância com o slogan criminoso: você sabe, hoje em dia, é um pouco mais cedo ou um pouco mais tarde!"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;* * * &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eis um pequeno idoso (de um ano de idade) que foi, antes do mais, insuportável e que, de volta das férias, mantinha-se ereto, com um aspeto respeitoso e altivo entre o pai e a mãe. Eu sentia, no entanto, que aquilo era demais. A mãe fez com que o filho fosse dar uma volta e me disse que, durante as férias, a criança fora terrível. "Bom, disse eu, é preciso chamá-lo e dizer tudo na frente dele." É o que eu faço. Meu filho abaixa a cabeça, confuso, envergonhado, arrependido. A mãe, tímida: "Sabe, filho, não é para te machucar nem te fazer sofrer que dizemos essas coisas." — "Mas sim, Madame, é para fazer sofrer, para machucar seu coração, que ama a mamãe, para que ele se arrependa e que, nas próximas férias, vocês tenham um filho carinhoso. Ele entende muito bem e sabe que estamos certos." Dois olhares: Alan eleva os olhos, que oferecem seu acordo e humildade. Por sua vez, o olhar bom da mãe é de espanto e admiração. Quanto ao pai (pois há ainda sua opinião), este se inclina perto da mãe e diz, contente: "Viste, bem que te avisei!"&lt;br /&gt;Que estes amigos encantadores perdoem-me de mostrar, por meio deles, na alma do educador e do filho deles, a passagem de uma correção derrisória, conforme a moda, à nobre beleza da justiça cristã. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É espantoso o zelo com que as crianças cristãs recebem o apelo doutrinal à conversão. Seu coração, preparado pelo batismo e pela fé de seus pais, instintivamente repugna à justificação conforme o mundo. Claro, uma criança mimada se compraz, em seu egoísmo e sensualidade, de ser "compreendida" e não "repreendida". Serve-se gulosa e insolentemente das falsas desculpas e explicações que lhes oferecem para seus pecados. Mas isso a enerva, a excita, e não a acalma. Os grandes ingênuos que "compreendem" sua gulodice, sua preguiça, sua tirania, ele os despreza e explora. Mas, se os pais são cristãos, se estão resolvidos a preservar a alma de suas crianças, custe o que custar, ainda que lhes faltem algumas luzes e, por conseguinte, o savoir-faire, nada estará perdido. Nós vemos isso claramente. O pequeno novato entra na Péraudière convencido de que é preciso fugir do mal que o assediou, que respirou e que cometeu nas más escolas; ele sabe que vai aprender a servir a Deus segundo a Tradição e que é por isso que seus pais se separaram dele. A disposição fundamental é justa.&lt;br /&gt;Então, convém, o quanto antes, após alguns dias em que se terá experimentado a afeição e a solicitude, levá-lo à conversão. O que eu disse aqui é fruto da experiência dentro de uma escola, em busca de nosso fim essencial; isso, eu digo para todos os fundadores de escola e para todas as famílias.&lt;br /&gt;Graças a Deus e a pais santos, as crianças já entram na escola convertidos. Mas, para tantos outros, a reeducação da alma, afetada pela terrível psicologia que justifica o mal, deve começar pela conversão. Resumirei isso tudo com a seguinte e surpreendente declaração de uma criança de dez anos, que guardo comigo há muitos anos, como a fórmula mesma da conversão do coração: &lt;em&gt;"Pareceu-me, de repente, disse-me esta criança, que Deus me dizia: Olha para tua vida! Daí, enxerguei todos os meus pecados, quis que eu nunca voltasse a cometê-los e fui para o confessionário." &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Eis o ponto de partida, todo resto é vão: as exortações para se dedicar, para agradar àqueles que o amam etc, etc, tudo é vão, antes.&lt;br /&gt;Olha, meu filho, e vê, à luz das lições do catecismo, da lição sobre o pecado, dos novíssimos, do exame de consciência seguindo os mandamentos, à luz da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. Olha, minha criança, olha para tua vida! A criança volta-se para si mesma, se entristece na contrição e examina seus pecados cuidadosamente, com uma seriedade que nos faz repetir para nós mesmos: "Se não fores semelhantes a um desses pequeninos!" E finalmente, com confiança e humildade, se entrega ao Tribunal da Penitência.&lt;br /&gt;Bendito o padre, ministro fiel de Jesus, que recebe com respeito e atenção este retorno do filho pródigo! Digo mesmo "retorno do filho pródigo" porque sei que, mesmo entre pessoas piedosas, que se dizem fiéis e tradicionalistas, ainda reina o instinto estúpido de não levar a sério as faltas de uma criança, de sorrir de sua gravidade, de não dar importância a seu arrependimento pela maneira pueril de a acolher.&lt;br /&gt;Muitos educadores me acusam de dar muita importância a esta reviravolta na alma de uma criança, de levá-la mesmo às raias do escrúpulo e, porque não, de ser jansenista...&lt;br /&gt;Julga-se a árvore pelos seus frutos: a criança convertida sai do Tribunal da Penitência radiante, banhada pela misericórdia, começando uma nova vida; ela corre para diante do Tabernáculo, reza sua penitência com os mesmos sentimentos de Joinville ao partir para a cruzada.&lt;br /&gt;É preciso saber que tudo que se subtrai da gravidade do pecado por meio de um freudismo disfarçado, subtrai-se da misericórdia de Deus e da dignidade livre do animal racional.&lt;br /&gt;Após este banho salutar de penitência, a criança convertida não está ao abrigo das tentações; contudo, a experiência permite dizer que elas são bem menos freqüentes e que "dão menos vontade". A Santa Virgem esmaga a cabeça da serpente, sobretudo se temos o hábito do recurso filial e contínuo à sua Santa Maternidade, através do terço cotidiano e da invocação repetida.&lt;br /&gt;A criança convertida é mais calma, mais feliz; possui "esta moderação das pessoas felizes" da qual fala La Rochefoucauld. Ficam mais espaçadas as cóleras de criança mimada e sem vida interior, que se revoltava à privação de um prazer ou à perspectiva de um esforço.&lt;br /&gt;A criança convertida é mais inteligente. O nível intelectual das crianças saídas das escolas de hoje é lamentável. Na verdade, as classes atuais não fazem mais pensar. As novas matemáticas ajudariam a preencher este vazio, se a inacreditável preguiça não o impedisse. Ora, a conversão opera o mais profundo movimento das faculdades espirituais. A graça exige da alma no que toca a inteligência, intuição, lucidez, atenção; no que toca a vontade, humildade, resolução, execução, além do sábio governo da sensibilidade.&lt;br /&gt;É possível mensurar de quantos bens naturais e sobrenaturais estão privadas as crianças de hoje, por obra de uma heresia que as submete à vigílias de penitência e à sacrílegas absolvições coletivas, sem confissão de pecados? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É preciso que os pais católicos estejam convencidos da necessidade sobrenatural da penitência e da conversão; e que, nesta perspectiva (de guardar as crianças na fé de Jesus Cristo, quer dizer, em estado de graça), eles tornem-se severos.&lt;br /&gt;Outro fruto da experiência: as crianças convertidas têm orgulho de ter pais severos. Isso é evidente: a criança contestadora se insurge contra toda proibição, pois despreza a lei e aqueles que a anunciam. A criança cristã honra a autoridade, que a quer em paz com o Céu.&lt;br /&gt;Isso é evidente, comprovado.&lt;br /&gt;Recebi, em meados de setembro, duas cartas de dois irmãos terríveis, briguentos, mas convertidos. Ei-las: &lt;em&gt;"No final destas férias, tornamo-nos insuportáveis de novo. Mas nossos pais agiram bem: brigaram conosco e nos puniram como merecíamos."&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Esta é uma apreciação de espíritos livres e clarividentes, sem sombra de insolência, mas profundamente satisfeitos da ordem justa das coisas.&lt;br /&gt;Mais um fato, dentre os muitos do ano passado: explicávamos, no catecismo, o quarto mandamento; quatro meninos, de seis a oito anos, enxugavam a louça; criam-se a sós; mas, enquanto isso, uma senhorita corrigia seus cadernos numa sala vizinha, cuja porta estava aberta. Estes são os mais velhos, que tem o hábito de lavar a louça em paz e conscienciosamente.&lt;br /&gt;A conversa a sós estava bem animada:&lt;br /&gt;Roberto: tua mãe te dá muita bronca?&lt;br /&gt;Carlos: Ah sim, e me castiga mais que às meninas.&lt;br /&gt;Roberto: Por quê?&lt;br /&gt;Carlos (sem modéstia): Porque as meninas fazem menos besteiras do que os meninos (ele tem três irmãzinhas).&lt;br /&gt;João: E quando tua mãe te castiga, ela te bate?&lt;br /&gt;Carlos: Antes ela me explica, sempre, e depois que eu entendo, ela bate bem forte. Aí, então, tomo juízo.&lt;br /&gt;Roberto: Quem me bate é o papai. Ele pega um couro e bate bem forte. E o teu pai, ele é duro contigo?&lt;br /&gt;Carlos: Menos que a mamãe, porque ele quase sempre está fora. Mas mamãe conta pra ele.&lt;br /&gt;João: Meu pai começou a dar bronca há pouco; desde que estou na Péraudière, ele dá muito mais bronca.&lt;br /&gt;O quarto menino não disse nada. E você, que teu pai e tua mãe fazem?&lt;br /&gt;Paulo, (envergonhado e, mesmo assim, tentando se gabar): Mamãe se zanga e meu pai também.&lt;br /&gt;João: Mas eles te castigam?&lt;br /&gt;Paulo: Eles dizem que isso certamente vai acontecer.&lt;br /&gt;João: Então, fala para eles... Explica como se faz. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Alguém dirá: "Mas você não tem o direito de ‘julgar’ a culpa de ninguém". Compreendamos: eu certamente não tenho o direito de julgar o seu grau de culpa e de responsabilidade. Não tenho este direito porque não tenho como exercê-lo. Não enxergamos o interior dos corações. Só Deus julga. Mas tenho o dever de julgar a espécie moral do ato. Dever inscrito na economia mesma da Lei: não matarás; não atentarás contra a castidade; não tomarás o bem alheio. Isto evidentemente significa que o homicídio, o adultério e o roubo são crimes e que aquele que os comete é culpado, é pecador.&lt;br /&gt;A Caridade, a verdadeira, está em preveni-los disso; o que significa, em conformidade com a justa e familiar expressão, "fazer com que se sintam culpados".&lt;br /&gt;O sentimento de culpa, que é uma emoção, tal qual o pudor no inocente, é advertência e prevenção. É a ressonância na sensibilidade dos ditames da consciência; a culpa é a vingança da honra, a vitória da justiça, da justiça de Deus e de uma sociedade que reconhece o valor absoluto do Bem.&lt;br /&gt;Bendita e terrível culpa, colada ao dogma do pecado original: tiveram vergonha e se ocultaram. "E o Senhor Deus chamou por Adão, e disse-lhe: Onde estás?". O inimigo da Salvação enganou-os mortalmente: "sereis como deuses" A terrível e austera ironia do Todo-Poderoso faz crescer a culpa, torna-a aguda, cortante, até que os humilhe e mortifique: "Eis que Adão se tornou como um de nós!"&lt;br /&gt;A alma envergonhada experimenta a feiúra e o ridículo do pecado. Então, ela escuta a promessa de um Redentor.&lt;br /&gt;Açular o vício atacando o sentimento de culpa, não é caridade, mas crueldade satânica.&lt;br /&gt;Face à Onipotência de Deus, à morte, ao inferno, ao amor de Nosso Senhor, à clareza dos seus mandamentos e da Cruz, confesso: sim, isto eu fiz. Em verdade, digo que fui insensato. Eu me levantarei e irei ao meu Pai.&lt;br /&gt;Demonstrar, pela razão e pela fé, a loucura do pecado à criança, após o ter meditado e vivido por si mesmo, é fortalecer seu coração e defendê-lo contra Satã; é despertar, ressuscitar de algum modo a inteligência; é incendiar de amor sua vontade e enchê-la de força para todo o sempre, quaisquer que sejam as quedas possíveis.&lt;br /&gt;Mas, ao contrário, "compreender" o pecado, pretender justificá-lo, é desarmar e desesperar (porque é enganar) a natureza livre resgatada por Jesus Cristo.&lt;br /&gt;"Fatal", "inevitável", "renovador", "enriquecedor", — o pecado compreendido desta forma escapa à Redenção, e nos conduz ao inferno; o pecado, assim travestido, tornar-se-á inconsolável, inexpiável, irremissível.&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;Se compreender o ato pecaminoso é enfatizar as circunstâncias atenuantes, o melhor é recorrer à própria doutrina da Redenção. Aí, a psicologia há de encontrar tudo que é preciso.&lt;br /&gt;O catecismo nos ensina que o pecado do anjo é irremissível, porque o anjo, puro espírito, vê diretamente, sem o véu da carne, a obrigação absoluta do serviço de Deus. Quando este diz: "Non serviam", sua clarividência é completa, assim como seu consentimento; daí, precipita-se no inferno.&lt;br /&gt;O homem, feito de corpo e alma, vê o Bem e a obrigação do serviço de Deus, mas sob os véus dos seus sentidos, aos quais falam as coisas sensíveis. O fruto proibido não era, para o homem, apenas proibido, mas "bom para comer e formoso aos olhos". A mulher escuta a serpente e o fruto proibido é, em seguida, apresentado por Eva à Adão, que é fraco e complacente com relação à Eva.&lt;br /&gt;Deus pode condená-lo e precipitá-lo no inferno; mas Ele condescende, porque o homem fora induzido pela fraqueza da carne, prometendo-lhe um Salvador após o seu arrependimento.&lt;br /&gt;Mas o ato do pecado em si, em sua malicia essencial, é absurdo e incompreensível. É o mistério da iniqüidade em cada consciência. Preferir a criatura à Vontade do Criador, o prazer à eternidade da alegria, sublevar-se contra o amor de Nosso Senhor e recusar-Lhe submissão e obediência quando a razão e a fé gritam sua necessidade, isto, em si, no ato mesmo, é algo que não se pode compreender, é algo de incompreensível, e tão errado quando mau.&lt;br /&gt;Daí ser preciso, para a conversão, contemplar, se assim podemos dizer, o absurdo do pecado e, depois de haver compreendido suas tristes circunstâncias (a fraqueza da carne, a cegueira da razão, a tibieza da fé), compreender também que tudo isso não explica a malicia intrínseca deste consentimento interior ao mal.&lt;br /&gt;Neste ponto, o catecismo é esclarecedor. Para que haja pecado mortal, é preciso que haja:&lt;br /&gt;1) matéria grave;&lt;br /&gt;2) plena consciência;&lt;br /&gt;3) pleno consentimento.&lt;br /&gt;Isto é demonstrar o absurdo do pecado, em sua própria natureza; ora, um dos motivos mais eficazes de conversão, e que assegura a sua solidez, é a consideração do absurdo do pecado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Muitas mães se preocupam com o catecismo. Querem encontrar catequistas, mas não pensam em ensinar o catecismo elas mesmas. Ficamos estarrecidos de ver tantas mães em tal situação. A mãe, a irmã ou o irmão mais velho e, porque não, o pai, os avós devem ser ou tornar-se capazes, o mais rápido possível, de ensinar em casa a doutrina cristã que receberam.&lt;br /&gt;É preciso estudar. É um dever estrito, uma obrigação pela qual prestaremos contas no Tribunal de Deus.&lt;br /&gt;Fiquei surpresa, no retorno às aulas, ao constatar que alguns destes pequeninos (6, 7 anos de idades) não sabiam o pelo-sinal, que os meninos maiores ignoravam o Pai Nosso e a Ave Maria em latim, ou responder o Angelus em latim.&lt;br /&gt;Como é fácil remediar isso tudo!&lt;br /&gt;Pacientemente repetimos que é preciso trabalhar o catecismo de São Pio X todo dia, o qual deve ser procurado, além do Catecismo do Padre Emmanuel (Catecismo da Família Cristã), sobre o qual Jean Madiran escreveu: "Se tiverem outros catecismos, este não será redundante. Se preferirem ter apenas um livro de catecismo, é este que recomendamos. É útil para a família inteira, em família; serve aos grandes e aos pequenos, aos pais e aos filhos."&lt;br /&gt;Mãos à obra! todo dia! A Santa Virgem abençoará esta meia hora arrancada, na busca do Céu, das ocupações da terra. As graças atuais serão dadas à professor materna,junto com os frutos da luz e da paz no coração dos pequenos.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6188930667042584149-7246661284846556322?l=reconquistabr.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reconquistabr.blogspot.com/feeds/7246661284846556322/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6188930667042584149&amp;postID=7246661284846556322' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/7246661284846556322'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/7246661284846556322'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reconquistabr.blogspot.com/2008/08/crianas-de-hoje.html' title='Crianças de hoje'/><author><name>Fernando Rodrigues Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16368448307317160453</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_6uSu6EByoPY/SjFpGEjjdoI/AAAAAAAAALU/_MCTy91mSS4/S220/fernandorodrigues.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6188930667042584149.post-6670900828312627529</id><published>2008-07-29T17:54:00.000-07:00</published><updated>2008-07-29T17:57:49.652-07:00</updated><title type='text'>Jordan Burno Genta: Pedagogo do ¡O juremos con gloria morir!</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Certa ocasião o Padre Leonardo Castellani, ao dedicar a Jordán Bruno Genta um exemplar de seu livro Martita Ofelia y otros cuentos de fantasmas, estampou, com sua letra tão inimitável como seu talento: &lt;em&gt;"A Jordán B. Genta, pedagogo del&lt;/em&gt; &lt;em&gt;¡O juremos con gloria morir!".&lt;/em&gt; Se levarmos em conta que, então, Genta era um jovem professor universitário, não é difícil advertir que a dedicatória, ademais de justa, resultou profética. Pois não só, no transcorrer to tempo, Genta mesmo morreria com glória - a glória dos mártires- senão que todo seu dilatado magistério estaria dedicado, além de buscar reabilitar a inteligência argentina, foi formar homens (sobretudo soldados) capazes de morrer com glória. O exemplo mais notável foram os pilotos da Força Aérea Argentina na Guerra das Malvinas. Não o dizemos nós: disseram os próprios ingleses.&lt;br /&gt;Jordán B. Genta constitui um modelo autêntico de mestre cristão. Foi um pedagogo; e um pedagogo de raça. Assim testemunha um dilatado magistério de mais de quarenta anos que começou desde tenra idade e culminou sua morte, sua última e mais lição.&lt;br /&gt;Reunia em suas aulas uma multidão de pessoas de condições diversas que acudiam atraídas pela clareza de seu pensamento, a riqueza de sua doutrina e sua personalidade cativante. A palavra viva era o coração e o centro de sua pedagogia (a "pedagogia do verbo", gostava de chama-la) pois conhecia muito bem o poder arrebatador da palavra sobretudo quando ela é imagem do Verbo, do Logos Incriado.&lt;br /&gt;Bebia na fonte dos clássicos e dava de beber a seus alunos a água dessa mesma fonte; por isso o texto frontal, direto, era o centro congregante de suas aulas. Mas a pedagogia de Genta não apontava para formação da inteligência (a "reabilitação da inteligências nos hábitos dos metafísicos" e o exercício da "nobre arte das definições", como costumava dizer) senão que se dirigia, ademais, a formação inteira do caráter na imitação dos grandes arquétipos. O santo, o herói, o poeta, o sábio: tudo quanto há de eminente, de egrégio, de expressão cabal de superioridade humana, colocava e propunha Genta em suas aulas, convencido da atração irresistível que o arquétipo exerce sobre as almas.&lt;br /&gt;Por isso sua pedagogia foi, por sua vez, pedagogia do verbo e pedagogia dos arquétipos&lt;br /&gt;Mas, posto que Genta foi acima de tudo um mestre cristão, sua pedagogia não pode ser senão cristocentrica porque Cristo é o Verbo Encarnado e o Supremo Arquétipo. Esta pedagogia teve, pois, em vista a formação de autênticas superioridades e hierarquias sociais e intelectuais, homens e mulheres lúcidos, capazes de buscar, conhecer e amar a verdade e dispostos a defende-la mediante o testemunho, ainda que a custa da própria vida. "Filosofar é aprender a morrer" costumava repetir com freqüência.&lt;br /&gt;No entanto, sabe-se, também, que esta pedagogia - que em sua última ratio apontava à eternidade - teve, não obstante, uma envergadura temporal e histórica concreta pois ela não se entendia sem sua essencial referência e ordenação para a Argentina, ao seu tempo, ao seu drama e ao seu destino. Foi um pedagogia que abraçou, em síntese admirável, dois amores: Cristo e a Pátria. Genta amou a Argentina com um amor que ele mesmo não trepidou em qualificar de "amor exacerbado" frente a Pátria em perigo extremo de dissolução. Por isso, a medida que esse perigo foi incrementando-se até alcançar uma magnitude insuspeita no cenário da Guerra Revolucionaria que foi imposta ao país desde fora com a cumplicidade de atores locais, esse amor exacerbado alcançou, também, seu cimo. Os anos finais do magistério de Genta são um testemunho vivo disto que dissemos. Seus escritos, suas conferências, suas lições adquiriram um tom profético, um chamado gratificante as forças naturais de resistência as quais convocou ao combate em defesa da Cidade assediada&lt;br /&gt;A mais de três décadas de sua morte como mártir, Genta resulta, hoje, mais atual que nunca, nesta Argentina assediada, já não pelos exércitos dos partisans, senão, pelas forças obscuras de uma dissolução gradual e sustentada que vai minando e corroendo as almas e as instituições.&lt;br /&gt;É esta hora de velar, de vigília atenta. Estamos de guarda. Que a vida e a obra de Jordán B. Genta nos inspirem, pois, e nos ajudem a fazer realidade - se assim Deus nos pede - a estrofe do Hino: &lt;em&gt;"O juremos con gloria morir".&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6188930667042584149-6670900828312627529?l=reconquistabr.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reconquistabr.blogspot.com/feeds/6670900828312627529/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6188930667042584149&amp;postID=6670900828312627529' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/6670900828312627529'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/6670900828312627529'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reconquistabr.blogspot.com/2008/07/jordan-burno-genta-pedagogo-do-o.html' title='Jordan Burno Genta: Pedagogo do ¡O juremos con gloria morir!'/><author><name>Fernando Rodrigues Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16368448307317160453</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_6uSu6EByoPY/SjFpGEjjdoI/AAAAAAAAALU/_MCTy91mSS4/S220/fernandorodrigues.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6188930667042584149.post-4353252194887494267</id><published>2008-07-29T17:49:00.000-07:00</published><updated>2008-07-29T17:54:00.368-07:00</updated><title type='text'>Indispensáveis bispos ...</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Pbro. Christian Bouchacourt.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;(Fraternidade Sacerdotal São Pio X)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;«Já faz ao redor de cinqüenta anos que a quase totalidade dos países católicos renunciaram a sê-lo. Todos feridos do mesmo mal –do ateísmo e do laicismo– e perturbados pela desordem social e econômica que nenhum remédio parece conseguir curar. A isso se acrescenta uma terrível decadência moral que vai sendo imposta pelos adversários da Igreja, com mais ou menos êxito conforme o grau de resistência que encontram. Em certas ocasiões, alguns projetos como o aborto, o controle de natalidade, a legalização da homossexualidade e a educação sexual nas escolas não entram em vigor imediatamente pela coragem de certos bispos e políticos; mas, curiosamente, tais projetos nunca são deixados de lado. Os inimigos da Igreja e da Cristandade jogam com o tempo. Sabem que as suas idéias serão impostas mais cedo ou mais tarde, atrasando-as eficazmente e difundindo-as pelos meios de comunicação que eles controlam de modo quase exclusivo.Durante esses cinqüenta últimos anos fizeram-se, em alguns países, tentativas de salvar a sociedade católica; no entanto, elas não tiveram efeitos duráveis. Existe algo assim como uma maldição que parece esterilizar todos os movimentos de restauração católica, ao mesmo tempo em que os adversários navegam sempre com bons ventos. A que se deve isso?Numerosos são os leigos católicos que abandonam o combate, vencidos por repetidos fracassos. Enfim, alguns crêem que já não há nada a fazer senão esperar que venham "os acontecimentos" iminentes anunciados por aparições mais ou menos duvidosas. No entanto, nada vem… Pelo contrário, a decadência religiosa, econômica e social continua acelerando-se. Até onde chegarão os inimigos da Igreja? Como conseguem coroar com tanto sucesso seus funestos projetos?A mesma Igreja está marcada por este sintoma de autodestruição. Por quê? A crise que Ela atravessa tem um lado misterioso, como o teve a Paixão de N. Senhor Jesus Cristo. Pois bem, podem-se apontar com certeza as autoridades culpáveis da morte de Cristo: os chefes dos sacerdotes judeus. Apertaram as mãos das autoridades políticas para condenar o Salvador e eliminar a influencia extraordinária que Ele exercia sobre a multidão, da qual estavam invejosos. São estas autoridades religiosas judias as que levaram Cristo diante dos tribunais civis e conseguiram sua condenação e morte.Hoje vemos este mesmo concubinato das autoridades religiosas com os dirigentes políticos condenar à morte a sociedade católica. Os papas e os bispos nomeados por eles, impregnados de modernismo e liberalismo desde João XXIII, são os principais responsáveis de uma desintegração da sociedade católica que parece inevitável. Durante o último concílio pensaram ser possível fazer católicos os princípios da Revolução Francesa, tal como o afirmará o próprio Cardeal Ratzinger. É como querer batizar o diabo … Esta união contra natura da Igreja e da Revolução é a causa dos males que abrumam a Igreja e a sociedade civil. Estes princípios preparados nas lojas maçônicas são os que fizeram entrar "a fumaça de satanás" na Igreja e mataram a alma das sociedades católicas.Não faz muito tempo um bispo que me recebeu no seu escritório confessou que tivera problemas para aplicar algumas reformas e aceitar alguns textos do último concílio. No entanto me disse: "seguindo o Papa, estava seguro de estar na verdade. Por tanto, aceitei tudo". Com princípios semelhantes, São Paulo não deveria ter resistido a São Pedro e, nesse caso, todos os batizados ainda estaríamos submetidos à circuncisão e às praticas da religião judaica! Santo Atanásio também não deveria ter combatido a heresia ariana, nem deveria ter sido canonizado, apesar da oposição ao Papa. Ao escutar estas objeções, o bispo respirou fundo e conduziu a conversa a outros assuntos…A Igreja e a sociedade padecem da caída dos bispos que já não têm coragem de ensinar a sã doutrina nem de denunciar o erro. Para muitos, o restabelecimento do reinado social de N. Senhor é um ideal envelhecido ou inalcançável. Por isso louvam o pluralismo religioso na sociedade e o exigem, recusando todo estatuto especial para a Igreja. Queria comparar os dois textos que seguem, pois sua comparação vale mais do que uma longa explicação. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;O primeiro é de São Pio X e diz assim:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;"&lt;em&gt;Apoiar-se no princípio fundamental de que o Estado não deve cuidar de modo algum da Religião, implica numa grande injúria a Deus (…) Em segundo lugar, a tese de que falamos constitui uma verdadeira negação da ordem sobrenatural (…) Em terceiro lugar, esta tese nega a ordem da vida humana sabiamente estabelecida por Deus, ordem que exige uma verdadeira concórdia entre as duas sociedades, a religiosa e a civil (…). Finalmente, esta tese infringe um dano gravíssimo ao próprio Estado, porque este não pode prosperar nem conseguir estabilidade prolongada se despreza a Religião, que é a regra e mestra suprema do homem para conservar religiosamente os direitos e obrigações." &lt;/em&gt;(1)&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O segundo texto é do Cardeal Levada:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;"Graças às Constituições dos Estados Unidos, viemos à vida num país que nos garante o direito natural à liberdade religiosa. Todos temos o direito de professar nossa fé de acordo com a nossa consciência. A proibição de que o governo professe uma religião particular lhe impediu de adotar uma atitude ‘desinteressada’ frente a todas as religiões (…) A Igreja, com efeito, reconhece e comparte com entusiasmo a proibição constitucional de reconhecer uma religião do Estado ou de impedir o seu livre exercício".&lt;/em&gt; (2)&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não lhes parece que este último texto está em total ruptura com o ensinamento tradicional da Igreja? Provém de quem hoje é Cardeal da Santa Igreja e foi elevado ao cargo de Prefeito da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé! O Papa Bento XVI, ao voltar faz algumas semanas de uma viagem pelos EUA, retomou quase literalmente estas considerações. Estes são os princípios que condenaram à morte a Cristandade e fizeram vã qualquer tentativa de restauração católica desde faz muitíssimos anos. A Igreja precisa contar com bispos integralmente católicos que ensinem o mesmo que Gregório XVI, de Pio IX, de Leão XIII, de São Pio X, ou de Pio XII, que a iluminaram com os seus ensinamentos. Estes Papas souberam professar a verdade e denunciar o erro. A Igreja e a sociedade civil precisam de doutores da fé que sejam ardentes, que estejam convencidos de que a Tradição católica não é algo caduco. Dói-nos comprovar que não há nenhum bispo em exercício que tenha lucidez sobre as origens da crise que sofremos. Nenhum aceita ter um juízo crítico sobre os textos do último concílio – ecumenismo, liberdade religiosa, colegialidade – que estão em ruptura com a Tradição. Nenhum quer regressar oficial e habitualmente à Missa tradicional e aos sacramentos que santificaram gerações e gerações de católicos.Pedimos aos bispos que nos falem do "Deus que se fez homem" e sobre a sua doutrina salvífica, e não do "homem que se fez deus" como acontece com tanta freqüência. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Pedimos com urgência que iluminem as nossas inteligências e fortaleçam a nossa vontade, ajudando-nos a amar a Deus e segui-Lo. Basta já de exaltar a consciência humana livre de toda atadura superior!E foi unicamente porque nenhum bispo se conformava a este papel sublime, que faz 20 anos Dom Marcel Lefebvre sagrou quatro bispos, desejando suprir assim a estas trágicas deficiências. Não queria deixar-nos órfãos depois de sua morte. E essa foi a que assim se chamou "Operação Sobrevivência" (3), a qual resgatou o sacerdócio e a Tradição católica. Onde estaríamos hoje em dia se este ato providencial não houvesse tido lugar? Nosso fundador, no dia 30 de julho de 1988, realizou um ato heróico de caridade consagrando quatro bispos e sacrificando assim sua reputação pelo bem das almas e da Igreja.Faz já 20 anos que vemos, certamente, alguns avanços positivos como o Motu proprio; mas nos fatos, a situação continua sem mudanças e o erro se fez mais sutil do que nunca… Em julho passado, por ocasião das ordenações sacerdotais administradas aos seminaristas da Fraternidade São Pedro, o Cardeal Castrillón Hoyos exortou no seu sermão aos sacerdotes a concelebrar com seu bispo "ao menos na Missa crismal e quantas vezes isso seja conveniente para manifestar a plena comunhão eclesial". Nessa mesma linha, faz algumas semanas a Fraternidade São Pedro recebeu uma paróquia pessoal em Roma, mas teve que aceitar em troca que um sacerdote diocesano celebrasse todos os domingos uma Missa nova. Vinte anos atrás o Cardeal Ratzinger exigia como condição a Dom Lefebvre que todos os domingos se celebrasse a Missa de Paulo VI em Saint-Nicolas-du Chardonnet em Paris. Não… a situação não mudou essencialmente depois dessas duas décadas… O Vaticano II continua intocável. Como pode pretender-se que tenhamos confiança diante de fatos que falam por si só? A Fraternidade São Pio X, juntamente com outras congregações tradicionais, é a única que grita as verdades a toda voz e denuncia os erros. Todos os que assinaram um acordo com Roma tiveram que se calar e são inoperantes em ordem à restauração da Tradição. Essa, e não outra, é a triste realidade!Queridos fiéis, o estado de necessidade continua existindo hoje ainda maior; e mais do que nunca temos a necessidade de contar com os quatro bispos auxiliares da Fraternidade São Pio X para fortalecer-nos na Fé e santificar-nos. Que Deus os fortaleça. Demos-lhes nossos sinceros agradecimentos pela sua constante entrega por nossas almas. Retribuamos-lhes com nossas orações.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Rezemos e façamos penitência pela Igreja e pelo Papa. Supliquemos a Deus que converta os bispos do mundo inteiro para que recuperem e façam valer suas vozes. Disso depende a salvação de milhões de almas e o êxito de toda a restauração católica. Que Deus os abençoe!»&lt;/p&gt;&lt;p&gt;(1) "Vehementer nos", 11 de fevereiro de 1906.(2) Cardeal William Levada: Reflexões sobre o papel dos católicos na vida política e recepção da sagrada comunhão, 13 de julho de 2004.(3) Dom Marcel Lefebvre, sermão das sagrações episcopais, 30 de julho de 1988.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6188930667042584149-4353252194887494267?l=reconquistabr.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reconquistabr.blogspot.com/feeds/4353252194887494267/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6188930667042584149&amp;postID=4353252194887494267' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/4353252194887494267'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/4353252194887494267'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reconquistabr.blogspot.com/2008/07/indispensveis-bispos.html' title='Indispensáveis bispos ...'/><author><name>Fernando Rodrigues Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16368448307317160453</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_6uSu6EByoPY/SjFpGEjjdoI/AAAAAAAAALU/_MCTy91mSS4/S220/fernandorodrigues.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6188930667042584149.post-2744332425954923032</id><published>2008-07-29T17:32:00.000-07:00</published><updated>2008-07-29T17:35:35.671-07:00</updated><title type='text'>Cristianismo e Comunismo</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Marcel de Corte&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;[...]&lt;br /&gt;Nesta ocasião, gostaria de examinar [a coalizão de alguns católicos com os comunistas] sob o aspecto mais central e, por assim dizer, do interior da oficina onde destilam os seus venenos. Já disse uma vez que inúmeros clérigos e laicos cristãos estavam sendo empurrados implacavelmente para as garras poderosas dos comunistas, por conta de equivocadas convicções hiperdemocráticas. É preciso insistir nesta idéia.&lt;br /&gt;Tudo é cristão, inclusive o erro. Isso não é um paradoxo. O gênio do cristianismo é tão universal, tão penetrante, tão radical que impregna tudo quanto existe. Desde o nascimento do Cristo, nada há no homem que não seja afetado por um coeficiente religioso. Doravante, qualquer verdade possui um aspecto religioso. O desvio da verdade, o sofisma, a aberração – tudo se matiza duma tonalidade religiosa. Não existe outra possibilidade para a manifestação do erro, senão sob a forma de heresia.&lt;br /&gt;Eis aí um mistério, e dos grandes. Mas sem ele, a história da humanidade, depois do Cristo, é com certeza ininteligível. Sem ele, não há história, conforme a terrível expressão de Shakespeare: "uma história louca, cheia de ruído e tempestade, contada por um idiota". Se tem sentido a história, inclusive nas desordens e nas quedas, este sentido só pode ser cristão. Cada vez que tentamos chegar ao fundo da história, encostamos a mão na presença irredutível e ubíqua do cristianismo sob a forma ortodoxa ou herética. O Cristo é o eixo único da história.&lt;br /&gt;Particularmente, no plano social, desde o Advento, a desordem e o desmazelo sempre se traduziram sob a forma de heresia. Na Idade Média, não houve investida contra a ordem social que se não constituísse ao mesmo tempo em heresia cristã. É típico o caso dos albigenses, não menos que o do protestantismo no raiar dos tempos modernos. Quanto à Revolução Francesa, ninguém melhor que Michelet percebeu seu caráter herético. Exprimiu-o numa frase lapidar: "A revolução continua o cristianismo, e o contradiz. Ela é, ao mesmo tempo, sua herdeira e adversária".&lt;br /&gt;A definição da heresia se origina no seio do cristianismo, para combatê-lo. Como escrevia, já faz muito tempo, Maritain, "as idéias revolucionárias são corrupções das idéias cristãs", e "o fermento divino corrompido é necessariamente um agente de subversão com poderes incalculáveis".&lt;br /&gt;Os nossos pais eram mui sensíveis aos conflitos, na medida em que ainda viviam na cristandade: eles observavam os atentados contra a ordem social transformarem-se automaticamente em heresia, visto que o cristianismo embebia a sociedade e suas instituições. Não condenavam a desordem apenas como contrária à natureza das coisas, mas enquanto oposta à ortodoxia cristã e à vontade divina.&lt;br /&gt;Atualmente, isso não acontece: o cristianismo sobreviveu, mas a cristandade repousa sobre destroços cada vez mais disjuntos e tênues. Inúmeros cristãos não sentem mais os erros políticos e sociais como heresias cristãs hostis à fé. Vivendo numa sociedade descristianizada, são incapazes de perceber que as violências que se exercem contra a sociedade são heresias inimigas de sua crença. Despojados dos critérios de apreciação à uma só vez sociais e cristãos, estão entregues ao julgamento próprio e à sensibilidade particular. Quando se está aí, uma pessoa pode sustentar, sem a menor preocupação de coerência interior, que é permitido ser cristão e comunista.&lt;br /&gt;Os católicos de quem falei, padres e laicos, estão precisamente neste caso. São, por sua vez, ortodoxos e heréticos. A despeito de seus clamores de indignação, é dever dizê-lo e redizê-lo.&lt;br /&gt;Eles tornam-se hermafroditas, à proporção que os constrangem as convicções democráticas. Como todo sistema político, submete-se a democracia à lei da degenerescência. A monarquia decadente se torna tirania. A aristocracia, em seu declínio, se transforma em oligarquia. A democracia, em que cada cidadão se pronuncia segundo sua competência real, reduz-se a um regime que não tem nome em língua alguma, reinando a ignorância mais profunda do bem comum. À medida que a democracia se espalha, os problemas sociais e políticos tornam-se mais complexos, árduos e difíceis de se resolver. Extrapolando, a democracia universal exigiria uma inteligência universal. Outrora restrita à experiência efetiva e possível das pequenas repúblicas comunais ou regionais onde estavam enraizadas, a democracia distancia-se mais e mais dos fatos concretos, suprindo o desconhecimento com o mito e a fé. Construções arbitrárias, imaginárias e abstratas substituem a apreciação segura e precisa da realidade. Tudo indica que a democracia evolui para essa direção. As almas que aderem sem reticências a tal sistema degenerado se evadem para o irreal, e tornam-se insensíveis às armadilhas que a natureza dos fatos ofendidos arma sob seus pés. São semelhantes aos cegos que se libram apenas na exaltação interior; eles vão adiante sem duvidar, sequer um pouco, que a realidade os contradiz.&lt;br /&gt;Ainda que o comunismo e o marxismo lhes apareçam com as verdadeiras cores, i. é, como heresias cristãs que nenhuma cristandade, tão inexperiente quanto seja, poderia dissimular, não obstante constituem-se eles em atrativos para os cristãos, como a realização integral do generoso sonho democrático que os incha. Eis enfim o sonho encarnado! Não estão preocupados, se se trata duma mentira. São incapazes de enxergar. O irrealismo impede-os de julgar a árvore pelos frutos: somente as flores postiças, artificialmente perfumadas de democracia, lhes cativam a miopia e a ausência de faro.&lt;br /&gt;Em suma, a ilusão democrática embotou-lhes o senso do cristão e do herético, do bem e do mal, do justo e do injusto, do conveniente e do inconveniente, do belo e do feio, que busca o contato assíduo com a realidade que os diferencia.&lt;br /&gt;A falta de discernimento, resultado duma inteligência amputada das benesses da experiência, é grave. Por todo lado, ela nos acossa. Infelizmente, podemos amiúde contemplar o espetáculo ridículo de padres ou religiosos, sem procuração para tanto, que se ocupam do que não conhecem, nem têm experiência. Um fala sobre a vida íntima no casamento. Outro disserta acerca da administração como se fosse um grande industrial. Outro ainda exalta a arte que se vende nos arredores da igreja de São Sulpício, ou a arte moderna, do alto duma sensibilidade estética embotada ou deformada. Outros enfim tecem questionamentos políticos ou econômicos imbuídos de pathos ou retórica.&lt;br /&gt;Maus cozinheiros, diria Platão, que cortam a torto e a direito a ave! Os "cristãos progressistas" levam essa depravação espiritual ao cúmulo. Quando vejo um padre caminhar por uma estrada junto com o camarada Duclós ou bradar numa manifestação comunista, afirmo que é uma estupidez e que o povo mesmo percebe vagamente o gesto como uma estupidez. A Igreja e o que sobrou da cristandade só tem a perder.&lt;br /&gt;Concluindo, o dito de Chesterton acerca do mundo atual, repleto de verdades cristãs tornadas loucas, aplicar-se-iam à perfeição a certos cristãos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sábado, 13 de dezembro de 1952, La Libre Belgique&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6188930667042584149-2744332425954923032?l=reconquistabr.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reconquistabr.blogspot.com/feeds/2744332425954923032/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6188930667042584149&amp;postID=2744332425954923032' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/2744332425954923032'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/2744332425954923032'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reconquistabr.blogspot.com/2008/07/cristianismo-e-comunismo.html' title='Cristianismo e Comunismo'/><author><name>Fernando Rodrigues Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16368448307317160453</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_6uSu6EByoPY/SjFpGEjjdoI/AAAAAAAAALU/_MCTy91mSS4/S220/fernandorodrigues.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6188930667042584149.post-7766896531788269748</id><published>2008-07-29T17:26:00.000-07:00</published><updated>2008-07-29T17:30:36.429-07:00</updated><title type='text'>O Anti-Cristo</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Pe. Leonardo Castellani&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;"... porque o Homem do Pecado tolerará e se aproveitará de um cristianismo adulterado...Imporá por todas as partes o reino da iniqüidade e da mentira, o governo puramente exterior e tirânico, a "Liberdade" desenfreada dos prazeres e diversões, a exploração do homem; e seu modo de proceder hipócrita e sem misericórdia. Haverá em seu Reino uma estrondosa alegria falsa e exterior, cobrindo o mais profundo desespero. Em seu tempo acontecerão os mais estranhos distúrbios cósmicos, como se os elementos se houvessem revoltado. A humanidade estará numa grande expectativa e reinará grande confusão e dissipação entre os homens. Rompidos os laços de família, de amizade, de lealdade e bom relacionamento, os homens não poderão confiar em ninguém, e correrá no mundo como um tremor frio, um universal e ímpio "salve-se quem puder". Será atropelado o que há de mais sagrado e nenhuma palavra terá mais fé, nem pacto algum terá vigor, senão pela força. A caridade heróica de alguns fiéis, transformada em amizade até a morte, manterá no mundo ilhotas de fé; porém mesmo ali, ela estará continuamente ameaçada pela traição e pela espionagem. Ser virtuoso será um castigo em si mesmo e como uma espécie de suicídio".&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;strong&gt;CASTELLANI&lt;/strong&gt;, Leonardo, &lt;strong&gt;Los Papeles de Benjamin Benavides&lt;/strong&gt;, Buenos Aires: 1953, Caderno 4, cap. 2.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6188930667042584149-7766896531788269748?l=reconquistabr.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reconquistabr.blogspot.com/feeds/7766896531788269748/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6188930667042584149&amp;postID=7766896531788269748' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/7766896531788269748'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/7766896531788269748'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reconquistabr.blogspot.com/2008/07/o-anti-cristo.html' title='O Anti-Cristo'/><author><name>Fernando Rodrigues Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16368448307317160453</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_6uSu6EByoPY/SjFpGEjjdoI/AAAAAAAAALU/_MCTy91mSS4/S220/fernandorodrigues.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6188930667042584149.post-5159804674666540981</id><published>2008-07-29T17:23:00.000-07:00</published><updated>2008-07-29T17:26:13.119-07:00</updated><title type='text'>Declaração</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Pe. Calmel&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Eu conservo a MISSA TRADICIONAL, aquela que foi codificada, não fabricada, por São Pio V. no século XVI, conforme um costume multissecular. Eu recuso, portanto, o ORDO MISSAE de Paulo VI.&lt;br /&gt;Por quê? Porque na realidade, este Ordo Missae não existe. O que existe é uma Revolução litúrgica universal e permanente, patrocinada ou desejada pelo Papa atual, e que se reveste, momentaneamente, da máscara de Ordo Missae de 3 de abril de 1969. É direito de todo e qualquer padre recusar-se a vestir a máscara desta Revolução litúrgica. Julgo ser meu dever de padre recusar celebrar a Missa num rito equívoco.&lt;br /&gt;Se aceitamos este rito, que favorece a confusão entre a Missa católica e a Ceia protestante — como o dizem de maneira equivalente dois cardeais e como o demonstram sólidas análises teológicas — então cairemos sem tardar de uma Missa ambivalente (corno de fato o reconhece um pastor protestante) numa missa totalmente herética e portanto nula. Iniciada pelo Papa, depois abandonada por ele às igrejas nacionais, a reforma revolucionária da Missa seguirá sua marcha acelerada para o precipício. Como aceitar ser cúmplice?&lt;br /&gt;Perguntar-me-iam: Mantendo a Missa de sempre, em oposição a todos e contra todos, o senhor refletiu a que se expõe? Sim. Eu me exponho, se assim posso dizer, a perseverar no caminho da fidelidade a meu sacerdócio, e, portanto, prestar ao Sumo Sacerdote, nosso Supremo Juiz, o humilde testemunho de meu oficio de padre. Exponho-me a dar segurança aos fiéis desamparados, tentados de cepticismo ou de desespero. De fato, todo e qualquer padre que conserve o rito da Missa codificado por São Pio V, o grande Papa dominicano da Contra-reforma, permitirá aos fiéis participar do Santo Sacrifício sem equívoco possível; comungar, sem risco de ser enganado, o Verbo de Deus Encarnado e imolado, tornado realmente presente sob as sagradas espécies. Aliás, o padre que se submete ao novo rito, inteiramente forjado por Paulo VI, colabora, de sua parte, para instaurar progressivamente urna Missa falsa, em que a presença de Cristo já não será real, mas transformada num memorial vazio; e por isso mesmo o Sacrifício da Cruz já não será real e sacramentalmente oferecido a Deus; enfim, a comunhão não passará de uma ceia religiosa em que se comerá um pouco de pão e se beberá um pouco de vinho; nada mais do que isso; como entre os protestantes.&lt;br /&gt;Não consentir em colaborar para a instauração revolucionária de uma missa equívoca, orientada para a destruição da Missa, será entregar-se a certas desventuras temporais, e certas desgraças neste mundo? O Senhor o sabe, e Sua graça basta. Na verdade, a graça do Coração de Jesus, que chega até nós pelo Santo Sacrifício e pelos Sacramentos, sempre é suficiente. É por isso que Nosso Senhor nos diz tão tranqüilamente: "Aquele que perder a sua vida neste mundo por minha causa, salva-la-á na vida eterna".&lt;br /&gt;Reconheço sem nenhuma hesitação a autoridade do Santo Padre. Afirmo, no entanto, que qualquer Papa, no exercício de sua autoridade, pode cometer abusos de autoridade. Sustento que Paulo VI comete um abuso de autoridade de gravidade excepcional quando constrói um rito novo da Missa baseado numa definição de Missa que deixou de ser católica. "A Missa", escreve ele em seu Ordo Missae, "é a reunião do povo de Deus, presidida por um sacerdote, para celebrar o memorial do Senhor". Esta definição insidiosa omite propositadamente aquilo que faz católica a Missa católica, sempre irredutível à ceia protestante. Porque na Missa católica não se trata de um memorial qualquer, o memorial é de tal natureza, que contém realmente o Sacrifício da Cruz, porque o Corpo e o Sangue de Cristo se tornam realmente presentes por virtude da dupla consagração. Isto aparece, de modo a não permitir engano, no rito codificado por São Pio V; mas aparece flutuante e equívoco no rito fabricado por Paulo VI.&lt;br /&gt;Da mesma maneira, na Missa católica o padre não exerce uma simples presidência; marcado com um caráter divino que o põe à parte por toda a eternidade, ele é o ministro de Cristo que, por si mesmo, realiza a Missa; é inadmissível que o padre seja assemelhado a um pastor qualquer, delegado dos fiéis para liderar sua assembléia. O que é perfeitamente evidente no rito da Missa ordenado por São Pio V torna-se dissimulado, senão escamoteado, no novo rito.&lt;br /&gt;Portanto, não só a simples honestidade mas infinitamente mais: a honra sacerdotal, exigem de mim não ter a impudência de traficar a Missa católica, recebida no dia de minha ordenação. E porque se trata de ser leal, e principalmente em matéria de gravidade divina, não há autoridade no mundo, ainda que seja a autoridade pontifícia, que mo possa impedir.&lt;br /&gt;Outrossim, a primeira prova de fidelidade e de amor que o padre deve dar a Deus e aos homens é guardar intacto o depósito infinitamente precioso que lhe foi confiado quando o bispo lhe impôs as mãos. É primeiramente sobre esta prova de fidelidade e de amor que serei julgado pelo Supremo Juiz.&lt;br /&gt;Espero, com toda a confiança, da Virgem Maria, Mãe do Sumo Sacerdote, que me conceda permanecer fiel até à morte à Missa católica, verdadeira e sem equívoco.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Tuus sum ego, salvum me fac.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Pe. R.-TH. Calmel, O.P. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;br /&gt;Pe. Calmel morreu em 1975, fiel à Missa de sempre, rejeitando com toda a alma a Missa nova de Paulo VI.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6188930667042584149-5159804674666540981?l=reconquistabr.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reconquistabr.blogspot.com/feeds/5159804674666540981/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6188930667042584149&amp;postID=5159804674666540981' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/5159804674666540981'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/5159804674666540981'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reconquistabr.blogspot.com/2008/07/declarao.html' title='Declaração'/><author><name>Fernando Rodrigues Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16368448307317160453</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_6uSu6EByoPY/SjFpGEjjdoI/AAAAAAAAALU/_MCTy91mSS4/S220/fernandorodrigues.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6188930667042584149.post-8232141621155063747</id><published>2008-05-07T11:02:00.000-07:00</published><updated>2008-05-07T11:11:57.217-07:00</updated><title type='text'>O Carlismo e o Pluralismo Religioso</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Juan María Bordaberry&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;strong&gt;Juan María Bordaberry&lt;/strong&gt;, insigne Presidente do Uruguai no período mais difícil de sua historia (1972-1976), aos seus 78 anos de idade, mesmo tendo a causa Ter sido considerada prescrita, em total desrespeito aos prazos processuais e a segurança jurídica foi "processado" (lá é como cá, o velho ressentimento esquerdista, e ainda, maçônico) dia 16 de novembro de 2006 pela suposta prática de homicídios de legisladores da esquerda radical - em conivência por tanto com os terroristas que assolaram o país nas décadas de sessenta e setenta- ocorridos na Argentina (mesmo não tendo o caso sido esclarecido pela justiça deste país) em maio de 1976.&lt;br /&gt;Sua única "culpa" foi ter desbaratado os planos dos terroristas "tupamaros" e seus cúmplices. E mais ainda, haver querido instaurar um regime (no qual tinha pensado submeter a vontade popular) que prescindisse dos partidos políticos e os substituiria por "correntes de opinião" em tudo de acordo com os princípios cristãos da ordem política.&lt;br /&gt;Cremos no entanto, que o real motivo de sua prisão decorre de sua oposição e ataque a Franco-maçonaria. Maçonaria que em sua teses, estaria implicada nos mais importantes acontecimentos vividos pelo país desde sua fundação, incluindo os que viveu em sua condição de primeiro mandatário.&lt;br /&gt;O processamento e a conseqüente prisão de Juan María Bordaberry foi precedido de um linchamento mediático, perpetrado pela imprensa esquerdista e em alguns casos também pela que se pode dizer de "direita" e de manifestações de integrantes do governo favoráveis a um pronunciamento nesse sentido.&lt;br /&gt;Quando se soube da detenção, todos os ex-Presidentes da República e o então Presidente da República Tabaré Vázquez, se encontravam presentes em um evento da B' nai B' rith, loja maçônica judia. Na saída, o último dos citados, com um sorriso irônico, respondeu a repórter que lhe dava conhecimento do fato o qual se limitou a dizer "falou a justiça".&lt;br /&gt;Uma bela entrevista com &lt;strong&gt;Juan María Bordaberry&lt;/strong&gt; pode ser vista no site: &lt;a href="http://www.panodigital.com/cronicas_de_nuestro_tiempo/entrevista_a_juan_maria_bordaberry_prisionero_politico_0"&gt;http://www.panodigital.com/cronicas_de_nuestro_tiempo/entrevista_a_juan_maria_bordaberry_prisionero_politico_0&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Concílio Vaticano II, proclamou, direta ou indiretamente, três princípios: &lt;em&gt;a liberdade religiosa (de consciência), a colegialização no governo da Igreja e o ecumenismo&lt;/em&gt;. Não sou o único que lê estes três princípios assim: &lt;em&gt;liberdade, igualdade e fraternidade.&lt;/em&gt; Católicos eminentes, com autoridade que eu não posso pretender ter, também tem interpretado essa forma.&lt;br /&gt;Com a liberdade de consciência a Igreja perdeu seu impulso missionário, a vocação de consagrar a vida a propagação da fé e abriu as portas para a tolerância do erro.&lt;br /&gt;Hoje nos dizem que todos os excessos que vemos com tanta freqüência, na doutrina, na liturgia, na palavra e ainda na conduta de sacerdotes, são conseqüência de una interpretação errada dos textos conciliares. Não é assim: ao debilitamento da autoridade da Verdade segue inevitavelmente o crescimento da soberba do homem que começa a escolher seus próprios caminhos. E si a isto agregamos a substituição da organizacional piramidal e monárquica que N. S. Jesus Cristo deu a Sua Igreja pela desagregação funcional e até geográfica da nova organização conciliar, nada mais natural que ocorramos os excessos e que ninguém possa impedi-los nem menos impedir o dano que acarreta aos fiéis. Estes excessos vêm ocultando a condição sobrenatural da Igreja, hão temporalizado seu papel a favor de uma figura mais filantrópica que espiritual e religiosa.&lt;br /&gt;"A fumaça de Satanás entrou na Igreja" disse o Papa Paulo VI ao cabo de sua vida, queira a misericórdia de Deus que arrependido da obra da qual foi o mais ativo protagonista. Com o Concilio, o liberalismo chegou ao poder temporal do último bastião que lhe era oposto por definição, e Roma começou a aceitar as formas políticas que ele consagra. Assim, quando chegam as instancias eleitorais, os sacerdotes e os bispos recomendam eleger bem os candidatos, não votando naqueles que, por exemplo, são partidários do aborto ou das uniões aberrantes entre pessoas do mesmo sexo &lt;em&gt;(nota: não estamos tão certos disso, ao menos no que se refere ao Brasil).&lt;/em&gt; Mas não se vai mais adiante, como declara o "Syllabus", a condenar a ordem política liberal por si, por consagrar a substituição da Soberania de Deus pela soberania do homem, ao ato eleitoral mesmo por constituir a expressão dessa pretendida soberania que pretende ocupar o lugar de Deus.&lt;br /&gt;Um inolvidável sacerdote da Fraternidade São Pio X que tivemos a benção de Ter entre nós, aqui em Montevidéu, pela força dos fatos somente esporadicamente, insistia em que, pela Graça, a Fé se manifesta internamente em nós sobre a forma íntima da adesão de nossa inteligência as verdades reveladas por N. S. Jesus Cristo e ensinadas pelo magistério da Igreja, e externamente por nossos atos visíveis quando eles dão testemunho de nossa Fé. Assim, quando oramos publicamente, quando constituímos de forma cristã nossa família, quando, em fim, com nossas obras damos testemunho externo da Fé que professamos em nosso interior. Negar este desdobramento, por assim dizer, interno e externo de nossa fé, nos conduz insensivelmente a heresia luterana. Parece então que não condiz com nossa conduta de católicos dar um testemunho contraditório com nossa Fé interior, participando publicamente em instituições políticas atéias que tem feito cair por terra as tradicionais sociedades cristãs, legitimando com nossos atos o que é de per si condenável.&lt;br /&gt;Um pouco antes das desditas eleições espanholas de março de 2004, pude ver na página da Internet do Foro Santo Tomás Moro da Comunhão Tradicionalista Carlista, assim como em outras, divergências entre carlistas acerca da participação ou não nas mencionada eleição, sem que se rechaçasse as eleições em si mesmas, como ato contrario aos princípios cristãos. Estas divergências se evocam agora e com maior dureza com motivo do surgimento do novo partido chamado "Alternativa Espanhola" sem que ninguém advirta, para começar, que a própria expressão "partido" contradiz a vigência insubstituível do principio de autoridade fundado no direito natural, que não pode admitir a hipótese de uma derrota numérica.&lt;br /&gt;O que me atrai do carlismo e me leva a defende-lo e tratar de difundi-lo dentro de nossas pequenas possibilidades é precisamente sua Santa Intransigência na proclamação e defesa dos princípios fundadores da Espanha e por conseqüência, da Hispanidade toda.&lt;br /&gt;A historia da Espanha é pródiga em exemplos da necessidade de defender a Fé intransigentemente, sem fissuras nem resquícios nem concessões. Nega a Hispanidade, na qual orgulhosamente me incluo, a aceitação do moderno conceito ateu de pluralismo. &lt;em&gt;Una fides, unum regnum&lt;/em&gt; proclamou o Concilio III de Toledo há mais de quatorze séculos, e esse preceito —que regeu sua historia durante quase todo esse tempo— deu a Espanha um caráter próprio, único e distintivo que, torna difícil de explicar e entender por quem não a conhece e, nos obriga a trabalhar para restaurar seus valores históricos por inteiro e projeta-los para fora e não deixarmo-nos invadir por aquilo que é distante e contrário a natureza hispânica.&lt;br /&gt;"É indigno que um príncipe de fé ortodoxa tenha sobre seu cetro a súbditos sacrílegos", reafirmou logo o Concilio Toledano VIII. Estes preceitos foram o fundamento da obrigação dos Reis Católicos, como tais, de não aceitar moros nem judeus não conversos na Espanha. Não foi nem conveniência mesquinha nem maldade: foi a vigência da Fé Católica que fez grande a Espanha.&lt;br /&gt;Tampouco foi cruel: a grande Isabel deu a todos a oportunidade de converter-se o se debandar para outra parte levando sua família e seus bens, para o que dispôs até barcos a sua disposição e inclusive aceitou comprar generosamente seus bens. Milhares de judeus convertidos ficaram na Espanha e contribuíram em escrever a história de sua grandeza. Vale a pena ler as admiráveis páginas que Dom Luis Suárez Fernández escreveu a respeito. Isabel, católica, bondosa, reta e justa, não fez senão cumprir sem concessões o principio cristão, o que lhe granjeou o ódio da heresia, que ainda perdura nas lendas negras. Participar das instituições liberais, cara a cara com os inimigos de Deus, é aceitar o pluralismo e negar implicitamente a obra de unidade católica e política de Fernando e Isabel.&lt;br /&gt;Ainda que as guerras carlistas se iniciam pela questão dinástica originada pela decisão de Fernando VII que impediu o acesso ao trono do infante D. Carlos Isidoro, que houvera sido Carlos V, seria burrice pensar que todo termina nessa questão nessa questão. O carlismo advertiu desde muito cedo que negar o trono a um Rei tradicionalista e deixar a Coroa nas mãos de uma pequena representada pela Jovem Regente era abrir a porta ao liberalismo e obstar a continuidade da vigência dos princípios: Deus, Pátria, Fueros e Rei. Se o "alzamiento" houvesse respondido somente a questão dinástica o carlismo não haveria mantido sua vigência até nossos dias havendo sido, ademais, derrotado nos campos de batalha.&lt;br /&gt;Espanha pois, se nega obcecadamente a transigir com os dissonantes princípios liberais, estranhos a sua substancia histórica e religiosa. Algo que não posso compreender é como se poderia conciliar a proeza do tradicionalismo carlista com a participação em instituições liberais.&lt;br /&gt;Não posso deixar de recordar um memorável trabalho de Don Rafael Gambra, a quem Deus tenha em sua glória, publicado já há alguns anos em "Razón Española". Nele se perguntava, vendo sua Espanha entregue ao liberalismo maçônico contra o qual havia sangrado na guerra, como era possível que aquele terreno — recordo que dizia: conquistado colina a colina, cota a cota — se entregou tão fácil e silenciosamente ao inimigo derrotado.&lt;br /&gt;Do Vaticano II havia saído o principio contrário a tradição espanhola, a liberdade de consciência. Franco teve que ceder a pressão de Paulo VI e aceitou a liberdade de cultos. Não estava proibido na Espanha professar outros cultos que o católico: estava proibido faze-lo publicamente e difundi-lo. Estava proibido, como manda a lei de Deus, difundir o error. Por essa abertura do pluralismo religioso se infiltrou o inimigo, silenciosa e astutamente.&lt;br /&gt;Don Rafael, com dureza navarra, intitulou seu trabalho &lt;strong&gt;&lt;em&gt;"A traição dos clérigos".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Juan María Bordaberry&lt;br /&gt;Montevidéu — Uruguai&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6188930667042584149-8232141621155063747?l=reconquistabr.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reconquistabr.blogspot.com/feeds/8232141621155063747/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6188930667042584149&amp;postID=8232141621155063747' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/8232141621155063747'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/8232141621155063747'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reconquistabr.blogspot.com/2008/05/o-carlismo-e-o-pluralismo-religioso.html' title='O Carlismo e o Pluralismo Religioso'/><author><name>Fernando Rodrigues Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16368448307317160453</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_6uSu6EByoPY/SjFpGEjjdoI/AAAAAAAAALU/_MCTy91mSS4/S220/fernandorodrigues.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6188930667042584149.post-5304090509140349315</id><published>2008-04-14T10:38:00.000-07:00</published><updated>2008-04-14T11:03:48.340-07:00</updated><title type='text'>Os não-Nobel da Literatura: Jünger, Borges, Greene</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Vintila Horia&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Em breve estaremos postando um trabalho de Primo Siena sobre a obra deste grande romêno e novelista genial que foi Vintila Horia.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Permito-me sugerir à Real Academia Sueca estes três nomes: os nomes de Jünger, de Borges e de Greene. Permito&amp;shy;me tirá-los do olvido em que os deixou a ilustre academia no momento em que ela, mais uma vez, outorga o mais importante prêmio literário do Mundo a escritores desprovidos de qualquer importância. Com efeito, quem é o chamado Poliester, ou Pompílio, ou Pomposideo, que acaba de ser coroado como o melhor entre os melhores? Que é que ele escreveu? Dizem os jornais que alguns versinhos de poesia surrealista, da que devia escrever há quarenta ou cinqüenta anos, e que exerce em Atenas o mister de industrial e que tem idéias da esquerda. São estes os únicos dados concretos sobre um homem de cuja obra literária ninguém sabe nada. O simples fato de ser da esquerda (comunista, imagino eu) na vida política e surrealista na vida poética, dá-nos conta da mediocridade da personagem. Se isto é assim, se a imprensa não meteu uma vez mais o pé na argola, mas eu utilizo os únicos dados que tenho sobre essa ilustre personagem a própria circunstância de querer ser ao mesmo tempo surrealista e comunista implica uma contradição absoluta. Porque um poeta surrealista não pode ser comunista, já que vive princípios fora de qualquer tipo de realismo. Colocou-se à margem do real, do real como o consideram os falsos realistas do materialismo dialético. Teria que pôr nos seus livros o realismo socialista, que é a única doutrina consentida a marxistas. Mas ser comunista, ou socialista - quer dizer, ter a marca do marxismo - e ao mesmo tempo ser um surrealista mostra bem a espécie a que pertence o galardoado. Além disso, a que classe de capitalismo industrial poderá pertencer um "homem da esquerda"? Será que, na melhor das hipóteses, ganha muitos dólares para os distribuir pelos pobres, depois de os chamar para junto de si e de lhes ler uma poesia surrealista? Ora a Real Academia da Suécia vive a brincar com a literatura, proclamando vencedores anualmente nestes jogos olímpicos do espírito uns pobres vencidos, e esquecendo alguns escritores de real atualidade, não só por os seus livros se venderem mais do que os de Pompossideo como também por se encontrarem do lado em que se defende o que periga de essencial no ser humano. Não me refiro a novelistas que fazem parte das minhas preferências pessoais, mas sim a homens que estão fundamente ancorados nas preocupações deste século e presentes no drama do homem. Ernst Jünger é o maior prosador europeu vivo. As sua novelas, como "Helio&amp;shy;polis" ou "As Abelhas de Cristal", traduzidas em muitas línguas, contribuíram para formar um tipo de homem voltado para o imperecível, até à defesa desesperada da Eternidade. Nos seus ensaios, tão famosos e tão lidos como as suas novelas – refiro-me a "O Rebelde", "O Trabalhador", "O Muro do Tempo" e a muitos mais - Jünger colocou o problema da técnica como instrumento da planetarização do Ocidente e teve direta influência sobre Heidegger. É um dos espíritos mais cultos, mais inteligentes e mais literários da atualidade, este homem que soube inserir o escritor na imagem integral do homem e do mundo. Os seus "Diários" dão-nos conta das suas preocupações científicas. É através de um homem assim e de uma literatura capaz de o abarcar por completo que temos possibilidade de compreender os nossos terríveis problemas e talvez de os resolver. Todavia, Jünger não interessa aos acadêmicos de Estocolmo. Tê-lo-ão lido? Terão ouvido falar dele? Duvido, porque o fato de terem dado o seu prêmio a um gato surrealista, lido por quatro gatas e de todo em todo ausente da literatura contemporânea, parece-me revelador de uma profunda ignorância. Quanto a Borges, para quê citá-lo aqui? Já toda a gente se inteirou do que propõem os seus contos. É, porventura, o mais hábil contista de todos os tempos - direi mesmo mais hábil do que Bocaccio ou Guy de Maupassant. O seu "Evangelho segundo Marcos" é talvez a obra-prima do gênero, tal como "Aleph". Dizem-no da Direita, como Jünger. Mas que significa hoje ser da Direita? Não está ele mais próximo dos ideais - pelo menos dos ideais aparentes - da Real Academia Sueca do que a carga anti-humana patente nos livros dos materialistas dialéticos amantes da utopia gulaguista? Ou será que em Estocolmo se está mais próximo do ideal leninista-gulaguista do que do ideal humano? Não sei como responder a tal pergunta, que é, de resto, a expressão de uma terrível dúvida. Graham Greene - autor de "O Poder e a Glória", a história antitotalitária mais tremenda deste século rico em tremendismo totalitário e em histórias que o desmascaram, de "O Nosso Agente em Havana" e dezenas de outros livros - conseguiu pôr em relevo a miséria da alma humana em todas as latitudes e a grandeza do homem até no próprio fundo dessa mesma miséria, como naquele padre de "O Poder e a Glória", mulherengo e bêbedo, que no final do livro escolhe o martírio, só porque alguém - talvez ninguém - o esperava do outro lado da fronteira para se confessar. É um livro belo e inesquecível - o inesquecível, nos livros como nas mulheres, representa a marca indelével da qualidade - e uma das coroas de ouro do século XX. Mas Graham Greene é católico... Cada um dos três grandes acima citados têm, portanto, um "defeitozinho" característico e, por isso, nenhum está na linha dos Pomposideos que os afastam, ano após ano, da concessão do Nobel - prêmio esse destinado a galardoar obras cujo fim evidente seja o de nos ajudar a compreender, a viver e a apoiar valores que estão a desfazer-se pelo seu choque com o que é inumano. Em que medida se mantém hoje fiel à missão para que foi instituído um prêmio tão alto e tão cobiçado e que, pelo nome e pela insignificância daqueles que distingue, está a ser reduzido ao contrário do que deveria ser? Que diria Alfredo Nobel face à espécie de literatura que tem sido premiada ultimamente? De resto, trata-se de um prêmio apolítico - mas o que é premiado pelos acadêmicos de Estocolmo são méritos políticos, repelindo escritores muito mais conhecidos, repelindo-os por defeitos políticos, que existem segundo o critério dos acadêmicos mas não segundo o critério dos leitores. Eu já sabia que neste mundo não há justiça, nem sequer justiça literária. Mas a tal ponto, meu Deus, a tal ponto...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6188930667042584149-5304090509140349315?l=reconquistabr.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reconquistabr.blogspot.com/feeds/5304090509140349315/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6188930667042584149&amp;postID=5304090509140349315' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/5304090509140349315'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/5304090509140349315'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reconquistabr.blogspot.com/2008/04/os-no-nobel-da-literatura-jnger-borges.html' title='Os não-Nobel da Literatura: Jünger, Borges, Greene'/><author><name>Fernando Rodrigues Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16368448307317160453</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_6uSu6EByoPY/SjFpGEjjdoI/AAAAAAAAALU/_MCTy91mSS4/S220/fernandorodrigues.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6188930667042584149.post-8902392291981032939</id><published>2008-04-14T10:28:00.000-07:00</published><updated>2008-04-14T11:01:49.223-07:00</updated><title type='text'>Pio X e a questão social</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Miguel Fagoaga G. Solana* &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#660000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#660000;"&gt;O presente artigo é da lavra do saudoso jurista espanhol, MIGUEL FAGOAGA, o qual foi também articulista da Revista Trilingüe Reconquista, que tinha a frente as figuras emblemáticas do brasileiro JOSÉ PEDRO GALVÃO DE SOUSA, do português FERNANDO AGUIAR, e do saudoso jusfiloso espanhol FRANCISO ELIAS TEJADA Y SPINOLA. Não obstante a data em que foi escrito, o artigo em comento não perdeu sua atualidade e indispensável é nos atermos as profícuas palavras de São Pio X, de venerável memória.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A beatificação de Pio X neste ano evoca seus ensinamentos em todas as ordens e, de uma maneira especial, sua luta denodada contra uma série de erros, que em seu tempo começavam a estender-se em proporções alarmantes.&lt;br /&gt;Por isso seus escritos sobre questões sociais possuem especial importância, e assombra observar como os tratadistas, ao expor a doutrina da Igreja nesta matéria, fixam sua atenção sobre Leão XIII e Pio XI e prescindem totalmente do Santo Patriarca de Veneza.&lt;br /&gt;Sua doutrina central é clara e terminante: a causa de todos os males que molestam a sociedade deve buscar-se nas "doutrinas dos pseudofilósofos do século XIII, as da Revolução e do liberalismo tantas vezes condenado» (1).&lt;br /&gt;Adverte com prudência que "a questão social e a ciência social não nasceram ontem; que em todas as idades a Igreja e o Estado em união de esforços felizmente suscitaram para o bem estar da sociedade organizações fecundas" (2). E valentemente sai ao encalço das insidiosas acusações fulminadas contra a Religião Católica ao dizer: "a Igreja, que jamais traiu a felicidade do povo com alianças comprometedoras, não tem que desligar-se do passado". (3).&lt;br /&gt;Ao examinar, todos estes erros recorda como Leão XIII anatematizou&lt;br /&gt;uma "certa democracia cuja perversidade chega ao extremo de atribuir na sociedade a soberania ao povo e procurar a supressão e nivelação de classes". (4).&lt;br /&gt;Para estes reformadores da sociedades, "seu sonho consiste em mudar as bases naturais e tradicionais (da sociedade) e em prometer uma cidade futura edificada sobre outros princípios que se atrevem a declarar mais fecundos, mais benéficos que aqueles em que descansa a atual sociedade cristã" (5).&lt;br /&gt;Segundo eles, "toda desigualdade de condição é injusta ou, ao menos, uma menor justiça, princípio sobremaneira contrário a natureza das coisas, gerador da inveja e da injustiça e subversivo de toda ordem social» (6).&lt;br /&gt;O perigo do socialismo o denuncia em toda sua importância: "refutar eficazmente aos progressos do socialismo; o qual, respirando ódio contra o Cristianismo e arrancando do coração do povo as esperanças do céu, avança destrutor para derrubar o edifício já vacilante da sociedade". (7).&lt;br /&gt;A única solução está na doutrina católica, já que «não se edificará a sociedade se a Igreja não põe os cimentos e dirige os trabalhos".&lt;br /&gt;(8). Porque "se se busca a verdadeira paz é um absurdo pensar que possa existir sem Deus, posto que, onde Deus se aparta, se aparta também a justiça, e faltando esta, em vão pode esperar-se a paz". (9).&lt;br /&gt;E com exatidão e clarividência traça um programa de ação para os católicos no terreno social, político e religioso: "É mister a união dos entendimentos na verdade, a união das vontades na moral, a união dos corações no amor de Deus e de seu Filho Jesus Cristo".(10)&lt;br /&gt;A este respeito não podem olvidar os espanhóis os certeiros conselhos dados ao Cardeal Aguirre, Arcebispo de Toledo: "A ação social dos católicos não reportará as utilidades apetecidas se os que trabalham pelo bem comum não tem, segundo é sua obrigação, um mesmo pensar, um mesmo querer, e um mesmo agir" (11).&lt;br /&gt;É necessário, ademais, nesta empresa de volver a criar uma ordem social cristã, "o concurso dos verdadeiros trabalhadores da restauração social, os organismos quebrados pela revolução - Grêmios, Confrarias, etc. - e adapta-los, com o mesmo espirito cristão de que estiveram animados, ao novo meio criado pela evolução material da sociedade contemporânea, porque os verdadeiros amigos do povo não são nem revolucionários nem renovadores, senão tradicionalistas" (12).&lt;br /&gt;É muito freqüente a afirmação de que a Igreja fracassou ante o problema social, de que a ação dos católicos neste terreno tem sido estéril e que este é o motivo pelo qual as massas de trabalhadores se tem descristianizado e tem seguido doutrinas mais favoráveis em aparência a seus interesses e a seus programas reivindicatórios.&lt;br /&gt;Em primeiro lugar é necessário advertir que todos aqueles sistemas que apresentam uma ordem social distinta da cristã são, ademais de errôneos, utópicos. Hoje o mundo tem experimentado a dolorosa realidade destes regimes socialistas e comunistas que, longe melhorar a condição social dos trabalhadores, hão submetido os povos a escravidão e a barbárie. E nestes erros não há atenuações, todos são igualmente condenáveis: comunismo, socialismo, socialismo de Estado, socialismo democrata, etc.&lt;br /&gt;Que oferecem estes programas? Ao principio escrevemos o esboço traçado por Pio X: "Seu sonho consiste em mudar as bases naturais e tradicionais (da sociedade) e em prometer uma cidade futura edificada sobre outros princípios que se atrevem a declarar mais fecundos, mais benéficos que aquele em que descansa a atual sociedade cristã". (13)&lt;br /&gt;No mundo, por mais que se afanem os mediadores, sempre haverá ricos e pobres, desigualdade, trabalhos, dores, sofrimentos e misérias, etc., etc.&lt;br /&gt;É a condenação bíblica que pesa sobre o gênero humano. Há que volver a repetir com Pio X: "Não há salvação para o mundo fora de Jesus Cristo; como que não há outro nome debaixo do céu dado aos homens, em que devamos ser salvos. Á Ele, pois, é necessário volver; a Seus pés é preciso prostrar-nos; de Seus divinos lábios recebermos as palavras de vida eterna; porque o único que pode indicar o caminho da regeneração é Aquele que disse:«Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida.»&lt;br /&gt;Se tem tentado novamente prescindir de Cristo na direção das coisas contingentes, passageiras; se tem começado a edificar desfazendo-se da pedra angular, que é que o que São Pedro jogava na cara dos que haviam crucificado a Cristo. Mas o que se edifica sobre areia movediça, por certo cai sobre a cabeça dos edificadores e destroça-se; no entanto, Jesus continua sendo a pedra angular da sociedade humana, comprovando-se uma vez mais que fora Dele não há salvação. "Eu sou a pedra reprovada por vós, os edificadores; e não está em nenhum outro lugar a verdade". (14).&lt;br /&gt;É evidente que o trabalho de muitos católicos no campo social tem sido ineficaz, porém tem eles seguido as regras mais dos revolucionários do que agido como católicos. Eles tem aceitado os princípios errôneos: democracia igualitária, socialismo, totalitarismo, etc., e não ouvem os infalíveis ensinamentos da Igreja. Sigamos a Pio X neste ponto de atuação dos católicos em questões sociais.&lt;br /&gt;Há muitos católicos que defendem idéias liberais e democráticas sem considerar que hão sido anatematizadas pela Igreja "as doutrinas dos pseudofilósofos do século XVIII, as da revolução e do liberalismo tantas vezes condenado"(15). "Outros muitos colocam a autoridade no povo ou quase a suprimem, e têm por ideal realizável o nivelamento de classes. Vão, pois, ao revés da doutrina católica, para um ideal condenado". (16)&lt;br /&gt;São muitos os que "ébrios com o mosto da novidade falam uma linguagem nova e confusa, que não é certamente a que falavam os primeiros cristãos". (17). Disse Pio X dirigindo-se aos espanhóis:&lt;br /&gt;"Desejamos que se cuide também de que não se infiltrem lentamente doutrinas novas e peregrinas, por não dizer opostas ao ensinamento da Igreja. Não raras vezes há ocorrido que a paixão de novidades tenha infeccionado a muitos, ainda entre o clero, dando em terra com sua obra" (18).&lt;br /&gt;Não poucas vezes estes católicos hão procurado antepor os interesses materiais aos espirituais, motivo fundamental do fracasso.&lt;br /&gt;«Enganam-se a si mesmos gravemente os que ao procurar o público bem estar, singularmente ao defender a causa do povo, põe seu principal cuidado nos bens do corpo, ainda que passem em silêncio os da alma e as gravíssimas obrigações da profissão cristã". (19).&lt;br /&gt;Em quantas ocasiões os afãs demagógicos e proselitistas hão esterilizado os melhores esforços.&lt;br /&gt;"mas não basta reunir gente: é preciso educa-la na vida cristã; é preciso forma-la naquele apostolado popular que, juntamente com a ação católica, exige de seus fiéis a Igreja; católicos de fé estéril e infecunda ou, pior ainda, católicos cuja fé contradiga as obras, não poderão nunca ser instrumentos úteis para as grandes empresas da restauração social, a qual, para difundir-se eficazmente, deve começar pelo mesmo que dela se professa apóstolo. Não se contentem, pois, com ir ao povo; esforcem-se sobretudo por formar nele um espírito profundamente cristão". (20)&lt;br /&gt;Basta-nos, para terminar, expor as normas dadas por Pio X para que estes trabalhos no campo social sejam o suficientemente frutíferos que as graves circunstancias do mundo exigem e esperam.&lt;br /&gt;Dirigindo-se aos fiéis da orbe na Encíclica Supremi Apostolatus Cathedra, dizia: "A ação é o que requer os tempos atuais; mais uma ação entregue de toda ao cumprimento íntegro e escrupuloso das leis divinas e dos preceitos da Igreja, a profissão franca e patente da Religião, a prática de toda classe de obras caritativas, sem visar qualquer proveito próprio nem cobiça de vantagens terrenas. Brilhantes exemplos dessas virtudes dadas por tantos soldados de Cristo, serão muito mais eficazes para comover e arrebatar as almas que a abundância de palavras e sutilezas de razões, e se logrará facilmente que, deposto o temor, rechaçadas as prevenções e as dúvidas, se convertam muitissímos a Cristo e promovam aonde queiram seu conhecimento e seu amor". (21).&lt;br /&gt;Anos depois, na Encíclica Il fermo proposito traça o seguinte programa do católico na vida pública e social: "Deve lembrar-se de ser, em qualquer conjuntura, e de aparecer, verdadeiramente católico, aproximando-se dos cargos públicos e desempenhando-os com o firme e constante propósito de promover, quanto lhe seja possível, o bem social e econômico da Pátria, particularmente do povo, conforme as máximas da civilização eminentemente cristã, e de defender ao mesmo tempo os interesses supremos da Igreja, que são os da Religião e da Justiça". (22).&lt;br /&gt;Atuação incompatível com covardias e contemporizações.&lt;br /&gt;«Gravíssimamente erram os que sonham com um estado tal em que a Igreja, sem oposição de ninguém, goze de paz dulcíssima. Mas mais torpemente se enganam os que, levados de vã e falsa esperança de conseguir essa paz, dissimulam os interesses e direitos da Igreja preterindo suas particulares comodidades, os atenuam injustamente, bajulam ao mundo sob pretexto de ganhar aos fautores de novidades e de concilia-los com a Igreja, como se fosse possível acordo algum entre a luz e as trevas, entre Cristo e Belial. Sonhos de enfermos são estes, cujas vãs aparências se forjaram e forjarão sempre enquanto houver covardes que, apenas tendo visto o inimigo, arrojem baixando o escudo, ou traidores que se apressuram em pactuar com o lado contrário, que é em nosso caso o inimigo furioso de Deus e dos homens". (23).&lt;br /&gt;Tratamos de bosquejar em breves linhas o pensamento de Pio X, sobre questões sociais. Hoje que o mundo obsessivamente trata de buscar solução a todos estes problemas por meio de grande quantidade de organismos nacionais e internacionais, bom será que meditemos sobre estas sábias normas de um Pontífice elevado aos altares, e que se morreu por seu amor aos humildes, pois, como esculpiu em seu testamento, "nascido pobre, tendo vivido pobre e certo de morrer muito pobre" (24), ele se considerava um deles. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;(1) Enc. Notre charge apostolique, 1, 23 agosto, 1910.&lt;br /&gt;(2) Enc. Notre charge apostolique, 39.&lt;br /&gt;(3) Enc. Notre charge apostolique, 39.&lt;br /&gt;(4) Enc. Notre charge apostolique, 9.&lt;br /&gt;(5) Enc. Notre charge apostolique, 10.&lt;br /&gt;(6) Enc. Notre charge apostolique, 21.&lt;br /&gt;(7) Carta de 20 de janeiro de 1907 aos dirigentes da União Econômico Social.&lt;br /&gt;(8) Enc. Notre charge apostolique, 11.&lt;br /&gt;(9) FERRUCCIO CARLl, PÍO X e Seu tempo, Barcelona, 1943.&lt;br /&gt;(10) Enc. Notre charge apostolique, 22.&lt;br /&gt;(11) Carta do Papa ao Cardeal Aguirre em novembro de 1909.&lt;br /&gt;(12) Enc. Notre charge ttpostolique, 39.&lt;br /&gt;(13) Enc. Notre charge apostolique, 10.&lt;br /&gt;(14) Jocunda sane. (Enc. sobre São Gregório Magno). 12 março, 1904.&lt;br /&gt;(15) Enc. Notre charge apostolique, 1.&lt;br /&gt;(16) Enc. Notre charge apostolique, 9.&lt;br /&gt;(17) Enc. Piene L'animo. 28 julho 1906.&lt;br /&gt;(18) Carta ao Cardeal Aguirre, Arcebispo de Toledo.&lt;br /&gt;(19) Enc. Jocunda sane.&lt;br /&gt;(20) Carta do Cardeal-Secretário de Estado aos diretores da Ação Católica de Umbría.&lt;br /&gt;(21) Enc. Supremi Apostolatus Cathedra, 4 outubro, 1903.&lt;br /&gt;(22) Enc. II fermo Propósito, 11 junho, 1905.&lt;br /&gt;(23) Enc. Communium rerum, 21 de abril, 1909.&lt;br /&gt;(24) Cardeal RAFAEL MERRY DEL VAL, Memórias do Papa Pio X. Madrid, 1946.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;*Este artigo foi transcrito da Revista de Política Social, Número 11, de Julho/Setembro de 1951, pgs. 69/75.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6188930667042584149-8902392291981032939?l=reconquistabr.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reconquistabr.blogspot.com/feeds/8902392291981032939/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6188930667042584149&amp;postID=8902392291981032939' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/8902392291981032939'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/8902392291981032939'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reconquistabr.blogspot.com/2008/04/pio-x-e-questo-social.html' title='Pio X e a questão social'/><author><name>Fernando Rodrigues Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16368448307317160453</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_6uSu6EByoPY/SjFpGEjjdoI/AAAAAAAAALU/_MCTy91mSS4/S220/fernandorodrigues.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6188930667042584149.post-214677706786061248</id><published>2008-03-26T22:20:00.000-07:00</published><updated>2008-03-26T22:23:07.697-07:00</updated><title type='text'>O fascinante poema de Ulisses</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;(DEDICADO AOS LOUCOS SUBLIMES)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Para os que assistem de longe a batalha daqueles que se propuseram a sustentar de pé, contra todos os agentes destruidores, o edifício da Nacionalidade, é difícil, ou quase impossível compreender as angústias de todas as horas, que consomem os nervos e apertam o coração dos combatentes de ânimo firme e inflexível desígnio.&lt;br /&gt;A consciência profunda das realidades aparentes e daquelas outras que, por serem ocultas, mais se fazem sentir nos efeitos visíveis dos aspectos sociais, coordenou em cada um dos lutadores as forças anímicas que se compõem no lineamento de uma atividade constante cujo exercício premune o espírito, isentado-o das enfermidades do desânimo, da desilusão e do ceticismo.. E esse é , por certo, o segredo da resistência, a chave do enigma, para tantos indecifrável, do homem que, apesar de todos os motivos de descrença e de revolta, consegue sustentar-se ereto na sua irredutível determinação.&lt;br /&gt;Tudo, no quadro geral de um país que veio perdendo, dia a dia, a noção de seus destinos superiores e da sua dignidade histórica, e no ambiente universal de predomínio de um grosseiro materialismo que pretender ser o contraste de um outro materialismo o qual, pelo menos, desfralda uma bandeira idealista, tudo convida à demissão, à renúncia, ao abandono mais completo.&lt;br /&gt;O lutador, empenhado em salvar um povo que não se quer salvar, sente, mil vezes, a tentação de recolher-se à delícia do ostracismo, atravessando o rio Lethes, o rio do Esquecimento, e mergulhando naquelas zonas crepusculares onde os prazeres lícitos e honestos anestesiam as faculdades do pensar e do sentir, do compreender e do temer, amortecendo a vontade e as energias criadoras.&lt;br /&gt;Nessas horas de tédio e de amargura, configuram-se no pensamento do homem engajado na batalha por um Ideal Superior, as doces tranqüilidade dos Jardins de Epícuro, onde toda a dor é proscrita, ou a nobre serenidade de Academus, onde pairam as idéias e as controvérsias, como aves a contemplar, muito do alto, as misérias da terra. Doçuras amáveis de Tusculum, à cuja sombra do arvoredo, Plínio o Moço escrevia as sua cartas literárias e o Panagírico de Trajano; amenidades das Bucólicas de Virgílio, sob a proteção de Octávio, quer era o Poder, e de Mecenas, que era o Dinheiro; paz amável das bibliotecas monásticas, de cujo silêncio podem sair as páginas clássicas de Frei Luís de Souza; doçuras de imperturbáveis academicismos, onde a prosa de Anátole France se desenrola em planícies de mínima altitude, como um tapete de cores esbatidas... Tentação da vida de gabinete, da vida alheia à vida, da vida harmoniosa da ilha da Perfeição, onde Calipso tenta prender o destino tumultuoso de Ulisses.&lt;br /&gt;Mas, à semelhança do herói de Itaca, a despreender-se dos argumentos da deusa dos Parques Perfeitos, quando o incita a viver para sempre entre as aléas, de cujas árvores não caia uma única folha, e junto às fontes que não conheciam a mácula dos enxurros, deslizando perpetuamente cristalinas, e a ouvir o canto daqueles pássaros desconhecedores da morte, também os lutadores penetrados pelas razões das grandes causas jamais se demitem da empresa a que se abalançaram.&lt;br /&gt;Como Ulisses, trazem no fundo do coração a lembrança de Penelope, a esposa fiel que está sempre a esperar naquele Reino das Contingências Humanas, onde as árvores envelhecem, as fontes se turvam e os pássaros sofrem os rigores da invernia. E, assim como Ulisses foge da lha da Perfeição, também o homem que se dispôs a lutar no sentido do "humano" e, particularmente, no sentido da Pátria, rejeita a vida calma, o tédio das aposentadorias, o "ócio com dignidade" dos romanos, onde o espírito ardente e lutador não encontra senão indignidade.&lt;br /&gt;Voltar a Itaca, é o pensamento de Ulisses. Volver à realidade dura da vida nacional, é o pensamento secreto do Lutador, quando a tentação o instiga a abdicar o cetro da sua grandeza, que é o sonho expressivo do seu altruísmo e do seu amor à Pátria.&lt;br /&gt;O desânimo nunca chega a ser um colapso das energias criadoras; é apenas um instante de vertigem, em que, à maneira do Anteu (o gigante que refazia suas forças ao tocar a terra, na plenitude dos combates) o lutador da Nobre Causa rápido se recompõe para, mais lesto e firme, arremeter contra as potências do Mal.&lt;br /&gt;E, assim, coo depois de tantas aventuras e desventuras, Ulisses consegue regressar a Itaca e encontrar Penelope, a esposa, e Telemaco, o filho, também os que batalham pela Pátria haverão de encontrá-la, como encontrarão a alma da Pátria (a fiel Penelope) e a flor do seu futuro, na continuação do tempo, isto é, as novas gerações, que são o Telemaco de todos os Ulisses...&lt;br /&gt;Não faltaram conselhos à rainha de Itaca para que esquecesse do esposo, em cuja possibilidade de regresso ninguém de bom senso, queria acreditar. Só ela acreditava. E ele regressou. Não faltarão, também, graves anciãos, que se dizem sabedores das realidades políticas, a dizer aos ouvidos da alma da Pátria, que já lhe não é lícito esperar por um ideal que tudo indica haver soçobrado nas encapeladas ondas de um Mediterrâneo histórico, entre as fúrias dos Ciclopes do materialismo, as artimanhas de Circe, que é toda a demagogia corrente em nossos dias, e o mistério do país dos mortos, onde tudo é frialdade e indiferença.&lt;br /&gt;Mas assim como uma tempestade atira Ulisses à praia de Feacios, encontrando o acolhimento de Náusicas e Alcino, que o reconduzem a Itaca, disfarçado em mendigo, também a furiosa tormenta, que já se forma nos horizontes da nossa Pátria, há de levar os que lutam por ela à praia dos acontecimentos inevitáveis da História.&lt;br /&gt;Disfarçado em mendigo, ou seja, em peregrino implorativo, Ulisses encontra vários pretendentes à mão de Penelope. Eles disputam, com ambição mesquinha do Poder, a rainha por todos tida como viúva. Mas Ulisses dá-se a conhecer, a Telemaco, e há nisto um símbolo impressionante a assinalar a vida dos heróis: eles se revelam à juventude.&lt;br /&gt;Sim; os heróis revelam-se à Mocidade, porque os velhos perderam inteiramente a memória e embotaram (à força de raciocinar e de agir segundo as regras frias da razão) as poderosas antenas intuitivas. Os velhos perderam a capacidade divinatória, o Dom das percepções íntimas e profundas e só aqueles que, como o centenário Simeão do Evangelho, conservam a juventude do Espírito, são capazes de reconhecer o que os seus contemporâneos não vislumbram.&lt;br /&gt;Os pretendentes à mão da Rainha de Itaca são todos interesseiros; não os move nenhum amor, mas apenas a ambição do mando e os proventos que deveriam do governo. Mas Telemaco, desde o instante em que reconheceu Ulisses, de quem deveria ser continuador, é quem revela a Penelope a identidade do herói.&lt;br /&gt;Por este motivo todos os que lutam, entre incompreensões e injustiças, entre indiferenças e despresos, amargando o desdém com que são olhados por uns e sofrendo o ódio com que são visados por outros, sabem que Telemaco, ou a Juventude, está viva e já os identificou e será ela quem os revelará, na hora extrema, os ouvidos da Pátria que os espera.&lt;br /&gt;Esta certeza revigora a fibra dos batalhadores por um ideal de grandeza humana e de salvação nacional. E, então, todas as mesquinhesas dos seus coevos lhe parecem mais mesquinhas, não constituindo, por isso mesmo, empecilho aos seus objetivos.&lt;br /&gt;É verdadeiramente comovedor esse fato que presenciamos todos os dias de homens paupérrimos, sem eira nem beira, darem as horas do seu justo descanso a um trabalho do qual, longe de auferir proventos, sofrem ônus e duros sacrifícios. Homens pobres que pagam para trabalhar em favor de uma ordem que materialmente lhes não aproveita, enquanto os ricos se entregam as suas exigências confortáveis, muitas vezes negando às necessidades mais prementes do serviço patriótico desenvolvido pelos que tudo sacrificam a bem da Nacionalidade, a mínima contribuição.&lt;br /&gt;No meio desse espetáculo em que Voltaire encontraria centenas de Pangloss, argumentando leibnitzcamente e vivendo segundo as normas de Epícuro, agitam-se os pretendentes de Penelop, os ambiciosos do Poder, os sedentos de posições dinheirosas e cargos honoríficos, os charlatães à Cagliostro, os demagogos cheirosos a Jacobinagens, os êmulos de Catilina, a fauna prodigiosa dos pescadores de águas turvas.&lt;br /&gt;Mas, apesar de tudo, aumenta, cresce na hora presente, a legião dos idealistas, dos heróis, dos que se sacrificam, dos que se martirizam, dos que não conhecem descanso nesta luta tremenda pela salvação da nossa Pátria.&lt;br /&gt;O gelo da indiferença de muitos não lhes arrefece o ardor do entusiasmo; a incompreensão de outros, não os desanima no afã, cada vez mais vibrante, de bem servir a Nação; o desprezo que tantos lhes votam é tomado com o mesmo íntimo sorriso com que Ulisses, disfarçado em mendigo às portas dos moradores de Itaca, considerava a incapacidade de interpretação do seus motejadores; as injustiças de muitíssimos ainda, revestindo-se da formas das calúnias, das injúrias, dos sofismas de uma crítica malévola e pérfida, são recebidas pelos batalhadores com a corajosa tranqüilidade dos que marcham por aquela selva escura de que fala Dante, na qual se encontram espinhos, precipícios e feras, que é forçoso superar.&lt;br /&gt;Por isso, a luminosa minoria que empunhou a bandeira do espiritualismo mais puro e sincero, prossegue aguardando o momento trágico de um futuro, cujas ameaças a mediocridade geral dos responsáveis não tem sabido conjurar.&lt;br /&gt;E a pátria há de reconhecer os que a amam, como Penelope reconheceu Ulisses, levado à sua presença por Telemaco, a juventude radiosa que não faltará ao seu magnífico destino. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6188930667042584149-214677706786061248?l=reconquistabr.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reconquistabr.blogspot.com/feeds/214677706786061248/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6188930667042584149&amp;postID=214677706786061248' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/214677706786061248'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/214677706786061248'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reconquistabr.blogspot.com/2008/03/o-fascinante-poema-de-ulisses.html' title='O fascinante poema de Ulisses'/><author><name>Fernando Rodrigues Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16368448307317160453</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_6uSu6EByoPY/SjFpGEjjdoI/AAAAAAAAALU/_MCTy91mSS4/S220/fernandorodrigues.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6188930667042584149.post-8242184184824337127</id><published>2008-03-26T22:15:00.000-07:00</published><updated>2008-03-26T22:19:43.832-07:00</updated><title type='text'>O Homem contra a Criação</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Luis de Sena Esteves&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homem e mulher são diferentes no corpo e na alma, na biologia, no sentir, no amar e no entender, mas são diferentes para serem um para o outro, e os dois, através das diferenças e relação mútua, para criação do filho, em que colaboram intimamente com Deus – eles, os pais, no corpo, em tudo o que o corpo traz à vida, no sentimento, no coração, quase na alma; Deus, na alma transcendente, nesse quase que está para além dos pais e os pais, por não serem divindade, não podem acabar. Os pais lhe dão a terra; Deus, o que está para além da terra, o destino transcendente dos seres espirituais.&lt;br /&gt;Deus está presente já na própria concepção dando ao amor dos pais a oferta criadora duma nova alma. É nesta associação espantosa de Deus e do homem, não dada à criação em momento algum, que se tornam, homem e mulher, na regra fundamental do viver humano, à qual tudo deve estar subordinado.&lt;br /&gt;A família supõe assim, por estes fatos fundamentais, a ordem criada. Deus colabora na ordem que criou e através dela. Não se sujeita a colaborar numa ordem criada pelo homem, sem Ele.&lt;br /&gt;A complementaridade, e diferenciação dos sexos é assim o fato primário, a própria condição de existência na terra da obra suprema da divindade. Não admira que, num mundo em que se está a negar a diferenciação e complementaridade dos sexos, se substitua a graça da criação pela tragédia da destruição das fontes da vida e da própria vida, como sucede na anticoncepção e nas destruições maciças em que a humanidade, invocando um amor que não foi criado, se extingue de dia para dia... o que leva já alguns governos temerem, não o espectro neo-maltusiano da sobre população, mas o vácuo ainda mais pavoroso da extinção dos seus povos por falta de procriação.&lt;br /&gt;A grande ameaça da humanidade de hoje não é o aumento da população que as máquinas calculam nos gabinetes do planejamento mundial, não são as bombas atômicas que ainda não conseguiram matar além de escassas centenas de milhares de vidas; espantosamente, segundo uma evidência em que o senso comum, (por se Ter completamente perdido, certamente) não acredita, é o aborto, que mata atualmente milhões e que já matou cerca de 50 milhões de homens nos últimos 20 anos. (P.S.: o presente artigo foi escrito em 1971)&lt;br /&gt;Deus não colabora com o homem numa ordem criada contra uma ordem que Ele criou, e se a humanidade, que ainda não destruiu o instinto inicialmente dado, ainda cresce, não demorará extinguir-se pouco a pouco, em face da maior razia de vidas que nunca peste ou fome ou guerra lhe trouxe na história passada. Bom será que o presente século, hipnotizado pela doutrina econômica do neo-maltusianismo, ao menos, por um imperativo também econômico, considere urgentemente uma nova doutrina, anti maltusiana agora.&lt;br /&gt;Começa por divergir a história atual, logo de início, da ordem criada, e também, na ordem criada, a sentir efeitos devastadores. Pode o homem tentar criar uma nova natureza, não pode livrar-se da vingança da natureza destruída. As leis que Deus criou, para todos evidentes, atuam sempre, ou criando, ou destruindo, por elas mesmas. E estas leis vingam-se implacavelmente, num determinismo cego a que o homem não pode fugir. É o preço da nova criação.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;continuará....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Hora Presente, Ano III, Dezembro de 1971, n°11, p.176-177&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6188930667042584149-8242184184824337127?l=reconquistabr.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reconquistabr.blogspot.com/feeds/8242184184824337127/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6188930667042584149&amp;postID=8242184184824337127' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/8242184184824337127'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/8242184184824337127'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reconquistabr.blogspot.com/2008/03/o-homem-contra-criao.html' title='O Homem contra a Criação'/><author><name>Fernando Rodrigues Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16368448307317160453</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_6uSu6EByoPY/SjFpGEjjdoI/AAAAAAAAALU/_MCTy91mSS4/S220/fernandorodrigues.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6188930667042584149.post-2500347202035947513</id><published>2008-03-19T10:33:00.000-07:00</published><updated>2008-03-19T11:02:10.523-07:00</updated><title type='text'>Tasso da Silveira e a poesia que conduz a Deus</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;"A mais séria, a mais heróica, a mais resistente das almas da geração que pertenço... uma das mais puras glórias do Brasil contemporâneo".&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; Jackson de Figueiredo sobre Tasso da Silveira&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;"A poesia de Tasso é uma reação contra o vácuo aberto pelo pensamento. Precisava de um refúgio e buscou, na poesia, o caminho para Deus. A beleza iluminou-lhe o grande Mito cristão. O sentimento religioso, o pensamento católico, consolador por excelência, extinguiu todos os mistérios, todas as incógnitas e todas coisas insondáveis pelo Mistério Maior, pela Incógnita Maior e pela Coisa Insondável".&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;  Joaquim Ribeiro&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;"A missão da poesia de Tasso da Silveira – que se estende uniformemente de Fio d’água aos Cantos do campo de batalha - é essa de salvar o povo brasileiro, fazendo-o salvador dos homens da terra Todos os seus poemas, toda essa poesia escrita sem solenidade, encontra aqui sua única razão de ser. Tentar remissão para a humanidade, e, através da remissão conseguida, reintroduzir na terra a inocência perdida".&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;  Adonias Filho &lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;*********&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#990000;"&gt;A DANÇA EM FACE DE DEUS*&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;1&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Senhor, em presença de tua Face,&lt;br /&gt;eu dançarei.&lt;br /&gt;Porque toda alegria e toda beleza&lt;br /&gt;é ritmo e dança.&lt;br /&gt;E a alegria absoluta&lt;br /&gt;e o absoluto esplendor&lt;br /&gt;são uma dança eterna.&lt;br /&gt;Senhor, em tua divina presença,&lt;br /&gt;eu dançarei.&lt;br /&gt;Dançarei como as frondes, como as flores,&lt;br /&gt;às brisas matinais.&lt;br /&gt;Dançarei como as ondas, como as nuvens,&lt;br /&gt;como os ventos oceânicos,&lt;br /&gt;à ebriez dos horizontes sem fim.&lt;br /&gt;Dançarei como os mundos,&lt;br /&gt;as sagradas estrelas,&lt;br /&gt;à hipnose da grande noite.&lt;br /&gt;Senhor, em presença de tua Face&lt;br /&gt;dançarei, dançarei,&lt;br /&gt;dançarei....&lt;br /&gt;dançarei....&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;2&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Cantarei as estrelas, Senhor,&lt;br /&gt;perpetuamente cantarei!&lt;br /&gt;Porque elas são e serão sempre&lt;br /&gt;o augusto deslumbramento,&lt;br /&gt;o milagre, a alegria.&lt;br /&gt;Porque elas permancerão para sempre intactas,&lt;br /&gt;inatingíveis aos golpes&lt;br /&gt;do nosso ímpeto de negação e destruição.&lt;br /&gt;Porque elas são tua imagem,&lt;br /&gt;teu símbolo na matéria.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Quando o homem houver despido&lt;br /&gt;do seu manto de encantamento e de beleza&lt;br /&gt;todas as mais esplêndidas realidades&lt;br /&gt;deste mundo,&lt;br /&gt;Quando houver desnudado de sentido&lt;br /&gt;as árvores, os passários, as flores,&lt;br /&gt;as montanhas, o mar, os ventos,&lt;br /&gt;ainda as estrelas guardarão&lt;br /&gt;seu perene fascínio,&lt;br /&gt;seu magnetismo sobrenatural.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Quando em mais nada neste mundo&lt;br /&gt;descobrir o homem vestígios&lt;br /&gt;dDo absoluto do teu Ser,&lt;br /&gt;- ainda as estrelas lhe dirão,&lt;br /&gt;na sua pulsação infinita&lt;br /&gt;e nos seus insondáveis abismos,&lt;br /&gt;que tu existes, Senhor,&lt;br /&gt;e és absoluto e eterno.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Até meu último canto&lt;br /&gt;cantarei as estrelas.&lt;br /&gt;Dos meus poemas humildes&lt;br /&gt;nem todos se apagarão&lt;br /&gt;na lembrança dos homens.&lt;br /&gt;E nos poucos que fiquem&lt;br /&gt;ainda estarei cantando&lt;br /&gt;a estrelas eternas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Senhor, até o fim de tudo&lt;br /&gt;cantarei as estrelas,&lt;br /&gt;perpetuamente as cantarei...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;3&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Senhor, esta água&lt;br /&gt;clara e humilde que bebo&lt;br /&gt;para matar a sede,&lt;br /&gt;transubstancia esta água no teu sangue!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Senhor, este ar&lt;br /&gt;que aspiro sôfrego&lt;br /&gt;Porque meus pulmões sufocam,&lt;br /&gt;Transubstancia este ar na tua alma!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Senhor, as cores e as formas,&lt;br /&gt;as linhas puras de beleza&lt;br /&gt;de todas as coisa do mundo&lt;br /&gt;e que meu olhar procura ansiadamente,&lt;br /&gt;e as harmonias, as músicas,&lt;br /&gt;que são a água para a sede meus ouvidos,&lt;br /&gt;transubstancia tudo isto no teu corpo,&lt;br /&gt;como fazes com o pão e o vinho.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Torna eucarístico&lt;br /&gt;tudo o que está em permanente contacto&lt;br /&gt;com meu corpo eminha alma,&lt;br /&gt;afim de que em tudo eu te sorva&lt;br /&gt;e de ti me nutra&lt;br /&gt;e me encha de ti a cada instante&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Porque, senão, eu apodrecerei de todo.&lt;br /&gt;Porque, senão, eu me desfarei em poeira,&lt;br /&gt;Em poeira tão tênue&lt;br /&gt;Que nem teus dedos sentirão...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;4&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Senhor, dá-me paisagens&lt;br /&gt;infinitamente puras.&lt;br /&gt;Dá-me paisagens virginais&lt;br /&gt;sobre as quais meu espírito corra como um vento&lt;br /&gt;que nunca tenha roçado as paludes trágicas,&lt;br /&gt;nem nunca se tenha embebido do perfume&lt;br /&gt;das mancenilhas mortais.&lt;br /&gt;Senhor, dá-me paisagens unicamente feiras&lt;br /&gt;- como as do deserto enorme, -&lt;br /&gt;de areias e estrelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;5&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Meu corpo como as areais&lt;br /&gt;que as águas primordiais&lt;br /&gt;- as grandes águas virginais do mundo –&lt;br /&gt;lavaram.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Meu corpo como as areias puras.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Minha alma como as estrelas&lt;br /&gt;distantes na noite,&lt;br /&gt;límpidas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Minha alma como as estrelas intactas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Então virás, Senhor,&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;porque serei como um espelho&lt;br /&gt;nítido,&lt;br /&gt;em que poderá refletir-se&lt;br /&gt;Tua Face...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;6&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Criar, modelar, construir&lt;br /&gt;até o Fim.&lt;br /&gt;capturar as imagens&lt;br /&gt;de nítidosrecortes,&lt;br /&gt;ágeis e vivas&lt;br /&gt;como os tigres elásticos,&lt;br /&gt;e as corças tímidas...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Criar pensamentos&lt;br /&gt;que desejam como serenos pássaros,&lt;br /&gt;do mar,&lt;br /&gt;ou como os livres ventos oceânicos.&lt;br /&gt;Porque só eles trazem nas asas&lt;br /&gt;o vasto e puro alento&lt;br /&gt;das distâncias eternas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Não vazar nunca&lt;br /&gt;no molde frágil&lt;br /&gt;dos apodrecentes desejos,&lt;br /&gt;do tédio ignóbil,&lt;br /&gt;das cobardias inomináveis.&lt;br /&gt;Modelas apenas&lt;br /&gt;as sagradas argilas&lt;br /&gt;que as mãos de Deus amassaram,&lt;br /&gt;porque só delas é que nascem&lt;br /&gt;As formas imperecíveis.&lt;br /&gt;Criar apenas ritmos límpidos e puros.&lt;br /&gt;Cantar somente os cantos matinais&lt;br /&gt;claros e nus...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;9&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A Lua&lt;br /&gt;(tão essencial,&lt;br /&gt;tão de Deus...)&lt;br /&gt;do céu puro alumia&lt;br /&gt;a paisagem desnuda:&lt;br /&gt;a paisagem de árvores desfolhadas&lt;br /&gt;erguendo braços quase humanos&lt;br /&gt;na solidão vazia:&lt;br /&gt;de árvores tão simples e nuas,&lt;br /&gt;tão essenciais,&lt;br /&gt;tão de Deus!&lt;br /&gt;Senhor, bem sei que este quadro&lt;br /&gt;é uma palavra tua...&lt;br /&gt;Que por ele me chamas&lt;br /&gt;em verbo de beleza&lt;br /&gt;para uma simplicidade mais límpida,&lt;br /&gt;para uma renúncia mais heróica,&lt;br /&gt;para um desnudamento mais total...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;11&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Chopin, nós ficaremos sozinhos!&lt;br /&gt;Quando todos os homens&lt;br /&gt;forem, por fim, ajustados&lt;br /&gt;como peças inertes&lt;br /&gt;à grande máquina terrível,&lt;br /&gt;nós, e os nossos irmãos dolorosos,&lt;br /&gt;ficaremos sozinhos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Quando todos os homens&lt;br /&gt;se houverem perdido de todo&lt;br /&gt;do seu sentido de eternidade&lt;br /&gt;e da sua vocação de beleza,&lt;br /&gt;nós ficaremos&lt;br /&gt;infinitamente sozinhos!&lt;br /&gt;Mas ainda assim continuarão perpetuamente&lt;br /&gt;a comunicar-se conosco&lt;br /&gt;as profundidades de tudo.&lt;br /&gt;Ainda assim continuaremos&lt;br /&gt;a comungar com as essências,&lt;br /&gt;a ouvir as vozes do chão e das estrelas,&lt;br /&gt;a receber as mensagens&lt;br /&gt;das coisas e dos mundos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ainda assim,&lt;br /&gt;do seio de uma solidão infinita,&lt;br /&gt;prosseguiremos&lt;br /&gt;em nossa confidência comovida&lt;br /&gt;com Deus...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;13&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Falar com Deus perdidamente,&lt;br /&gt;na oração que nem sabe que é oração,&lt;br /&gt;no misericordioso encontro eucarístico,&lt;br /&gt;na hora da dor incoercível, em que nada mais me alivia&lt;br /&gt;[no mundo,&lt;br /&gt;na hora da ansiedade infinita, em que nada mais enche&lt;br /&gt;[a minha alma no mundo,&lt;br /&gt;na hora da serena, ou da profunda alegria,&lt;br /&gt;em que está mais próxima a compreensão gloriosa&lt;br /&gt;do absoluto e do eterno.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Criar sonho perpetuamente,&lt;br /&gt;desentranhar perpetuamente a beleza&lt;br /&gt;da substância de todas as coisas.&lt;br /&gt;Procurar a inocência.&lt;br /&gt;No mais secreto desvão de todas as almas&lt;br /&gt;procurar incessantemente a inocência.&lt;br /&gt;Andar, andar, sem parar,&lt;br /&gt;perpetuamente descobrir&lt;br /&gt;a inocência e a beleza.&lt;br /&gt;Falar perdidamente com Deus...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;strong&gt;15&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O sopro criador não soprou apenas nas origens.&lt;br /&gt;Perpetuamente continuou.&lt;br /&gt;Os homens é que se petrificaram.&lt;br /&gt;Fizeram-se inertes como os rochedos&lt;br /&gt;sobre os quais passa inutilmente&lt;br /&gt;o grande vento da infinita solidão.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O sopro criador era talvez mais tênue nas origens.&lt;br /&gt;Depois cresceu, se amplificou.&lt;br /&gt;Se os homens não tivessem descido todas as flâmulas&lt;br /&gt;da alta torre do Espírito,&lt;br /&gt;elas a esta hora tremulariam violentamente&lt;br /&gt;ao vendaval do Criador.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;*O Poema selecionado pertence à obra&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;em&gt;Contemplação do Eterno&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;, &lt;span style="color:#990000;"&gt;e foi estraido do  livro&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt; "Tasso da Silveira: poemas"&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;span style="color:#990000;"&gt;da Editora GRD, com organização e seleção de Ildásio Tavares.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6188930667042584149-2500347202035947513?l=reconquistabr.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reconquistabr.blogspot.com/feeds/2500347202035947513/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6188930667042584149&amp;postID=2500347202035947513' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/2500347202035947513'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/2500347202035947513'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reconquistabr.blogspot.com/2008/03/tasso-da-silveira-e-poesia-que-conduz.html' title='Tasso da Silveira e a poesia que conduz a Deus'/><author><name>Fernando Rodrigues Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16368448307317160453</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_6uSu6EByoPY/SjFpGEjjdoI/AAAAAAAAALU/_MCTy91mSS4/S220/fernandorodrigues.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6188930667042584149.post-7130515166657315392</id><published>2008-03-16T13:19:00.000-07:00</published><updated>2008-03-16T13:31:19.341-07:00</updated><title type='text'>Com a Usura</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;color:#000066;"&gt;Ezra Pound&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Com a usura nenhum homem tem casa de pedra firme&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;de blocos bem talhadose bem lisos&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;para o desenho os recobrir na face,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;com a usura&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;nenhum homem tem um paraíso pintado na sua igreja&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;harpes et luthes&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;nem sítio onde a Virgem receba a anunciação&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;e onde um feixe de luz jorre da ferida,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;com a usura&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;nenhum homem vê Gonzaga os seus herdeiros e as suas concubinas&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;nenhum quadro é pintado para durar&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;ou viver com ele&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;é pintado mas é para vender,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;para vender depressa&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;com a usura, pecado contra a natureza,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;o teu pão é feito cada vez com piores farrapos&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;o teu pão é seco como o papel,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;sem trigo da montanha, sem boa farinha&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;com a usura o traço torna-se grosseiro&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;com a usura não há fronteiras&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;e nenhum homem pode achar um lugar para a sua casa.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;0 pedreiro fica longe da sua pedra o tecelão longe do seu ofício.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;COM A USURA&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;a lã não chega aos mercados&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;os carneiros não ganham lã com a usura&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A usura é uma peste, a usura torna romba a agulha nas mãos da virgem&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;e embaraça os gestos da fiadeira.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Pietro Lombardo não veio pelo caminho da usura.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Duccio não veio pela usura&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Nem Pier della Francesca; Zuan Bellin` também não foi pela usura&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;nem foi com ela que pintaram «La Calumnia».&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Não foi pela usura que veio Angelico; nem Ambrogio Praedis,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Nem veio a igreja talhada em pedra assinada: Adamo me fecit.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Não veio pela usura Santa Trófima&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Não veio pela usura Santo Hilário,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A usura corrói o cinzel&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ela corrói a arte e o artesão&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ela enrodilha o fio no ofício&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ninguém aprende a bordar a ouro seguindo o modelo dela;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;0 azul tem um cancro por causa da usura; o carmesim fica por bordar&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A esmeralda não encontra Memling&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A usura mata a criança ainda no ventre&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ela corta a carreira aos jovens&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ela leva à cama a paralisia, ela está deitada entre a jovem desposada e o seu esposo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;CONTRA NATURA&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Levaram prostitutas a Eleusis&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ao banquete assentam-se cadáveres&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A convite da usura.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6188930667042584149-7130515166657315392?l=reconquistabr.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reconquistabr.blogspot.com/feeds/7130515166657315392/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6188930667042584149&amp;postID=7130515166657315392' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/7130515166657315392'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/7130515166657315392'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reconquistabr.blogspot.com/2008/03/com-usura.html' title='Com a Usura'/><author><name>Fernando Rodrigues Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16368448307317160453</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_6uSu6EByoPY/SjFpGEjjdoI/AAAAAAAAALU/_MCTy91mSS4/S220/fernandorodrigues.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6188930667042584149.post-9143380819366586977</id><published>2008-03-04T11:45:00.000-08:00</published><updated>2008-03-04T11:55:44.879-08:00</updated><title type='text'>A comovente e heróica morte de um mártir. Como se deu o assassinato de Ramiro de Maeztu, em 7 de Novembro de 1936.</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;por María de Maeztu&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#000066;"&gt;Ramiro de Maeztu, mestre de Hispanidade, foi assassinado no infausto novembro de 1936. Sua irmã Maria recorre a seus pensamentos e sentimentos. Dom Ramiro morreu para que prevalecesse, em toda a plenitude, o sentido hispânico da vida, alcançado por ele ao termo de suas andanças intelectuais e daí por diante objeto de uma doutrinação constante e corajosa. Conhecia, e por experiência, a maldade dos homens, mas acreditava na possibilidade de fazê-los bons.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;RAMIRO DE MAEZTU: PRESENTE!&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;"Naquele instante dramático vejo com claridade, apesar de minha angústia que me confinava no silêncio, que ele já havia terminado de recorrer seu caminho de Damasco e que eu começava o meu, o caminho que sem ele haveria de recorrer infinitamente sozinha.. Até agora seu nome, o prestígio de sua rubrica, sua autoridade moral, me abriam todas as portas; por isso foi minha vida tão fácil. A hora da dor há chegado. A hora de afrontar sozinha, cara a cara, sem defesa e sem apoio, essa coisa terrível e magnifica que se chama verdade."A través das grades da prisão, nesse dia memorável, o homem que foi meu irmão, meu amigo, meu mestre, o companheiro no trabalho, o inspirador da emoção criadora, me entrega uma mensagem. Não vem escrito em palavras, mas está em seu olhar, na entonação de sua voz. É seu mandato que tem a força inalterável do que pede em silêncio na hora da morte.7 de Novembre de 1936._ Madri."No pátio da prisão os presos escutam os nomes que um miliciano pronuncia. Vão destacando-se os chamados. Um passo adiante e um ultimo olhar aos companheiros de cativeiro, aos que compartiram a angústia da espera do momento final."Então o carcereiro pronuncia seu nome. Queria pronuncia-lo, tentou, como se fosse um entre tantos. No entanto, sua voz, ao ressoar no âmbito da prisão, adquiriu alento de eternidade. O nome que pronuncia é já um nome histórico. Disse: Ramiro de Maeztu. Quis acrescentar um número, com que vai marcado - o sinal de ignominia - todo presidiário. Mas uma força sobrehumana deteve sua voz e o nome sai solitário, limpo, claro. É o nome que centenas de milhares de vezes reproduziram as colunas dos diários, dos melhores diários da Europa e da América, ao pé de um artículo de prosa perfeita no qual se enunciava uma verdade, uma inquietude, um anelo, uma profecia. É o nome de um homem que por manter-se sem medo e sem mácula, como o dos cavaleiros medievais, arriscou tudo e no momento decisivo foi visto, como a Verdade que defendeu, sozinho, definitivamente sozinho, abandonado. O nome de quantos hão de morrer se escuta no cárcere com idêntica emoção. Mas se agrega agora, neste caso, uma aureola de popularidade. É um nome conhecido por todos e até a Morte o conhece, pois falou e escreveu muito sobre ela: &lt;em&gt;"todos os dias peço a Deus que me de alento para morrer com dignidade".&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;"Em 7 de Novembro de 1936, no pátio do cárcere de Madri, Ramiro de Maeztu, ao ser chamado, cravou seus joelhos na terra ante outro cativo. Era um sacerdote. Aproximou ele sua cabeça para fazer-lhe entrega de sua ultima confissão. O sacerdote, ante a gravidade da instancia, vendo que tinha a seus pés não um homem qualquer senão a um mártir que ha traspassado a fronteira do humano para ingressar na região onde moram os santos, fez um gesto com a mão indicando que seus pecados estavam perdoados porque amou muito e sofreu muito. Mas Ramiro, fiel ao rito da religião por cuja defesa dava sua vida, disse em voz clara e serena; "Padre, absolva-me...".&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;"E a gravidade dramática daquela hora, que os séculos cobrirão de glória e beleza, se tornou luminosa. Em seus olhos azuis, claros, profundos; naqueles olhos que haviam absorvido com deleite, nos anos de juventude, a beleza da vida; naqueles olhos através dos quais um dia cruzou a visão antecipada, certeira, segura, do que haveria de ser Espanha, brilhou como nunca uma labareda de fé. Lhe saltava o coração do peito, impaciente como o da criancinha quando tardam lhe conceder o que deseja. Teresa de Jesus, a Santa de Ávila, risonha, jovial, animosa, ia dando-lhe forças. E enquanto cruzava, de cabeça erguida e sereno, o corredor do cárcere, ia repetindo as imortais estrofes: &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#660000;"&gt;&lt;em&gt;E tão alta vida espero&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#660000;"&gt;&lt;em&gt;Que morro porque não morro.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;"Apressou o passo, subiu na camioneta. A luz branca e fria do amanhecer de Madri iluminou como um refletor seu rosto antecipando a palidez da morte. Sua cabeça, sobre a luz tênue, levemente azulada, daquela aurora, não era já a cabeça de um homem de carne e osso: era a figura belíssima de uma escultura talhada por um escultor castelhano, para que possa ser elevada algum dia ao altar do templo onde mora Deus. Quem sabe? Talvez, ao altar do templo de São Miguel, em Vitoria, onde recebeu na pia batismal a água que desde vinte séculos limpa o homem do pecado original e lhe faz protagonista do drama de uma paixão _ padecimento perene _ que viverá com terrível angústia". &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;"Depois...o caminho, a parada, a curva final. Os milicianos que vão disparar contra ele se detém para acomodar com certeza o canhão que vai disparar a metralhadora. Lhe ordenam que avance contra um muro que dentro de alguns instantes quedará salpicado de sangue, do sangue de um homem que foi o que quis ser: um cavaleiro cristão. Já estão ali, nesse lugar para dar morte a um réu cujo único delito foi de haver amado infinitamente a seu Deus e a sua pátria, frente a frente, como nas horas mais gloriosa de Espanha, duas idéias, duas místicas, dois símbolos, duas manifestações de espírito a cujo enlace não se chegará nunca, nunca, porque entre eles não cabe harmonia possível. Uma é a idéia de afirmação e de amor cujo sentido consiste em elevar o homem. A outra é de negação que se propõem anular-lhe: é desumana".&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"O instante final se aproxima. Dentro de alguns segundos a voz daquele homem - uma voz harmoniosa e varonil, grave e serena, terna e repousada, uma voz que adquiria maravilhoso acento patético, quando falava da dor e da morte, as duas grandes protagonistas da história - se apagará para sempre. No entanto, tem que dizer uma verdade, a última verdade, com que vai expressar na hora da morte o sentido da vida: &lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;"Vós não sabeis por que me matais! Eu sei por que morro: para que vossos filhos sejam melhores do que vós".&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A luz do amanhecer detém seu curso e parece que, novamente, como na hora do Gólgota, descendem as sombras da noite. Estas sombras impedem ver a queda de seu corpo sobre a terra e permite supor que a alma iluminada pela fé teve um trânsito. E como não se conseguiu averiguar qual pedaço de terra serviu de leito a seus restos mortais, podemos afirmar que a Espanha inteira lhe serviu de sepulcro".&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;"A morte de um mártir é a verdadeira morte, porque conduz o homem a fronteira da vida na mais terrível solidão. Sozinho, abandonado, sem Ter uma mão amiga que fechasse seus olhos e cobrisse de flores seu corpo. Por ter sido morto na hora do triunfo, junto a seu cadáver, como antes junto de sua palavra, teria ido Espanha inteira: a Espanha que pensa e que sabe onde está sua salvação. Nesse amanhecer de 7 de Novembro de 1936 está sozinho, e para o cumulo da traição, seus verdugos se empenharam em negar sua morte. Só se sabe que desapareceu de sua cela no cárcere de Madri. "Onde está Maeztu?, perguntam as chancelarias da Europa e América. Onde está?, perguntam em Londres, as mulheres que lhe admirarão e escutarão sua palavra com deleite. Onde está Ramiro?, pergunta sua mãe, sua mulher, seu filho. Onde está o mestre?, perguntam os discípulos que foi deixando em sua passagem por este mundo. Onde está?, pergunta desde Buenos Aires seu grande amigo Ricardo Rojas, e desde Chile um de seus mais fiéis admiradores, Mario Garcés. Onde está o homem, o apóstolo, o profeta, o precursor?, pergunto eu. Que foi feito dele? Como e por que houve uma voz, uma só voz em Espanha que se levantara em sua defesa? Que fizeram os intelectuais, seus amigos da juventude, seus companheiros de trabalho, que não pronunciaram uma só palavra para salvar a vida um homem bom? E quando a imprecação surge terrível, desesperada, ouço uma voz clara que, em nome de Deus, contesta: Não, Ramiro de Maeztu não morreu porque ingressou no reino da imortalidade"·&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6188930667042584149-9143380819366586977?l=reconquistabr.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reconquistabr.blogspot.com/feeds/9143380819366586977/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6188930667042584149&amp;postID=9143380819366586977' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/9143380819366586977'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6188930667042584149/posts/default/9143380819366586977'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reconquistabr.blogspot.com/2008/03/comovente-e-herica-morte-de-um-mrtir.html' title='A comovente e heróica morte de um mártir. Como se deu o assassinato de Ramiro de Maeztu, em 7 de Novembro de 1936.'/><author><name>Fernando Rodrigues Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16368448307317160453</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_6uSu6EByoPY/SjFpGEjjdoI/AAAAAAAAALU/_MCTy91mSS4/S220/fernandorodrigues.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6188930667042584149.post-7541164248685580911</id><published>2008-02-27T22:22:00.000-08:00</published><updated>2008-02-27T22:35:22.282-08:00</updated><title type='text'>O dever de ser nacionalista</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;color:#000066;"&gt;Por Fernando Rodrigues Batista&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;color:#000066;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;color:#000066;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;em&gt;"Haveis de reconquistar o Brasil, não pela força bruta das armas mas pelo poder invencível das almas. Sois os arautos do advento da Idade Nova, que breve será instaurada no Brasil sob signo sagrado do Cristo".&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Alcebíades Delamare&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Somos católicos e dentro da universalidade dessa filiação divina, somos nacionalistas, nacionalismo temperado pelo catolicismo, tal qual sempre foi o autêntico nacionalismo pátrio.&lt;br /&gt;Portugal e Castela realizaram uma obra prodigiosa de expansão imperial e entrelaçamento de povos e raças, como não há exemplo igual na vida dos outros povos.&lt;br /&gt;O verdadeiro nacionalismo brasileiro, portanto, não pode deixar de ter um sentido lusíada e hispânico.&lt;br /&gt;Daí a afirmação insuspeita do historiador inglês Toynbee (protestante): "Os espanhóis e portugueses, cristãos e católicos, levaram a cabo um sentido colonizador peculiar; não só comem seu pão com os indígenas que civilizaram, mas ainda se casam com eles. Deus os bendiga. Se o gênero humano chegaram dia a reunir-se numa sí família, será graças a eles e não a nós".&lt;br /&gt;Logo, a ação histórica de Portugal e Castela, uma empresa inédita, marcada com o signo missionário e civilizador, só pode ser equiparada ao colonialismo mercantilista – como fazem os agentes do anti-Brasil - pelo desconhecimento da história ou pela má fé dos sectários de ideologias hostis a essa obra.&lt;br /&gt;Bem sabemos, nós, brasileiros, pela experiência de nossos antepassados, o que foi a atuação colonial, no sentido superior desta palavra – de colere, cultivar, donde cultura -, isto é, a ação cultural e civilizadora dos portugueses ao construírem o Brasil. Ação empreendida sob o signo da Cruz, trazida como símbolo nas caravelas e plantada no solo brasileiro ao desembocarem pela primeira vez aqui os súditos de El Rei Dom Manuel, logo genuflexos ante o altar da Missa celebrada por Frei Henrique de Coimbra, ação profundamente civilizadora por eminentemente missionária.&lt;br /&gt;Seguindo esta linha de raciocínio, a Pátria é para nós um patrimônio espiritual como a concebeu alhures Ramiro de Maeztu, barbaramente fuzilado pelos marxistas espanhóis em 1936. O que da forma a Pátria única é um nexo, uma comunidade espiritual, que se torna, ao mesmo tempo, um valor da história do Mundo. Só a Pátria assim concebida nos dará a coragem de levar assim ao último extremo a vontade de sacrifício, o esquecimento do bem próprio, a heróica febre de vencer ou cair: os homens prontos a aceitar a morte para que a Pátria viva!.&lt;br /&gt;Nacionalismo, aplica-se, com efeito, mais do que à terra dos antepassados, aos próprios antepassados, ao seu sangue e às suas obras; à sua herança moral e espiritual mais do que à sua herança material, como anuiu Maurras.&lt;br /&gt;No entanto, a todo custo, querem os agentes do anti-Brasil nos apresentar uma história falsificada em seus desígnios, feito de per si trágico, cujos protagonistas são homens vulgares, vagabundos de espírito, que prolifera
